Um Militar Contra Outros Militares
Visão de Bruce
4 anos antes
– Pode entrar, senhor Scott. – meu superior me autoriza e eu dou dois passos para dentro daquela sala com vários quadros de militares.
Dois dos meus superiores estavam ali e eu sabia que era porque eu tinha escutado demais. Não sabia se me matariam, mas sabia que eles tinham gastado dinheiro demais com a minha formação – e isso me dava um fio de esperança de sobreviver.
Antes de entrar naquela sala tive que deixar todo o meu armamento e facas do lado de fora. Eles não queriam correr risco comigo, mas eu sabia que poderia matar aqueles dois cretinos apenas com o meu próprio braço.
– Sim senhor. – respondo, batendo continência para eles e o mais velho dos dois sorri, percebendo o meu foco nele. Nunca fui muito de sorrir, mas naquele lugar eu sabia que nem caberia isso.
– Descansar. – meu superior direto diz, e eu observo ao redor por alguns segundos.
– Bruce é seu nome, não é? – o mais velho pergunta.
– Sim, senhor. – respondo.
– Ele é o meu melhor soldado. – meu supervisor direto explica e o velho o encara por alguns segundos.
– É, para conseguir fazer parte de tantos treinamentos e ações pelo mundo e não morrer em nenhum deles, tenho certeza que é. E apenas com 20 anos. É incrível. Vi a sua ficha, Bruce Scott. Conheço você, conheço a sua agilidade com armas, em corrida, escalagem, canoagem e natação. Não entendo como consegue se contentar em ser um mero soldado, quando, comparado a eles, você é uma arma.
– Não estou aqui buscando alta patente, senhor. Com todo respeito, senhor. – respondo a ele, que sorri e me aponta um lugar para sentar. Eu, então, sento e o encaro, totalmente sério.
– E o que procura? – o velho me pergunta. Em seu uniforme, o nome "Brown" estava bordado. Algo me dizia que aquele homem não queria me matar.
– Ação. – respondo, ainda olhando sério em seus olhos. – Gosto de pegar em arma, sentir fome, frio, desespero, gosto de pensar que vou morrer a todo momento. Faz com que a minha inteligência se aflore e o amor a vida cresça. Gosto de qualquer lugar fora de casa, desde que não seja confortável. Porque assim, quando eu estiver em casa, eu valorizo o que tenho.
– Passou 3 dias sem comer, senhor Scott? – Brown me pergunta e eu concordo com a cabeça. Algo me dizia que esse velho de cabelos grisalhos estava me observando a mais tempo do que eu acreditava estar.
– Sim. Em uma missão na Alemanha. – meu supervisor direto observa Brown, que confirma com a cabeça.
– Por quê?
Nesse momento eu entendi. Ele queria me conhecer. Ele instantaneamente me fez lembrar do que eu passei trabalhando na missão dentro da Alemanha para parar a Itália em 2070. Eu tinha apenas 18 anos quando matei o primeiro homem com as minhas próprias mãos – literalmente, eu enforquei ele – e isso me assombrou por muito tempo, até eu entender que se eu não tivesse matado, o meu país me mataria. Se ele queria me conhecer, era uma pena, porque eu não iria me apresentar.
– Quando eu ia comer, sempre perguntava se algum dos meus colegas de missão estava com fome. – respondo.
– É incrível. Nunca perdeu nenhum colega em campo. Nem mesmo quando foi nos servir na guerra conta a Coreia. Todos os seus parceiros sobreviveram. Já você, é todo remendado. Facadas, tiros, arames, estilhaços causados por bombas... – Brown não para, e eu não abaixo minha cabeça.
– Minha vida não vale tanto, senhor. Morreria por qualquer pessoa, desde que eu seja responsável por ela. – respondo e ele sorri.
– E pelo seu país? Se eu te subir de patente, torná-lo um general. – solto um sorriso de deboche. Tínhamos chegado onde ele queria, mas era uma pena que eu não atenderia.
– Eu irei recusar, educadamente, senhor. – repondo.
– Não se recusa ordens do seu país. – penso um pouco, olhando para a mesa dele. Tinham vários papéis lá, alguns com anotações em vermelho. Alguma coisa estava acontecendo.
– Não é meu país que está tentando me tirar de campo, senhor. – rebato, falando a última palavra com uma pausa incômoda para ele.
– O salário é três vezes maior que o seu, senhor Scott. – ele tenta me convencer mais uma vez e eu observo meu supervisor, que não demonstrou nenhum tipo de reação. Era como se ele não quisesse me influenciar, e se ele não queria, é porque ele mesmo não aceitaria se fosse eu.
– Não preciso de salário maior, senhor. – rebato mais uma vez. – Moro sozinho, meus pais tem sua própria forma de sustento e não tenho filhos. Meu lugar é em campo.
– O avô dele esteve presente na missão de 2011, senhor. – meu supervisor toma a palavra, explicando a origem da minha família para Brown. – É daí que vem esse sangue e vontade de entrar em combate. Quem vem de família de herói, gosta de ser herói também.
– Bin Laden? – Brown questiona e ele concorda com a cabeça.
– Sim, senhor. Desde o avô, a família deste soldado é fiel ao nosso país. – meu supervisor explica e eu observo o comportamento de Brown, que começa a me olhar profundamente nos olhos.
– Incrível. – é tudo o que ele diz, desviando o olhar em seguida. – Então, senhor Scott, sabemos que andou mapeando o comportamento das nossas visitas...
– Sim, senhor. – respondo.
– Pode me explicar quem são? – Brown pede.
– Tuberculum é como chamamos. – respondo a ele. Todos que fazem a segurança dos cientistas naquela base chamavam aqueles seres dessa forma, mas ninguém sabia quem tinha sido o primeiro a chamá-los assim.
– E o que isso retrata?
– Primeiro, um tuberculum é uma pessoa que foi exposta ao vírus desenvolvido pelos cientistas daqui. E nessa parte eu não sou tão bom, porque não sou virologista e muito menos cientista de qualquer outra área. Eu faço a segurança deles entre as celas que aprisionam um tuberculum e os corredores onde perambulam os cientistas. – explico por cima.
– Essas coisas são mais antigas que o seu próprio nascimento, senhor Scott. Tem noção disso? – ele pergunta e eu me controlo para não mudar meu comportamento.
– Não, senhor. – minto.
– Me explica o nome. – ele pede. Aquela base inteira tinha câmeras e microfones, é claro que ele sabia que eu tinha escutado os seguranças que já trabalhavam ali conversando sobre a nomenclatura daqueles seres.
– Tuberculum vem do latim, que significa pequena massa, inchaço. – respondo.
– Por que usar o latim para nomear essas coisas?
– Não é nome, é apelido. E usamos o latim, porque o foco para espalhar o vírus é a américa latina. Estamos com muitos focos de missões em países da américa latina que hoje, tem muito mercado com os Estados Unidos. E essa palavra, que, entre outras vindas de "tuber" que significa "tumor", deriva palavras como tuberculoso. Em países como o Brasil, a expressão "ouvido tuberculoso" era usada antigamente para se referir a pessoas que ouviam demais. Pessoas com a audição apurada. – explico e Brown observa meu supervisor, como se dissesse a ele que eu sabia demais.
Provavelmente é por isso que eles queriam me subir de patente. Me deixar ainda mais enroscado com o governo impediria que essas informações saíssem dali. Eu era o soldado que mais tinha horas trabalhando naquela base, porque eu mal pegava horas de descanso e acredito que meu único erro naquele lugar foi não me tocar do que estava acontecendo... até tudo acabar de uma vez.
– E eles são bons com som, certo? – Brown me questiona.
– Sim. É por isso que eles têm esse nome para quem lida com eles aqui na base. – respondo.
– Os senhores já sabem onde vão soltar o primeiro tubérculo, senhor Scott? – Brown retruca com essa pergunta e meus olhos se arregalam e eu me aproximo daquela mesa. Não conseguia acreditar no que tinha acabado de ouvir.
– Eles serão soltos de verdade, senhor? – Brown sorri com a minha pergunta, como se a resposta fosse óbvia. – Eles são sensíveis ao som. A população vai ficar histérica...
– Acha que lidava com essas criaturas para que exatamente? – Brown rebate a minha pergunta e eu a engulo a seco, encarando o chão.
– Senhor, acredite quando eu digo que se eles forem soltos, ninguém sobreviverá. – tento fazer com que eles mudem de ideia. – Eles são rápidos e eu já vi um deles quebrar um vidro blindado com a cabeça, para atingir meus homens.
– Nosso maior foco no momento é soltar na Ásia, senhor Scott. Terá tempo de cuidar da sua família se essa for sua preocupação. – Brown explica e eu percebo que a afirmação dele deixou até mesmo o meu supervisor estarrecido, mas ele não diz nada.
– Senhor, testes para cura ainda não foram feitos. Os cientistas falam que eles provavelmente criaram uma arma tão mortal, que nem mesmo eles saberiam controlar se saísse daqui. – tento explicar a gravidade a ele, que continua me observando com aquele olhar típico de deboche e superioridade.
– Ótimo. Então não seremos contra atacados. Pode sair, senhor Scott. – Brown finaliza e uma sirene começa a tocar no mesmo momento.
– Bruce, o que esse som... – meu supervisor começa, mas eu nem dou tempo de ele terminar e vou andando até a porta, que abre. Próximo ao portal, pego as minhas armas e olho para dentro da sala, vendo-os ali.
Eu, então, dou um tiro na cabeça de Brown, que cai ao lado do meu supervisor. Antes de ter o governo próximo a mim, eu tinha o meu senso de sobrevivência, que tinha me mandado fazer aquilo e eu não iria ignorá-lo. Se tuberculum algum tinha saído do seu lugar de segurança, provavelmente não demoraria muito até que aquele lugar todo viesse abaixo. E eu tinha certeza de que Brown iria mandar que recolhessem todos para enviar até países inimigos dos Estados Unidos. Morto ele não faria isso. Confirmo, então, com a cabeça para o meu supervisor, que concorda com a cabeça pra mim e saio correndo pelos corredores daquela base.
Continuo correndo pelos corredores e percebo que alguns soldados estavam sendo atacados. Decidi, então, ir lado contrário aos meus colegas, que atiravam contra aqueles monstros que nós mesmos criamos, entrei no elevador e apertei o botão para a garagem, no entanto, um braço impediu o elevador de fechar e eu levantei a mira da minha arma, vendo um dos meus colegas entrar no elevador. Eu, então, abaixei a arma e esperei a porta fechar.
– Logo você tá vazando? Pensei que fosse cadela deles e ficaria aqui defendendo seus donos até morrer como um tapado. – Kyle me provoca, como sempre faz. Ele me ensinou a ter sangue frio, porque depois e aguentá-lo, não tinha ninguém que conseguisse me tirar do sério.
– Ele ia soltar essas coisas pelo mundo. – digo e ele olha nos meus olhos.
– Vão sair de qualquer forma.
– E por que você não tá lá também?
– Porque eu tenho minha mulher e filha pra salvar. Vou levá-las pra Europa, antes que os aeroportos fechem. E também porque não sou cadela como você era. – sorrio, negando com a cabeça.
Ele não conseguia superar o fato de eu ser 6 anos mais novo que ele e ter todo o desenvolvimento que ele nunca teve oportunidade de ter, mas tudo bem, nem todos são desconstruídos ao ponto de entender que é perfeitamente normal não ser bom em tudo – e eu não me importava mais com as provocações. Depois de ter que nadar em um rio congelado e pagar 1500 flexões por ter batido nele em um dos treinamentos, eu entendi que nenhum esforço vale a pena quando é para demonstrar fraqueza a quem não pode vê-la. Não posso fazer nada se alguns demoram para se preparar enquanto outros nascem preparados para enfrentar tudo o que vier.
– Boa ideia, mas talvez alguns deles já estejam na Ásia. – Kyle me encara.
– Tá falando o que? – ele questiona.
– Tô te avisando que eles mentiram para nós. Não é pra estudo comportamental de humanos em casos de comprometimento parcial dos corpos, é a porra de uma arma biológica sem vacina. – explico e ele fica sério, me olhando nos olhos, tentando descobrir se eu estava mentindo, mas eu não estava.
Quando o elevador parou, demos de cara com vários soltados apontando suas armas pra nós. Kyle me encarou por alguns segundos, como se perguntasse o que eu tinha aprontado, até que um dos homens começou a falar:
– Bruce Scott, o senhor está preso acusado de assassinar o general Brown. – Smith, um dos meus amigos mais íntimos da corporação fala, e eu penso um pouco.
– Que porra você fez? – Kyle da dois passos para o lado, me encarando.
– Smith... – tento começar a me explicar, mas ele não para de falar.
– Scott, por favor, coloque sua arma no chão. – Smith ordena mais uma vez, falando em alto tom e eu olho para cima, ouvindo sons de tuberculum vindo em direção ao poço do elevador.
– Smith, eles soltaram essas coisas. – digo e ele parece não me ouvir, ou pelo menos não acreditar no que eu tinha dito.
– O que? – ele grita, e eu olho pra cima, ouvindo mais movimentações. Aqueles gritos estavam começando a me incomodar, porque poderia custar a vida de todos nós.
É claro que atirar em todos era uma opção, antes que me pergunte, mas não quer dizer que eu ia fazer isso. Eles eram meus colegas e por muito tempo foram a minha família. Trinidad me acalmou no meu primeiro surto de pânico, quando estávamos no avião indo para uma missão, Hale, outro soldado que estava ali, apontando sua arma pra mim, tinha me dado seus remédios quando eu adoeci e Jean Smith tinha me convidado a ser padrinho de sua filha. Eu jamais machucaria qualquer um daqueles homens, principalmente porque eu sabia que eles ainda estavam cegos pela falta de informação.
– Ele é um terrorista, Smith, ou o prendemos, ou executamos aqui mesmo. – George, outro dos soldados comenta para Smith, e eu o encaro.
– George, você acredita mesmo nisso? E você, Hale? Smith... – respiro fundo. – Jean... eu sou padrinho da sua filha. E eu, Bruce, estou te dizendo que aqueles homens lá em cima soltaram um ou mais daquelas coisas na Ásia.
– Kyle, qual é a situação lá em cima? – Smith me pergunta.
– Os espécimes se soltaram. – Kyle responde. – Todos estão mortos e os que não estão, estarão.
– Jean... vai pra casa, libera seus homens e vai salvar a sua família. – peço, olhando em seus olhos e ele abaixa as armas, junto com todos os outros.
– Droga. – ele diz, olhando nos meus olhos. – Me deve uma Bruce. – responde e eu confirmo com a cabeça. – Todos estão dispensados. – ele ordena e os homens começam a ir em direção aos seus carros.
E eu sei que você vai pensar que eu não honrei o meu juramento de servir ao meus país, mas pense bem: eu fui treinado por três forças táticas diferentes no mundo inteiro e não apenas para a que eu fui selecionado: SEALs. Quase morri no Brasil, no Bope, levei 2 tiros para salvar reféns trabalhando na Alemanha, com a GSG9 e tenho pesadelos até hoje pelo período que fiquei acompanhando os treinamentos e ações da SASR, na Austrália.
E isso não valeu absolutamente nada. Nenhum dos terroristas que já matei, ou homenagens que já recebi valeram quando me fizeram a pior proposta da minha vida: acompanhar e fazer a segurança de cientistas enquanto eles manipulavam espécimes "humanos" em uma nova arma biológica.
Todos eles sempre falaram que era um vírus que seria arquivado e usado apenas em casos extremos, mas hoje de manhã eu ouvi que esse vírus já tinha sido infiltrado em pelo menos 2 países – foi por isso que meus superiores me chamaram para conversar, eles sabiam que eu tinha escutado aquela conversa. E é aí que está: se o meu país não é sincero comigo, por qual motivo eu tenho que ser com ele? As horas de fome, corrida, os tiros, as operações, todos os colegas que eu já vi morrerem... nada disso valeu para eles.
E é por isso que eu entrei no meu carro – pouco depois disso eu vi um tuberculum sair do vão do elevador. Ele tinha caído dos andares superiores e ainda assim seguia eu e todos os ex-membros da minha equipe. Saí do prédio acelerando com tudo e sem olhar para trás – vendo, então, uma explosão nele pelo meu retrovisor, e outros tuberculum's pulando das janelas de vidro e correndo atrás de todos os soldados que também tinham escapado comigo. Acenei para meus colegas que faziam a segurança da base, cerca de 2,5 km de distância dos laboratórios e saí dali, depois de avisá-los sobre os espécimes fugitivos, dirigindo por horas seguidas sem parar até chegar na casa dos meus pais. Infelizmente, quando cheguei, não tive sequer tempo de explicar, porque cheguei no meio de uma merda de churrasco.
Hoje
– Quer? – Dylan me oferece um pouco da sopa que estava tomando e eu nego com a cabeça. Estávamos em um campo aberto, depois de andarmos por várias horas seguidas, até anoitecer.
– Não, valeu. – agradeço a ele, enquanto continuo observando as pessoas do nosso grupo, que dormiam. Por algum motivo, Dylan permanecia ao meu lado ao invés de dormir com eles.
– Se eu pudesse, Bruce, entraria na sua mente para entender quis coisas você já viu. – ele comenta e eu sorrio, encarando-o por alguns segundos.
– Não ia dormir nunca mais. – respondo e ele sorri.
– Que isso, eu sei que você tem muito pra contar. – era impressionante como ele não cansava de tentar arrancar coisas de mim.
– Não tenho o que contar, Dylan. E se eu fosse você aproveitaria essa pausa. Estamos próximos do Alabama e eu não vou querer parar de andar. – digo a ele, que dá de ombros.
– Mas não sabemos em qual cidade eles estão.
– É, mas eu vou fazer um limpa por aquele estado, não saio de lá até encontrá-los.
– Não tem como me dizer nada sobre você mesmo?
– O que quer saber? – decido que não ia mais tentar me esquivar dele, porque eu tinha cansado.
– Por que escolheu o exército?
– Minha família sempre foi do exército, desde a geração do meu avô. Ele fez parte do mesmo grupo que eu, com a diferença que ele entrou com todo o esforço e só conseguiu ser reconhecido com uns 35 anos. Eu entrei com 16. Fui convidado pelo próprio presidente por causa das ações do meu pai depois do meu avô. Quando nasci, meu pai recebeu uma carta. Ela o parabenizava pelo filho, dizendo que ele com certeza seria um ótimo militar, como o pai e que eu estava convidado a me juntar a eles aos meus 16.
– E seu irmão?
– Quando ele nasceu, eles também receberam uma carta.
– De?
– Pêsames. Falaram que ele não viveria demais, porque os projetos do governo implicariam contra isso. Meu irmão morreu com 16 anos, a mesma idade que eu entrei para o exército. – respondo, tentando não me concentrar na cena que eu vi de Den morto.
– Eu... nem sei o que dizer.
– Quando eu cheguei nos meus 16 anos, eu realmente quis ir para o exército. Fiquei lá por 1 ano bebendo lama e levando tapa na cara. Depois disso eu decidi pedir para fazer o teste para ir a SEALs.
– O que é?
– É uma das forças de operações especiais da marinha dos Estados Unidos. – respondo.
– Conseguiu?
– Claro, se não for pra conseguir eu nem tento. – respondo e ele sorri, um sorriso meio envergonhado.
– E depois?
– Servi. Fiz tudo o que me mandaram até ser chamado para fazer treinamentos em diversos grupos táticos no mundo. Passei meus 4 anos do exército fazendo treinamentos intensivos, presenciando guerras, levando tiro e matando pessoas. Isso aqui pra mim é um jogo, porque eu já fui para o inferno várias vezes pra ter medo de um monte de coisa que eu mesmo estudei. – explico por cima, torcendo pra ele parar de me fazer perguntas, mas Dylan não para.
– E seu pai?
– Depois da carta sobre o meu irmão, ele saiu da corporação. Ficou estarrecido, disseram que ele não serviria mais. – continuo explicando, enquanto observo nosso acampamento.
– E mesmo assim você foi?
– Pra mim era mais glorioso servir o meu país do que ser um fazendeiro, como meu pai.
– E agora? Se fosse fazendeiro acha que poderia ter salvo eles?
– Se eu fosse fazendeiro, estaria morto. Como eles. – ele olha nos meus olhos. – e eu sei que você quer saber se a gente sabia disso... e eu posso te dizer que mesmo que o CDC não soubesse, cientistas de lá sabiam. E tudo com aval de pessoas muito mais poderosas que eu. O Centro de controle e prevenção de doenças não sabia o que estava acontecendo no mundo quando essas coisas começaram a comer tudo o que se meche... mas eu sabia.
– É por isso que não trabalha mais pra eles? – Dylan questiona e eu concordo com a cabeça.
– É. Porque quando eu entendi que eu não era ninguém, eu decidi que não permitiria que a minha irmã morresse por ninguém.
– Por que tá me contando isso?
– Porque você não para de me fazer perguntas e agora eu espero que você cale a porra da sua boca. – termino.
– O que eles são? – respiro fundo. Era difícil aguentar o Dylan.
– Tuberculum. E não vou explicar o motivo pelo qual nós, militares os chamamos assim. A última vez que eu fiz isso descobri que eles iam matar a minha família e todos que estivessem no caminho. Acho que explicar sobre essas coisas atrai coisa ruim.
– Obrigado, Bruce. – ele põe a mão no meu ombro, e eu encaro aquele toque por alguns segundos.
Dylan, então, se levanta e sai andando até o grupo, me deixando sozinho mais uma vez. Era muito bom ter o gosto do silêncio novamente, mas depois de um tempo, quando fui dar uma volta entre as pessoas para ver se todo mundo estava bem, percebi que ele não estava coberto. Tive que pegar minha coberta e cobri-lo, Dylan já era chato saudável, não queria vê-lo doente.
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