Questões Que Precisam de Respostas

Visão de Bruce

Depois de mais de duas semanas de viagem, todos já estavam mais confiantes e eu conseguia perceber isso. Os olhares temerosos deles, por eu confiar demais em quem estava comigo, começavam a sumir, mas é claro que sempre que eu podia, os lembrava que o que nos mantinha vivos era o medo. 

Isso, porque a morte gosta de matar, mas gosta ainda mais de se divertir no processo. Ver a nossa autoconfiança desmoronar a diverte demais, então não é bom se colocar acima dela, porque ela é quem rege a existência de todas as coisas. Você não sabe quem vai encontrar após morrer, mas sabe que vai morrer. Então encare ela como uma amiga de humor delicado e que adora pregar peças e surpresas – e, consequentemente, entenda que ela é bem imprevisível.

Até aí tudo bem. Nossa viagem era, relativamente, agradável. Até mesmo quando passávamos por dentro de cidades desertas e cheias de zumbis, porque em meio a toda aquela destruição sempre tinha um de nós para tirar sarro com a situação ou tentar divertir os outros – em silêncio absoluto, ou quando estávamos longe de perigos, claro. Cada refeição no meio do nada, cada vez que parávamos para descansar e até mesmo cada conversa que nascia, enquanto tínhamos que perambular por aí, era um momento único. Acho, então, que não preciso nem dizer que aos poucos todo mundo estava se interligando totalmente – mesmo que sem perceber.

Fora que cada vez mais Dylan se sentia confortável o suficiente para puxar comigo assuntos que o arrancavam da zona de conforto em que ele tinha se encaixado – e eu me sentia muito especial por isso.

– Como você se entendeu gay? – ele me pergunta, enquanto eu comia minha comida enlatada. Amélia e Jonas estavam juntos longe de nós, correndo, já que eles já tinham comido.

– Não sou gay, Dylan. – respondo a ele, que fica me observando por algum tempo.

– O que?

– Eu sou bissexual. – explico, bebendo um pouco de água, em seguida.

– Mas a gente...

– Não é porque eu estou com você que minha atração por mulheres deixou de ser válida. Eu te amo, quero viver muito tempo com você, mas não, única e exclusivamente porque você é homem, e sim porque eu gosto da pessoa que você é. Mas pode ficar tranquilo que você me atrai também. – explico e ele sorri, claramente pensativo.

– Você se atraiu por outros caras antes de mim? – encaro ele momentaneamente, soltando minha colher na minha lata.

– O que é isso agora? – pergunto. Eu não estava incomodado, mas queria entender a motivação dele para chegar me perguntando isso a essa altura do campeonato.

– Estava pensando sobre isso. Quer me responder? – respiro fundo, erguendo minhas sobrancelhas por alguns segundos.

– Antes de você, eu achei alguns caras bonitos durante a minha vida, mas eu nunca tive coragem de demonstrar. O ambiente que eu estava era extremamente hostil desde a minha infância. Depois veio o exército, com um clima ainda mais machista e perseguidor, então eu tive menos coragem ainda de explorar a minha sexualidade.

– Entendi... – ele reflete a minha resposta.

– E pra você?

– Antes disso tudo tinha um cara... sei lá, ele namorava a minha irmã. – sorrio com o começo dessa historia dele e ele me observa, como se tentasse me entender.

– Que escolha inimaginável pra crush impossível, nunca vi isso. – brinco e ele sorri.

– Que isso, ele era o cara mais simpático, engraçado e popular da escola. No começo eu tinha um ódio descomunal dele, sabe?

– Mas tudo que você odeia muito, tem um fundo de fascínio. Quem sabe canalizar isso acaba se tornando especialista no que antes odiava.

– Eu só sei que ele sempre foi muito gentil comigo, e eu ficava pensando coisas. Sei lá, eu era muito novo quando tudo capotou. Estava começando a vida útil da minha mão para propósitos mais... você sabe. – rimos. – Mas eu me lembro do Ariel como o cara que era a luz do colégio e por alguns momentos singelos antes de tudo dar errado no mundo ele foi a minha também.

– Ariel era o nome do seu amor platônico?

– É, Ariel Myles. Eu me lembro até do repúdio que eu sentia do cheiro dele.

– Tô ficando com ciúmes. – comento e começamos a rir em seguida.

– Nem consigo te imaginar com ciúmes. – Dylan responde e eu dou de ombros, comendo mais um pouco da minha comida.

– Me conta mais do que rolou... – peço, depois de engolir, e ele dá de ombros.

– Nada demais. É claro que depois de um tempo vendo o Ariel tão perto, a minha mente de adolescente perdido começou a sentir um negocinho.

– Em segredo, imagino.

– É. Principalmente porque ele era hétero e namorava a minha irmã. Gentil com todo muito, atencioso o tempo inteiro, mas hétero. – ele ressalta e eu fico calado por alguns segundos.

– Claro. – respondo e ele me olha nos olhos. – Não precisa ressaltar isso pra mim, Dylan. Eu não sou o tipo de pessoa que associa masculinidade e heterossexualidade a babaquice, mesmo que eu tenha sido cobrado pra ser assim a minha vida toda.

Ficamos em silêncio por um tempo, enquanto eu terminava de comer. Dylan estava sentado ao meu lado, no chão. Estávamos embaixo de uma árvore, o dia tinha acabado de amanhecer e estávamos comendo para nos prepararmos para dormir. O clima era ameno e ventava levemente ás vezes.

– Você gostou de mim assim que me viu? – ele corta o silêncio e eu sorrio, negando com a cabeça.

– Quando te vi pela primeira vez, achei que fosse um lobo solitário. Eu só entendi que você talvez não fosse uma ameaça, quando a Amélia me disse, sabe? Antes disso pra mim você era um alvo.

– É serio? – ele pergunta, claramente puto e eu começo a rir, mordendo meu lábio inferior e olhando de baixo pra cima na direção de Dylan.

– Qual é, todo mundo no mundo é um alvo, como eu imaginaria que você não era um, e sim o amor que eu iria querer levar pro resto da minha vida? – pergunto, travando em seguida, ao perceber a forma paralisada que Dylan me observou. Ele estava surpreso por ter ouvido aquilo e eu estava duas vezes mais por ter dito.

Eu, então, comecei a comer, sem dizer nada a ele, enquanto ele pensava sobre o que eu tinha acabado de dizer. E por mais louco que possa parecer, esse silêncio entre nós perdurou por muito tempo quando voltamos a andar. Eu não sabia se tinha falado demais, já que eu nunca tinha, sequer, pedido ele oficialmente em namoro.

E acho que essa forma natural com que eu me "declarei" para Dylan, reflete diretamente o fato de eu me sentir completamente a vontade com ele. Pra mim foi natural associar a imagem dele a imagem de um namorado sem ter que pedir, sem ter que formalizar totalmente, sabe? Porque tudo com ele sempre aconteceu sem precisar de um marco diferente.

Acontece que essa minha declaração claramente causou um certo impacto nele, e eu não sabia exatamente se tinha sido positiva ou negativa. Eu só sei que esse silêncio entre nós só terminou quando um momento engraçado e descontraído chegou – depois de termos dormido, quando voltamos para nosso trajeto.

– A Amélia tá achando que tá onde? – corto o gelo com Dylan, questionando-o, ao ver que a minha irmã estava mais aérea e ele dá de ombros, sorrindo em seguida.

Ela olhava mais para o céu, como se observasse os pássaros ou o céu azul e sem nuvens que existia acima de nós – e pode parecer lindo, mas quando se está em uma área sem uma árvore sequer, é um inferno.

E na verdade, tudo o que você faz na sua vida tem um gosto diferente, dependendo do momento. O sabor de um pão seco é diferente quando você come por comer, em um lanche, e quando você o come para te sustentar durante um dia todo. O calor do sol e a beleza de um céu sem nuvens é diferente quando você observa de uma área arejada, com uma piscina próxima e quando você está embaixo dele, sem qualquer chance de driblá-lo ou se refrescar.

O que importa, no entanto, é que quando eu percebi que Amélia estava viajando completamente, passei minha besta para Dylan e fui andando escondido até ela, pegando-a no colo, enquanto nos girava naquele campo de mato médio. E pela primeira vez, em muito tempo, eu fiz a minha irmã gargalhar de alegria, enquanto eu a levava nos meus braços. Era bom não vê-la como uma médica brava por eu ter desrespeitado alguma recomendação.

Corri com ela por alguns metros, nos girei mais um pouco, e depois dessas brincadeiras continuei andando com ela nos meus braços, dando um descanso para as perninhas curtas dela.

– Bruce... – Amélia chama a minha atenção, enquanto ainda está nos meus braços. Ela estava de olhos fechados e sentia o vento daquela tarde tocar seu rosto, enquanto não tinha que se preocupar com o percurso que estávamos atravessando.

– O que?

– Você ficaria com muita raiva se eu dissesse que não quero ser médica? – ela pergunta, abrindo os olhos e me olhando diretamente nos meus. Eu, então, penso um pouco, porque eu não sabia muito bem onde ela queria chegar.

– Por que está me perguntando isso? Quer fazer o que no grupo de sobreviventes? – pergunto de volta e ela pede pra descer. Eu então, coloco Amélia no chão e ela parece ficar extremamente tensa.

– É que... – ela me olha e seus olhos se enchem de lágrimas e o meu alerta começa a apitar. Não sabia o que estava afligindo-a, mas se ela estava mal eu também estava. – Eu não quero decepcionar você. – eu, então, paro de andar, me abaixando na frente dela, que tinha acabado de parar de andar também.

– Pode parar... – peço, limpando as lágrimas que escorriam pela bochecha de Amélia. – Você jamais me decepcionaria.

– É que eu talvez não queira ser médica, Bruce...

– Amélia, quando chegarmos no acampamento você não vai precisar trabalhar até se sentir preparada pra isso. – rebato, olhando fundo em seus olhos confusos. – Você tem 11 anos de idade, não tem que se preocupar com isso. O que eu cobro de você agora, eu cobro porque se eu não fizer você pode morrer. Mas lá vai ser diferente, meu amor.

– Acha que eu estou sofrendo por antecipação? – ela pergunta e eu sorrio.

– Não precisa se preocupar com nada agora. – beijo sua testa.

– É que eu acho que gosto de estar em contato com adrenalina, Bruce, assim como você. E eu sei que você não gosta da realidade de militares treinados e coisas do tipo. A última pessoa que eu quero decepcionar por ser quem sou é você. – ela me explica e eu observo Dylan e Jonas, que começavam a se aproximar de nós. Ela e eu estávamos mais na frente por causa das minhas corridas, mas é claro que essa distância não perduraria por muito tempo.

– Você jamais me decepcionaria, Amélia. Você é minha garota perigosa e isso nunca vai mudar. – ela sorri um sorrisinho frouxo. – Te apoio com toda e qualquer decisão que tomar na sua vida, mas saiba que não precisa se preocupar com emprego agora. – ela confirma com a cabeça e eu pego minha besta com Dylan de volta, assim que ele se aproxima o suficiente de nós.

Voltamos a andar e essa breve conversa com Amélia não saia da minha cabeça. Eu não tinha noção sobre como reagir, se ela tinha se sentido acolhida por mim e se eu tinha sido um bom irmão mais velho – eu só esperava que ela tivesse compreendido que eu não a julgaria como fui julgado, e não perseguiria as suas escolhas como eu tinha sido perseguido com as minhas. A verdade é que a cada dia naquela viagem eu podia conhecer mais da minha irmã, partes que eu não conhecia, e o mínimo que eu sentia depois de saber que ela não queria ser médica, era que ela finalmente tinha me dito o que ela queria – e não o que os outros esperavam dela.

E é. Observando Amélia com o passar dos dias, vendo-a fazer cocteis molotov com Dylan, treinar mira com Jonas e caçar comigo, eu conseguia ver a diferença nela. Todas as vezes que ela, Jonas e eu parávamos para treinar luta, por exemplo, ela mostrava que tinha aprendido uma coisa aleatória sozinha. Aos poucos e com o passar do tempo, Amélia crescia cada vez mais – e com ela seu cabelo, que em cerca de 2 meses andando, ele já estava quase na metade das costas... bom, pelo menos a parte grande.

No entanto, outros traços dela não mudavam. O olhar dela de observadora e sonhadora quando via um pássaro, ou a delicadeza na hora de pegar uma borboleta no dedo... tudo isso continuou o mesmo. E eu posso estar parecendo um irmão mais velho babão qualquer, quando digo que Amélia podia crescer o quanto fosse que não perderia sua essência, mas isso era um fato. Eu amava tanto a minha irmã que não conseguia expressar isso em palavras.

E assim foi. Continuamos perambulando de noite e dormindo algumas horas de dia – mas confesso que as vezes eu não conseguia dormir, então eles dormiam e eu fazia a segurança de todos. Atravessamos cidades imensas, que foram devastadas pela situação atual do mundo, lugares intocáveis, como cachoeiras e bosques intactos, onde a natureza já tinha se recuperado do baque que foi a existência do ser humano e até mesmo lugares distantes, que ainda tinham casas lutando contra o tempo que insistia em passar mais rápido do que suas estruturas conseguiam suportar.

Entramos em Louisiana, depois de algum tempo e aquele foi um estado bem devastado. Era assustador ver como nenhuma cidade dentro do estado – pelo menos até onde tínhamos passado – tinha sobrevivido ao que aconteceu. É claro que passamos bem longe de Novas Orleans, e como a memória dos meninos estava refrescada pela história dos Estados Unidos que eu tinha comentado com eles, eles sempre chamavam a minha atenção para apontar a existência de alguma bandeira confederada dentro do estado – assim como começaram a fazer em Mississipi também. A questão maior é que eu jurava que iríamos passar por aquele estado intactos – como vínhamos passando por tudo –, mas é claro que não foi o que aconteceu...

Quando chegamos na cidade de Calvin, em Louisiana, nos deparamos com um cenário inédito: a cidade estava cheia de zumbis. Cheia. Não era um, dois ou 50, era centenas de milhares de zumbis por todos os lados. Encarei Dylan por alguns segundos e comecei a pensar. Se déssemos um passo em falso, pisássemos em uma folha, ou déssemos o mínimo tropeço que fosse, iríamos atrair centenas de zumbis em nossa direção, sem qualquer chance de defesa.

– Vamos dar a volta. – concluo, voltando para uma parte afastada, mas ninguém me segue.

– Bruce, a gente consegue. – Jonas comenta e eu paro de andar, me virando pra ele.

– Não. Não é questão de dar conta, é questão de segurança. Qualquer micro inclinação da vida para o lado de a gente tomar no cu, a gente vai. Não dá pra saber se vamos pisar em uma folha ou chutar uma pedra sem querer. Não dá pra passar aí, a menos que vocês achem mesmo que vamos sobreviver se entrarmos em um covil dessas coisas. Às vezes até mesmo a nossa respiração pode atraí-los. Não sei como eles estão...

– Como assim? – Dylan questiona e eu respiro fundo, pressionando minha têmpora direita com dois dedos, de olhos fechados, e olhando-o nos olhos em seguida, depois de desencostar os dedos da minha cabeça.

– Você e o Hale não tiveram que lidar com zumbis que enxergam? – pergunto a Dylan, apontando em sua direção.

– Você tá certo. – ele, imediatamente, entende o meu lado e parece estar comigo nessa.

– Eu estou com o Jonas. – Amélia responde e eu fico surpreso com aquele posicionamento dela.

– Ótimo, dois votos pra irmos e dois para ficarmos, como vamos resolver? – pergunto.

– Tenho uma moeda. – Jonas comenta e todos encaram ele.

– O que? Por quê? – Amélia pergunta, sem acreditar naquilo. Quem carrega uma moeda no meio de um apocalipse zumbi? Jonas, claro.

– Porque é a minha moeda da sorte. – ele responde. – Cara ou coroa, Bruce?

– Merda. – resmungo.

Preciso dizer que eles venceram? E é exatamente aí que a vida prova que estava tirando um sarro imenso da minha cara. Porque eu sentia no fundo do meu âmago que isso iria dar errado e que a pressa não valia tudo isso, mas a minha intuição de soldado de campo tinha perdido pra uma miséria moeda. Aposto que a morte ria muito naquele momento, já que provavelmente ela me fez perder.

O que importa, no entanto, é que fomos. Todos juntos, com passos vagarosos em direção à avenida principal da cidade. E cada um dos meus passos eu controlava meu coração, como tinha que ser feito para que ele não batesse rápido demais. Eu sentia a minha espinha gelar só de pensar nas possibilidades de aquela travessia dar errado.

Cada passo que eu dei foi com o pensamento de proteger Amélia acima de qualquer coisa. E eu sempre ficava próximo dela, exatamente para isso. Caso qualquer coisa desse errado, ela seria a pessoa que sairia viva dali e eu não mediria esforços para isso – mesmo que, para alcançar esse objetivo eu já tivesse entendido que teria que sacrificar todos, incluindo eu mesmo e o homem que eu amo.

E assim fomos. Chegamos na metade do percurso sem qualquer problema, até que Jonas chutou levemente uma garrafa, despertando uma daquelas coisas, que por algum motivo começou a ir em direção a Amélia – e eu fiz o que eu sempre fiz... a defendi como pude. Eu segurei Amélia com meu braço direito, puxando-a pra mim, e senti, no meu braço esquerdo, a força da mandíbula daquela coisa me mordendo. Atrás dele vinham vários outros, e quando ele me mordeu eu só dei um grito com todo o ar que tinha acabado de encher nos meus pulmões.

E vocês podem estar pensando "puta merda, agora fodeu de vez" por eu ter gritado, mas não foi o que aconteceu. Por alguns segundos, eu vi aquelas coisas em meio a uma visão turva, ouvi os corações de Amélia, Dylan e Jonas baterem e consegui perceber até mesmo o som das suas respirações. Caí de joelhos no chão, com meus olhos ardendo e quando os abri novamente – percebendo que a minha visão tinha voltado ao normal –, vi que os zumbis estavam parados.

Eles tinham parado no lugar que estavam quando gritei, sem vir na nossa direção, como se tivessem ficado com medo de mim. Eu, então, dei outro grito e eles começaram a ir para longe, como se me entendessem e estivessem me dando espaço. Meu braço pingava sangue, por causa da mordida que eu tinha levado, meu coração batia acelerado e eu sentia como se tivesse algo quente correndo pelo meu sangue. Não sei se já levaram uma injeção de alguma medicação que parece esquentar sua corrente sanguínea, mas era exatamente essa a sensação que eu sentia naquele momento.

Enquanto andávamos, todos os zumbis nos davam espaço, como se estivessem abrindo caminho para nós e essa foi a coisa mais louca que eu tinha visto em toda a minha vida, porque naquele momento eu tinha, finalmente, percebido – por completo – o motivo que eu sempre tinha sido perseguido por todos.

Ao terminarmos de atravessar a cidade, meu braço não sangrava mais. Na verdade, a mordida já estava quase que cicatrizada, como se nada tivesse acontecido. Quando já estávamos em segurança, eu parei na frente de Amélia e ela analisou os meus olhos, percebendo que eu não tinha sofrido nenhuma alteração naquele período de mais de uma hora até o fim da travessia.

– Bruce, o que você é? – Dylan pergunta e eu o observo por alguns segundos. 

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