O Passado Molda O Futuro
Visão de Amélia
5 anos antes
Todos os anos, no meu aniversário, eu esperava que Bruce fosse me ver. E ele sempre ia. Ao contrário dos meus pais, que me forçavam a ir em concursos de beleza e usar cores em tons claros sempre, Bruce me dava blusas escuras, brinquedos que, na época, eram chamados de "brinquedos de garoto", porque eu pedia, e tudo o que ele poderia fazer para aliviar a pressão sobre eu ser uma garota no interior, ele fazia.
Bruce me via como uma pessoa livre, que também queria viver aventuras e construir histórias épicas, ao invés de levar toda a minha infância com o único propósito de me preparar para ser mãe e formar uma família. Contrariando todos ao nosso redor, meu irmão mais velho foi o responsável por iluminar a minha cabeça desde muito pequena e eu me lembro muito bem disso.
No meu aniversário de 6 anos – o último antes de tudo começar a dar errado, de vez, no mundo –, me lembro que Bruce foi lá em casa, me levar em um jogo de baseball, porque eu gostava muito. Pra completar, ele era amigo de um dos meninos que estava jogando, então ele ainda pôde me apresentar ao time. Foi um dia incrível, e mesmo eu sendo uma pessoa tímida, por causa das coisas que as pessoas impuseram na minha vida toda, enquanto eu estava com Bruce era diferente.
Me lembro e muito da minha mãe e do Dan conversando sobre Bruce ser chamado na coordenação, porque ele era muito fechado. Acredito que, assim como eu sofri com a perseguição das imposições sobre eu ser uma garota – e ter o dever de ser feminina – ele também sofreu e muito com as imposições sobre ele ter que ser um cara grosso, porque, afinal, ele era da roça, "macho de verdade".
Mas eu tenho que dizer a vocês que a minha visão e meu relacionamento com Bruce sempre fugiu muito disso. Quer dizer, mesmo ele sendo uma pessoa extremamente séria e centrada – isso, por causa da personalidade dele mesmo – nós dois nunca nos cobramos performance de gênero. Quando estávamos juntos, Bruce era doce, ágil, atencioso e gentil – e acho que é por causa disso que eu sempre tive uma visão diferente da visão que as pessoas costumavam ter dele, porque assim como eu era livre com ele, ele também era comigo, sem esperar suprir nenhuma expectativa do mundo exterior.
Costumávamos dançar juntos quando nossos pais não estavam em casa, Bruce gostava de brincar com as minhas coisas, comigo, pra me entreter, já que a fazenda era longe de todas as outras casas – e, consequentemente, das minhas amigas. E ao contrário de Dan, que tinha sim uma masculinidade muito frágil – tão frágil quanto uma fina camada de gelo formada sobre um carro, após uma noite fraca de nevasca – Bruce tinha um potencial enorme. Ele sempre teve. E me dói o fato de nosso pai nunca ter reparado isso, porque estava ocupado demais cobrando mais masculinidade dele – que, por sua vez, lutava para não deixar que isso se tornasse tóxico ao ponto dele se perder.
Lembro-me, até mesmo, ainda mais daquele dia do meu aniversário de 6 anos. Depois de chegarmos do jogo, chamei ele para entrar e esperar nossa mãe em casa – porque ele disse que ia esperar em um café aleatório até que ela chegasse, e eu queria aproveitar mais o meu irmão – e ele entrou. Acabou que, cerca de 30 minutos depois disso, estavam ele e eu dançando juntos na sala enquanto, víamos um programam de música. E é claro que meu aniversário não poderia passar tranquilamente, sem nenhum problema dessa vez... porque enquanto dançávamos nosso pai chegou. A porta fechou, nos assustando e quando nos viramos, lá estava ele.
– O que é isso? – nosso pai pergunta e eu fico calada, olhando Bruce rapidamente.
– Estávamos dançando. – ele responde. Bruce já estava mais velho, já estava calejado desses comportamentos do meu pai, afinal, ele saiu de casa brigado com ele e só agora eles estavam experimentando uma reaproximação.
– E daqui a pouco vai fazer o que? Brincar de bonequinha? Dar a bunda? Eu pensei que indo para o exército contra a minha vontade, fosse, pelo menos, criar um homem de em você. – meu pai rebate e Bruce solta um sorriso irônico.
Eu nunca entendi o que meu pai realmente esperava de Bruce. Acredito, no entanto, que ele esperava que Bruce, por ser o mais velho e o maior de todos da família, fosse ser o homem que meu pai era. E isso, certamente, não deu certo. Porque enquanto meu pai achava que tinha sido um excelente pai por ser "macho de verdade" ele, na verdade, me deu muitos traumas por ouvir as surras que ele dava na minha mãe, quando estava bêbado... e meu irmão estava muito longe de ser como ele. Bruce podia ser reprimido sentimentalmente com a maioria das pessoas, mas certamente não era violento sem motivo algum.
Em contrapartida, esse sentimento que eu tinha de confusão, piorava quando eu ouvia a minha mãe falar sobre a fase de Bruce que eu não vivi – porque ainda não tinha nascido. Ela sempre me contou como o meu irmão conseguia guiar bem o gado, lidar com problemas que nem nosso pai conseguia, ou fazer trabalhos pesados desde muito jovem. Mas também comentou com uma das amigas dela que meu pai começou a persegui-lo, quando, com 10 anos, Bruce não conseguiu atirar em um animal que apareceu na fazenda – sim, você não leu errado... 10 anos. Eu entendo, então, que hoje, ele não hesitar em puxar um gatilho, nada mais é, do que a tentativa desesperada de fazer parar o looping de ofensas psicológicas que ele deve ouvir de nosso pai, mesmo que morto, na sua mente. E é era triste.
– E criou, pai. – Bruce responde.
– É? E por que você só aparece aqui para me dar decepções?
– Te decepciono por não ser como você?
– Claro.
– Ainda bem. – Bruce responde, com um sorriso irônico no rosto e meu pai, então, vem até Bruce, que permanece de cabeça erguida e olhando-o nos olhos.
– Olha aqui, seu moleque...
– Bruce? – minha mãe aparece na sala, interrompendo meu pai. – Que bom que veio para o aniversário da Amélia aqui em casa esse ano! – ela vem ate ele, abraçando-o.
– Oi, mãe. – Bruce cumprimenta nossa mãe, que segura seu rosto com as duas mãos, dando um beijo nele.
– Trouxe coisas para o jantar, vai me ajudar? Temos que fazer, inclusive, um bolo para Amélia.
– Ajudo, claro. – ele responde, olhando nos olhos do meu pai, que ainda estava furioso. E eu me lembro perfeitamente da forma como eles dois se olharam, porque enquanto isso tudo acontecia eu permanecia ali, imóvel de tanto medo.
– Agora você cozinha também? Que bela marica essa que eu criei. – Bruce, então, se vira para o nosso pai, antes de sair da sala, saindo da frente de nossa mãe e ficando na frente dele. Ele já era mais alto que nosso pai, tinha um olhar mais carregado que antes de ir pro exército, e algumas das marcas pelo seu corpo, eram visíveis.
– Que eu saiba, homem e mulher têm que comer. Acha que em campo, para me manter vivo, eu iria me recusar a comer e fazer minha comida porque eu sou homem? – Bruce questiona e Dan aparece na escada nesse momento. A situação era tão tensa que até ele, que sempre disse ser o machão do papai, não conseguiu se mover.
– Olha aqui... – meu pai começa, apontando o dedo para Bruce, que dá um tapa na mão dele, tirando aquele dedo de sua direção.
– Não, olha aqui você. Eu já tive que comer esquilo cru para permanecer vivo. Saber ou não cozinhar, não interfere no fato de que hoje, eu estou vivo porque eu não penso como alguns soldados medíocres. E ex-soldados também. – Bruce vai andando até a cozinha, com nossa mãe.
Quando meu pai me olhou, fui em passos curtos – e medrosos – até a cozinha, de cabeça baixa, onde Bruce conversava com a nossa mãe sobre a dificuldade de se relacionar com ele, mesmo agora que ele já tivesse – aparentemente – aceito o fato de Bruce ter entrado para o exército. Nós, em casa, achamos que quando o papai aceitasse a escolha dele, estaríamos livres de brigas, o que não aconteceu, porque mesmo que eles se forçassem a tentar a paz, esse tipo de estranhamento era muito comum.
Isso, porque quando o papai aceitou a escolha de Bruce, ele passou a cobrar que Bruce fosse ainda mais "macho". E a cada ano, quando eu o via no meu aniversário, eu percebia que os tons de voz dele vinham mudando comigo – era como se, além de retraído, agora Bruce estivesse ficando amargurado.
– Tem que ter paciência com ele.
– Paciência? Mãe, eu vivi 7 meses com o Hale, que foram meses libertadores. E acredito que se o Dan saísse desse mundinho de merda dessa cidade, ele iria crescer muito mais, porque gente como ele... – Bruce aponta para a direção onde meu pai tinha ido, após sair da sala – Criam traumas em outras pessoas a troco de nada e dão uma educação bosta pra gente que tem um potencial imenso de mudar a porra do mundo, mas não faz, porque quando cresce fica preocupado demais em tentar se curar das cicatrizes psicológicas que lhe foram causadas.
– Bruce, você sempre foi diferente. Desde quando começou a comprar roupinhas para a Amélia, 6 anos atrás, eu já via que você estava a cada dia mais diferente. E ser diferente em um lugar onde as pessoas têm cabeça pequena, pode ser um fardo, mas nunca pense que o fardo é você, como o seu pai quer que pense. Ele só é...
– Medíocre. – Bruce completa a frase de nossa mãe, respirando fundo em seguida. – E você ainda quer que eu tenha paciência com ele? Ele é um homem adulto e precisa se comportar como um. Não adianta nada um pai cobrar paciência do filho, se ele não tem maturidade para lidar com as escolhas e com a pessoa que seu filho é. Não adianta cobrar um princípio secundário, como a paciência, se você não tem o primário, que é o respeito. Passei 3 anos servindo intensamente pra conseguir chegar aqui hoje, com uma cópia da chave de casa, ver a minha irmã e levá-la em um jogo de baseball sem ter que ir embora antes dele chegar. Eu tive paciência, mãe, porque eu se não tivesse chamaria a Amélia para conhecer meu trabalho, ao invés de ficar vindo aqui e esbarrando com ele todos os anos, mas eu também canso. – ele responde. E enquanto eles conversam, eu fico ali, observando. – Ela vai crescer traumatizada, ou, no mínimo, pensando pequeno igual o Dan se a senhora não se manifestar.
– Você sabe, Bruce, que é melhor eu não me manifestar. Se as suas surras eram violentas, por favor pense o quanto as minhas são também. – minha mãe rebate e Bruce a encara, sem piscar por alguns segundos.
– Mãe, a senhora sabe que eu irei apoiar toda decisão que tomar. Não precisa se submeter a isso... – ele responde e minha mãe me olha por alguns segundos.
– Vamos mudar de assunto. Pega o açúcar pra mim. – ela pede, e Bruce, com sua mão pesada, pega o pote, passando para ela.
Hoje
Trocava os curativos de Bruce, enquanto ele estava deitado na maca. Ele ainda sentia muita dor, e eu conseguia perceber isso só pela forma dele olhar. Era inevitável me lembrar das coisas que ele já tinha me dito, porque Bruce sempre fez questão de me falar que, ao contrário do que meu pai dizia, eu jamais precisaria casar para ser uma mulher bem-sucedida, ou projetar todo tipo de feminilidade para ser uma mulher de verdade – e que agrada as outras pessoas.
Estar ali com ele, sozinha – já que Dylan tinha ido ao banheiro – me fazia refletir e muito sobre quem era o meu irmão. Quem era o irmão que parecia ser um monstro para as pessoas ao redor, mas que pra mim sempre seria o cara que me deu meu primeiro carrinho, que jogava baseball comigo e me levava para ver filmes de terror. É como eu já disse aqui, diversas vezes, eu acredito que comigo Bruce sentia que podia ser ele de verdade e isso era ótimo, porque era totalmente recíproco da minha parte.
O resto do nosso grupo já tinha saído há 3 dias. E, desde então, estávamos Bruce, Dylan, Jonas e eu naquele hospital. É claro que Bruce começava a sentir os efeitos da sua recuperação. Ele, pela primeira vez em semanas, conseguia permanecer sentado por 10 minutos sem sentir tanta dor, conseguia começar a comer sozinho – sem sentir uma dor estarrecedora no estômago –, e mais algumas coisas – o que não quer dizer que ele já estava 100%, pronto para a próxima.
Quando terminei de trocar os curativos de Bruce, antes que eu me levantasse, ele segurou meu rosto e ficou me olhando. Eu, então, vi seus olhos se encherem de lágrimas, e dei um beijo em sua testa, dizendo:
– Você vai melhorar logo, descansa mais um pouco, meu herói. – ele, então, solta um micro sorriso e eu ajeito alguns travesseiros para ele.
Ao sair do quarto dele, eu fui até o meu. Lá, peguei a minha máquina de cortar cabelo e fui até o banheiro. Assim que cheguei, comecei a me arrumar. Acontece que sim, eu estava levando a máquina comigo, porque eu sabia que precisaria renovar meu visual. E eu gostava de como meu corte estava, então eu precisaria cortar novamente várias vezes. E assim que eu comecei a raspar, Jonas se aproximou e ficou encostado no portal do banheiro, me olhando.
– Esse corte combina com você. – ele comenta e eu o encaro por alguns segundos.
– É mesmo? – pergunto, sorrindo.
– Claro. Combina com seus olhos, faz com que eles fiquem mais expostos. Não entendo porque o Bruce não queria deixar você raspar.
– Ele tem medo. Bruce cuidou melhor de mim do que nossos pais, e ele tinha medo que eu passasse frio sem cabelo.
– Besteira, eu nunca tive cabelo cumprido, e nunca passei frio.
– Já passou frio sim, você só não conhece a diferença entre ter cabelo e não ter. É acostumado com o frio... eu entendo o Bruce, porque eu sofri um pouco na adaptação. Às vezes, sentia como se alguém estivesse tocando no meu pescoço, mas era só o vento que eu não era acostumada, justamente por ter uma barreira de proteção ali. Mas é adaptação, é normal. – explico, enquanto Jonas fica me observando.
– Você estudava? Antes disso tudo?
– Claro. Você não?
– Não. Quer dizer, estudava em casa. Minha mãe sempre foi muito protetora.
– Isso é perigoso, e muito irônico, tendo em vista que agora ela não vai poder te proteger de tudo por estar longe e sem contato com você. – brinco e ele sorri.
– É. Felizmente meu tio Hale sempre me ensinou tudo o que ele sabia, para tentar compensar o fato da minha mãe não me deixar sair tanto de casa. Acho que me deixar aqui, sozinho, com Dylan, Bruce e você foi o maior ato da minha mãe em permitir que eu me desprendesse dela e eu gosto disso.
– Você é bem diferente da média de pessoas que não costumam sair de casa, e que, portanto, não tem muita intimidade com contato social. – digo e ele sorri.
– É, eu sei. Embora eu quase nunca saísse de casa, Hale soube me passar bem o que estava rolando lá fora pra que eu não fosse um completo cabaço estúpido e ignorante com outras pessoas. – ele explica. Eu sempre fugia das conversas com Jonas, e agora ele parecia estar aproveitando que eu não poderia fugir naquele momento.
– Hale parece ser bom com criações.
– O que? – Jonas pergunta, ficando claramente empolgado com aquele comentário meu. – Ele sabe fazer de tudo. E tipo, ainda bem que eu pude ter muito contato com ele. Porque mesmo minha mãe sendo totalmente paranoica e meu pai também, eles confiavam no Hale.
– E você? Gosta de fazer o que? – pergunto, olhando-o pelo espelho.
– Não sei.
– Não sabe?
– É... bom, eu cresci em um apartamento enorme em nova York e não podia sair de lá. Acho que eu comecei a explorar quem sou depois de toda essa loucura, então não sei.
– Então pra você isso tudo não é uma tragédia?
– É claro que é, mas não é só isso. – ele comenta, e eu posso ver que seus olhos brilhavam ao falar sobre isso. – Pra mim, na minha vivência, na minha vida, foi uma oportunidade imensa de poder me conhecer melhor.
– E agora, se conhecendo melhor, quem é você, Jonas? – ele entra no banheiro, sentando-se no canto dele.
– Sou um cara que jamais imaginou que poderia ser um médico, e agora eu me vejo assim. Gosto de armas, me identifico com a mecânica, gosto de atirar, mas não gosto matar nada nem ninguém. Então acho, que, se fosse em outro cenário, talvez eu pudesse treinar com elas, só por treinar, aos fins de semana, enquanto estava de folga, depois de salvar vidas.
– É uma narrativa muito oposta. – respondo. – O médico que gosta de salvar vidas, mas é apaixonado por utensílios que servem única e exclusivamente para matar algo ou alguém.
– Acha eu sou inconsequente por pensar assim?
– O que? – sorrio. – Você ser contra armas não fará elas desaparecerem. Pra algumas pessoas, essa sua fala pode parecer hipócrita por representar o que representa na superfície, mas por baixo, você é só alguém que gosta de uma mecânica criada por outras pessoas que você nem conheceu. Já a sua profissão sim diria muito sobre você...
– Acha que a ex-profissão do seu irmão e do meu tio diz muito sobre eles? – me viro para Jonas, depois de terminar meu corte.
– Diz. – digo a ele, curta e grossa. Penso por alguns segundos, enquanto ainda o olho nos olhos, e depois continuo. – Diz que o Bruce era retraído pelo nosso pai desde a infância e que, por sempre fazer o contrário do que ele queria, meu irmão acabou caindo de cabeça no maior ódio do nosso pai unicamente para atingi-lo de vez, o exército, o governo. E o seu tio... não sei, nunca conversei muito com ele.
– Meu tio perdeu uma filha, antes de ser quem era na SEAL.
– O que?
– É exatamente isso, ué. Não era apenas a Adele, era a Adele e a Alana, gêmeas. Alana morreu quando elas tinham 5 anos. Ninguém comenta sobre isso, então eu não sei exatamente o que aconteceu. Eu sei que, depois disso, meu tio caiu de cabeça na medicina. Entrou pra SEAL e conheceu seu irmão. Ele nunca se perdoou pelo o que aconteceu, e desde então se acha um péssimo pai e uma péssima pessoa. Acho que a Adele acredita que ele se julga assim por causa dela, mas é mais profundo que isso. – Jonas explica.
– Eu não fazia a mínima ideia disso.
– Ninguém faz. Acho que nem a Adele lembra disso direito, porque ela já passou por tanta coisa e tanta lavagem cerebral da mãe que é difícil saber.
– E como você sabe dessas coisas?
– O mal do adulto é achar que criança não tem ouvido. – ele se levanta, indo até a porta. – Aliás, Amélia, espero que me dê parabéns pelos meus 13 anos que estão chegando.
– Completa quando? – grito, depois de ele sair dali.
– Semana que vem. – ele grita de volta, se distanciando cada vez mais de onde eu estava.
Eu definitivamente não sabia qual era a de Jonas. E mesmo que eu não me visse como tal, eu sabia e muito bem que era uma criança. E, sinceramente, eu não concordava com o que Dylan me disse há um tempo. Eu não acho que deveria valorizar a minha amizade com Jonas, principalmente, porque nessa realidade em que vivemos, quanto mais nos apegamos a alguém, mais sofremos quando a pessoa morre – porque é quase certeza que ela vai morrer.
E é, eu sei que pode parecer trágico demais para ser dito por alguém que tem apenas 11 anos, mas é a realidade. Vejo a forma como Dylan sofre por Bruce, e por mais que seja lindo se apaixonar, ou fazer um amigo fiel – como Beatriz fez com Sahil – isso não me atrai. Não me atrai me preocupar com alguém, como me preocupo com Dylan e Bruce.
Quando saí do banheiro, depois de cortar meu cabelo e tomar um bom banho, fui andando, enquanto o secava pelo hospital. E parando em um dos portais que dava para o hall, vi que Dylan tinha tirado algumas tábuas na frente de uma das janelas, e estava com Bruce, olhando o pôr-do-sol. Eu imagino o quanto era difícil para Bruce ter que depender tanto da ajuda de outras pessoas, principalmente porque ele não era acostumado a isso. Meu irmão sempre foi quem ajudou, não quem era ajudado.
Admito, no entanto, que por alguns segundos vê-los daquela forma me emocionou um pouco. E quando fui me virar, vi que Jonas me observava, como eu os observava. Ele, então, veio até mim e estendeu sua mão. Minha resposta, no entanto, provavelmente não foi como ele esperava, porque eu apenas passei por ele, sem dizer nada, indo até meu quarto para ler um pouco – e tentar esquecer esse sentimento de estar afastando alguém que poderia ser um bom amigo.
oi, pessoal, tudo bem? meu nome é ian, sou o escritor dessa história que está lendo e venho te pedir para que, se gosta dessa história, siga meu perfil. é gratuito, e eu sei que muitos de vocês me conhecem de outros verões, já que eu tenho cerca de 20 livros na plataforma. então se gosta e quer me motivar a escrever mais, por favor me segue. não demora muito tempo da sua vida, e me ajuda muito a conseguir cada vez mais relevância na plataforma. não esquece, também, de votar nessa história, comentar bastante e compartilhar com seus amigos pra me ajudar. muito obrigado.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top