Muito Estresse e Muito Susto
– Não tô aqui pra guerra, irmão. – respondo a ele, e quando procuro a direção da voz, vejo um cano de 12 na minha cabeça. – Eu te dou os suprimentos que quiser, mas não atira. Vai atrair dezenas pra cá eu estou com visita em casa.
– Visita? – ele amolece a mão, eu então, tento puxar a arma da mão dele, mas ele não volta e me dá uma porrada no rosto com ela. – Tá achando que eu sou otário? – ele pergunta.
O cara era forte e grande. Loiro, postura reta, olhos imensos e verdes, além de bochechas um tanto quanto avermelhadas e com uma mochila grande nas costas, que tinha, inclusive, uma fivela no meio do peito, onde mantinha ela presa em seu corpo – provavelmente era para que ele não a perdesse. Ele tinha uma barba curta em seu rosto, o que não tirava sua aparência jovem, além de ter, na perna, um coldre com arma. Ele não vestia roupas grossas, muito pelo o contrário.
Ele vestia uma camisa fina de mangas longas cinza escura, que demarcava os músculos de seus braços e uma calça frouxa. Eu conhecia aquela calca... era uma calça forhonor, da força tática americana, preta. Eu não conseguia acreditar que o idiota aqui tentou passar a perna em um soldado da força tática como se ele fosse um otário.
– Dylan? – ouço a voz de Amélia, e nego com a mão, para que ela fique parada.
– Volta. – digo apenas movendo minha boca, sem sair som, mas o cara, então, olha rapidamente para baixo, vendo Amélia ali.
– Mel? – ele se vira pra ela, abaixando totalmente sua guarda comigo e eu respiro fundo. Acho que tinha acabado de conhecer o tal Bruce.
– Bruce! – ela diz baixinho, surpresa, vindo em direção a ele, que abraça ela com força.
– Eu achei que você tinha morrido. – ele diz, emocionado de vê-la novamente.
Ele estava com um dos joelhos no chão, enquanto o seu braço imenso envolvia a garotinha naquele abraço apertado. Na mão, suas veias saltadas me davam uma dimensão do quanto ele estava apertando-a pela felicidade de vê-la viva mais uma vez. Eu não sabia como era isso, mas conseguia ter uma dimensão da felicidade de reencontrar alguém no momento de incerteza que estávamos vivendo.
– Não morri, Bruce, eu estou bem. O Dylan me salvou. – ela aponta rapidamente pra mim e ele me encara, encarando ela em seguida.
– Ele? – aponta pra mim com a cabeça, desconfiado.
– É. Ele é muito inteligente, como você. Atraiu os zumbis pra ele e me salvou... eu estava presa, Bruce, e ele não me deixou morrer. Ele arriscou a vida dele por mim. – ela diz pra ele, que parece prestar atenção em tudo que ela disse.
Ele, então, se levanta em seguida e me estende a mão. Eu aceito aquele aperto de mão – que foi bem firme – e ele pensa um pouco antes de me dizer qualquer coisa, me analisando por alguns segundos.
– Muito obrigado. Te dou o que quiser por ter salvado ela. – ele oferece e eu sorrio.
– Primeiro, eu peço que não fique andando com armas carregadas perto de mim. – ele sorri, observando o chão por alguns segundos, e depois, voltando a me observar.
– Eu estava procurando a Amélia desde cedo. – ele conta. – Estava fazendo um limpa na cidade...
– Cadê a Joy? – Amélia pergunta a ele, provavelmente se referindo a moça grávida que ele teve que acompanhar.
– Todos do grupo já atravessamos metade da cidade. Eles estão juntos em um cinema aqui perto. Vamos continuar a nossa viagem mais tarde. No caso, íamos começar quando eu voltasse com você.
– Eles quiseram me deixar, não é? – ela pergunta.
– É. Você sabe que as regras são sérias. – ele responde, e eu fico de cara por ele nem tentar disfarçar que eles iriam deixá-la.
– É, eu sei. – ela concorda, pensativa.
– E é por isso que vamos voltar antes que eles continuem. Tudo bem? Eu nunca deixaria você. – ele diz colocando a mão no ombro dela, que concorda com a cabeça.
– E Den? Ele apareceu? – Amélia pergunta e Bruce limpa a garganta por alguns segundos, sem saber bem como responder aquela pergunta. Ele, então, se agacha diante dela, olhando em seus olhos.
– Amélia... eles queriam te deixar porque... o Mac disse que achou o Den. – ele tenta ir devagar e só pelo tom já entendo o que tinha acontecido.
– E daí? – ela pergunta.
– Morto. Ele foi devorado. – ela começa a chorar e ele a abraça, deixando a arma de lado.
Eu fico ali, observando os dois por um tempo. Bruce tentou acalmar a menina, enquanto tentava, também, abafar o choro dela para que não saísse – e acabasse atraindo mais zumbis. Como ele não estava conseguindo, eu abracei os dois para tentar ajudar nessa barreira do som.
Ele até me encarou por alguns segundos quando percebeu que eu estava fazendo isso, mas não disse nada. Ficamos ali por alguns segundos, até ela se acalmar e ele voltar a falar com ela, dizendo:
– Não é culpa sua.
– Mas se eu não tivesse corrido... – ela começa a falar e ele segura seu rosto.
– Teriam morrido vocês dois. – ele completa. – Amélia, estamos em um cenário de perdas. E por isso que eu te crio para que saiba se virar quando eu me tornar uma delas.
– Você não pode me deixar, Bruce. – ela diz com seus olhos cheios de lágrimas. – Você é tudo o que eu tenho agora. – Bruce dá um beijo na testa dela, comovido.
– Eu não pretendo. Mas devemos estar preparados para tudo. – ele explica e ela concorda com a cabeça. – Na correria perdeu sua faca?
– Não. – ela responde.
– Ótimo. – ele comemora.
– Facas são difíceis de usar na hora de matar essas coisas. – digo a ele, que fica de pé.
Ele deveria ter seus 1,90 de altura. Bruce era gigante. É claro que eu tinha falado pra Amélia sobre o Dwayne para aliviar tudo o que ela estava sentindo, mas eu não podia acreditar que ele era realmente uma pessoa que mais parecia um prédio. Se eu esbarrasse com Bruce parado, com certeza tacaria fogo nele achando que ele era um edifício.
E olha que eu não sou baixo. Tenho meus 1,80 de altura e mesmo assim a imagem dele consegue me intimidar – mesmo que o rosto não. Só de imaginar uma porrada de Bruce, eu já sentia a dor.
– Não é pra ela se defender dos zumbis. – é tudo o que ele me diz.
– Tá. – não faço mais perguntas nem digo nada, o que faz ele sorrir. – Amélia, o que acha de pegar algumas coisas antes de continuar sua viagem?
– Não vai vir com a gente? – Bruce me questiona. Não acredito que ele queria me adotar pro orfanato que ele estava montando.
– O que? Trabalho sozinho, valeu. – digo a ele, dando as costas, mas ele segura meu braço com tudo.
– O que foi isso? – ele pergunta sobre um machucado na minha mão.
– Prendi ela em uma porta. Cortou. – respondo.
Ele, então, pega algo em seus bolsos e segura a minha mão. Fico encarando ele, que pega um paninho e coloca um líquido nele. Quando vai passar na minha mão, no entanto, eu dou uma leve puxada e ele olha nos meus olhos.
– Se não limpar, vai infecionar. E a menos que você queria perder a sua mão, é melhor me deixar arrumar isso. – ele pede e eu permito que ele limpe o machucado. – Não sou seu pai, mas se quiser sobreviver, é meu último chamado para vir com a gente. – ele me entrega o paninho, depois de limpar minha mão, pegando sua arma do chão em seguida.
– Vem com a gente... – Amélia pede e eu lanço um sorriso reconfortante pra ela.
– Amélia... vínculo emocional, você sabe como é. – tento lembrá-la da nossa conversa e ela sorri.
– Tem medo de perder mais alguém.
– Exatamente.
– É só não permitir que ninguém morra. – Bruce chama minha atenção para ele. – Mas se não quer vir, respeitamos.
Ok. Nesse momento eu travei. Tinha sobrevivido e muito sozinho, mas a cada dia as hordas ficavam ainda maiores – porque os zumbis seguiam diversos sobreviventes até aquele ponto do país. Bruce podia ter uma cara extremamente fofa, como Amélia, o que fazia com que eu não sentisse muito medo dele... mas isso não quer dizer que ele é tranquilo quando o assunto é sobrevivência.
Analisei, então, as minhas chances de sobreviver a ataques surpresas sozinho e com um cara da força tática americana. Sobreviver com ele me traria chances mais animadoras, embora eu soubesse que se a escolha fosse entre eu e os primos dele, ele, sem dúvida, salvaria sua família... eu deveria aceitar o risco?
– Tá. – sussurro de volta pra ele, que me olha por alguns segundos e confirma com a cabeça. – Vou buscar minhas coisas, quer vir? – pergunto a eles.
– Eu quero. – Amélia se posiciona pra vir comigo.
– Vou manter vocês seguros até descerem. – ele sai andado.
Amélia e eu vamos subindo devagar a escada da casa em direção ao quarto que eu tinha colocado as barricadas para dormimos. Chegando lá, comecei a colocar minha bota – que não tinha colocado ainda porque tinha descido para checar o barulho antes de conseguir –, amarrando os cadarços e peguei meus suprimentos – além de materiais que eu iria precisar.
– Ele é legal. – ela comenta a eu a encaro.
– O que? – pergunto meio sem entender o que ela queria dizer com aquilo.
– Ele parece grosseiro, intolerante e nada simpático, mas ele é legal. Ele só precisa confiar em você para entender que você também é. Talvez virem até amigos. – ela comenta e eu sorrio, negando com a cabeça.
– É claro. – respondo. – Vamos?
– Vamos. – ela responde e eu pego minha faquinha, colocando-a na minha cintura.
Quando chego onde Bruce estava, ele se levanta e me observa.
– Tem coisa demais aí. – ele diz.
– Já precisei de tudo o que carrego. – defendo as minhas coisas.
– Tá. – é tudo o que ele diz. Claramente não estava e nada disposto a discutir comigo.
Ele passa por mim, abrindo a porta da casa e eu respiro fundo, soltando o ar pela boca, devagar. Ficar exposto me deixava nervoso, porque eu nunca sabia o que ia encontrar nas ruas e por mais que as casas estivessem em frangalhos, não deixavam de ser um teto. Passo Amélia na minha frente, e depois que ela sai, saio em seguida, com Bruce vindo atrás de mim.
Enquanto andávamos, cada passo era um batimento cardíaco pesado. Eu tentava controlar a minha respiração ofegante, para que nada saísse da minha boca mais do que eu queria – e acabasse chamando atenção de qualquer coisa que não deveria.
Eu aproveitava também para soltar meus focos de incêndio por todos os lugares, porque isso escondia os sons dos estalos dos nossos passos na rua. Tentava, no entanto, colocar fogo sempre atrás de nós, e observando a direção do vento, para que a fumaça não nos sufocasse – e deu muito certo.
Continuamos andando por um tempo, até que, quando estávamos chegando em uma área mais afastada do maior fluxo de zumbis, eu acabei pisando em um graveto e chamando brevemente a atenção de dois, que estavam a poucos metros diante de nós. Bruce foi ágil em me segurar, junto com Amélia, um com cada braço, tampando nossas bocas com força.
Os zumbis, então, passaram do nosso lado, pertinho, mas não nos identificaram. Bruce era muito forte, e enquanto ele me segurava, eu repousei minhas mãos em seu pulso, que tinha as veias em alto-relevo, de tão saltadas pela força que ele me segurava. Quando os zumbis passaram, ele verificou duas vezes antes de nos soltar, me encarando em seguida e puxando minha cabeça em sua direção.
– Passos leves, Dylan. – ele sussurra, próximo ao meu ouvido e eu concordo com a cabeça.
Continuamos andando com cuidado e bem devagar, até chegarmos em uma área vazia e sem muitas casas. Quando pudemos respirar tranquilamente por termos uma visão ampla de onde estávamos, nos afastamos mais e foi aí que eu comecei a tentar entender quem era Bruce e por que ele não estava diretamente ligado ao governo mais.
– Então você é um soldado americano? – pergunto a ele, que encara Amélia, que sorri pra ele, entregando que ela tinha me dito isso, e me encarando em seguida. Ele estava claramente furioso por ela ter falado demais comigo.
– Não é da sua conta. – é tudo o que ele me diz, falando em baixo tom. A voz profunda de Bruce, quando falada em baixo tom, ficava bem confortável de ouvir, mas bem assustadora também.
– Não confio muito no nosso governo. – digo a ele, que para de andar e me olha nos olhos.
– Que pena que eu não me importo. – responde, voltando a andar e eu sorrio com essa provocação. Se ele estava esperando que eu parasse, seria um prazer decepcioná-lo e não parar.
– Governo capitalista vê números. Vê economia e rendimento, não pessoas. – explico por cima o meu ponto e ele para de andar mais uma vez, me encarando.
– Já pensou em ir morar no Vietnã então? Que tal Coreia do Norte? Ah é, eles não existem mais, foram os primeiros a cair, porque pior que um governo que só vê números, e não população, é aquele que vê a população e não liga pra ela. Capitalismo é cruel, concordo contigo. Ele não funciona bem e de forma saudável, mas funciona melhor que o anarquismo atual e o falido socialismo, não concorda? – ele rebate e eu fico ali, paralisado. – Gostava mais quando a gente se preocupava com o salário que mal dava pra comer, do que se preocupar com quem da nossa família vamos ter que matar porque está infectado.
Eu definitivamente não sabia como lidar com alguém como Bruce. Isso, porque eu vivi coisas pesadas e uso o humor para tentar esquecê-las, mas ele não. Ele é sério, carrancudo e carregado pelas coisas que viveu. Agora ele tinha conseguido me assustar.
Mas não pela ideia, porque ele estava certo. A violência policial, antes desse surto, era o assunto que mais era debatido e eu me lembro mais de ver, principalmente contra negros e imigrantes. Acontece que... sabe o que é pior que ter uma polícia violenta? É não ter nenhuma polícia. O surto, por si só, provou que armar a população para que ela mesma possa se "defender" é instaurar um caos ainda maior entre ela.
Será uma eterna guerra de poder. Isso, porque não se pode colocar um policial racista e corrupto em um grupo com policiais honestos e não racistas, descartando todos os policiais em seguida, sem pensar muito, pressupondo que todos são desnecessários. Mas dá para juntar em um único grupo a população inteira, hoje, que luta e mata entre ela por mais suprimento, como uma população doente e morta, descartando-a por completo em seguida. Pessoas "boas" se matam, hoje, na minha realidade, por sopa. Se isso não é estar totalmente doente e morta, eu não sei o que é.
Mas o que me dava medo em Bruce era a forma com que ele falava. Ele falava como uma pessoa cansada e não apenas da situação atual, como da vida. Talvez ele precisasse se desestressar um pouco, mas eu entendo que ele não sabia como poderia fazer isso. A questão maior, é que pior que não ser visto como amigo dele, é ser visto inimigo – e se tratando de um oficial treinado, essa era sim uma péssima escolha.
– Não me trata como inimigo, Bruce. – peço, enquanto continuamos andando e ele pega uma barra de cereal do bolso, comendo um pedaço e dando o resto para Amélia.
– Não tô te tratando como inimigo, tô te tratando como o estranho que é. – ele responde. – Inimigos eu trato com faca no pescoço, você me fez um favor, então ainda não tá nesse patamar.
– Salvar ela foi um favor pra você? – pergunto e ele pensa um pouco. Agora Bruce andava mais na frente do que eu.
– É, foi. – ele responde, me olhando de canto de olho. – E é melhor que considere assim também, dessa forma eu fico te devendo uma.
– Acha que eu quero algo em troca?
– Agora não, mas quando precisar você vai. Apenas saiba que eu te devo um único favor, não desperdiça. – ele responde, pegando um binóculo e observando alguma coisa.
– O que foi? – pergunto, enquanto ele observa e pego o meu, olhando pelo aparelho. – Que merda. – protesto.
– O que houve? – Amélia pergunta, confusa.
– Vamos ter que nos instalar em uma dessas casas, tem alguns muitos zumbis vindo em nossa direção e eles estão andando rápido. – Bruce explica por cima, observando cada uma das casas, como se examinasse qual seria a melhor.
– O que será que eles ouviram? – pergunto a Bruce, que me olha rapidamente nos olhos, dando de ombros.
– Corre, James! – eu escuto algo, e Bruce puxa Amélia, comigo, para nos escondermos na lateral de uma das casas, enquanto alguns caras em motos passavam.
– Ladrões. – Bruce coça a cabeça por alguns segundos, pensando no que faria.
– Eles não podem nos ver. – protesto e ele concorda com a cabeça.
– Eu sei, venham... – ele sai na frente e vamos andando em direção à parte de trás da casa, onde tinha uma porta, que estava trancada.
– E agora? – pergunto e ele pega uma faca curta, usando no encaixe da peça de vidro da porta, empenando a peça e removendo-a cirurgicamente.
Bruce, então, abre a porta por dentro e depois de entrarmos, ele coloca a peça novamente e tranca a porta. Eu nunca tinha visto alguém fazer aquilo, porque geralmente as pessoas estouravam o vidro, mas ele tinha removido em uma prática excelente.
– Espera, Amélia, vou fazer um limpa na casa. – ele pede e ela concorda com a cabeça.
– Vou com você. – digo e ele respira fundo, claramente incomodado com esse fato, mas não fala nada.
Saímos, então, nós dois andando pela casa e verificamos cada cômodo – com cuidado para que os passos não afundassem na madeira do piso e provocasse barulho. Depois de verificarmos cada armário, embaixo de cada cama e até mesmo na geladeira – porque eu já tinha encontrado um zumbi dentro de uma – fomos chamar Amélia, para que ela e juntasse a nós dois.
Ficamos no segundo andar, diante de uma janela de vidro, observando um grupo de ladrões brincando de caçadores de zumbis. Eles davam facadas e tiros naquelas coisas e eu só conseguia imaginar o quanto toda essa munição faria falta quando eles estivessem em um risco verdadeiro... até que aquela brincadeira começou a ficar séria quando os zumbis começaram a aumentar e o grupo estava quase não dando mais conta.
Eles pararam de achar aquilo engraçado quando um dos caras do grupo foi mordido e devorado ali mesmo. Um deles até olhou para as casas, olhando diretamente em nossa direção. Ele só não nos viu porque Bruce – como sempre – tinha sido ágil e deitou Amélia e eu no chão poucos segundos antes de ele olhar, o que fez com que ele não nos visse.
– Quando a gente vai sair daqui? – pergunto a Bruce, ainda deitado no chão.
– Quando esses idiotas saírem da rua e atraírem esses zumbis pra longe. – ele responde, olhando nos meus olhos.
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