- CAPÍTULO 6 -
"Eu coloco minha armadura,
te mostro o quanto sou forte.
Eu coloco minha armadura,
te mostro o quanto sou...
Sou incontrolável.
Sou um Porsche sem freios.
Sou invencível.
Yeah, eu ganho todos os jogos.
Eu sou tão poderosa..."
Unstoppable , Sia
- Não toque suas mãos imundas nela - rosnou Lucius, com um grunhido suave e os dentes cerrados.
Ele olhava fixamente para o sujeito que havia agarrado Anna, com a mão firme em seu pulso. Os adolescentes que dançavam e pulavam se afastaram, formando um círculo curioso ao redor dos três.
- Me solte! - exigiu o cara, com as sobrancelhas erguidas e uma expressão de raiva e dor no rosto. Ele olhou ao redor e depois para Anna, por cima do ombro de Lucius. - A donzela precisa de um homem para defendê-la? - Ele riu.
Lucius apertou ainda mais o pulso do cara, arrancando gemidos de dor.
- Cale a boca, Timi - disse Lucius. - Não dirija suas palavras sujas a ela.
Anna se sentiu grata por ele a proteger, mas sabia se defender sozinha. Ela olhou para Timi e depois para Lucius, se aproximou dele e sussurrou:
- Solte-o. - Lucius olhou para ela e franziu o cenho. Ele hesitou por um instante e depois soltou Timi.
Timi tocou o próprio pulso, tentando aliviar a dor. Se demorasse mais alguns minutos, certamente teria o osso quebrado; Lucius era mais forte do que parecia.
- Eu não preciso que ninguém me defenda - falou Anna, se aproximando dele. Ela cerrou os dentes com um olhar irritado. Timi olhou para ela a tempo de ver Anna mover a perna para trás, tão rápido que mal pôde se desviar, e lhe deu um chute no meio das pernas.
O garoto caiu no chão, contorcendo-se de dor e gemendo, soltando palavrões enquanto colocava as mãos sobre a área atingida. Com esse problema resolvido, Anna ainda precisava encontrar Camila. Ela olhou para Lucius e, antes que pudesse dizer algo, ele falou:
- Vai lá! - Era como se Lucius pudesse ler sua mente, como se soubesse tudo o que ela estava pensando. - Já já te encontro, mas antes vou jogar um lixo na rua.
Ela se afastou no mesmo momento em que Lucius agarrou Timi pelo pescoço e o arrastou em meio aos adolescentes, que abriram caminho. Anna correu até a mesa de bebidas, onde estavam os dois garotos que estavam com Franco.
Um dos caras sorriu gentilmente para ela.
- Você mandou bem com aquele babaca - disse ele. - Quer um pouco? - Ele estendeu um copo de cerveja para Anna.
Ela negou com a cabeça.
- Vocês viram minha amiga Camila? - perguntou ela sem perder tempo. - A garota loira que estava dançando com o Franco.
O cara deu de ombros.
- Eu não sei. - respondeu ele. - E você, Gab?
O outro garoto estava colocando bebida em um copo para entregar à pessoa que estava fantasiada de Garibaldo.
- Olha, eu vi eles saindo para o jardim. - Gab apontou com o queixo para uma porta de vidro atrás deles, próxima à escadaria para o segundo andar. - Eles devem estar lá.
Anna agradeceu e correu o mais rápido que pôde até a porta de vidro. Não queria nem pensar no que poderia acontecer com Camila se o que Lucius contou sobre Franco fosse verdade. A porta levava a uma varanda com alguns banquinhos acolchoados; o local estava escuro, iluminado apenas pelo brilho da lua.
Ela olhou ao redor, mas não viu nenhum sinal dos dois. Rapidamente desceu os degraus da escada até o grande jardim cercado por um muro pintado de cinza. De um lado, havia uma piscina grande rodeada por espreguiçadeiras; do outro, um gramado com algumas flores e palmeiras. Entre as trepadeiras, avistou uma porta de madeira no muro. Algo dentro de si lhe dizia para ir até lá, que Camila estaria do outro lado.
Assim que se aproximou, notou que a porta estava entreaberta.
Estendeu a mão até a porta e a abriu o suficiente para se esgueirar. Assim que passou, notou que dava em um beco entre a casa de Lucius e a residência ao lado. Anna sentiu um aperto no coração e um pressentimento estranho a atingiu como um tapa no rosto, junto com o ar gélido e o cheiro acre de lixo que emanava de uma caçamba a poucos metros dali. Estava bastante escuro, especialmente no fim do beco; a única iluminação vinha de um poste solitário na calçada.
Um grunhido macabro ressoava como se um animal estivesse se alimentando, talvez um cachorro fuçando no lixo. Porém, também havia alguns murmúrios que eram claramente humanos. Anna deu alguns passos em direção ao barulho, que vinha do outro lado da caçamba de lixo. A cada passo, seu coração batia forte no peito como um tambor. Pelo chão, havia papelões e tábuas velhas, e perto de um saco de lixo, um pedaço de cano de ferro estava jogado ali.
Assim que Anna chegou perto o suficiente dos grunhidos, ela se escorou na caçamba e olhou por cima dela com cuidado, para que quem estivesse ali não a visse. Quando seus olhos viram o que fazia aquele barulho, um grito se prendeu em sua garganta como um nó.
Seus olhos não podiam acreditar no que estavam vendo: duas silhuetas na escuridão, às vezes nítidas quando a lua não estava encoberta pelas nuvens. Uma delas era Camila, jogada e desacordada sobre alguns papelões, com as costas escoradas na parede e a cabeça tombada para trás. Diante dela estava Franco, agachado como um predador prestes a atacar sua presa. Ele tinha o rosto próximo ao pescoço de Camila e fazia movimentos estranhos, enquanto uma névoa branca com um brilho azul emanava da garota e se dirigia até Franco, que emitia grunhidos animalescos.
Anna soltou um grito estridente e rapidamente tampou a boca com a mão, mas já era tarde demais; Franco havia notado sua presença. Ela tentou recuar, mas como um leopardo, ele inclinou os joelhos e saltou sobre a tampa da caçamba, grunhindo. Anna soltou outro grito ao ver o rosto dele; seus olhos eram totalmente brancos e sua boca exibia um sorriso cheio de dentes que pareciam todos caninos. Nesse momento, ela lembrou da visão que teve no espelho e percebeu que a interpretara erroneamente; Lucius não era o monstro, mas sim quem a avisava sobre o verdadeiro monstro: Franco.
Seus olhos estavam fixos em Franco, determinada a não perdê-lo de vista. Ao mesmo tempo, olhava para Camila pelo canto do olho; ela ainda estava desacordada. As palavras de Lucius ecoaram em sua mente "Olha, algumas das garotas que saem ou ficam muito tempo perto do Franco... Acabam sendo encontradas em um beco, inconscientes, e às vezes nunca mais acordam." Uma forte onda de pavor a atingiu como um raio, e todos os pelos de seu corpo se arrepiaram.
"Não tenha medo, Anna", disse para si mesma. "Seja forte por Camila."
Ela estufou o peito, ainda sentindo seu corpo tremendo de medo, e disse:
- O que você fez com ela? - apontando para Camila.
Franco, ainda agachado sobre a tampa da caçamba com seu rosto monstruoso, curvou os lábios em um sorriso, exibindo os dentes afiados.
- Não se preocupe - disse ele com uma voz distorcida e grave. - Você também receberá o mesmo que ela.
A garota deu alguns passos para trás na esperança de alcançar a porta, mas Franco foi mais rápido e saltou sobre ela, derrubando-a no chão.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top