...Epílogo...

    Não posso negar que demorou um bom tempo pra eu criar coragem para transformar Lucy. Jhonny disse que poderia fazer isso por mim, porém não concordei, pois esse deveria ser o meu papel. Meu amigo esteve ao meu lado pra me ajudar caso eu não conseguisse parar e fiquei muito feliz por não precisar de sua ajuda.

    Estamos morando todos juntos: Minha mãe, Lucy, Jhonny com a mãe dele e eu. Nos mudamos para uma cidadezinha pouco habitada, com temperaturas mais baixas e com uma floresta ao lado de casa. Jhonny transformou a mãe dele pra não correr o risco de perdê-la, por outro lado, Lucy preferiu não transformar seus avós, visto que já estão em uma idade consideravelmente avançada. Vi a dificuldade dela pra abandoná-los, contudo, de vez em quando, viaja só para vê-los, mesmo que seja de longe.

    Amigas é uma palavra muito forte pra descrever a relação entre minha mãe e Lucy. Uma suporta a outra, até porque somente em ter o grau de parentesco, sogra e nora, normalmente a afinidade é comprometida!

    Apesar de tudo o que passamos, a vida tem sido tranquila agora. Se Scott quiser voltar, demorará um pouco pra nos encontrar, pois estamos muito longe de nossa antiga cidade

    Lucy e eu estamos tão bem, tão felizes. Depois de tudo que aconteceu, todo o perigo, todo o risco que ambos passamos, merecíamos um momento de paz. O talento dela ainda não foi evidenciado e Jhonny desistiu de descobrir o dele. Depois de tanto tempo após ser transformado uma dúvida surgiu. Estamos achando que na realidade ele não tem nenhum e que Scott o enganou. Apesar disso, sei que Lucy tem um talento, pois eu senti.

    A noite passou e o sol não apareceu. Aqui o sol não costuma aparecer todos os dias, principalmente agora no inverno. Lucy e eu decidimos ir na floresta caçar um pouco.

    Ficamos admirando a natureza, enquanto corremos a procura de uma presa e em certo momento deitamos em um campo gramado e florido. Um lugar que de tão lindo passa uma sensação maravilhosa. Frequentemente viemos aqui relaxar um pouco e ficar a sós.

    Seu olhar encontra o meu, fazendo um sorriso espontâneo se formar em nossos lábios.

— Eu amo ficar aqui com você!

— Você ama mais ficar aqui, ou estar comigo? — brinco.

    Lucy finge estar pensando um pouco para não ter dúvidas.

— Acho que amo mais o lugar mesmo — diz de forma sarcástica.

— Boa resposta! — Sorrio continuando a brincadeira.

— Bobo! Te amo muito. Não tenho palavras pra agradecer por tudo que você passou por minha causa.

— Não precisa agradecer. Essa é a minha recompensa — falo antes de beijá-la.

    Algumas horas depois de ficarmos aqui curtindo um ao outro, saímos pra caçar, agora sem pausas. Jhonny nos encontra na floresta e andamos a procura de alimento.

    Depois de saciar nossa sede, caminhamos de volta pra casa quando algo extremamente perturbador acontece com Lucy. Enquanto caminhávamos, a garota travou. Sua expressão está mudada. Chamo pelo seu nome, mas não causa efeito nenhum. É como se ela não estivesse mais aqui, somente seu corpo.

— Lucy, o que está acontecendo? Lucy, responde — grito desesperado.

    Mesmo com meus berros e com as sacudidas de Jhonny, ela não responde. Somente após alguns segundos parece voltar a realidade e cai sobre meus braços .

— Amor, o que foi? — Estou tão apavorado que minha voz está trêmula.

— Eu... Não sei direito — Seu tom de voz parece mesmo desorientado.

— Lucy, você ficou um minuto imóvel. O que aconteceu? — Jhonny questiona.

— Eu acho que descobri meu talento. — parece começar a organizar os pensamentos.

    Jhonny fica um pouco cabisbaixo por Lucy ter descoberto seu talento e ele não. Agora definitivamente passará a aceitar que pode não ter um.

— Nos diga então — pede nosso amigo.

— Eu tive uma sensação ruim, vi umas cenas bagunçadas. Parecia uma premonição ou alguma coisa do tipo.

— Como assim? O que você viu? — pergunto acariciando a cabeça dela numa tentativa de acalmá-la.

— Não deu pra ver muito claramente. Foram cenas confusas.

— Você não consegue identificar o que acontecia na cena? — Jhonny pergunta curiosamente.

— Consigo. — Não parece afirmar com muita certeza.

— Então diz — peço com um certo receio. Temo o que pode estar prestes a acontecer.

    Lucy olha seriamente pra mim e para Jhonny. Como se nos avisasse que não viu algo bom, e sim algo que nos deixará perturbados. Sua boca se move.

— Eu vi Scott e os capangas dele.

    Fico perplexo com essa afirmação e me sinto paralisado. Depois de uns segundos tentando não me descontrolar imaginando Scott nos caçando, peço a Lucy para que explique com precisão o que viu. A loira nos encara e suspira forte antes de falar:

— Eles estão vindo, Bryan. Estão vindo atrás de nós. Ou melhor, estão vindo atrás de mim.

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