...Aliado...
Lucy bate na porta da casa de Jhonny. Ouvimos passos imaginando que a mãe dele está vindo nos atender, porém, não sinto cheiro de uma humana. Quando a porta se abre não é ela, e sim, seu filho. A loira me olha assustada e percebe minha expressão confusa. Na verdade acho que agora estou sem expressão alguma.
Sou surpreendido ao perceber que Jhonny não está com uma expressão ruim. Ele pula em nós com um abraço apertado e nos puxa para dentro. Sem entender nada, pergunto o que está acontecendo.
— Minha mãe pirou porque passei a noite fora e por isso me vigiou o dia todo. Não pude sair de casa. — Ele faz uma pausa para rir. — Onde já se viu um vampiro de castigo?!
Tento compreender o que está acontecendo aqui e pelo que posso analisar, Lucy também. Jhonny percebe nossa confusão mental e começa a explicar.
— Scott acha que eu estou te odiando com todas as minhas forças. — diz olhando diretamente pra mim.
— Por que você teria ódio dele? — Lucy questiona.
Olho pra meu amigo tentando fazer com que ele perceba meu olhar e não comente nada. Não quero que Lucy saiba que eu matei Jennifer, pelo menos não agora. Ele entende e por isso não diz nada.
— Eu menti que tinha brigado com Bryan por um motivo qualquer — responde a Lucy e continua. — Enfim... O que quero dizer é que eu não vou ser um capanga de Scott, como Dave era.
— Ainda bem, Jhonny. Estava tão preocupada — A loira pula no amigo.
— Scott e eu chegamos ontem e nos deparamos com você e sua mãe... — Ele olha pra mim— ... Não falei nada e fiquei te encarando demonstrando minha raiva. Depois ele falou algumas coisas, mandou que eu subisse e esse era o momento certo pra eu pegar Lucy e fugir. Scott estava ocupado com você lá em baixo.... — Percebo que está tentando falar alguma coisa, mas insiste em remediar. — ... Poderia levá-la facilmente, porém sua mãe subiu e não deixou com que eu fizesse isso.
— Minha mãe não deixou que você a levasse? Como assim, Jhonny. Endoidou?
— Quando ela entrou no quarto achei que estava do seu lado, do nosso lado. Sendo assim, eu disse que levaria Lucy, porém olhou pra mim em negativa. Disse que eu não sairia daquele quarto com Lucy e avançou em mim.
—Minha mãe estava me ajudando — rebato.
— Do mesmo jeito que eu estava enganando Scott, ela estava te enganando, Bryan. Foi sua mãe que falou pra Scott onde vocês estavam, pra raptar Lucy.
— Deve ter sido ameaçada. — Me exalto.
— Você acha mesmo? — insiste. — Ela que procurou Scott e disse onde vocês estavam.
— Gente, se ela quer ou não me ferrar, não importa agora. Temos que nos preocupar com Scott. Jhonny, conta tudo que você sabe sobre ele .
— Scott vai embora hoje à noite. Vai pra outro continente encontrar com outros capangas, até porque Dave já era.
— Então, não era só Dave — fecho o punho enraivecido.
— Não. Está formando tipo um clã. Deve ter uns cinco como ele por aí procurando outros como nós.
— E você. Ele acha que você vai se juntar ao clã? — Lucy pergunta e a resposta vem em seguida.
— Isso é o que me preocupou o dia todo. Acabei de dar um sonífero à minha mãe. Iria atrás vocês, porém como vocês apareceram... Scott tinha dito que iria passar aqui hoje de madrugada. Não tenho ideia do que fazer!
— A gente tem que fugir! — A loira diz de maneira desesperada.
— Acho que encontraria a gente! Não se preocupem tanto porque nosso ex professor não é tão forte quanto achei que fosse — digo.
— E se ele não estiver sozinho? — indaga Jhonny.
Não tinha pensado nisso. Posso perceber que os dois também não pela cara de preocupação.
— Temos que ter um plano. Primeiro vou até minha casa. Preciso saber de que lado minha mãe realmente está e enquanto isso pensem em alguma coisa. Se alguém aparecer, proteja Lucy. — Ponho as mãos sobre os ombros de Jhonny enquanto falo, o encarando. — Fico muito feliz por você estar do nosso lado, amigo.
Ao chegar em casa encontro minha mãe sentada no canto do quarto olhando uma pequena foto antiga do meu pai, chorando.
— Não temos tempo pra isso agora. Preciso saber de que lado você está. Se vai ajudar a mim ou a Scott — digo de forma seca.
Ela não diz nada, apenas continua fitando a fotografia enquanto as lágrimas terminam de deslizar em seu rosto.
— Eu sei que você tentou impedir Jhonny de levá-la ontem. Poxa mãe, eu tentando defendê-la e você fazendo o contrário.
— Bryan, tenta entender que isso é perigoso. Se você gostasse dela mesmo se afastaria. Não daria certo uma humana com um vampiro. Iriam descobrir.
— Consigo viver tranquilamente entre os humanos e você sabe. Consegui estudar meses com eles e ninguém nunca descobriu — me altero.
— Isso não impediria que alguém descobrisse. E também, você acha que Lucy vai querer viver com você, envelhecendo, enquanto você continua intacto pelo tempo. Imagina ela com uns trinta anos e você com cara de quinze.
Por um lado tenho que concordar com isso. Seria complicado.
— Eu faria qualquer coisa, até mesmo transformá-la. — Ao ouvir minhas palavras, minha mãe levanta e me acerta um tapa que me joga do outro lado do quarto.
— Você nunca me bateu. Qual é seu problema?
— Você não pode. Sabe que não pode. Não conseguiria parar — fala de forma exaltada. — Você está delirando. Desde o início do ano está tentando nos matar.
— Tentando nos matar? Você tem se trancado tanto tempo que está pirando.
— Bryan, desiste disso tudo e vamos embora. Isso não tem futuro, você sabe — seu tom dessa vez é mais ameno.
— Meu pai desistiu quando foi transformado e você não? Te abandonou? Pelo que eu saiba, esteve sempre do seu lado e esperou você completar vinte um anos para que seu talento desaparesse e pudesse te transformar. Imagina agora se ele estivesse em meu lugar e você no de Lucy. Você acha que ele não te protegeria se você corresse perigo? — Encontrei o argumento certo para convencê-la. — Olha essa foto. Olha nos olhos dele e me diz o que meu pai faria.
Não dou tempo pra que possa responder, ao invés disso, desço revoltado quebrando algumas coisas pelo caminho. Escuto os gritos de minha mãe enquanto ela desce as escadas.
— Bryan? Espera! — Não olho para trás, apenas paro de caminhar.
— Dessa vez eu vou te ajudar. Se você gosta mesmo dela, acho que é certo. Imagino que isso é o que seu pai faria por mim.
Me viro e a encaro. Minha mãe reveza os olhares, segundos pra mim e segundos pra foto do meu pai.
— Se mudar de ideia e fazer qualquer coisa que prejudique Lucy, você nunca mais vai me ver.
Sua cabeça balança em concordância.
— O que você quer que eu faça?
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