27|Com ou sem
Votem,votem,votem!
Noah Urrea
E eu não teria dificuldade em perdoar o orgulho dele se ele não tivesse ferido o meu.
Abri os olhos, minha cabeça latejava. Sina me encarou preocupada.
-Ei, aqui, tome um pouco do tônico.
Minha garganta doía, então não protestei.
Era horrível. Tinha gosto de morte.
Acordei de novo, mas não me lembrava de ter dormido.Sina me encarou preocupada.
-Parece um pouco melhor. Tome um pouco mais do Tônico
Eu tomei e fiz uma careta que fez ela sorrir. Dessa vez, dormi e sonhei com ela.
Acordei mais uma vez, e quando olhei para o lado,Sina cochilava, vestia uma camisola larga demais e parecia em paz.
Eu tossi, e isso a despertou.
-Ei, sua cor melhorou muito. Consegue falar?
Eu sorri.
-Para alguém que me odeia, você está cuidando muito bem de mim.
Sina abriu e fechou a boca algumas vezes, e então revirou os olhos.
-Eu não te odeio, Noah. - Ela me ajudou a me sentar na cama, e nos encaramos.- Eu só aceitei sua decisão repentina e comecei a exercer minha única função aqui: ser a isca para Anthony.
Eu neguei com a cabeça, olhando no fundo dos olhos esverdeados dela.
-Tudo o que eu fiz, tudo o que eu faço, é extremamente pensado. Tem um motivo. Eu nunca quis que você se afastasse.
-Mas mandou eu fazer isso e eu fiz. Não tem nem o que discutir, tudo bem?
Eu pisco, negando com a cabeça.
-Não tá tudo bem. Eu senti sua falta,Sina. Senti falta do som da sua risada, de você teimando comigo, dos seus olhos brilhando. Senti falta do calor do seu corpo, senti falta de te abraçar a noite. Senti sua falta.
Mas ela me ignora.Sina se levanta, se espreguiça e dá de ombros.
-Você disse, exatamente com essas palavras: "Não,Sina. Temos que parar. Você se intrometeu em minha vida, e agora está arcando com as consequências. Por favor não de mais em cima de mim, e apenas cumpra as ordens que lhe forem dadas." Estou cumprindo, Noah. Lide com isso.
Ela foi até o banheiro e entrou, batendo a porta.
Minha garganta ainda doía, assim como meu corpo todo, mas eu não espirrava e tossia tanto, e pelo menos conseguia me levantar.
Mas eu me sentia mal. Me sentia o pior dos seres humanos. E tudo o que eu queria era Sina comigo. Só queria que ela me desculpasse.
Eu me sentei na borda da cama, e fiquei esperando que ela saísse do banheiro. Foram os trinta minutos mais agonizantes de minha vida.
Finalmente,Sina saiu, o cabelo úmido molhando sua camisola gigantesca.
Eu me levantei rápido, mas permaneci longe dela.
Seu cheiro era muito perigoso.
-Eu nunca quis te magoar. Nunca. Por mim, eu buscaria a lua e te daria. Eu...Droga, se eu não tivesse a vida que eu tenho, eu casaria com você, mulher! Mas...Mas eu sou o chefe dos Urreas, vivo sob ameaças e confie em mim quando eu digo que cada coisa que eu fiz até agora foi para te proteger. Eu... Eu... Eu seria exclusivo por você. Entende?
-Por que você está me dizendo tudo isso?
Eu bufei, batendo os punhos nas coxas e fazendo uma careta de dor. Eles ainda estavam cortados por causa de ontem.
Sina se aproximou de mim e pegou minha mão esquerda com delicadeza, passando os dedos sobre as dezenas de cortes.
-Vi que estavam enfaixadas no carro, e as desenfaixei quando você dormiu. Eu quero saber o que aconteceu?
Eu evitei olhar em seus olhos.
-Eu estava irritado, só isso.
Sina respirou fundo e apertou minha mão de leve.
-Você é péssimo pedindo desculpas.
Eu quase sorri.
-Me desculpe,querida. De verdade. Eu fui um idiota, deveria ter feito as coisas de outro modo, arranjado um jeito. Me desculpe. Você merecia muito mais do que algumas palavras ríspidas e mentirosas.
Sina prendeu a respiração, e levantou os olhos para mim.
-Noah eu não vou esquecer o jeito que você falou comigo, ou o último mês, só por causa de umas palavras bonitas. Você não pode retirar o que disse nem o que fez, e precisa aceitar que suas escolhas tem consequências. - Ela inclinou a cabeça para o lado, e me olhou de verdade. Com sentimento, intensidade. Honestidade. - Você não quebrou meu coração, querido. Fez muito pior. Quebrou minha confiança.
E com isso ela se afastou e deitou na cama, se ajeitando sem fazer barulho.
-Tome um banho e depois desça para comer alguma coisa.
Sina fechou os olhos, e eu fui tomar banho.
Eu não sabia o que eu queria. Eu não sabia o que diabos sentia por aquela mulher. Não sabia o que faria com o sentimento, não sabia como iria reconquistar sua confiança, não sabia.
Mas eu iria descobrir nos próximos dias, porque minha vida dependia disso, mas a dela também.
Eu precisava saber.
____
Eu e Sina estávamos sentados à mesa do café da manhã. Eu dormi no sofá do quarto, não querendo invadir o espaço dela, e quando acordei ela estava saindo para vir tomar café.
A noite foi difícil, mas eu dormi mais do que tenho dormido normalmente, sem a presença dela.
-E como o casal de pombinhos dormiu?
Alice perguntou, e eu e ela nos entreolhamos.
Sina deu um sorriso convincente.
-A noite foi ótima, obrigada. Tudo por aqui é ótimo. Queria que pudéssemos retribuir a ajuda de alguma forma.
Ben olhou para a esposa sobre o jornal que lia.
-Querida...
Alice fez uma cara feia.
-Imaginem, não precisamos de ajuda em nada. Vocês podem ficar por quanto tempo quiserem.
Mas eu percebi que existia sim algo em que podíamos ser úteis, então me virei para o elo mais fraco.
- Ben, me diga a verdade...O que você precisa que eu e Sina façamos?
Ele evitou o olhar da esposa quando respondeu:
-Eu queria leva-la à um lugar especial hoje, mas para isso precisamos sair antes do almoço, e voltaremos tarde da noite. Vocês dois precisariam fazer o almoço e a janta sozinhos...
Alice protestou.
-Ben! Não seja ridículo, não precisamos ir hoje. Queridos, não se incomodem...
Sina se levantou e foi até a senhora baixinha.
-Ei, Não se preocupe. Somos adultos. Podemos dar conta de duas refeições, tudo bem? Você deveria ir e aproveitar.
Depois de alguns momentos de hesitação, a decisão foi tomada. Alice e Ben iriam na viagem de um dia, e eu e Sina ficaríamos. Sozinhos.
O casal de senhores saiu, e eu me virei para ela.
-Você sabe cozinhar?
Sina mordeu o lábio inferior.
-Na verdade, não. Eu já queimei a cozinha da mamãe. Duas vezes.
Eu abri um sorriso, e fui até ela, devagar.
-Quem bom que eu sei. Vamos?
Nós dois entramos na cozinha pequena, e eu arregacei as mangas e lavei as mãos.Sina fez o mesmo. Eu peguei algumas panelas, e duas tábuas, e me virei para ela.
-Você pega os ingredientes para mim?
Ela assentiu, meio contrariada, e começou a me dar tudo o que eu pedia.
-Tudo bem, agora vamos cortar os legumes. Você corta o tomate e...
Eu revirei os olhos.
-Você me entendeu. Você corta, em rodelas bem fininhas, e eu corto o pepino.
Comecei a cortar com agilidade, me esquecendo por um momento de todos os meus problemas. Eu amava cozinhar, era minha paixão. Não imaginava minha vida sem isso.
Quase como...
Eu franzi o cenho.
Quase como o que Noah?
-Ai! -Sina deu um gritinho, e eu me virei encarando o corte em seu dedo.
Eu sorri, negando com a cabeça enquanto lavava o corte na pia.
-Como você conseguiu sobreviver morando sozinha se não consegue nem cortar tomates?
-E como você sobreviveu dentro da máfia pedindo desculpas, dormindo em sofás pequenos e cozinhando com suas mãozinhas delicadas?
Eu ergui as sobrancelhas.
-Você acha que eu tenho mãos delicadas,Sina?
O clima da cozinha mudou, e ela deu um sorrisinho sem graça.
-Eu...Hm, não..?
Eu revirei os olhos.
-Vou te deixar escapar dessa vez, porque não estamos no nosso melhor momento. Mas cuidado com o que você me diz,querida?
-Nunca estivemos em um bom momento. Você é o chefe da máfia, e eu a sócia sênior de uma empresa de advogados chatos. Não existe momento bom.
- Nunca estivemos em um bom momento. Você é o chefe da máfia, e eu a sócia sênior de uma empresa de advogados chatos. Não existe momento bom.
Eu suspirei, concentrando o olhar na comida.
-Você sabe que isso é mentira. Nós dois...A gente teve ótimos momentos. Só não somos um casal bom a longo prazo.
Ela deu de ombros.
-Não somos um casal bom nem a curto prazo. Você é um idiota.
Eu assenti.
-Sim, eu sou. Mas tenho menos de dois meses ao seu lado, e gostaria que você me perdoasse.
Sina bufou, e me fitou, brava.
-Você nem me explicou o porquê de ter mandado eu me afastar do nada, em primeiro lugar. Eu fiquei semanas à deriva, não entendendo nada. Você não falava comigo, me contava piadas ou me tocava. Você foi...Você foi péssimo.
Eu a encarei também, inclinando a cabeça e esboçando um sorriso.
-Tem coisas que eu simplesmente não posso te contar, querida. Sinto muito. Sinto mesmo.
Ela engoliu em seco quando eu peguei sua mão e a levei até meu peito, onde meu coração batia rápido e forte.
-Mas você percebe, certo? Você consegue perceber o que eu estou dizendo agora. O que eu quero agora.
Sina entreabriu os lábios.
Se você me quer por essas seis semanas restantes, vai ter que me conquistar sem sexo. Você tem cinco dias.
Eu ergui as sobrancelhas.
-E se eu não te conquistar sem sexo em cinco dias?
Ela deu de ombros.
-Então agente tenta com..
______________________________________
Esse foi o capítulo e espero que tenham gostado!
Deixe sua estrelinha e comentem muito para ajudar!
Que casal mais complicado.
Até o próximo capítulo!!
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top