12

— Aonde estou? — Rioston encontra-se deitado numa grama macia, olhando para o céu com azul inimaginável.

Ele senta-se. A náusea é forte. Rioston sente a cabeça levemente pesada e está
tonto.

Com agilidade levanta-se, com a sua memória o lembrando do acidente. Não há cicatrizes pelo seu corpo.

— Que lugar é esse? — Ele ao perguntar-se, abre as palmas das mãos sentindo o calor do sol.

Rioston também percebe que está usando a roupa do acidente. Mas, não encontra-se suja com seu sangue.

Ele também não está usando a bengala, e vendo com os dois olhos.

Percebido isso, leva suas mãos à cabeça tocando nos seus cabelos.

Ele começa a caminhar.

O local é cercado por uma vasta paisagem verde. Árvores frondosas que estão à margem do caminho, pintam ainda mais o lugar com verde.

Os pássaros de todos os tamanho e tipos revoam de um lado para o outro cantando.

Por um momento ele esquece suas indagações iniciais. As belezas do lugar são hipnotizantes

Rioston caminha seguindo em frente e ver uma pessoa parada próximo das árvores.

O homem está sorrindo para ele.

Rioston aproxima-se do local e não consegue diferenciar se as árvores estão cantando ou se as musicas estão vindo de outro lugar, apenas observa que o vento ao passar no meio delas, emite uma nota musical.

Ele para saudando o homem com o movimento de baixar e subir com a cabeça.

Rioston olha por baixo das copas das árvores procurando a presença de passarinhos.

— Realmente quem estão cantando são árvores. — Rioston fala admirado.

— As pessoas sempre ficam curiosas quando chegam aqui e veem as árvores cantantes. — Fala o homem ao sair das sombras das árvores.

Rioston fecha os olhos.

No primeiro momento a luz que atravessa o corpo é muito forte. O cegando de imediato.

É como se ele estivesse frente a frente com um espelho que reflete a luz.

— Quem é você? — Rioston pergunta, com sua mão direita ainda escondendo seus olhos da claridade.

— Alegre. Meu nome é Alegre. Pode tirar as mãos dos olhos, a luz não vai mais te incomodar.

Rioston abaixa a mão direita e de fato a luminosidade de Alegre não o incomoda mais.

Porém a felicidade nos olhos do rapaz é surreal.

Rioston está curioso:

— Seu nome reflete sua personalidade? — Alegre sorrir ao ver Rioston fazer a pergunta, olhando para todas as direções.

— Não! Mas está feliz te incomoda? — Rioston para de olhar em volta e volta toda sua atenção para o rapaz.

— Aonde estou? — Ele pergunta esfregando as mãos.

— Se eu disser a verdade, promete não correr? — Rioston franze o cenho. — Estou perguntando isso, porque quando digo às pessoa que estão mortas, tem algumas delas que começam a correr para todos os lados. — A frase soa com a voz de Alegre sorrindo.

— Mortas? — A sua mente começa a trabalhar, como se recebera uma descarga elétrica. Logo tudo começa a fazer parcialmente sentido, e ele entende onde está: — Morto? É isso mesmo? Eu estou morto?

Alegre continua a observá-lo e diz:

— Sim meu rapaz, você fez a passagem. E estou aqui para recebê-lo e lhe dar as boa vindas, porém no seu caso não é definitivo.

— Não é definitivo? Como assim? Eu não quero mais sair daqui! É normal o fato de não querer sair correndo?

— Sim, mas também não é comum. — Alegre abraça Rioston, que recebe-o mas não retribui. Sua mente ainda processa o que está acontecendo. Alegre continua:

— Rioston tudo ainda é muito novo para você, mas vamos conversar e esclarecer tudo antes que retorne.

— Eu não vou ficar aqui? Digo nesse lugar?

— Não, aqui só faço receber as pessoas que vem de forma definitiva... E no seu caso, sua passagem não é definitiva.

— Não é definitiva? Mas estou aqui! — Rioston mostra-se para Alegre.— E não quero voltar!

— Sim... Realmente você está aqui e agora, mas não vai poder ficar.

— Eu me recuso a voltar!

— Meu rapaz, há uma nova vida na Terra esperando por você. Todos temos um tempo para cumprir. Ninguém vem antes do tempo. Salvo casos iguais ao seu. — O semblante de Rioston não está dos melhores. — Existem determinadas pessoas que precisam de um choque da vida, para começarem a seguir os propósitos separados para ela.

— Alegre, acho que você não está entendendo...Eu não quero voltar para minha vida! Nunca fui um cara com propósitos definidos, se é que me entende. Não sou culpado pelos erros de vocês.

— Rioston, você fala como se sua vinda aqui seja um erro, mas na verdade não é. Seu tempo ainda não chegou.

— Então por que vim para cá? Isso não foi um erro?

— Você não está me escutando. A sua vinda aqui é para que você veja por si mesmo, que o mundo espiritual existe. Olhe para tudo isso que está ao alcance da sua visão! — Alegre mostra todos lugares que podem ser vistos e alcançados pela visão de Rioston.

— E qual a finalidade para isso? Qual a importância de saber que o mundo espiritual existe?

— Para que possamos ajudar as pessoas a encontrar o caminho. Rioston há muitas pessoas perdidas sem saber como chegar nos braços do Pai.

— Olha, posso está sendo egoísta, é verdade... Mas não quero sair atrás de ninguém para colocá-los no caminho certo. Alegre, você pode mandar outras pessoas.

Alegre gargalha e diz:

— Eu já faço isso. Você não vai ser o primeiro e nem será o último... Fora que, nem todo mundo tem o seu dom.

— Cara, eu já disse não vou arredar o pé daqui!

— Rioston, você vai ver o que poucos veem... Sentirá com reverência e amor os raios solares tocarem sua pele. E a ínfima batida das asas de uma borboleta lhe trará respostas.

Rioston sorrir cinicamente e responde:

— Quando acordo? É uma pegadinha mental isso aqui?—  Rioston coloca as duas mãos na boca, fazendo um cone, como se estivesse usando um megafone : — Ei! Seu doutor! Diminui a morfina aí por que estou brisado.

Alegre gargalha novamente e param embaixo de um gigantesco pé de Caju.

As frutas do cajueiro exalam um perfume inigualável. Rioston saliva ao sentir o cheiro da fruta.

Alegre olha para ele e diz:

— Você vai acordar Rioston... E encontrará o que está procurando.

— E o que estou procurando? Posso saber?

— Ajudar os que sofrem. Você não se recorda de sair durante as madrugadas com seus pais, para levar comida e roupa para os necessitados?

— Alegre, sinceramente não lembro. Mas, se volto à minha vida para sofrer, não faz sentido depois de conhecer um lugar igual a este. Fala sério... você quer me mandar de volta àquele lugar? E pelo que recordo do meu acidente, vou ficar sequelado!

— Seja bem vindo à realidade dos que sofrem. — A frase faz a face dele queimar. A vergonha de não se importar com as pessoas, parece que foi lhe mostrado quando Alegre terminou de falar.— As vozes do bem precisam se multiplicar. O mundo vive momentos caóticos e sofrendo castigos pelos ostracismos que as pessoas vivem. O mundo está entregue ao egocentrismo e a todos os "ísmos" que levam as pessoas para bem distantes do Pai. Rioston nós estamos esquecendo de ajudar o próximo o vestindo, alimentando e cuidando.

— Mas, eu sou apenas um.

— Quem disse isso? — Alegre sorrir para ele. — Meu irmão somos vários, somos uma multidão... Porém precisamos de mais gente. O sofrimento é global, e há pessoas que não sabem voltar. Você vai ajudar as pessoas a entenderem qual caminho a seguir de volta para casa.

Rioston coça a cabeça.

— E quando as aulas começam?

— Aulas? — Alegre percebe que vem mais questionamentos.

— Sim, por que como vou ensinar uma coisa que nem sei por onde começar?

— O amor nos mostra o que precisamos ver e saber. Rioston Deus é amor.

— Se ele é amor, poderia ter me alertado sobre o acidente. Fora o fato que sempre vi pessoas boas sendo prejudicadas. Roubadas e...

— Morrendo antes do tempo? Era com isso que você terminaria a frase? — Rioston para próximo a última árvore. Pensa no que quer falar. Embora não tenha saído a frase completada por Alegre, ele sabe que é o causador da tragédia dele.

— Rioston, quantos sinais chegaram até você que não foram percebidos como avisos? O problema é que sempre relativizamos os avisos que chegam na nossa mente.

Rioston olha cabisbaixo e lembra-se que antes de sair de casa pensou em chamar um Uber, mas racionalizou falando para si mesmo:

"O percurso é rápido, e não vou beber tanto!"

"Eu não vou beber tanto assim, que não consiga dirigir."

"Qualquer coisa ligo para um Uber me buscar lá no bar."

— Sabe Rioston, mesmo você não acreditando em Deus, ele sempre nos orienta por sinais. Quantas vezes você xinga por que esquece algo em casa e tem que voltar para buscar?

— E qual o problema com isso?

— Nenhum.

— Não posso xingar?

— Não há problema algum em xingar. Você tem livre-arbítrio. Porém, o fato de esquecer o que geralmente não se esquece, pode te livrar de algo ruim que estar para acontecer. Você já parou para pensar sobre isso?

— Nunca... — Rioston suspira, olha para baixo e diz: — sempre xinguei por acreditar que iria me atrasar, e não por outro motivo. — Nova pausa — Eu somente não desejo voltar. A paz que sinto aqui é sem igual.

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