05
Draco girou os ombros de Clark Priddy. Eles eram mais largos que os dele, mais volumosos por causa da alimentação regular, mais fortes pois fazia exercícios rotineiramente. Ele esticou o pulso em seguida. Síndrome do túnel do carpo, Hermione adivinhou. Apanhado cedo, embora a julgar pelo desconforto passando pela testa de Draco, Priddy provavelmente estava usando uma cinta. Draco não teria esse luxo hoje. Ele levantou a mão brincando com o cabelo da nuca. Priddy estava ficando calvo, mas teimoso quanto a isso, deixando o cabelo mais longo como se isso compensasse os fios ralos no topo.
Hermione pressionou a mão nas costas dele.
"Pare de se contorcer."
Ele se encolheu novamente quando a respiração dela atingiu a concha de sua orelha. Priddy era vários centímetros mais baixa que Draco, e o corpo que Hermione usava - alguma zé ninguém do Ministério que ela havia atordoado e cortado os cabelos semanas atrás - era vários centímetros mais alta do que ela estava acostumada. Seus olhos eram azuis, seu cabelo loiro e curto, seu rosto sem rugas pelo estresse dos anos. Mas quando Draco encontrou seu olhar, ela se sentiu vista. Exposta de uma forma que a deixou tensa e na defensiva.
"Você tem certeza de que isso vai funcionar?"
Eles avançaram na fila para o banheiro.
"Temos uma hora antes de precisarmos dosear novamente. Devemos ser capazes de entrar e sair a tempo, " Ela deu um tapinha no bolso do robe. "porém eu tenho extra."
Seus olhos se moveram para frente, mas Hermione pensou ter visto seus lábios se torcerem. Respeito. Isso enviou uma emoção através dela.
Ele ainda não estava acostumado com ela. A maneira como ela pensava em cada cenário, preparada para cada circunstância. Ele estava acostumado a cumprir esse papel na escola, cercando-se de amigos em vez de alguém que pudesse ajudá-lo, desafiá-lo, torná-lo melhor. Ela olhou para o espaço entre seus ombros e sorriu.
As coisas eram diferentes agora.
Draco desapareceu no banheiro masculino. Ela se transportou para o das mulheres. Minutos depois, eles se reuniram no Átrio do Ministério.
Ele ficou rígido, bloqueando a lareira da qual havia pisado. Ela agarrou seu pulso e puxou-o de lado, enviando um sorriso de desculpas ao bruxo resmungão atrás dele.
"Você está bem? Ei." Ela o sacudiu, olhando para seus olhos, arregalados de pânico, longe da pressa matinal. "Recomponha-se ."
Em qualquer outra situação, ela poderia ter sido simpática. Trinta anos de prisão deixariam qualquer homem arisco no meio da multidão. Mas eles não tinham tempo para empatia. Eles tinham um livro para encontrar.
Ela deixou cair as mãos nas dele e apertou.
"Feche os olhos" disse ela, tentando esconder sua urgência. " Respire."
Ele ouviu, baixando o olhar para o piso de madeira escura do Átrio, as narinas dilatadas enquanto ele inspirava. Depois de três respirações profundas, a força voltou.
"Cadê?" ele perguntou.
"Nível um. Me siga."
Eles mergulharam no rio de funcionários do Ministério. Ela cortou o caminho e Draco a seguiu de perto. Eles se juntaram a um grupo que esperava pelo elevador, e ela o olhou rapidamente. Seu rosto estava contraído, mas composto. Ele respirou fundo enquanto eles entravam, empurrados juntos como sardinhas no espaço confinado. Ela pressionou em sua frente e sentiu o movimento controlado de seu peito contra suas costas. Desconfortável, mas não em pânico.
A viagem até o Nível Um foi breve, e eles saíram do elevador para um tapete roxo espesso. Embora Hermione esperasse móveis finos, a opulência a surpreendeu. Móveis ricos de mogno, detalhes dourados, portas grossas. Funcionários em túnicas caras falando em voz baixa, escrevendo com penas de águia em um pergaminho fino em vez de pergaminho padrão.
Um gosto amargo encheu sua boca: esta era a vida que ela poderia ter tido se Priddy, Rietveld e Zabini não tivessem sabotado sua carreira. Estar no Ministério sempre foi seu plano. Estabeleça sua reputação de trabalhar para o bem, aprenda o suficiente sobre política para ser contratada e use seu conhecimento para escalar até chegar aqui, a este nível. Talvez conseguir o próprio cargo de ministra.
Ela mordeu a língua e deixou Draco liderar, mantendo-se perto de seu ombro com a cabeça baixa. Ele murmurou algumas saudações silenciosas para as pessoas por quem passavam, então pressionou a varinha de Priddy contra a porta do escritório. Ele a deixou entrar primeiro e fechou a porta atrás de si.
Hermione retirou sua varinha e trancou a porta.
"Verifique a mesa."
O pedido era desnecessário. Draco já estava na cadeira de Priddy, dedos longos correndo pela mesa como aranhas pálidas, checando por alavancas escondidas e compartimentos secretos. Ela pegou a estante de livros, seus dedos percorrendo as lombadas, sentindo o que precisava tanto quanto parecia.
"É isso que poderia ter sido?"
Ela olhou por cima do ombro. Draco pegou uma pena e a girou entre os dedos.
"Você queria trabalhar aqui?"
"Eu queria poder. Eu não tinha certeza de que caminho tomaria para consegui-lo." Ele fechou os olhos e passou a pena na bochecha. "Eu poderia ter comprado minha entrada."
Hermione franziu a testa. Eles eram tão diferentes. Ele: intitulado, nascido em um mundo de privilégios, trabalhando quando lhe convinha. Ela: jogada em um mundo que ela não sabia que existia até os onze anos, lutando por resquícios de respeito de idiotas elitistas, cuja aceitação não deveria ter importado, mas importou.
O tempo, mais do que a morte ou a educação, foi o grande equalizador.
Ela se voltou para a prateleira. "Sim. Isso é o que teria sido."
A pena estalou, um som de osso seco que a fez sorrir.
"O Registro não está aqui." disse ela, levantando-se após verificar as prateleiras mais baixas, fazendo uma careta de dor por causa dos joelhos. "Deveríamos-"
"Espere." Draco pressionou ambas as mãos no mata-borrão. Ele fechou os olhos e ergueu as palmas das mãos, como se estivesse lutando contra um grande peso. O National Register apareceu na mesa, o couro marrom do mata-borrão formando sua capa. Hermione prendeu a respiração até que os ombros de Draco relaxaram. Ele colocou o livro sobre a mesa; tinha vários centímetros de espessura.
"Perfeito."
Ela estendeu a mão para pegá-lo, então sibilou quando a eletricidade passou entre a capa e seus dedos. Draco o abriu sem problemas. Magia de sangue. A culpa persistente que ela sentia pela morte de Priddy diminuiu, ela estava velha demais para tolerar racistas.
"Quem estamos procurando?"
"Brown primeiro." Ela pegou a pena quebrada, pintou-a com tinta e começou a rabiscar os endereços quando Draco os encontrou. Ela enfiou o pergaminho no bolso enquanto Draco se levantava e colocava o livro de volta na mesa.
"Com dez minutos de sobra" ela disse.
Hermione abriu a porta e ficou cara a cara com Blaise Zabini.
Os anos foram bons para ele. Linhas de riso formavam vincos ao redor de seus olhos, e delicados dedos cinza riscavam seu cabelo, dando-lhe uma aparência distinta, quase régia. Seus atraentes olhos azuis percorreram seu corpo, avaliando-a em um instante, aparentemente satisfeito. Um sorriso largo, um toque de predador, mostrou seus dentes retos e brancos.
"Eu não vi você neste nível antes." disse ele.
Ele apoiou um cotovelo na soleira do escritório, prendendo-a. Hermione fingiu um sorriso tímido e baixou a cabeça, efetivamente escondendo seu desprezo.
"Priddy."
" Zabini."
O tom de Blaise mudou de inquiridor para familiar; a voz de Draco estava cheia de raiva crua. Como Blaise poderia não ouvir ou sentir o calor da raiva emanando dele? Ela arriscou um olhar e viu a varinha de Draco na mão, escondida nas dobras de seu manto.
Eles precisavam sair.
"As runas descobertas na escavação mais recente do Departamento de Mistérios, aquela no Egito... Algo útil?"
O silêncio se arrastou por muito tempo.
"Estamos compilando o relatório." disse Hermione. "Vim aconselhar Clark sobre algumas dúvidas restantes."
"Aconselhar ele?" O olhar de Blaise saltou entre eles, brilhando com insinuações.
Hermione checou seu relógio; faltam apenas sete minutos.
"Temos uma reunião..." disse ela, olhando para além dele e para o corredor.
Blaise deu um passo para o lado.
"Espero vê-lo novamente em breve."
Lábios forçados em um sorriso tenso, ela passou por ele, porém Draco não se moveu.
" Clark."
Ele deve ter ouvido o aviso. Ele sabia que deveria seguir o plano. Mas um olhar em seus olhos a fez perceber que Draco estava além da lógica. Ela coçou por sua varinha. Um rápido Imperius resolveria o problema, mas ela poderia desenhar e lançar sem que Blaise percebesse? Valia a pena o risco?
Sua mão vagou em direção ao bolso do robe.
"Chefe Warlock Zabini?"
"Desculpe." E com um aceno de despedida, ele virou no corredor, caminhando em direção ao chamador.
O feitiço foi quebrado e Draco se lançou. Ela o pegou pelo braço, antes que ele tivesse a chance de se levantar e mirar. Ele a empurrou, encolhendo os ombros como se ela não pesasse nada. Ela se preparou, empurrou-se da parede e segurou os braços dele por trás, puxando-o para trás com todo o seu peso, forçando-o a entrar no escritório de Priddy.
"Não temos tempo. Precisamos sair. Precisamos sair!"
"Mova-se, Gran-"
A palma da mão aberta conectou-se com sua bochecha, forte o suficiente para arder, silenciosa o suficiente para não despertar suspeitas.
"Estamos saindo." disse ela, sua voz um silvo baixo. "A menos que você queira voltar para Azkaban com o plano arruinado, então sugiro que você me siga."
Ele esfregou a bochecha, e muito de sua carranca característica apareceu no rosto de Priddy.
Ela se virou e marchou em direção ao elevador, a satisfação sombria instalando-se em seu peito enquanto ele caminhava atrás dela.
A dor bateu quando eles alcançaram a lareira do Atrium. Draco entrou primeiro, ela envolveu seus braços ao redor da cintura dele, e então eles saíram, girando pelo sistema de Flu de volta para os banheiros. Ela os aparatou assim que eles saíram da lareira. Quando eles pousaram em sua loja, a transformação os prendeu. Eles desabaram no chão, os ossos das pernas quebrando e reformando, músculos se dilacerando e recolocando em uma agonia agora familiar.
Hermione respirou através da dor, focando na pressão de sua testa contra o chão frio da loja, e no cheiro de poeira, aparas de madeira e o ozônio persistente de nova magia.
Eles tinham feito isso.
Eles invadiram o Ministério e obtiveram as informações de que precisavam para concluir o plano. Para selar as pontas soltas que os atormentavam por três décadas. Ela soltou um suspiro fraco e risonho. Seria fácil agora.
"Eu o tinha."
A bolha de alegria crescendo em seu peito estourou. Ela se levantou e olhou para Draco. Ele estava de quatro, a varinha ainda na mão, olhando para um buraco no chão abaixo dele.
"Malfoy..."
"Não, eu o tive!"
Ele atacou, um feitiço colidindo com seu peito e fazendo-a girar. Ela caiu de lado com força, rolou de costas e tentou respirar. Sua inspiração estagnou quando Draco a montou. Seus joelhos pressionados contra seu abdômen, sua varinha presa entre suas pernas pressionadas. Ele enfiou a varinha embaixo do queixo dela, a ponta ainda quente do feitiço.
"Ele estava bem na minha frente. Você me segurou. Você-"
Hermione empurrou seus quadris para cima, tentou rolar, mas o ângulo estava errado, sua alavancagem era insuficiente. Um grunhido instintivo quando ele golpeou sua bochecha com a palma da mão aberta. Um suspiro quando ele envolveu a mão em seu pescoço, as pontas dos dedos conectando-se ao chão.
"Você me impediu." Seus olhos estavam escuros. Ou era a sala sumindo? Sua visão indo para as bordas enquanto ele sufocava a vida dela?
"Salvei... você." Sua voz rouca, quase imperceptível. Cada palavra parecia fogo saindo de sua garganta. "Assassinato... No Ministério? Azkaban... Morte..." Ela rasgou sua mão, as unhas cravando-se em sua pele, tirando sangue. Ele se acalmou. Sua garganta queimou enquanto o oxigênio corria para seus pulmões.
"Você tem uma chance." ela resmungou. "Você pode ter uma vida depois disso, mas só se esperar."
Ela viu suas palavras atingirem o alvo. Viu a mudança se mover como uma tempestade em sua testa, a fúria temperada por uma paciência relutante. Ele rugiu e mandou uma maldição de frustração pela loja, explodindo uma parede inteira de varinhas. Horas de trabalho, meia vida de esforço, galeões de suprimentos, estourou em um instante.
Lágrimas rolaram dos cantos de seus olhos, mais reflexivas da asfixia do que de tristeza por seus produtos destruídos. Provavelmente não seria vendido, de qualquer maneira.
O gemido agonizante de Draco a puxou de volta. Sua cabeça pendurada quase no ombro dela, as mãos apoiadas em cada lado de sua cabeça. Ela descansou a palma da mão contra sua mandíbula e levantou. Seus narizes roçaram.
"Podemos terminar isso."
A respiração dele soprou em sua boca. Ele se mexeu contra sua barriga e seus olhos caíram para os lábios.
"Juntos."
Ela o beijou. Casto, seco, breve, mas transformador. Um tipo diferente de fogo acendeu por trás de seus olhos, como o romper de um novo amanhecer.
"Brown é a próxima." disse Hermione, passando o polegar ao longo da linha de sua mandíbula. "Como vamos chegar até ela?"
Draco sorriu e se sentou ereto, seus quadris pressionados contra os dela.
"Eu tenho uma ideia."
A gasolina salpicava o chão atrás de Hermione. Gotas frescas encharcaram seus jeans, o cheiro forte. Mais tarde, ela iria decidir se iria queimá-los também, ou mantê-los como um lembrete do que eles haviam realizado. Por enquanto, no entanto, ela queria permanecer presente. Ela queria sentir o que eles estavam fazendo.
Ao seu redor havia lembranças de uma vida feliz. Nas paredes, fotos cuidadosamente selecionadas. Férias, amigos, reuniões. Na sala, um grande retrato de casamento. Lilá estava com um vestido vermelhos e dourados, brilhando com cristais, pingando joias. Como um, eles olharam para fora da câmera e riram. Um convidado contando uma piada, Hermione adivinhou. O fotógrafo gesticulou para chamar a atenção, e eles deram. Sorridente. Se beijando. O amor que compartilhavam era dolorosamente óbvio, uma amizade que cresceu muito mais com o tempo. A confiança entre os dois era igualmente brutal. Muitas evidências sugeriam que se casaram de boa vontade, com entusiasmo, décadas atrás, e que seu relacionamento continuava forte. Um casal que resistiu às provações e caprichos de uma vida compartilhada.
Hermione esfregou o peito, acalmando uma pontada dolorosa, uma sensação entre desejo e arrependimento.
Lilá parecia insípida em Hogwarts - seu assunto favorito era Adivinhação, de todas as atividades inúteis - o que deixou o interesse de Ron por ela ainda mais esmagador. Mas Ron escolheu Hermione no final. O ciúme havia se transformado em triunfo, que então foi marcado pelo respeito quando elas se aliaram contra o mal na Segunda Guerra Bruxa. Elas haviam perdido contato depois de Hogwarts, e Hermione pensou que era o fim de tudo.
Até Lilá contar a história do suposto caso de Hermione com Rietveld.
Hermione não foi capaz de dissuadi-la de publicar. Seu pedido de comentários não foi nada mais do que uma medida pra forma, realizada para manter o disfarce de integridade jornalística. Ela era aluna devota demais de Rita Skeeter para se preocupar com a verdade, desde que os jornais fossem vendidos.
Hermione evitou o profeta desde então, mas mesmo assim estava ciente da reputação bem estabelecida de Lilá como uma sensacionalista. Embora popular, sua coluna foi relegada às últimas páginas do profeta.
Surpreendente, considerando seu passado de repreensão a Greyback e a tendência difamatória de suas reportagens, que a falta de segurança em casa seria seu fim.
Acessar sua pequena casa nos subúrbios tranquilos de Hogsmeade tinha sido simples. Portas destrancadas, azarações de segurança tão fracas que eram praticamente inexistentes contra a habilidade de Hermione. Uma vida tranquila as tinha deixado imprudentes. Nenhum dos dois acordou quando Draco entrou em seu quarto e os surpreendeu. Ambos não acordaram novamente até que fosse tarde demais. Até que a fumaça encheu sua casa encantadora e as chamas lamberam a colcha cara.
Pelo menos morreram juntos. Eles não sofreriam a dor de um amor perdido.
"Granger?"
Draco a observou do lado oposto da sala de estar. Ela não sabia há quanto tempo ele estava ali.
"Está tudo pronto?"
"Quase." Ela jogou gasolina no retrato, observando as cores correrem e se deformarem sob o solvente. Ela colocou a caixinha no chão, virou-a com uma cutucada do pé e tirou uma caixa de fósforos do bolso. Ela arrancou um e segurou-o entre os dedos, pronta para atacar.
Draco se juntou a ela, olhando para a imagem arruinada.
"Astoria e eu nunca fomos tão felizes" disse ele, quase para si mesmo. "Ela não era, pelo menos. Eu pensei que a amava. Achei que ela era linda e que ela também veria a beleza em mim. Achei que ela aprenderia a me amar." Ele olhou para Hermione, seu rosto contraído, quase esquelético sob o luar filtrado. "Você e Weasley se casaram alguma vez?"
"Não. Ron sempre foi inseguro sobre nosso relacionamento. Ele não achava que me merecia."
Draco deu uma risada zombeteira.
"Não importa se ele merecia ou não." ela retrucou, surpresa por sua própria defesa. "Uma vez que Brown relatou que eu estava dormindo com Rietveld, a situação mudou. De repente, eu não o merecia."
"Ele deveria ter acreditado em você."
Ela arqueou uma sobrancelha. "Você teria acreditado? Rietveld me ofereceria tudo que Ron não pôde: avanço na carreira, estímulo mental... Uma vitória no seu caso teria alavancado minha carreira como um foguete. Eu queria ganhar, eu sabia que poderia, e Ron viu o que eu estava disposta a fazer por isso. Dias longos, noites longas... Foder com o juiz era o próximo passo lógico em sua mente."
"Você teria se perdido com ele."
Hermione encolheu os ombros. Por mais distante que fosse a memória da traição de Ron, ela nunca deixava de causar uma dor profunda em seu peito.
"Eu não conhecia Astoria, embora ela fosse bonita." acrescentou ela, com certa relutância.
"A beleza é uma construção."
Hermione sorriu. "A confiança é uma mentira."
Draco pegou a mão dela, o palito de fósforo ainda preso em seus dedos, e segurou-o entre eles.
"Isso é verdade." ele disse com um sorriso sombrio. "Trauma compartilhado."
Ele fechou a distância entre eles, e quando seus lábios se encontraram, o fósforo acendeu.
Não foi como da primeira vez, quando ele a prendeu. Isso parecia humano, macio e quente, uma sombra do que o outro casal no recinto haviam compartilhado, mas mais poderoso, mais real do que qualquer coisa que Hermione sentira em uma memória recente.
Seus olhos brilharam como prata quando ele quebrou o beijo, o fósforo entre eles como um coração ardente.
"Um passo mais perto." ele sussurrou.
"Um passo mais perto." ela concordou.
Ela largou o fósforo e eles desaparataram antes mesmo que o astro de fogo atingisse o chão.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top