Prólogo •
Lisbela D'Ávila
02 de agosto de 2010
Os meses pareciam apressar-se em sua caminhada anual enquanto meu coração repousava em uma única certeza: eu não estava no controle. Nem mesmo os agasalhos foram capazes de trazer o conforto desejado durante aquela fria estação. Saber que meus planos eram pequeninos se comparados aos propósitos eternos de Deus me causava uma leve inquietação na alma; todavia, ao passo que essa sensação me sobrevinha, outra também se alicerçava: eu precisava confiar e me deleitar Nele.
Naquela manhã de agosto, acordei com as batidas frenéticas da minha mãe na porta do meu quarto. O mal-estar da noite anterior — resultado evidente do meu estado de espírito — impediu-me de ter um sono tranquilo e, consequentemente, em obedecer ao chamado do despertador.
— Vamos, Lis! Deixe de arrudeio* — a mulher de cabelos fartos e frisados disse, colocando parte do corpo para dentro do aposento. Éramos muito semelhantes quanto à aparência física, em especial aos cachos volumosos que moldavam nosso rosto; em contrapartida, herdei o temperamento sereno do meu querido pai, que, na minha opinião, se complementava muito bem ao dela.
— Só mais cinco minutos! — balbuciei ao espreguiçar o corpo, cobrindo o rosto com o cobertor. A verdade que todos tentam negar é que cinco minutos são insuficientes para quitar as poucas horas de sono que tivemos durante a noite; mas, ainda assim, insistimos nessa possibilidade.
Ao abrir os olhos, tentando me adaptar a claridade do local, fitei a telha claraboia instalada no telhado do meu quarto. Não consegui discernir o tempo lá fora, mas tudo indicava que o dia estava congelante. Agradeci a Deus pelo seu amor e misericórdia para comigo e coloquei-me de pé, julgando que aquele seria o começo comum de uma segunda-feira qualquer. Contudo, ainda que minha falha visão terrena não conseguisse enxergar, os ventos da Providência me cercavam.
O inicio do semestre trazia consigo minha conhecida rotina de estudos, metrôs lotados e sono acumulado. Embora eu tenha mudado para São Paulo ainda jovem, nunca consegui me encaixar na vida agitada da cidade grande. Depois de anos, continuei alimentando o desejo de voltar para minha terra natal, no interior do Nordeste. Longe das avenidas engarrafadas, dos altos megafones, das buzinas dos carros e do ar carregado de poluentes se encontra a pequena Cordel. Ah, como amo esse lugar! Quando eu era criança, apreciava passar as tardes caminhando pelas vastas áreas verdes que cercavam as casas da região ou então confinada na livraria da minha avó.
O que me fez sair de lá? Bem, é uma longa história...
🌵🌵🌵
*Arrudeio: dar voltas, enrolar.
Oi, minha gente! Queria me desculpar pelo atraso com a postagem, sei que é bem ruim ficar esperando capítulo; mas, tenho alguns motivos que acabaram atrapalhando meu planejamento. Minhas aulas começaram essa semana e ainda estou me adaptando a essa vida de EAD (tá complicado kk). Além disso, tenho tido alguns problemas familiares (questões de saúde) e isso tem tirado meu tempo e concentração para escrever. Por isso, não vou prometer uma quantidade fixa de capítulos por semana, mas me esforçarei para entregar com frequência. Espero que entendam!
Obrigada por estarem acompanhando a repostagem desse livrinho que é tão importante pra mim 💚
Abraço de urso e até!
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