aquele da véspera
As atividades diárias começaram mais cedo que o normal.
O Festival Anual de Crivel seria amanhã e todos estavam com os ânimos ao alto.
O festival de Crivel era um evento de feriado que valorizava a cultura, dança, culinária e a religião dos Crivelianos, todos da região se uniam e se doavam todos os anos para preparar esse grande evento que durava um dia inteiro e atraiam muitos turistas de todos os reinos.
Adelaide dedicaria o dia quase todo na cozinha, como sempre, mas é o que ela faz de melhor e ama o que faz. Ela estava se doando para preparar os pratos do festival a base de morangos e amoras.
Emma e Evie seriam as responsáveis pela a administração da estalagem e dos hóspedes, já que em véspera do festival, a estalagem prometia uma maior movimentação. Enquanto Jenna ficaria na cozinha com Adelaide, porém ela, ficaria responsável pelas nossas refeições e a dos hóspedes em geral.
Jeremias e Tomas estavam construindo uma barraca para Adelaide vender suas comidas, além de prosseguir com as suas caçadas diárias, que no entanto, era de uma enorme distração e diversão para ambos.
E por fim, eu, Jaquelyn, Dean, Dric e Luck, estávamos dispersados pela cidade cuidando da decoração.
Eu estava ajudando uma senhora já idosa a decorar a sua barraca quando Jaquelyn aproximou-se de mim e com a simpatia e educação de sempre, cumprimentou a senhora, e ela fez o mesmo em resposta.
— O sol já vai se pôr. Em poucos minutos as meninas virão nos ajudar. E quando a mãe terminar de preparar seus pratos, também se juntará a nós. — Disse ela em aviso e logo eu assenti.
Em seguida Jaquelyn voltou ao seu serviço de ajudar o Jeremias e Tomas na decoração da barraca da Adelaide. Que estava ficando muito linda, por sinal. Bastante colorida e atrativa, bem no jeito do festival.
Dean estava ajudando uma menina a pendurar algumas fitas vermelhas e laranja em algumas casas e Dric estava finalizando uma barraca para um senhor de idade.
Quando eu voltei ao meu trabalho, percebi alguém se aproximando e então virei para olhar quem vinha.
Era o Luck.
Diferentemente dos outros, Luck não escondia os seus braços. Que aliás, exibia os seus músculos bem definidos.
— Precisam de ajuda? — Perguntou ele.
— Não, nós já...
— Precisamos sim. — Repondeu a senhora me interrompendo com um sorriso iluminante.
— Essa mocinha simpática precisa mais da companhia de um jovem bonitão como você do que a minha. — Disse a mesma em um tom de brincadeira.
— Nada disso. A senhora é uma ótima companhia. — Falei e então ela me encarou com um sorriso agradecido em seu rosto.
Logo mais, ela se aproximou segurando o meu rosto com as mãos em forma de concha.
— Você me lembra a minha netinha. Tão doce e com um extremo desejo em ajudar os outros. — Disse ela me encarando e eu sorri sem jeito.
Em seguida ela lançou o olhar para Luck que nós observava constrangido.
— Pode ir com o moço bonitão. — Disse ela.
— Mas e quanto a sua barraca? — Perguntei um pouco preocupada.
— Já está quase no fim. Só faltam alguns meros detalhes. — Respondeu ela dando de ombros.
— Mas já que está quase finalizada, eu poderia...
— Não, minha querida. Você foi uma boa menina e me ajudou mais do que deveria. — Disse a senhora me interrompendo.
— Agora vá, seus amigos devem estar sentindo falta de você. — Continuou a mesma e então eu assenti, me despedindo da senhora com um abraço.
Assim que me despedi da senhora, fui com o Luck até a barraca da Adelaide. Mas com o acorrido e a ajuda que eu dera aquela senhora, tem feito do meu dia incrivelmente mais leve. Não pude conter o sorriso de alegria que surgia em meu rosto enquanto nós encaminhavámos e o Luck, não podia deixar de notar a minha visível alegria.
— É incrível. — Disse Luck voltando o seu olhar para frente depois de me encarar.
— O quê? — Perguntei confusa.
— A facilidade que você tem de conquistar as pessoas. — Respondeu ele parando e então eu parei também.
— A senhora parece ter gostado muito de você. — Disse ele me encarando e eu sorri novamente fitando o chão, sem jeito.
— Acho que eu não fui a única de quem ela gostou. Não é, moço bonitão? — Falei em brincadeira enquanto cutucava ele de leve com o meu cotovelo e então ele riu.
— É diferente. Não é a beleza física. Me referi a beleza interior. — Disse ele.
— Não que você não seja bonita, você é linda. Mas é muito mais incrível por dentro, você pode ter certeza. — Continuou o mesmo me arrancando um sorriso.
— Obrigada pelo elogio, Luck. Você é incrível, e muito lindo também. — Falei e então ele sorriu em agradecimento.
— Você daria uma ótima rainha. — Falou Luck me encarando e então o sorriso que estava em meu rosto foi desaparecendo aos poucos.
— Pode até ser. Mas eu prefiro ser quem eu sou. — Falei forçando o sorriso a surgir novamente.
— E quem você é? — Perguntou-me ele me lançando aos meus pensamentos.
Novamente eu parei.
Sem saber o que responder ao certo. Eu já estava me familiarizando com esse sentimento.
Quem eu era?
A princesa de Fousvin?
A nomânde Lessy?
A Criveliana Cherry?
Eu não sabia ao certo.
Já fui tantas que hoje não sei quem eu sou, ou quem eu deveria ser. Mas o Luck precisava de uma resposta e então eu respondi a primeira coisa que veio em minha mente.
— Eu sou aquela que eu deveria ser. Ou melhor, eu sou essa aqui que você está vendo. — Respondi com um sorriso e ele também sorriu de volta.
Olhei para o lado e percebi que Jenna nos encarava de longe. Porém a mesma desviou o seu olhar assim que percebeu que eu a vira.
— Acho que a senhora não foi a única que você conquistou com a sua beleza. — Falei enquanto encarava Jenna que se atrapalhava em sua tarefa ao tentar disfarçar o seu evidente nervosismo.
Luck não disse sequer uma palavra, o que me deixou curiosa. Então quando eu encarei o mesmo, vi um sorriso fraco iluminar o seu rosto enquanto ele assistia a Jenna.
— Pelo visto é recíproco. — Falei enquanto estudava a sua expressão. E logo ele me encarou de volta.
— Talvez. — Disse ele e então continuamos o nosso caminho em direção a barraca de Adelaide que estava sendo finalizada por todos.
Luck me contou o os detalhes do que achara de Jenna. Ele me contou de coração aberto e com uma enorme confiança, o que me deixava tranquila por um lado. Pois eu era segura o suficiente para continuar o meu disfarce e conquistar os outros.
Ele acreditava em mim.
E isso incluía, o Dean e o Dric também.
Ele me falou que inicialmente não tinha notado a garota e que estava impressionado comigo. Mas então ele me falou da carta que recebera dela e das conversas que trocaram após a nossa "aposta com espadas". E depois desses episódios, ele não conseguia tira-lá da cabeça.
— Você já falou isso a ela? — Perguntei com um sorriso enquanto eu me via encantada com a sensibilidade que eu não sabia que o mesmo possuía.
— Eu nunca tive coragem. Toda vez que eu chego perto dela eu me perco e não sei como agir ou o que dizer. — Respondeu ele fitando o chão.
— Você por acaso já sentiu isso? — Perguntou-me ele me encarando.
— Eu... Eu acho que... não. — Respondi nervosa e então ele fitou o chão e eu pude ver o desespero em seus olhos.
Na verdade, eu já me sentir assim.
Toda vez que eu estou com o Dean, me sinto desse jeito. Embora que o que eu sinto com o Dric, me deixa confusa.
Nunca sentir algo parecido por ninguém antes, e quando eu sinto, tenho que complicar tudo.
— Por que você não aproveita o festival de amanhã para se declarar? — Sugeri pondo fim ao silêncio entre nós.
— É uma boa ideia. — Disse ele contente.
— Como aparentemente ela sente o mesmo por você. Será um pouco mais fácil. — Falei e ele assentiu me agradecendo e então pôs se de pé para ir embora.
— Cherry. — Disse ele.
— Sim? — Perguntei curiosa.
— Você poderia, é...
— Tudo bem. Isso é um segredinho nosso. — Falei piscando para o mesmo e então ele sorriu satisfeito seguindo o seu caminho juntando-se finalmente a todos e eu fui logo em seguida.
═ೋೋ
Fizemos uma pausa para o jantar.
Estávamos cansados do dia puxado, porém não tínhamos finalizado as decorações da barraca da Adelaide.
— Falta pouco! — Disse Tomas aliviado.
— Esse ano fomos mais ágeis. — Disse Jeremias e todos assentiram.
Como de costume, estávamos tendo o nosso momento de conversa após o jantar. Então Adelaide nos alertou para voltamos para finalizar o serviço antes que ficasse mais tarde, pois quanto antes começássemos mais cedo terminariamos.
— Jeremy, fique com as minhas atividades. Prometo que ano que vem te recompenso. — Disse Evie sentando em um banquinho próximo.
— Me perdoe, mas não farei isso. Estou morto de cansado. — Falou ele.
— Meninas, estamos esquecemos de uma coisa muito importante! — Disparou Jaquelyn e então a encaramos curiosas.
— Da nossa vitória na aposta perigosa. — Continuou ela.
— Ih, é verdade. Vocês ainda não pagaram a aposta de nos obedecerem por um dia inteiro. — Disse Emma.
— Nossa, eu estava totalmente esquecida. — Disse Evie colocando a mão em sua testa.
— Eu não. — Falou Tomas.
— E você nem avisou a nós? — Perguntou Jenna indignada.
— Ué, eu não. Eu quem seria o escravo. — Respondeu ele e todos nós rimos.
— Não se preocupem que amanhã no festival, nós cobraremos a nossa aposta. — Disse Evie com um sorriso malicioso como quem já estivesse planejando as suas ordens.
— Mas amanhã é feriado. — Disse Luck.
— Pagamentos de apostas não pegam feriados, bonitinho. — Falou Evie piscando para o mesmo.
— Eu sei que a conversa aí está boa mais temos trabalhos a realizar! — Disse Jeremias e então assentimos levando-nos da cadeira.
Tomas tinha razão. Havia pouco trabalho a ser feito, tanto que eu terminei de enfeitar a frente da estalagem em apenas alguns minutos.
Quando eu estava terminando a decoração, avistei Dean, que me olhava de braços cruzados enquanto se apoiava a uma árvore.
— Estava me observando? — Perguntei quando me aproximei do mesmo.
— Sim. Eu quis me certificar de que você estivesse segura. — Respondeu ele e então eu sorri.
— Mas estamos todos aqui na estalagem. Eu nem sair. — Falei ainda sorrindo o que fez o mesmo abrir um sorriso.
— Mas nunca se sabe se algum engraçadinho possa tirar a sua calma. — Disse Dean.
— Que péssimo dia seria para aquele que quisesse tumultuar a minha vida. — Falei tocando no meu cinto onde a adaga estava.
— Por isso mesmo que eu estou aqui. — Disse ele e então eu ri.
— E então... Quais são os seus planos para o festival amanhã? — Perguntou-me Dean.
— Bem, eu pretendo me divertir e quem sabe fazer alguns rapazes de escravos. — Falei em tom de brincadeira e ele riu.
— Nossa, por estranho que pareça, eu me sinto honrado. — Disse ele e então eu ri.
— E quanto a você? — Perguntei.
— Se tudo der certo. Eu planejo fazer uma coisa que eu desejo a alguns dias atrás. — Respondeu ele fitando a rua.
— E o que seria? — Perguntei confusa e então ele olhou para mim.
— Você descobrirá. — Respondeu ele me encarando e então eu engoli em seco.
Por mais que eu estivesse curiosa em saber, eu não perguntei nada a ele. Eu temia que a resposta dele pudesse ter algo a ver comigo, então prosseguimos em silêncio.
Logo mais nós decidimos entrar na estalagem e então eu fui em direção ao meu quarto. Mas antes que eu abrisse a porta, proferir alguns agradecimentos ao Dean que me acompanhara e me fizera companhia, e com o seu sorriso encantador de sempre ele assentiu, antes de abrir a porta para adentrar em seu quarto, que era próximo ao meu. Em seguida fiz o mesmo.
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