17
Pronomes: ela/dela
—Você não acha que isso é um pouco revelador demais, Ethal? — Perguntou a mais nova, passando as mãos pelo vestido bordô estilo sereia que a kitsune havia escolhido para ela, ela havia dito à mais velha que não sabia nada sobre vestidos de festa, e que queria algo simples, já que era um jantar de família e não gostava de muitas extravagâncias, e apesar de ter gostado do vestido, queria causar uma boa impressão na família de Helena e temia o que eles pudessem pensar de sua roupa. Ethal havia se sentido honrada em ajudar Maggie na escolha do vestido e sorria gentilmente enquanto olhava o reflexo da mais nova no espelho. — É bem discreto na verdade, o decote não é tão profundo mas deixa a imaginação trabalhar, além disso nessa não tem fenda. — Cruzou os braços ao lembrar que as fendas foram banidas por Maggie, o que para a kitsune era uma ofensa uma vez que amava. — Tenho certeza que Helena vai amar e a família dela também.
—Espero que você esteja certa — Murmurou se olhando no espelho, suspirando logo em seguida. — eu nunca nem namorei e olhe para mim agora, prestes a conhecer a família da minha futura esposa... acho que estou suando e nem sei se é possível — Afirmou levantando levemente o vestido para se sentar na cama, podia sentir seu corpo tremer — E se eles gostarem da minha aparência, mas não gostarem de mim? Se eu falar alguma besteira?! Se eu fizer alguma besteira!? — A cada pensamento, a latina sentia mais desespero com a festa, a ideia de conhecer seus futuros enteados e seus cunhados e ser odiada por eles a deixava nauseada.
— Maggie, tente ficar calma. Eles não são mais crianças e além disso... Todos falamos besteiras as vezes. — Sentou ao lado da mais nova, lhe olhando. — Helena ama você como é e os demais gostarem de você é apenas consequência. Mesmo assim, tenho certeza que vão amar você. — Tentou a tranquilizar, mesmo que não soubesse ao certo o que esperar afinal não conhecia a família de Helena. A garota respirou fundo, sentindo ainda seu coração a palpitar, talvez Ethal tivesse realmente razão e não houvesse motivos para desespero, e mesmo que ela ainda temesse o pior, deixaria de lado seu desespero. — Eu sou uma egoísta, não sou? Jogando meus medos nos seus ombros quando você não tem nada a ver com isso — Riu levemente, extremamente envergonhada, nunca havia se desesperado daquela maneira, nem mesmo quando tinha de lidar com seu pai depois de uma noite de bebedeiras dele e agora estava o fazendo por uma razão que de fora devia parecer tão fútil
— Não é, somos amigas agora, não somos? Amigas são para se apoiarem nestes momentos. — Sorriu, levantando e estendendo a mão para Maggie. —Eu não sei exatamente como é ter uma amiga, sempre fui eu e os meninos e acredite, não dá pra falar metade das coisas que falo pra você, pra eles— Disse segurando a mão da mais velha e então sorrindo novamente. — Agora tem a mim e sempre que precisar pode me chamar, e olha só, logo será a primeira dama da cidade e está vestida como uma.
— Primeira dama...quem te ouve dizer isso não deve nem imaginar que você está falando de alguém que mal saiu das fraldas como eu — Riu levemente, a mais velha sorriu a acompanhando enquanto a ajudava a arrumar seu vestido. — As vezes esqueço que está em sua idade normal, mas ainda assim você e Helena formam um casal fofo. — Elogiou. —Eu às vezes esqueço que você e eu não temos a mesma idade, então eu entendo — Confessou acanhada, seu rosto vermelho com o elogio e teria falado algo mais se não tivesse ouvido as batidas na porta. — Vocês estão prontas? — Indagou Isaac do outro lado da porta, já pronto para a festa. — Estamos, certo Maggie? — Respondeu, ainda segurando a mão da mais nova quando abriu a porta. — Você tá lindo, maninho. Veja, Maggie está tão linda, não está? — Disse de forma orgulhosa ao mostrar a mais nova.
O rapaz sorriu, colocando as mãos nos bolsos da calça social, era um conjunto de três peças simples, azul escura com um padrão muitas vezes visto em kilt. — Está perfeita, Helena vai ter que tomar cuidado para não quererem roubá-la dela — Elogiou o rapaz observando a amiga e então olhou para a irmã.* — Eu estendo esse aviso a você, maninha, Emily está...uau...— Fez um leve bico, mas sorriu logo após. — Terei que ficar bem perto então... Vamos, acho que os convidados estão chegando e quero conhecer todos também. — Estava verdadeiramente animada.
No andar debaixo, Maya já estava na sala de estar, debidamente pronta, quando ouviu o som dos carros. Estava animada, iria rever seus tios, exatamente por isso pulo do sofá, não se importando com a roupa. —Você ainda vai arruinar esse vestido, mi amor — Comentou Alexa sorrindo enquanto observava a mulher, mexendo em sua gravata, Maya parecia tão eufórica que dificilmente alguém diria que era uma mercenária experiente. — Esse é o seu trabalho. — Respondeu, alisando o vestido enquanto se aproximava de sua noiva, levando as mãos ao pescoço da loira e o acariciando antes de deixar um beijo demorado poucos centímetros abaixo de sua orelha. — Meus Deuses, é tia Med e Panda. Presentees... — Sentia-se como uma criança novamente, lembrando das festas que sua tia dava. — Tia Pandora vai amar você. — Alexa sentiu cada pelo seu se arrepiar somente com aqueles poucos toques e não hesitou em abraçar a cintura de sua futura esposa que ainda provocava seus sentidos com seus beijos. — Eu espero que sim, sua mãe já me detesta — Falou, não conseguia pensar no quanto sua vida se tornaria um inferno se os tios de Maya a detestassem.
—Posso me oferecer para acompanhar as duas moças? — Indagou o rapaz oferecendo os dois braços as duas com um sorriso no rosto no andar de cima. Ethal assentiu, segurando o braço do irmão e sorriu ainda mais quando seguiram em direção a grande escadaria que levava ao térreo — É cedo para dizer que estou com fome? — Perguntou em um sussurro. — Eu acho que não é não — Respondeu o maior, tomando cuidado ao descer as escadas, já que querendo ou não, ambas as garotas estavam usando saltos. — Se não é quem eu estava procurando — A voz veio de fora do grupo, Emily, acompanhada de seus amigos, todos muito bem trajados para a ocasião. — Hey — Falou subindo os degraus que restavam para puxar Ethal pela mão. — Você demorou...— Reclamou com um leve bico, algo que parecia bastante fora do lugar, pois a morena estava vestida elegantemente, calça preta justa, uma camisa de aparência social totalmente aberta e encaixada dentro da calça e jogado em seus ombros, um blazer preto
Ethal deu uma leve risada ao ser puxada e apoiou suas mãos nos ombros da mais alta, deixando um selinhos no bico de Emily. — Mas agora estou aqui e você está tão... Perfeita. — Poderia ter dito outras palavras, mas todas elas pareciam inapropriadas para o momento. — Olha quem está falando...— Sussurrou em resposta, admirando a kitsune, seus olhos verdes seguindo dos pés a cabeça da mais velha, concluindo o que já sabia sobre a kitsune ficar perfeita em qualquer roupa, agradecendo pelos anos de convivência com os Kalivas terem lhe ensinado sobre trajes apropriados, já que tinha plena noção que se não fosse por isso estaria passando vergonha naquele momento ao se colocar do lado da mais velha.
Helena não poderia negar que estava ansiosa, ser a mais nova significava muito e sabia o quanto os irmãos podiam ser protetores com ela. Mesmo assim estava decidida a apresentar Maggie aos três irmãos. — Alexa, solte minha filha. — Mandou, descendo as escadas. Seria uma festa familiar e por isso optou por roupas simples e confortáveis, afinal sabia que seus irmãos desejariam beber ou se divertir de alguma forma. Seu olhar caiu sobre Maggie e, por alguns segundos, sentiu todo o ar de seus pulmões se esvair. — Mi amor, estás tan perfecta... — Elogiou, se aproximando de sua futura esposa e lhe acariciando o rosto, a olhando tinha plena certeza que era com ela que desejava se casar
—Pero no tan perfecta como tú, corazón — Retribuiu o elogio, tomando a mão da mais velha que lhe acariciava o rosto, seu coração parecia ter sido tomado por uma arritmia inexplicável, mas o medo dessa vez não tinha nada a ver com isso, Helena era a razão para o seu coração se atrapalhar em suas batidas e ela estava feliz por isso, em pouco tempo chamaria aquela mulher de sua esposa e mal podia acreditar em sua sorte.
Alexa revirou os olhos para o comando de sua sogra enquanto a observava, aquela era uma noite especial para ela e para Maggie, ela sabia disso, mas ela não deixaria de demonstrar afeto a sua noiva apenas para satisfazer a proteção excessiva da D'Angeli. Maya apoiou os braços nos ombros de Alexa e não hesitou em lhe dar um beijo demorado, mordendo o lábio inferior da mais alta com delicadeza. — Mamãe é ciumenta...Mas adoro ter suas mãos em mim, então continue. — A maior sorriu e seu corpo relaxou. — Não precisa pedir duas vezes — Sussurrou, apertando levemente a cintura da mais velha.
Do lado de fora da casa, Medeia conferiu se todos estavam prontos e mais uma vez repassou as regras aos quatro filhos. A muito tempo não era exigente, mas ainda gostava de manter as boas maneiras e desejava que os filhos fizessem o mesmo, além de se divertirem. Deixou o carro em poucos segundos, abrindo a porta para a esposa e agradecendo aos que estavam encarregados de levar as bagagens. — Sinto cheiro de tantos misturados que fico confusa. — Recebeu um leve tapa nos ombros, segurando a mão de Pandora e sendo seguida pelos filhos. Medeia adentrou a casa sem cerimônias, era a casa de sua irmã afinal. — Boa noite, espero não ter chegado atrasada, pegamos um pouco de trânsito... — Desculpou-se, levando a mão livre aos fios loiros.
A Morgado, que havia relaxado por um momento, tencionou corrigindo sua postura, mesmo que não soltasse a cintura de sua amada. Maggie, ainda nos últimos degraus da escada, sorriu ao lado de Helena. — Não chegaram atrasados, muito pelo contrário — A felina sorriu, agradecendo por não ter gaguejado em momento algum, aproveitando para então descer os últimos degraus da escada, segurando a mão de sua futura esposa. — Vocês devem ser Medeia e Pandora — Falou se aproximando do casal, se seria a futura senhora da casa, precisava agir como tal. — Meu nome é Magdalena, como Helena já deve ter falado, mas por favor, me chamem de Maggie, afinal seremos todas da mesma família em breve...
Helena tinha um enorme sorriso e sentiu orgulho ao ver como sua noiva recebia sua irmã e cunhada, não deixando de acariciar a mão da mais nova. — Como sempre, chegaram no horário, apenas os meninos não chegaram ainda. — Helena comentou, abraçando a cintura de Maggie ao ver o olhar da irmã. — Magdalena, um nome adorável. Magdalena D'Angeli me parece ótimo. — Medeia sorriu para a menina, seus olhos pareciam avaliar cada ação da garota, como se buscasse por algum mínimo erro, mas deixou isso de lado ao sentir o toque de Pandora em seu ombro, sua mão apertando o lugar com certa força — Muito obrigada por nos receberem, esperamos estar bem vestidos, vejo que estão todos tão elegantes. — Pandora agradeceu a hospitalidade e sorriu para a noiva de sua cunhada, lhe estendendo a mão. — Prazer, Maggie. Estava ansiosa para a conhecer, seja bem vinda a essa família estranha... — Falou com um sorriso e então se virou para a esposa. — Meu amor, converse com sua irmã, pretendo passar um tempo com Maggie e os demais. — Sugeriu para Medeia e se afastou, esperando que Maggie a seguisse. Medeia apenas assentiu e estava perto de reclamar do atraso de seus irmãos, quando ouviu Pandora e a observou se afastar.
Por um instante Maggie buscou um encorajamento no olhar de Helena, mas logo inspirou, não podia depender dos encorajamentos dela o tempo inteiro, sorriu levemente para a sua futura cunhada e para sua noiva. — Com licença — Pediu educadamente e se afastou, seguindo Pandora, a mulher exalava altivez assim como a esposa e não a surpreendia em nada vê-las lado a lado, o que simplesmente a fazia se perguntar como se encaixaria nessa família. Alexa se sentiu tensa ao observar a tia de Maya, e os primos dela, aquelas eram as pessoas que ela estava ali para impressionar e vê-las só a deixava mais nervosa, e pedia que a mulher demorasse a notar sua presença, o que achava difícil, mas uma garota podia sonhar.
Claro que Maya não poderia deixar de chamar atenção de sua tia, vendo que a mais velha parecia ter mais atenção em sua mãe. — Eu quero meus presentes. — Disse ao segurar uma das mãos de Alexa e se aproximar de Medeia com pressa, chamando atenção da loira mais velha. — Minha menininha, quase não reconheci agora que é uma mulher adulta. — Medeia sorriu ao abraçar a sobrinha e não demorou até seus olhos pousarem em sua companheira, piscando ao ver que a loira ainda segurava Maya. — Que falta de educação a minha. Prazer, sou Medeia, tia de Maya. Você deve ser a namorada da praguinha. — Disse, estendendo a mão para a loira. Medeia já havia julgado a loira e, por seu comportamento, já havia considerado a loira boa o suficiente para Maya. —Na verdade eu sou a noiva dela, Alexa — Afirmou em resposta ao apertar a mão da mais velha, aliviada por não ter sido ameaçada de morte mais uma vez. — Noiva? Meus parabéns, meninas. Finalmente verei a pequena Maya se casando. — Medeia se encontrava verdadeiramente feliz pela sobrinha e até mesmo deu risadas suaves da cara de Helena. e então o quarteto olhou para os mais jovens, os filhos de Medeia em algum momento haviam se afastado para conversar com o grupo de adolescentes, e até mesmo ela ficou um tanto feliz em ver Emily e Ethal, apesar de coladas uma a outra, também haviam engajado no assunto, o casal havia estado estranhamente indisposto a qualquer coisa no dia anterior. — Vejo que as crianças já estão fazendo amizades, fico tão feliz que esteja criando jovens, Helena.
— Asteria está um pouco deprimida hoje, a namorada humana terminou o relacionamento. — Comentou, suspirando ao ver a filha mais velha um tanto quanto quieta em meio aos outros, algo que não era comum da menina.
Pandora, na sala, também havia notado isso, mas sabia que a filha não estava pronta para conversar sobre isso e por isso sentou-se com Maggie, sorrindo suavemente para a menina. — Fico tão feliz que Helena e você irão se casar, ela parece muito feliz. — Comentou, a olhando com alegria genuína. — Como se sente?
A Morgado ficou um tanto tensa com a expressão de sua sogra, mas não demonstrou e então sorriu compreensivamente para Medeia. — Ela precisa somente de um tempo provavelmente, imagino o quão doloroso deve ser ter seu coração partido — Afirmou a loira, era grata por ter encontrado Maya já com pouca idade e apesar de algumas discussões, jamais ter tido aquela dor de ter seu coração partido.
Ao lado de Pandora, Maggie sorriu, seu olhar desviando para Helena por um instante, suas pupilas se dilatando e um som similar a um ronronar vibrando em seu peito. — Nas nuvens...— Afirmou voltando seu olhar a concunhada. — Recentemente passei por algumas coisas difíceis, mas quando estou com Helena, sinto que valeu a pena passar por aquilo para que eu pudesse conhecê-la
— Nunca é fácil, passei por diversas dores antes de conhecer Pandora e mesmo com ela experimentei medos que foram torturantes, mas sempre há alguém para cada um de nós e sei que minha menina encontrará. — Medeia respondeu, sugerindo que fossem sentar e beber algo, não estava cansada da viagem, mas lhe parecia inapropriado ainda estarem conversando em pé. Pandora suspirou ao notar o olhar de Maggie ao seguir este até Helena, fascinada com o carinho que ambas demonstravam mesmo longe. — Maya me contou...— Falou a loira, olhando então para sua noiva enquanto se sentavam em um dos sofás da sala de estar, Emily as acompanhava com o olhar, fascinada, Maya havia prometido lhes apresentar, levando em conta o quanto a garota tinha intenções de aprender ainda mais sobre magia do que seus escritos podiam ensinar. Sabia é claro, os rituais mais básicos, mas se fosse para enfrentar Margareth, precisava aprender muito mais.
— Maya e Helena nos resumiram o que houve, sinto muito que tenha passado por tanto mas fico feliz que agora esteja entrando para a família, era tão tedioso ser a única. — Confessou Pandora na sala, observando a esposa do outro lado do cômodo, realmente detestava o fato de apenas Medeia ser casada, isso significava ter que estar com os quatro em todos os eventos e agora com Maggie teria alguém para falar sobre a família. — Cassian tem alguém a cada vez que o vejo e Basilius nunca nos revela se está ou não com alguém. — Novamente desviou seu olhar para os filhos, retornando para Maggie e se aproximando para sussurrar. — Você bebe? Me acompanha? – Maggie se surpreendeu com a pergunta de Pandora ao seu lado, mas sorriu levemente.
— Eu nunca bebi, mas duvido que me afete — Murmurou a garota em resposta, estava ansiosa para testar quanto seu fígado poderia aguentar de álcool. Pandora aproveitou a distração da esposa e tomou a mão de Maggie, a puxando para os corredores e enfim a adega de Helena, ainda se lembrava de canto espaço da casa. — Vamos testar hoje então. Não diga a Med, ela quase não me deixa beber. — Pediu, já abrindo uma garrafa.
Medeia sentou-se envolvida em algo que Helena lhe contava sobre as flores da estação, nem mesmo percebeu quando Maya acenou para Ems a chamando. — Tia, me deixe apresentar minha filhinha, que adotei no coração. — Disse, se levantando quando Emily enfim se aproximou com Ethal e lhe puxou pela mão. — Emily Lewis, dei parte de minha alma quando ela era criança e desde então sou apaixonada nessa criança. — Maya falava com orgulho, pouco parecia com a criança animada de minutos atrás. Medeia sorriu, se levantando e estendendo a mão para um cumprimento. — Sou Medeia D'Angeli, então é quase parte da família. — Disse, analisando a garota menor enquanto esperava uma resposta. A Lewis sorriu, sabia exatamente quem a mulher era, conhecia as lendas sobre ela, e agora entendia porque até mesmo Morgana admirava a cambion. — Emily, e essa é Ethal, minha namorada — Se apresentou, lhe oferecendo a mão direita, abaixo de sua marca que identificava-a como anômala, o desenho que a identificava como uma seguidora da deusa da criação, Beatha, ela mesma fizera a tatuagem ao completar doze anos, contra a vontade do pai, jurando total devoção a deusa em um ritual trabalhoso que poucos capazes de magia conseguiam fazer sozinhos. — É ótimo finalmente dar um rosto a tantas histórias que ouvi — Afirmou a morena, sorrindo.
Medeia parecia fascinada com a criança, sorrindo ao perceber a tatuagem. — Espero que boas histórias, muitos adoram criar lendas cruéis para mim e meus irmãos. Se lembra quando disseram que Basilius era na verdade aquele vampiro dos livros? Drácula, eu acho. — Disse, a última parte sendo para sua irmã antes de voltar a olhar para a mais nova diante de si. — Juntem-se a nós. — Apontou para os lugares vazios.
—Ouvi principalmente sobre o quão poderosa você é, tanto de minhas avós quanto de alguém...— Se interrompeu, falar sobre Morgana ainda era doloroso para a garota, nem ao menos notando quando apertou levemente a mão de Ethal, numa tentativa de se manter calma.
Na adega, Maggie havia conseguido encontrar duas taças, provavelmente usadas para a degustação das safras e finalmente tomava um gole do vinho que Pandora abriu — Por quê Medeia não a deixa beber? — Pandora sorriu, sentando-se no chão da adega de forma confortável. — Na última vez que bebi e passei dos limites eu lhe disse que mandava no relacionamento e lhe acertei um grande tapa na bunda. Fiquei sem andar por dois dias... — Disse, calmamente antes de beber um longo gole. Maggie se sentou ao lado da mais velha com um sorriso ao ouvi-la. — Vamos tomar cuidado com nossas bocas então, não queremos que você fique sem andar de novo, não é — Brincou sorrindo levemente e tomando mais um gole, isto é, até sentir um arrepio percorrer sua coluna. — Acho que deveríamos voltar para a sala. — Sugeriu, se levantando sem muitos problemas.
Diante dos portões da mansão, a moto aguardou que fossem abertos e logo retomou seu caminho em direção ao pátio, reconhecendo o gosto de sua tia Medeia para carros. — Quem é vivo sempre aparece. — Anunciou Jacson, entrando na casa e dando um leve sorriso ao ver todos reunidos. Na sala, todos os olhares estavam concentrados em Jacson, surpresos pelo rapaz realmente ter vindo.
Vendo o choque em todos ali, Medeia foi a primeira a se levantar para se aproximar. — Jack, vem aqui. Deuses, como está grande... Olhe seu corpo, estão tão evoluído. — Era evidente o orgulho na voz da mais velha quando Jacson deu uma pequena volta, o rapaz sorria animado, ao menos até seu olhar se encontrar com o de sua mãe. Pandora e Maggie chegando segundos depois disso acontecer. — Essa é a tal namoradinha? — Jacson perguntou, apontando para a garota quando esta surgiu na sala, seu olhar era de completo desprezo e uma ponta de raiva. — Cansou de adotar e agora tá casando com as crianças que encontra? — Voltou seu olhar para Helena, mas estendeu as mãos em rendição ao sentir o toque firme de sua tia em seu ombro. Maya por sua vez se aproximou de Maggie, lhe tomando uma das mãos e acariciando. — Você não a conhece, Jack. Maggie é um amor e... — Argumentou, mas foi interrompida por uma risada do irmão. Helena já se encontrava completamente tomada pela raiva quando andou até a noiva, encarando o filho no caminho e por fim selando seus lábios ao de Maggie.
— Magdalena será minha esposa e senhora desta casa, qualquer um que for contra minha decisão tem total liberdade para tentar me impedir e morrer no processo. — Vociferou, olhando nos olhos de Maggie ao lhe acariciar o rosto. — Está tudo bem cariño, não quero que haja uma discussão por minha causa. — Disse beijando a palma da mão de sua noiva e deslizando a mão pelo rosto da mais velha com carinho antes de se virar para Jacson, direcionando um breve olhar a Medeia para assegurá-la de que não tinha problemas se afastar. — Eu sei que você não gosta de mim, e não estou pedindo para gostar — Afirmou calmamente, havia estado nervosa com a idéia de conhecer seu enteado depois do que ouvira no dia anterior, mas todo esse nervosismo havia passado ao ver o desrespeito dele para quanto a mãe, a garota havia perdido sua mãe ainda muito nova e não admitia que alguém agisse assim em sua presença. — Mas você não possui direito algum de desrespeitar sua mãe como fez agora, muito menos de questionar suas decisões — Seus olhos se tornaram meras frestas verticais, sua postura digna igualmente de uma rainha e de uma caçadora voraz. — Eu posso ser uma criança, mas foi esta criança que vos fala que exigiu que você fosse convidado porque você é, mesmo que não queira, um membro desta família — O tom da mais nova não deixava espaço para argumentações.
— E você agirá como tal...começando por se desculpar com Helena e Maya. — Seu tom era final e com um implícito aviso de que ele não fizesse nenhuma gracinha. Jacson buscou ajuda ao olhar para Medeia, mas a mais velha parecia decepcionada demais. Suspirou, estremecendo com o tom usado pela noiva de sua mãe — Me desculpem... Por ter vindo nessa festa idiota, e você enfia teu título no... Quer saber, sabia que nem tinha que vir. — Virou-se apressado, deixando o interior da casa mas, diferente do que planejou, Jacson parou na escadaria, encarando o chão cinza. Esperou que sua mãe fosse lhe ver, que Maya fosse lhe confortar ou que sua tia fosse lhe dar uma bronca, qualquer coisa que o fizesse se sentir parte realmente, mas nada aconteceu. — Não preciso deles... — Desceu enfim degrau por degrau.
—Volte para dentro – Comandou Cassian ao ver seu sobrinho descendo as escadas, o vampiro não estava interessado em comandar, mas ele havia ouvido o que havia acontecido, dado que chegou logo depois de Jacson, e odiava que as festas da família começassem com tensão entre todos. — Você está tendo uma chance e tanto de voltar para o ninho, garoto e vai desperdiçar com orgulho besta porque não gosta da tua madrasta? E quem disse que tem que gostar, olha como a garota deixa tua mãe feliz — Apontou para uma das janelas que dava visão para dentro da casa, onde Maggie havia voltado ao lado de Helena e a abraçava, sussurrando palavras confortantes no ouvido de sua amada. — Ela só precisa de você ali pra completar a família de novo, não acha?
— Ela não precisa, deixaram bem claro que estou aqui porque a outra queria e não porque minha mãe desejou. — Respondeu, olhando a cena. — Minha mãe não precisou de mim quando me expulsou e não precisa agora também, se quer fui recebido por ela hoje. — Continuou, olhando seu tio. — Boa festa, tio Cassian, foi bom ver você. — Concluiu, passando pelo mais velho e indo em direção a moto
—Por que acha que alguém que nem te conhecia queria você aqui se não fosse porque sua mãe sente saudades? — Perguntou o mais velho quando o rapaz finalmente se calou puxando do bolso de seu paletó sua pequena caixa de charutos, tirando um e cortando a ponta antes de acender o mesmo e tragar. — Não me diga que você não sentiu a aura daquela garota? até eu senti e essa não é nem minha praia — Afirmou o homem soltando a fumaça pelo nariz. — Ambas as suas mães estão ali, apenas esperando por você. — Parou para o ouvir, encarando o capacete em suas mãos. Não negaria que sentiu algo familiar quando a mulher lhe deu uma bronca, até mesmo o tom usado era semelhante. Jacson não deu mais nenhuma palavra ao largar o capacete no chão e correr para o interior da mansão — Me larga, Maya. — Rosnou para a irmã, se desvencilhando das mãos da loira quando correu até Magdalena, não hesitando em abraçar a noiva de sua mãe e afundar o rosto contra o ombro dela. — Mamãe... — Foi tudo que disse entre soluços.
Maggie não poderia negar que sentiu-se espantada ao ser abraçada tão repentinamente pela mesma pessoa que a poucos instantes havia lhe desrespeitado, mas também não podia negar o quanto se sentiu bem ao corresponder ao abraço, era a mesma sensação que sentiu quando conheceu Maya, um carinho, um cuidado que não podia explicar e ouvi-lo chamá-la de mãe apenas fez com que seus olhos se enchessem de lágrimas de felicidade. — Não chore, meu príncipe, não chore...— Sussurrou, aquele apelido pareceu tão certo para se referir a Jacson que ela foi incapaz de não proferi-lo. Aos poucos o rapaz começou a se acalmar, afastando-se apenas o suficiente para olhar a mulher.
Não eram fisicamente parecidas, mas Jacson conseguia ver em seu olhar e isso lhe bastava. — Me desculpa ter falado aquelas coisas, prometo não fazer de novo. — Sussurrou, voltando a abraçar sua mãe como se sua vida dependesse disso, do calor dela. Havia perdido sua mãe ainda novo e ter ela de volta era assustador e mágico, como se ela pudesse sumir novamente. — Fico feliz em ouvir isso — Sussurrou acariciando as costas do maior, havia ficado confusa por um instante, mas aquela frase lhe parecia tão familiar que ela soube exatamente o que estava acontecendo e apertou o rapaz com certa força contra si, olhando sobre o ombro dele para Maya, que ainda lhes observava. Cassian, entrando na casa, sorriu ao observar a cena. — Meio estranho ser menor que o meu sobrinho naniquinho agora — Mencionou o homem, fumando seu charuto com um sorriso nos lábios, sabia que não levaria muito tempo para levar uma bronca de Medeia para apagar o mesmo, então aproveitaria o momento de distração.
Maya sorriu, se aproximando de Maggie e Jacson para se unir ao abraço, os dois irmãos se mantinham um de cada lado, não pretendendo deixar qualquer outro se aproximar. — Parece que voltamos a época em que eles era mais novos, me roubaram a esposa de novo. — Helena comentou, emocionada enquanto observava os três. — Heleninha, essa é a vida de casada, uma mãe se torna a favorita e convenhamos que não é você e nem eu. — Medeia disse, dando um tapa na nuca de Cassian ao ver seu irmão com o charuto, indicando que o apagasse e se livrasse daquilo. Pandora deu uma risada discreta antes de abraçar a esposa e chamar os quatro filhos para perto. — O que perdi? — Basilius adentrou a sala, olhando a cena comovente mesmo que perdido.
—A nossa cunhada está de volta e está cuidando dos filhotinhos — Falou o homem esfregando a nuca dolorida e encarando a irmã mais velha como se perguntasse se havia sido realmente necessário lhe bater enquanto apagava o charuto, Alexa, assim como os outros mais jovens admiravam a cena. — Nossa cunhada? Oh, Helena, quer que eu vá ao mercado comprar Danoninho pra sua esposa? Ou qualquer outro doce. — Basilius brincou, sentando-se em uma das poltronas da sala.
— Tenho certeza que isso pede uma champanhe — Afirmou Darren, se pronunciando pela primeira vez, Maggie apertou os dois filhos mais uma vez antes de se afastar um pouco, ainda olhando para os dois — É uma ótima ideia, vocês podem pegar, por favor? — Pediu a garota educadamente, sem desviar os olhos dos filhos. — Vamos nos sentar...— Maya e Jacson se afastaram e o rapaz limpou o rosto na manga da camisa, mesmo lembrando que suas mães não aprovavam isso, sentaram um lado do outro, tendo Jacson ficado ao lado de Maggie, apoiando sua cabeça no ombro da mesma e fechando os olhos.
— Jack vai acabar dormindo como sempre faz. — Helena Sussurrou para Maggie, sorrindo ao ver o filho tão confortável e sua noiva tão recebida por todos. — Ele pode dormir se quiser — Sussurrou em resposta com um sorriso direcionado para ela, acariciando então os cabelos do moreno e então olhou para Maya, os dois realmente pareciam dois filhotes que acabavam de retornar para a mãe e ela não podia pedir por menos. Alexa observava sua noiva com um sorriso nos lábios, sabia o quanto Maya havia sentido falta daquilo e estava extasiada de felicidade por simplesmente ver a russa feliz. Darren, Roderick, Justin e Alma não tardaram a retornar com duas garrafas de champanhe e um bom número de taças.
—Como é tradição para os D'Angeli, o mais jovem da casa deve abrir a primeira champanhe — Mencionou Cassian, não era realmente uma tradição que seguiam a risca, mas por uma reunião como aquela, valia a pena honrar pelo menos uma das tradições. O olhar de Alexa seguiu para Emily, que até o momento permanecia em silêncio, sentada entre Ethal e Isaac, Maya já havia deixado claro que Emily era sua filha, mesmo que somente de coração e que melhor maneira de confirmar o que era dito senão seguindo a tradição da família adotiva da russa.
Maya levantou ao ouvir sobre a tradição, virando-se para Emily. — Esperem. — Gritou e correu escada acima, retornando somente com o celular em mãos e abrindo a câmera. — Vai Ems, pode abrir. — Incentivou, feliz por ver sua pequena criança fazer oficial parte de sua família. Enquanto gravava, Maya observou seus tios, suas mães, seu irmão, amigos, filha e por fim sua noiva, sorrindo para loira. Não seria difícil para Alexa entender o olhar de Maya, uma alegria por se sentir completa.
Emily havia se sentido um pouco deslocada, e ainda assim feliz ao observar a cena da família finalmente se completando de novo, por isso nem de longe esperava que a garrafa de champanhe caro fosse entregue em suas mãos, um sorriso surgiu em seus lábios e seus olhos arderam por um momento quando se levantou com a garrafa. Alexa havia se posicionado ao lado de Maya com um sorriso orgulhoso, afinal, aquela era sua garotinha também, e a mais nova sorriu, finalmente girando o pequeno metal que mantinha a rolha da champanhe no lugar e deixando a mesma voar uma vez que a pressão foi aliviada, Darren não hesitando em posicionar a primeira taça sob a garrafa para que nada da bebida fosse desperdiçada, a lupina tomou a taça da mão do rapaz e entregou a Helena com um sorriso — Que as celebrações comecem...
Helena aceitou a taça, agradecendo suavemente a menina antes de tomar um pequeno gole — Acredito que todos já estão presentes então quero que me sigam até a sala de jantar, pedi que preparassem um jantar grandioso para hoje. Meu amor... — Estendeu a mão para Maggie, sabendo que seu filho seguraria a outra e as acompanharia. Maggie sorriu, tomando a mão de Helena e entrelaçando seus dedos — Lidere o caminho, mi corazón — Respondeu em um sussurro, apertando a mão de Jacson na sua.
O grupo logo tomou seus devidos lugares na mesa, Maggie sorriu olhando ao redor. Essas pessoas eram sua família, uma que ela nunca pensou que teria, mas estava inegavelmente grata por encontrar. Seus olhos encontraram os de Helena, ela estava finalmente em seu lar.
‡†††‡
Notas Finais:
Um capítulo bem neném porque merecemos.
Mas tá tudo muito na paz e há sede de caos...
Até logo
Beijos, JF e IR.
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