16.Neve Fria
&. Escutar a música e ler a letra para melhor experiência.&
Mais um dia acordo no mesmo quarto bonito com a porta de vidro, e a neve densa caia lá fora.
Levantei e vesti a mesma roupa de sempre, saia e blusa branca, no entanto dessa vez mais longa devido ao frio, camisa de manga comprida e meia até em cima da cocha. Escuto batidas na porta.
— Quem é?
Pergunto terminando de me arrumar.
— É o Kuran, queria falar com você.
Termino e fico aliviada de não ser o rei.
— Pode entrar.
Ele abriu a porta e parecia outra pessoa, estava mais corado e andando sozinho. Ele entra, olha para o corredor conferindo se não havia ninguém, então fecha a porta.
— O que foi?
O questiono devido ao cuidado que ele teve, será que aconteceu alguma coisa?
— Só vim te alertar, não confie de mais nas pessoas daqui, principalmente no meu pai e em Ezequiel, eles só pensam no trono. Eu não ligo já que minha mãe não era exatamente da realeza que nem a de Zack, não preciso me preocupar com trono.
Isso é verdade, se Zack sumiu, Kuran deveria ter subido ao trono, ainda sim parece que os dois pais têm que ser da realeza. Cruzo os braços o escutando.
— Eles farão qualquer coisa para ter o trono para eles, então tome cuidado e vá embora com o Zack o mais cedo possível.
Meu coração aperta.
— Mas e a coroação?
Digo abaixando minhas asas.
— Do jeito que é o Rei, é mais fácil mostrar aos súditos que o primogênito morreu e agora outro subirá ao trono, do que ter um filho que vive sumindo, e que a qualquer momento pode aparecer e roubar o trono.
Zack a última coisa que ele quer é subir ao trono, porém faz sentido do porque o rei queria ele de volta, não era para ter o filho rei, era para ter certeza que o filho está morto e colocar outro mais fácil de manipular no lugar. Acredito que ele sabe que não conseguiria manipular Zack por muito tempo. Por isso adiantaram a coroação tanto, só querem matar ele logo.
— Zack corre perigo... Muito obrigada Kuran!
Assim passei por ele, e saí do quarto correndo em qualquer direção que me levasse ao Zack. No entanto encontro a Carmélia.
— Senhorita, você não deveria estar andando sozinha por aí.
Tento passar, porém ela continua a tapar meu caminho.
— Desculpa, mas preciso achar o Zack agora.
Ela segura meus ombros me fazendo parar.
— Olha vou te ajudar com o que posso, percebi no café da manhã de ontem que você é uma boa pessoa.
Finalmente alguém que pareça ser uma boa pessoa.
— Por isso falo que não deveria andar sozinha, me siga e vamos comer, lá encontrará o Zack.
Balanço a cabeça positivamente, aflita por pensar em como vamos fugir daqui, e se Zack vai concordar em correr esse risco, ou se ao menos vai acreditar em mim.
Andamos mais uma vez pelos enormes corredores, chegando à mesma sala com uma enorme mesa no centro, com as mesmas duas pessoas em cada ponta, olhando para os seus pratos.
Sento em frente ao meu prato o olhando fixamente, tentando não pensar que o futuro assassino de Zack está sentado na mesma mesa.
— Chegou atrasada novamente...
Puxo forte o ar pelo nariz.
— Meu senhor, vou ser prisioneira até quando?
Não me segurei mas tentei ser educada, me atrasei porque estava sendo avisada de um futuro assassinato, além disso, vou ver quando posso sair, para ter uma brecha de poder fugir com Zack.
— Não me importo com sua falta de educação, você pode ir embora depois da coroação, siga seu rumo.
Essa maldita coroação, ele acha mesmo que vou largar o Zack aqui.
— Por mim tudo bem.
Vejo Zack olhar para frente, entretanto não posso demonstrar que somos muito íntimos, ele precisa acreditar que vou embora sozinha, apesar de que já demonstrei muito que sou apegada a ele...
O café da manhã com o querido Rei acabou, Zack novamente levantou atarefado e seguiu os ajudantes dele para seus afazeres, mas antes me olhando com seus olhos tristes enquanto saía, espero que ele não tenha acreditado que o deixaria aqui.
Levanto e vou na direção oposta com o coração apertado, pensando em quando o Rei pode agir, a coroação é amanhã, precisamos fugir hoje.
Vou em direção ao meu quarto. Entro e vou direto para a porta de vidro olhar a neve, o jardim, e depois dele o muro, que separa a floresta, a liberdade.
— E se tudo der errado?...
Em meio aos pensamentos, escuto um homem gritar e o disparar de uma flecha vindo da floresta depois do jardim. Abro a porta e saio na neve a procura da pessoa, Zack estava certo sobre eu caçar problemas. Caminho firme pela nele, usando minhas asas para proteger minha cabeça da neve que caía.
— Vem depois dos muros...
O grito é logo depois do muro que separa o castelo da floresta, não vejo guardas então voo por cima do enorme jardim e passo pelo muro.
Ando entre as árvores e vejo um homem deitado ao pé de uma árvore, me aproximo.
— Malditos lobos... Vou caçar todos vocês.
Um homem com um arco caído, com ferimentos de mordidas nas pernas e barriga, era grotesco de ver, ele resmunga tossindo.
Aproximo-me dele e vejo um lobo ferido mais a frente com um ferimento de flecha na perna.
— O senhor sabe que é proibido caçar em cidades?
Olho furiosa ao caçador ilegal, ainda sim abaixo para tentar ajudar. Coloco a mão na barriga dele e começo a curar, um dos lobos se aproxima.
— Vai embora enquanto é tempo amigo.
O ferimento do lobo não parecia grave, ele me olha e vai embora com sua matilha que espreitava na mata.
— Não tem jeito garota... Você esta toda suja de sangue.
Olho para baixo e me vejo suja nas meias e saia, o ferimento apenas sangrava mais e mais, não tinha jeito. Logo o homem fecha os olhos.
— Mas que mer...
Escuto passos atrás de mim. Viro-me já preparada para caso tenha de me defender.
— Mas que garota bondosa.
Escuto a voz de quem eu menos queria encontrar, Ezequiel.
— Quem diria que encontraria você ao lado de um corpo.
Ainda abaixada seguro uma das flechas do caçador, para caso precise e me levanto.
— Foram lobos, o caçador é ilegal, e eu apenas tentei ajudar.
Seguro a flecha em minhas costas, vou seguir o conselho de Carmélia e ficar atenta com essa família.
— Não vejo dessa forma, vejo como uma garota que é um peso para o rei que matou alguém na floresta.
Maldito Ezequiel, ele sabe que eu sei do plano do rei, e o rei sabe que sou muito próxima do Zack.
— Você facilitou demais para mim garota, o rei pode se livrar de você e falar ao Zack que você fugiu, aí só depois se livrar dele.
Aperto a flecha em minha mão, não posso atacar ele, só pioraria as coisas ao Zack. Ainda sim não sei o que fazer.
Enquanto me preparo para me defender, escuto o bater de asas de alguém que conheço, Zack.
— Olha quem chegou.
Zack desce na neve e segura o Ezequiel pelo colarinho de sua roupa.
— Maldito, o que você pensa que está fazendo.
Meu coração fica mais calmo ao ver Zack vivo, no entanto isso não parece que vai acabar bem.
— Preciso me livrar de você antes de subir ao trono, já que seu meio-irmão não tem sangue real.
Ele diz com um sorriso sarcástico no rosto de Zack.
— E como vai fazer isso se sou eu segurando você.
Ele o aperta mais, não quero intervir, ainda sim isso esta fazendo barulho de mais.
— É fácil... guardas!
Não demorou muito para aparecer demônios armados e segurarem Zack e o jogarem no chão, forçando seus joelhos contra as costas dele, puxando seu braços para trás. Era tudo armado, o que me fez agir e correr em direção ao Zack para o ajudar.
— Não, não chega perto!
Zack grita para mim, paro no lugar pensando se deveria ir para cima deles e ser mais uma jogada no chão, porém o que mais eu faria.
— Guardas essa garota matou aquele homem brutalmente, e Zack a defendeu e tentou me matar para eu não contar ao rei.
Um ódio fez meu sangue ferver, aquele mentiroso, tudo foi plano dele, por culpa desse trono idiota Zack está jogado no chão com guardas por cima dele, e eu não posso fazer nada sem minha adaga.
— Maldito mentiroso!
Penso em ir para cima dele, porém os guardas ao ver o que ele disse, vem em minha direção.
— Fuja daqui!
Escuto os gritos de clamor de Zack embaixo dos guardas enquanto chega um terceiro segurando suas asas, e os obedeço sem pensar duas vezes. Viro-me para a direção da floresta e corro o mais rápido que posso, pegando o arco e guardando a única flecha comigo.
Escuto os guardas correrem atrás de mim, corro pulando pelos galhos no chão, não posso cair agora, me apoio nos trocos enquanto meus pés rápidos afundam na neve fofa. O disparo de flechas foi escutada, uma delas acerta de raspão meu braço, apenas o aperto e ignoro a dor. O zumbido de algumas passando perto da minha cabeça me apavoram, preciso continuar, correndo ainda olho para a copa das árvores, são densas de mais para voar.
— Não olhe para trás, fuja daqui!
Sinto um aperto em meu peito escutando a voz do Zack ao longe, e ao pensar em deixar Zack para trás. Ainda sim preciso continuar a correr, preciso continuar por ele.
Então na fuga escuto a risada do primo de Zack ao longe, não posso ir embora sem acabar com aquele desgraçado. Então paro bruscamente e viro-me rapidamente, e apenas vejo ao longe o garoto loiro de chifres rindo, preparo minha única flecha rapidamente e atiro, observo a flecha voar entre as árvores, e agradeço aos céus por treinar durante anos, agora serviu para alguma coisa, o acerto na cabeça e seu corpo cai. O sangue espirra no rosto de Zack deitado no chão, vejo um sorriso formar em seu rosto, fiz meu serviço.
Corro o mais rápido que posso na neve fria, escutando ao fundo Zack gritando, e aquele cheiro de queimado, sabia que ele estava tentando se soltar, porém não tenho muitas esperanças disso, são muitos guardas... Preciso fugir e voltar com ajuda.
Vejo uma clareira a frente, corro até ela já quase sem ar, meus pulmões estão congelando. Vejo que é um penhasco, o vento gélido me atinge fazendo meu cabelo balançar, preciso voar mesmo nessa nevasca, preciso voar!
Pulo e bato minhas asas o mais rápido que posso no frio, no entanto sinto algo atingir minha asa direita.
— Maldita flecha...
Sinto meu corpo cair.
Fecho meus olhos caindo com o pensamento de que tudo vai acabar, em meio a neve.
Imagens do capítulo:
-Caindo:
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