• Quarenta
Uma semana se passou.
E lá estava eu, mais uma vez enlouquecendo para arrumar as malas. A semana entre o natal e o ano novo é um limbo que não deveria existir.
Ou você tá enchendo a cara de cachaça, ou então tá boiando sem saber onde vai passar o réveillon. Das duas, uma. Ainda bem que eu já tinha planos nesse ano.
— Porra, não fecha! — tento fechar a mala de todos os jeitos, mas parece uma missão impossível.
— Calma, eu te ajudo. — Bárbara se achegou.
Ela veio passar o dia aqui em casa, antes de eu viajar.
Íamos ficar alguns dias longe e ela veio pra despedir, ela e os meus pais decidiram que iam passar a virada na casa de uma tia do Ricardo em Santa Catarina.
O voo sai nessa madrugada, já mencionei que adoro viajar nesses horários? Acho mil vezes melhor.
A Bel ficou de passar aqui em casa quando fosse.
— Vai ser ruim passar o ano novo sem você.. — ela se sentou na beirada da cama.
— Também vai ser péssimo não te ter comigo. Mas passa rápido, daqui uns dias eu tô de volta.
Vamos ficar do dia 30 até o dia 7 de janeiro.
Acredito que será tempo suficiente para renovar as energias, bom que não vai dar nem chance de enjoar.
— Queria poder passar o ano novo com a Liv, até tô tentando convencê-la de ir comigo.
— Tomara que ela vá! Ia ser demais.
— Sim, tô torcendo por isso..
— Acho que vou ter que passar na minha mãe antes de ir, tem uma bolsa minha que ficou lá. — suspirei.
— Vamos, assim aproveito pra ficar por lá.
Fomos de uber, certamente não daria tempo de vir pra cá novamente. Já iam ser umas nove e meia da noite.
— Filha, boa viagem tá? Se cuida. — ela ajeitou meu cabelo e me abraçou de leve.
— Tá mãe! Pode deixar.
— Ah, e feliz ano novo adiantado.
— Pra vocês também..
— Falou que é pra Isabel passar aqui?
— Falei. Daqui a pouco ela já vem.
Havia terminado de arrumar minhas coisas, e nesse meio tempo aproveitei pra carregar um pouco o meu celular.
Fiquei deitada no sofá por um tempo, meus olhos já estavam pesados e me bateu sono.
Foi então que Bel me mandou uma mensagem e eu despertei na mesma hora. Disse que já está á poucos metros daqui, calcei minhas pantufas e peguei todas as coisas.
Mas antes, tirei uma foto rápida no espelho e postei nos stories. Só por tirar mesmo, nem reparei direito em como tinha ficado.
Avistei o carro se aproximar, e ao parar Benê desceu e veio pegar minha mala pra colocar no porta malas.
Entrei na parte de trás, graças a Deus não tinha mais ninguém ali. Bel me cumprimentou toda alegre e ele seguiu o percurso.
— O resto do pessoal já tá indo também? — Isabel se virou pra Bernardo.
— É pra estar. — ele checou o relógio.
— Peraí, quem exatamente vai? — entrei no meio.
— Pedrão, Ítalo, Léo, Dado, Layla, Taís.. — Bernardo retrucou rápido.
— Caramba. Quantos quartos vocês reservaram?
— O suficiente amiga. — Isabel sorriu e eu encolhi no banco, colocando meus fones de ouvido.
Após uns quinze minutos, chegamos no aeroporto.
Pegamos aqueles carrinhos que suportam as malas e fomos andando na direção que íamos fazer check-in.
O movimento não é intenso nesse horário, vamos pela companhia aérea Azul, as filas pro guichê não estavam tão lotadas.
Tirei meus documentos da bolsa e fiquei no aguardo, até que virei o rosto e vi conhecidos chegando perto.
— Ei! Estamos aqui! — Isabel ergueu os braços, em forma de sinalização.
— Até que enfim pô! — Benê foi de encontro com eles.
Dado e seus três amigos tinham chegado. Abri só um sorrisinho tímido, como forma de cumprimento, me senti um pouco retraída.
Eles ficaram na fila com a gente. Vez ou outra Dado me olhava discretamente, e só tentei fingir não estar vendo.
Ele sempre faz isso, e sabe que eu não gosto.
— E aí, tá tudo bem? — ele se aproximou ao ver que eu estava quieta.
— Uhum e você? — murmurei.
— Tô também. Como foi o natal?
— Foi muito bom e o seu?
— Até que foi..
É estranho falar com ele, não consigo me manter concentrada. Sempre quero sair da situação, e por algum motivo ele me deixava tensa.
Conversamos brevemente, e fomos interrompidos por uma voz feminina. Layla chegou me dando um abraço apertado por trás, virei no mesmo instante.
— Layla, que susto doida!
— Oi gente, chegamos! — ela riu.
— Oi.. — Isabel fez uma cara de desgosto e eu segurei o riso.
— Quer parar? — sussurrei.
Sua amiga Taís me cumprimentou e foi direto falar com os meninos, os quais ela conhecia melhor. Ela me olhou de cima a baixo e não fez uma cara muito boa.
— Oi meu gato.. — Layla deu um selinho automático em Dado, que retribuiu um pouco sem graça.
Desviei o rosto e voltei minha concentração na fila que andava num ritmo lento.
Depois de um tempinho, consegui fazer o checking e despachar as malas. Já ia dar o horário do nosso voo e fomos todos pra sala de embarque.
Não tô afim de ficar de casal com a Layla durante a viagem inteira, não sei se ela tava ligada nisso. Mas eu teria que informá-la.
Quero evitar algum desentendimento depois, ela é toda extrovertida e não quero deixá-la pra baixo de alguma forma, por mais que ela seja desapegada.
Tinha dado o horário de entrarmos no avião, peguei minha passagem e procurei pelo assento. Parece que todo mundo resolveu entrar ao mesmo tempo, ficou um tumulto lá dentro.
Avistei meu número, é bem no meio.
Detesto ficar no meio, respirei fundo e tentei me acomodar. Não sei porquê mas ambientes muito fechados me dão crises de ansiedade.
— É.. parece que sou aqui.— Yasmin disse checando mais uma vez seu bilhete, indicando que se sentaria na janela.
Droga.
Me levantei pra que ela pudesse se sentar. E logo na sequência veio um senhor de meia idade na poltrona do outro lado. Não tinha nem como sair se quisesse.
— Tá começando a pingar. Odeio viajar com chuva. — ela olhou pela janela e resmungou aflita.
— O máximo que pode acontecer é uma turbulência de leve.. — soltei um riso.
— Vou tomar algum remédio pra dormir. — abriu sua bolsa e procurou por pastilhas.
As portas da aeronave se fecharam.
E começaram os avisos do piloto e das aeromoças, e depois de rodar pela pista por uns minutos eles já se preparam para decolagem.
Todas luzes se apagaram e ficou só umas azuis pelo corredor. Olhei de lado e Yasmin estava séria e com as pernas inquietas.
Peguei nas suas mãos sem dizer nada, e as segurei firme, entrelaçando com as minhas. Ela me olhou rapidamente e pareceu se acalmar.
— Tá tudo bem. — sussurrei.
Ela assentiu e apertou ainda mais ainda as minhas mãos, então o avião começou a sua decolagem. Dá sempre um frio na barriga.
E quando ele ficou estável, soltamos nossas mãos.
— Tá mais calma agora?
— Uhum.. obrigada. — sorriu fraco.
— Estava com saudades de falar contigo.. — puxei assunto, já que íamos ficar sentados juntos pelas próximas 3 horas.
— É, eu também tava um pouco. — admitiu.
— Eu sei, seu rosto não nega. — brinquei e ela riu.
— E como tá no apê novo? Ainda nem fui conhecer..
— Tá ficando melhor aos poucos. Qualquer dia vai lá conhecer.
— Irei. — assenti.
Em menos de minutos ela começou a adormecer, eu coloquei um filme qualquer pra assistir. Nisso, senti sua cabeça encostar de leve em meus ombros. Fiquei estático, não queria acorda-lá.
É bom sentir aquele seu cheiro doce de volta.
Com certo cuidado tirei os seus óculos de grau e os guardei, então se aconchegou mais ainda em meus ombros. Como se fosse um travesseiro confortável.
Apenas a deixei ali, o seu sono era pesado. Provável que ela só vai acordar quando estivermos chegando.
Continua..
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