Jeju Island IV
- Acha que esse biquíni me deixa gorda? - Sofia perguntou, olhando o próprio perfil através do espelho.
Sentei na beirada da cama de Pietra, no quarto em que ela dividiria com a Fofa, que ainda fiscalizava o comportamento de sua barriga dentro do hot pant poá.
- E aí, todo mundo pronto? Vamo nessa? - Vanessa chamou, colocando uma viseira de palha na cabeça. - Os caras tão esperando!
- Estou muito cansada... Contava com o spa para me ajudar a relaxar um pouco. - Encarei as quatro, e suas feições eram de quase desespero. - Mas vocês podem ir!
- Ah não! - SN resmungou, veio em minha direção pisando duro e sentou na cama de uma vez, cruzando os braços e simultaneamente os lábios num bico contrariado. - Se você não for, eu também não vou!
Sofia deixou o espelho e se jogou ao chão, de joelhos: - Por favor! - dramatizou. - Não dá para ir sem você! Você é o nosso... elo de ligação!
Fiquei surpresa por ela não ter chorado.
- Não precisaram desse velho elo quando foram para o restaurante. Na verdade... vendo vocês de longe, estavam se dando melhor com eles do que eu. - Crispei os olhos, intimidando Sofia.
- Olha só, se você não for, que desculpa vamos dar? - Vanessa questionou; levantei apenas uma sobrancelha em resposta. - Pensa aqui comigo: a gente abandonou você sem pensar duas vezes só pra ir atrás deles. Vai ficar totalmente na cara - argumentou com tamanha seriedade. Vanessa realmente faz jus à profissão.
Dei uma risada alta e incrédula: - Estão me usando assim na cara dura?
- É só fazer carinha de paisagem que passa, bebê - jogou uma piscadela.
- Talvez passe mais rápido se eu der um tapa nessa sua cara!
- E eu darei um tapa na próxima que disser "cara" novamente - Pietra cortou a discussão infantil. - Ana, não acha que eles também merecem pelo menos um pouco da sua atenção? Afinal, vieram aqui por sua causa.
- Como é? Que absurdo, claro que não.
- Nem adianta negar porque o Seok Jin contou a treta toda - a Louca desembuchou.
- Ah... - Despenquei as costas na cama. - Que linguarudo.
- Conhecer esses caras tá sendo bem da hora, viu? - Vanessa disse à Pietra, me provocando.
- Com certeza, querida! Assim, compartilharemos segredos.
Peguei um travesseiro e abafei o rosto: - Eles vão estragar tudo! Quando é que vamos conseguir nos juntar assim de novo? Eu até sonhei com essa droga de spa! - gritei, mas a voz tinha sua altura bloqueada.
- Ei! - Pietra, que já estava sentada na cama, se aproximou de mim. - Ei... - Pegou em meus braços, tirando o travesseiro do rosto. - Olhe para mim. - Fiz o que pedia, contrariada. - Será apenas por hoje. Ainda estará conosco, também dará atenção a eles, e assim não poderão dizer que foram ignorados por você. Amanhã, ficaremos tão grudadas que ficará enojada!
- Nós prometemos... - Sofia grunhiu do chão.
Esfreguei os olhos e em seguida, olhei para Pietra esperando pelo meu retorno, assim como SN e Vanessa em pé, logo atrás.
- EU NÃO VOU! - Tomei o travesseiro do colo da Patricinha e tampei o rosto de novo.
Pelo imenso silêncio que se estendeu por um tempo, me convenci da desistência delas, apesar de ainda sentir a respiração pesada de Pietra.
- Está certa de que quer agir assim? - ela perguntou calmamente, como de costume.
Continuei de rosto coberto.
- Você escolheu. Vanessa, pegue pelas pernas! SN, segure o tronco e Sofia, corra logo e abra a porta do carro! Rápido, rápido! Carolzinha... - Puxou meus braços com força. - Vou tentar não deixar que sua cabeça bata contra o chão...
Passou pelo meu conjunto de ideias tentar fugir enquanto as meninas pararam numa conveniência para comprar comida.
Mas elas travaram o carro...
Comigo dentro.
Vanessa, que estava na direção, seguiu o carro dos garotos até a tal praia paradisíaca. Assim que ela puxou o freio de mão, as outras três desplugaram os cintos de segurança e saíram do carro numa pressa tamanha; até pareceu que o veículo explodiria dali a dois segundos.
Todas as portas foram abandonadas abertas, somente eu, ainda presa pelo cinto, no centro dos três bancos traseiros, restei. E, através dos vidros, vendo aquele meio que mais parecia um oásis com todos os tons em turquesa, azul e verde entre o mar, o céu e as árvores, respirei fundo, numa súplica, a mim mesma, para agir, no mínimo durante aquela tarde, como uma pessoa gentil e normal.
- Que bom que veio!
Procurava pela minha bolsa no porta-malas, com um chapéu de palha enorme na cabeça quando Jung Ho Seok exclamou, caminhando descalço e num sorriso gigante em minha direção.
- Vim carregada...
Ao chegar, se dispôs a aumentar a exposição dos próprios dentes e ainda me olhando dessa forma, espontaneamente colocou as mãos na cintura e retirou a franja do rosto apenas com um jogar de cabeça.
- Gosta de churrasco?
- Ne... - Pus a bolsa no ombro e sorri, quase insignificante.
Jung Ho Seok se aproximou mais, retirou meu chapéu da cabeça, bagunçou o cabelo com sua outra mão e colocou o chapéu de volta.
E então, por causa daquela ação tão pequena e boba, o sorriso passou a ganhar significado.
- Use filtro solar, o dia hoje não está para brincadeira!
- Sim, senhor... - continuei sorrindo descomplicadamente, fechando o porta-malas.
A praia era pequena, e foi preciso passar por uma trilha para chegarmos até ela, que era rodeada por uma mata fechada. Não havia nenhum sinal de população exceto por nós, e a gritaria que se formava com essa junção, se tornava cada vez mais alta.
Estendi minha canga atoalhada na areia, debaixo da sombra de uma palmeira baixa.
- Yaa... - Vanessa olhou para o pedaço de carne assada em sua mão, falando de boca cheia. - Eu disse que precisava de mais sal... mais sal!
- Yaa...? - Kim Seok Jin tirou a atenção que dava à churrasqueira e fechou o rosto para a garota. - Por acaso acabou de falar informalmente comigo!?
No mesmo momento, todos pararam o que quer que estivessem fazendo. Jeon Jung Kook, que jogava vôlei com Park Ji Min, SN e Sofia, talvez nem tenha sentido a bolada que levou no ombro, totalmente vidrado ao rumo que aquela conversa estava para tomar.
- Por que, não posso!? - Vanessa simulou uma feição espantada. - Aigoo, joesongheyo! - Juntou as mãos num irônico pedido de desculpas. - A-ahjussi... por favor... Eu disse antes, mas o senhor deve ter se esquecido... Da próxima vez, ponha um pouco mais de sal na carne, ne? Mas, por favor, separe a sua parte sem sal, por causa da sua saúde, uma vez que à certa idade é preciso se atentar a isso... - Curvou-se.
Todos riam pela audácia daquela mulher sem pudor. Ela não tinha medo de provocar as pessoas e de ser ela mesma.
- A-ahjussi!? Aigoo, eu pareço um ahjussi para você?
- Ahju... Kim Seok Jin-ssi, descanse um pouco... - Ela o afastou levemente da churrasqueira, enquanto os outros davam gargalhadas. - Não se desgaste tanto... Assim não vai conseguir aproveitar o resto da viagem. - Olhou para o garoto, ainda pasmo pela sua petulância. - Ka... - Balançou a mão para que ele saísse logo.
Mesmo depois de tanto comer, a energia daquelas pessoas não tinha fim. Continuavam pulando e festejando, sem parar. Apesar de ter comido tanto quanto, minhas pálpebras simplesmente me obrigaram a deitar naquela sombra onde havia estendido a canga e dormir...
Jung Ho Seok, de repente, começou a berrar ao mesmo tempo correndo até a água, e só parou de gritar quando uma onda o engoliu.
- O QUE ESTÃO ESPERANDO?
Todos se entreolharam e logo Kim Nam Joon e Jeon Jung Kook estavam no mar.
Pietra se concentrava em colocar todo o lixo num saco plástico. Vanessa e SN estavam de braços cruzados, observando a bagunça dos rapazes e Sofia olhava para elas empolgada, esperando que uma das duas tomasse a frente e fosse primeiro para água.
Quando a Fofa voltou seu olhar ao horizonte, se surpreendeu com ninguém menos que Park Ji Min se aproximando num olhar mais que sugestivo.
- Vocês... - Passou o tal olhar sugestivo em cada uma, parando em Sofia. - Não me digam que estão com vergonha de entrar... - Varreu a garota - que já tinha as duas mãos trêmulas perto da boca -, dos pés a cabeça.
E, mais uma vez, como se houvesse uma câmera apontada em sua direção, ele armou seu melhor ângulo, deixando o pomo-de-adão bem evidente, e assim, lentamente, foi retirando a camisa, a sessenta centímetros de distância da pobre Sofia, que já perdera as contas de quantas vezes tinha sido pega pela sua "paralisia Army".
Vanessa analisou a situação, soltando um pequeno sorriso abafado: - Sabe o que é melhor que iludir caras tímidos? - cochichou disfarçadamente no ouvido de Sofia, que nem se deu ao trabalho de processar o que tinha sido dito. - Intimidar os atrevidos...
Quando Park Ji Min finalizou seu show, encarou mais uma vez Sofia, com ar de profunda realização, ainda sutilmente alisando o próprio abdômen enquanto jogou a camisa por cima de um dos ombros.
Antes que o galanteador pudesse terminar seu triunfo, era chegada a vez de Vanessa... E como só ela sabia, desprendeu seus cabelos lisos, longos e negros da forma exata, desfazendo o coque como uma cascata, se desenrolando e deslizando pelo corpo. Para o grande final, ela mirou em Park Ji Min enquanto desfazia lentamente o nó do pareô em sua cintura que lhe cobria todo o corpo; deixou, outra vez do jeito certo, que deslizasse pelas suas costas até que caísse na areia, revelando seu tão polêmico cortininha-fio-dental, que, por sua vez, trazia na estampa do tecido um pouco do famoso calçadão de Ipanema, à medida que dava passos suaves na direção do Park, que fora contagiado da paralisia de Sofia; seus olhos extremamente abertos, estático.
A ardilosa, orgulhosa de sua façanha, passou a mão pelos cabelos, se aproximando um pouco mais: - Disse vergonha? Não vi nenhuma... - Sem esperar por qualquer resposta, apenas continuou caminhando com seus passos suaves pela areia. - Vem meninas! Tão esperando o quê?
Kim Tae Hyung, sentado numa cadeira ao lado de Min Yoon Gi, se desesperou: - Ah! Hyung! Hyung! - apontou para Vanessa.
Suga interagia com seu smartphone em profundo tédio. Dessa forma, sem pressa, levantou as vistas para V, seguindo pelo seu longo braço esticado e se orientou para a direção em que apontava.
- Uh... então é assim...
Park Ji Min enfim se deu conta da própria existência quando sentiu que seu rosto queimava como fogo. Pigarreou, balançou a cabeça e esfregou as mãos no rosto, até que recuperasse seus sentidos. Sem tanto sucesso, foi em busca de uma garrafa d'água.
- Viu só, Tae? - Min Yoon Gi começou. - Park Ji Min sendo desbancado?
O rapaz, de súbito, cuspiu toda a água que estava prestes a engolir.
- Afinal, alguém conseguiu deixar você constrangido... - zoou, rindo discretamente com V.
- C-constrangido!? De onde tirou isso!?
- Para começar, das suas bochechas!
Contrariado, largou a garrafa de plástico e a camisa do ombro: - Vamos ver quem é que vai se constranger agora... - Saiu rumo ao mar, determinado.
- Tshh... Aigoo! Essa eu também quero ver! - Kim Tae Hyung se levantou. - Vamos, hyung!
- Gwaenchana, vou ficar por aqui...
E enquanto Kim Tae Hyung se distanciava, Min Yoon Gi observava com interesse, o que havia logo abaixo de uma certa palmeira baixa. Se levantou e espreguiçou o corpo despretensiosamente, olhou para os lados e todos estavam na água - ou quase todos -, e bocejando, foi parar debaixo daquela sombra.
Park Ji Min teve o ego ferido, mas estava decidido a restaurá-lo. Encheu o tórax de ar e entrou na água.
- OMO! - SN gritou. - O tamanho daquela onda!
Park Ji Min ergueu a sobrancelha e encarou a tal onda. Destemido, foi contra a mesma, que estava prestes a engoli-lo. Mergulhou, passando por baixo da oscilação. Quando voltou ao ar puro, estava a uma boa distância dos outros. No entanto, havia algo estranho. Olhou de um lado a outro, de um extremo a outro, e o algo estranho se revelou cada vez mais condenável. Sua expressão destemida se transformou em desespero.
Algo estava errado, algo estava faltando...
Oi mô!
😃😃😃😃
Obrigada por ler!
Por favor, não deixe de votar...
O que será que aconteceu com o pobre Jimin?
😳😳😳
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