Ciclo Vicioso
— AISH! Galera, liga a televisão, palli, palli!
— Hyung, o que a Ana disse? — Jeon Jung Kook perguntou, pegando delicadamente o controle em suas mãos, escolhendo qual botão apertar…
— Ela vai ferrar com a gente! Já vejo a confusão! — Kim Nam Joon caminhava de um lado a outro entre os sofás da sala, onde estavam todos sentados. — JUNG KOOK-AH, É PRA HOJE?
— Ãn… Qual é mesmo o canal?
Kim Seok Jin olhou para o mais novo com desaprovação, calmamente pegou o controle de sua mão e ligou a TV.
Kim Nam Joon não parava sua caminhada pela sala.
"Parece que a Stranger Masked vai sair da toca! Vamos à uma transmissão ao vivo, diretamente da casa da Stranger, a estrangeira mais falada da Coreia!"
— Mas o que…
— Essa louca…
— Está fazendo…
Kim Seok Jin, Min Yoon Gi e Kim Nam Joon completaram as frases um do outro, sucessivamente.
— De roupão em rede nacional? — Kim Tae Hyung continuou, abismado. — Aigoo, Ana-ssi, assim não dá! Ela ao menos escovou os dentes? Nem um BBcream?!
— DAKCHYEO*! — os seis gritaram em uníssono, e Park Ji Min jogou uma almofada no rosto do garoto.
⚫⚪
Assim que abri a porta, o enxame de câmeras não se conteve em esperar a calçada. Invadiram todo o gramado e fechei a porta rápido, antes que decidissem entrar para fazer uma entrevista mais confortável no meu sofá.
— O que tem a dizer sobre ontem à noite?
— Comente sobre essa foto! — gritavam.
Olhei a foto que o homem quase esfregou em meu rosto. Era Kim Nam Joon ajoelhado, olhando para mim, enquanto eu me concentrava em subir a barra do vestido.
— Qual sua relação com Kim Nam Joon?
— Kim Nam Joon se declarou para você?
— Você e Kang Mi Cha fizeram as pazes?
— O Jin não fica com ciúmes?
— O que faziam nessa escuridão?
— Como é ser a Stranger Masked?
Fiz questão de mirar os olhos de cada um dos presentes, sem expressão alguma na face. E o burburinho se tornava cada vez mais ensurdecedor.
— Tenho algo a declarar.
No exato instante, tudo que ouvi foi o latido do labrador cor-de-leite do vizinho intrometido soar em alto e nítido som.
— Vou contar até cinco. E quando eu terminar, vou chamar a polícia para enxotar todos vocês daqui. Além disso, as pessoas que restarem nesse gramado, terão seus nomes e suas respectivas emissoras, processadas. Tudo está pronto nas mãos do meu advogado. Basta uma ligação. UM…
Durante três segundos, o pessoal ficou petrificado, sem reação. Exceto pelo piscar ininterrupto de luzes vermelhas que vinham das câmeras.
— STRANGER, SÓ UMA PERGUNTA!
— Qual dos membros do BTS você está realmente interessada?
— DOIS…
— O que você está achando da fama?
— Como é ser a estrangeira mais invejada da Coreia?
— TRÊS…
Mesmo com toda minha franqueza e frieza transparecendo no olhar, que não piscou nem por meia vez, os repórteres pareceram não dar importância. Isso até eu tirar o smartphone do bolso do roupão de veludo vermelho que vestia .
— QUATRO…
Alguns abaixavam as as câmeras do ombro e iam embora. Mas os mais persistentes continuavam tirando perguntas absurdas de dentro da boca e as gritando no fundo dos meus ouvidos.
— CINCO.
— Ana-ssi!
— Por favor, vamos conversar!
Acionei o teclado do aparelho, deslizando dedos e digitando os algarismos sem pressa.
— Yoboseyo… — Dei início à chamada, olhando minha grama toda pisada. Ao levantar o olhar, para a minha surpresa, a grande maioria dos câmeras e repórteres começaram a ir embora. Então me concentrei no que ainda insistia com as interrogações.
— Ana-ssi! Por favor, são só algumas perguntas… Desligue o telefone!
— Na verdade por favor, dê entrada no processo contra apenas uma emissora, especificamente um funcionário. Ne… — Distanciei o celular da boca. — Ãn… Com licença, seu crachá está virado. Qual o seu nome…? — Inclinei a cabeça, tentando distinguir o que estava escrito em sua identificação, enquanto voltava o aparelho próximo à boca. — Senhor Park… — O câmera, que ainda gravava, pegou no ombro do colega repórter, que estava duvidoso em ir embora. Mas, por fim, aceitou a derrota e saiu antes que eu visse o resto de seu nome.
Kim Nam Joon ainda continuava na mesma posição de quando a transmissão se iniciou. Todos os olhos da sala estavam extremamente abertos, direcionados ao televisor, como se estivessem num transe profundo.
"— É, pessoal, acho que alguém não acordou de bom humor! — A apresentadora e os comentaristas deram risadas.
— Uma jovem decidida! — Mais risadas foram exaladas.
— Achei exagerado da parte dela, pois o…"
— Eu já disse que a amo? — Kim Tae Hyung quebrou o silêncio que todos faziam na sala, mas sem quebrar a posição.
— De vez em quando você fala dormindo… — Jeon Jung Kook respondeu, permitindo apenas à boca o movimento necessário.
— Estamos muito encrecados? — Jung Ho Seok soltou a pergunta óbvia.
— Completamente ferrados — resmungou Kim Nam Joon. — Aish, aquela foto, FOI O FIM!
— O maenijonim vai te matar… — disse Kim Seok Jin.
— E eu seria capaz até de beijar aquela garota da próxima vez que a vir… Ela foi incrível! — Park Ji Min provocou, rindo sem parar.
— E eu vou fazer com que o maenijonim te mande flores e chocolate — Min Yoon Gi respondeu normalmente e Park Ji Min o encarou de cenho franzido. — No hospital!
— Se preparem para ouvir sermões durante toda a reunião amanhã — dizia Jung Ho Seok. — Não sei se fico feliz ou triste pelo que aconteceu… Mas, definitivamente, ela sabe como fazer uma confusão.
⚫⚪⚫⚪
Uma hora depois, eu estava sentada no sofá, com os cabelos desgrenhados e quase louca pensando em todas as consequências ruins do que estava para acontecer à partir dali. Ignorava com toda a facilidade o som irritante do celular recebendo chamadas, inúmeras delas.
Minha lista de preocupações estava saturada, com tanta pressão acumulada quanto a de uma barragem prestes a estourar. Tudo o que meu corpo suplicava era que eu simplesmente ignorasse, fingisse que nada acontecia, que minha vida continuava como antes.
Sabia que fazer tal coisa era só uma forma de ilusão barata. Em algum momento, teria que enfrentar primeiramente a mim mesma, e contar toda a verdade à SN, contar toda a verdade ao Jin, enfrentar todos os meus colegas de trabalho, todas as fofocas e boatos...
E, no final, como sempre, acabaria fracassando, sem dar satisfações. Sumindo do mapa, revelando minha covardia.
Por um breve momento, me deixei fantasiar com a possibilidade de tudo ser diferente. Uma completa utopia. Ali eu estava certa de que o ciclo nunca se quebraria, pois não era linear, não tinha início, não tinha meio e muito menos um fim. Apenas tomava seu curso, como se fosse um loop temporal, sempre voltando, e voltando, e voltando… Foi assim com a SN, foi assim com a Lee Mi Rae unnie, foi assim no Brasil… E assim terminará sendo com todos os outros.
💜
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