FITA #1: LADO B (O poeta está morto)

TW: Violência explícita, menção ao abuso físico, psicológico e sexual, tortura, homofobia e xenofobia; abuso de poder.


Registro Pessoal de J. Jungkook.

Datado em meados de Out/1995

Reformatório Lorton, FL.


De olhos fechados, um balé estranho de borrões coloridos dançava em minhas retinas. Nenhum som mediava a coreografia errática, apenas uma imagem incendiária consumia minha mente, o objeto de desejo do qual não conseguia desviar o meu foco há pouco mais de um mês, composto somente de palavras soltas, uma caligrafia bonita e uma carta intocada, obedecendo suas próprias regras, guardada no bolso do meu uniforme. A parca iluminação solar ruminava uma ideia inocente de conforto, eu quase podia acreditar, como cair no sono e se forçasse um pouco a imaginação, era capaz de vê-la dançar.

Nas últimas duas noites, estive preso na leitura de um dos livros trazidos no pacote de Stane, devorando cada página e saboreando as marcações pessoais, imaginando a risada inocente dela, ao qual nunca tinha me atentado uma única vez. O motivo da escolha de determinados parágrafos ao invés de outros, suas motivações, ou a sinceridade de suas preferências. Uma curiosidade que saciava o tempo livre. Entre uma folha e outra, um papel de bala de tangerina permanecia esquecido, lambi o resquício do doce colado no plástico. A data de expiração indicava algum outubro passado, muito provavelmente enquanto estava ocupado crescendo além do esperado, ela estava apenas sendo uma menina.

Entre as sombras da capela, segurava a liturgia diária de dois anos atrás impressa e empoeirada em um papel pálido, 'seja paciente, calmo e benevolente', meus olhos dançavam entre palavras sacrossantas cobertas de cinzas do cigarro, alcancei a caneta outra vez e rabisquei a folha em branco do caderno apoiado em meu colo com algumas ideias que vieram na mente.


Arrastado para dentro de você,

me abrigo entre as suas asas quiméricas.

Eu nunca fui do tipo fácil de se ter nas rédeas,

nunca me curvei para nada nesta vida,

mas não precisaria de uma demanda enaltecida

por devoção, rastejaria diante do teu altar.

O inocente interior do seu corpo que nunca habitei é um paraíso proibido

e eu sou só um serafim caído

condenado a milênios no inferno dos malditos

nestes lugares secretos, onde só posso desejar...


Os bancos da igreja tinham o mesmo tom da paróquia de padre Stane, irritantemente lustrosos, apesar das formas grotescas pichadas de caralhos peludos e bocetas tracejadas com caneta preta.

"Vou mandar todos os viados deste lugar para queimar no inferno!"

A inscrição esculpida na madeira besuntada de verniz anunciava a epígrafe que abria o dia, o meu primeiro mês no Lorton não estava longe do esperado. Estava com seis quilos a menos desde que cheguei pela má qualidade da comida que era servida e parecia um pouco mais apático, como padre Stane havia percebido em sua última visita. Minha coragem havia sido domada no primeiro minuto. No primeiro soco certeiro que Tallahassee havia me dado como presente de boas-vindas. Acreditava que a intenção era justamente aquela: me fazer definhar lentamente, corroendo e debilitando meu corpo com a mesma facilidade de quem se alimenta da maneira mais sórdida de minha mente.

Às vezes, no catre, deitava a cabeça em meu travesseiro e levava meu pensamento para fora dali, deixava meu espírito vagar para além das grades que protegiam as janelas do prédio, entre os pomares de laranja e as borboletas inocentes que rodeavam o casarão condenado. Corria para longe, atravessando os hectares de fazendas e os gramados verdes até me aproximar outra vez do litoral, caminhando em direção ao mar. Ou pensava no que Sofi estaria fazendo naquelas horas da noite. Demorava a adormecer revisitando a ideia de fugir, mesmo depois que as luzes dos corredores se apagavam e os terrores noturnos se materializavam lá fora.

O tempo dentro do Lorton corria como uma realidade separada. E em alguns momentos, a sensação era que uma vida além daquelas quatro paredes era subproduto de um devaneio. Nunca existiu um antes e nunca existirá um depois.

As aleluias se reuniam ao redor da lâmpada amarela, sombreando o espaço. Batendo e batendo contra a luz em um zumbido infernal até suas asas despencarem aos montes pelo chão do lugar e o seus corpos sem vida se amontoarem em um recanto escuro, sendo esmagados por quem cruzasse o caminho, arrastando a lama pegajosa de insetos mortos para dentro da igreja. Um dos garotos costumava juntá-las com a mão e enfiá-las dentro das calças dos internos mais novos sentados nas primeiras fileiras nos dias das aulas obrigatórias.

Me sentia confortável na capela, apesar do clima mórbido e do cheiro insuportável vindo do encanamento que percorria o entorno do prédio, era um gosto de realidade que experimentava depois de foder o cérebro com o pavor a que era submetido constantemente, me sentia de volta a Roseville, sob os cuidados de Stane e com a liberdade de uma vida antiga, uma vida que não sabia se seria capaz de recuperar. Mas ali havia algum tipo de aconchego no brilho difuso do Sol entrando pelas janelas, na indiferença dos santos de porcelana com rostos desbotados decorando as paredes e olhando para as almas com seu desprezo beatífico, no pequeno altar improvisado, como uma aproximação fiel do que já reconhecia da casa de Stane e no altar intocado de tia Célia.

Acendia meus cigarros e desligava a mente por um tempo.

O vício também era uma memória de conforto. E começou cedo por uma influência silenciosa de eomeoni e dos maços surrupiados de sua bolsa na volta do trabalho. A sensação esmagadora que pesava meu peito não tinha nome, era somente um grande monstro cinza e rachado se alimentando de minhas vísceras, entranhas, e sentimentos, até restar apenas o vácuo de minha mente como sua fonte de força vital, ele era momentaneamente silenciado, amortecido, quando engolia a fumaça tóxica e meus dedos trêmulos e corpo amedrontado voltavam ao meu controle.

Nas primeiras tragadas, mal sabendo expelir aquela fumaça cinza contra uma toalha molhada, vomitava os pulmões derretidos até pegar o ritmo. Tossia como um cão por uma semana ou mais, fazendo eomeoni me entupir daquele xarope vermelho com sabor de cereja e limão que ficava guardado em cima da geladeira, supondo um resfriado, uma mudança brusca no clima quente habitual de Busan naqueles verões. Além do cheiro sufocante e insuportável que não se desprendia da pele, nem das roupas e nem da boca, e por alguns dias, em minha insistência para descobrir prazer no castigo de queimar os lábios feridos e sufocar os bofes com aquela porcaria narcotizada, tudo obtinha um gosto rançoso e amargo de tabaco. Engraçado pensar que não percebia o mesmo cheiro insuportável e mortífero em minha própria mãe. Eomeoni expelia perfume de rosas em chamas, uma essência doce chamuscada e que siderava a nicotina evadindo pelos poros, assim como as faíscas do brilho morto dos seus olhos que deitavam-se sobre mim no canto da sala quando nos reuníamos para assistir televisão em domingos comuns, nos dias de falsa tranquilidade, quando ela rastejava até o sofá escondendo os braços e pernas marcadas, os hematomas sob a meia-calça, e mentia para si mesma que tudo estava bem. Quando aquele homem, o maldito demônio revestido de pele humana que entrou em nossas vidas retirou toda felicidade que havia dentro dela, ainda assim seus olhos relutavam para continuar brilhando.

Na tarde que antecedeu minha morte não foi diferente.

Por trás da cortina de terços, vi os dois garotos no canto da capela. O número 58202 se tratava de Zachary, o garoto baixinho, de cabelo descolorido e fala estridente que ficava a duas celas da minha e o outro, não me recordava o nome, mas sabia que se tratava de um dos caras do dormitório ao lado, o mal encarado de cabelo ruivo que batia nos garotos latinos sem dó, era capaz de fazer outras crueldades por diversão também.

Os dois se enroscaram por trás do púlpito, aos beijos, as mãos de Zachary enfiadas no cabelo ruivo e nojento do outro garoto, e pareciam famintos. Corri até o lado escuro da capela para não ser visto, apoiando o corpo contra a parede oposta, me sentia quase invisível ali e dava a eles algum tipo de privacidade. As contas manchadas da cortina de terços bloqueavam qualquer entendimento do acontecia no altar, enquanto os gemidos abafados de Zachary zuniam pela capela como uma espécie de canto gregoriano.

Os últimos raios de sol penetraram pelos vitrais da capela em despedida ao dia, vi o rosto de Eomeoni contra a luz e mantive os olhos baixos. Os sonhos ruins ainda me mostravam ela atrelada ao jardim de rosas nos fundos da velha casa em Busan. As raízes longas presas aos seus cabelos pretos, que se penduravam em uma longa e extensa raiz atada ao teto, os olhos como carpelos negros, os cílios em pétalas longas que se despedaçavam delicadamente.

Como diria aos outros que o fantasma de minha mãe morta me perseguia pelos cantos?

Às vezes ela estava de pé no quarto de Sharon Marie, olhando fixamente para o meu rosto como se quisesse fundir-se em minha mente sem precisar me dizer uma palavra, outras vezes, ao lado da minha cama, mesmo depois das pílulas receitadas pelo Dr. de nome bacana da clínica psiquiátrica que Tio Min havia me levado. Ela não seria driblada por medicações para o sono e terapia, e nunca tive coragem de dizer a Stane que desejava exorcizá-la de minha casa; demônios, assombrações e outros maus agouros não deveriam ter o rosto da mulher que me colocou no mundo. Então, fui deixando que ela ficasse o tempo que fosse necessário, até crescer o suficiente para não me assustar mais com sua presença azulada e encantada, constantemente ao meu redor.

A foda chega ao fim quando o outro garoto grita para Zachary abrir a boca de um jeito obsceno, mas presenciar sexo alheio era quase rotina dentro do Lorton.

Permaneci escondido entre as frestas dos terços até os dois saírem, sabia que se fosse pego lá, levaria uma outra surra e ficaria marcado pelos garotos do dormitório vizinho. No Lorton, alguns limites deveriam ser respeitados a todo custo, e um deles era não arrumar problemas com os outros internos. E eu estava longe de ser um bom garoto. Sob forte influência, talvez me comportasse como realmente era por baixo da camada de submissão ao qual fui direcionado durante toda a vida inteira, e o Lorton era um lugar para me rebelar, todos disseram. Para mostrar o meu pior lado. Ser pego ali só me renderia uma perseguição por qualquer motivo infundado, e tinha plena consciência de que estaria disposto a fazer qualquer coisa para me manter a salvo.

Além disso, os guardas do Lorton evitavam a capela a todo custo. Eu deduzia que Deus, se é que Ele, em sua magnitude e sabedoria, existia, permitia que por alguns momentos do dia, experimentássemos só um pouco de paz. Mas um lugar desprovido de supervisão e garotos com hormônios fervilhando tinha outra finalidade que envolvia joelhos prostrados no chão, mas adorações indecorosas para a conduta cristã. Se já estávamos no inferno, qualquer prerrogativa vinculada ao paraíso poderia muito bem ser reinventada aos modos de quem vivia de édens artificiais.

Havia hierarquia no reformatório, assim como em qualquer outro inferno. E como os círculos de Dante e suas nuances de castigo muito bem delineadas, precisávamos manter nossas opiniões e interesses distantes de divergências. E essa era uma regra geral e absoluta. Cuide dos seus próprios problemas. Não se meta em outros.

Quando os dois saíram da capela, separados, esperei alguns minutos antes de cruzar o pátio pela lateral e dar a volta pelo prédio da administração.

Naquele primeiro mês no Lorton, havia conseguido dois empregos. Um na biblioteca, o que me permitia ler o máximo que eu desejasse durante o tempo de organização junto a Joonie, e também na lavanderia, com algumas algumas regalias que me permitiam ficar mais tempo distante dos possíveis perigos do lugar, ocupando minha cabeça com alguma atividade. Estava responsável por dobrar lençóis limpos e uniformes recém lavados, além de ter altura e força o suficiente para carregar os cestos pesados de um lugar para o outro.

Os garotos mais novos, por outro lado, eram colocados em situações mais perversas, como a tarefa humilhante de cuidar dos dejetos de outros internos. Obrigando alguns deles, principalmente os garotos em situações mais vulneráveis, em tamanho e idade, que despertavam uma espécie de sadismo nos guardas, a esfregar vasos sanitários e mictórios com suas próprias escovas de dentes e depois eram forçados a usá-las. Tallahassee tinha essa maldade incrustada na alma, do tipo que corrompe os homens até demonizá-los. Acho que o inferno, na verdade, é uma sala repleta de homens como ele, e aos que dizem que o inferno não existe.

Eu posso prová-los que o inferno é aqui.

Em minha pausa diária de quinze minutos, me esgueirava até a capela e tentava escrever. Havia começado um romance, ou me esforçado para isso, sem muito sucesso, a ideia de escrever poesia também me parecia inviável e estúpida demais àquela altura. Foram aquelas cartas que me trouxeram um pouco de inspiração e ânimo.

Os rumores sobre os garotos mortos pelo Lorton me assustavam quando as peças ensanguentadas eram desviadas de sua rota até a lavanderia e incineradas por um dos guardas nos fundos do prédio e um dos guardas ficava responsável por coletá-las toda manhã e levá-lo até a usina depois do campo de futebol.

— Mantenha seu nariz longe disso, ching-chong.

Ele disse, quando encarei demais um par de calças destruído que Clifford trouxe, coberta de sangue, podia jurar que tinha um pedaço esbranquiçado de pele pendurado na base do zíper frouxo. Por Deus, aquela peça não era capaz de servir em nenhum garoto com mais de dez anos.

Parecia existir algum prazer na crueldade depositada somente em nós, como se o tédio motivasse os seus jogos mentais, e aquelas maldades inimagináveis que cruzavam a mente de homens adultos. Os guardas, que tinham sua própria sala, se reuniam para jogar pôquer, beber cerveja e definir o itinerário, o que incluía os internos escolhidos para suas diversões noturnas, quaisquer que fossem elas: socos, pontapés, surras de cinto ou estupros.

Quase ninguém conseguia dormir em paz quando as lanternas brilhavam por entre as frestas da porta, a ponta das tonfas raspando contra os ferrolhos das celas no intuito de provocar pânico, os choros contidos por lençóis ou as risadas dos guardas ecoando pelos corredores do alojamento noite adentro.

Quando o sinal para o fim da pausa tocou, guardei o caderno enrolado no bolso e escondi o isqueiro dentro do sapato. Os outros internos correram de volta até o prédio principal, alguém sussurrou que Tallahassee estava em um "daqueles dias", e que uma revista imediata das celas começaria em dez minutos. Estar em um "daqueles dias" significava que seu humor não estava dos melhores e alguém pagaria o dano pelo seu aborrecimento.

Subi as escadas correndo e avistei Joonie parado ao lado da porta do alojamento. Por alguma razão, meus nervos tremeram, minha intuição sentiu que algo estava errado.

— Arrume suas coisas, ele acabou de sair do último andar e estará aqui em um minuto.

Corri até a cela e escondi os cigarros na perfuração do colchão fino que cobria o catre, empurrando-o de volta até a parede com o pé, e antes de voltar ao corredor, já podia ouvi-lo chutando e destruindo objetos pessoais de outros internos nas celas vizinhas. Rasgou fotos de mães sorridentes e todo e qualquer alívio momentâneo que aquelas crianças tinham para si mesmas.

Eu sentia raiva. Eu sentia tanto ódio. Mas era minado pelo medo. Um medo terrível que paralisava mãos, braços, pés e pernas. Que emudecia a voz. E fazia um arrepio correr pela espinha dorsal. Não era tão corajoso como achei que poderia ser. Era só mais um covarde, um covarde que desejava ser invisível, que estava pronto para fugir.

Perfilados ao lado das portas de nossas celas, com os braços para trás, imóveis, ouvíamos os gritos de Tidwell, e no quarto de John, Tallahassee encontrou o maldito livro de colagens de Joonie.

— Quem montou isso aqui se acha muito esperto, não é mesmo? — Joonie tinha os olhos fixos nos próprios sapatos, enquanto Tallahassee encarava o topo de sua cabeça raspada

— Achou que eu deixaria passar este livrinho inocente... Bom, não posso negar, é um ótimo, ótimo trabalho. — Ele folheava as páginas, observando as garotas nuas coladas uma por cima das outras nos recortes.

— Alguém aqui está disposto a nos chamar de idiotas bem nas nossas caras, não acha? — Ele perguntou a John, que tremia ao ponto de mal sustentar o próprio corpo de pé.

— Eu fiz uma pergunta, seu merdinha! — O tapa forte fez com que a cabeça de John girasse para o lado oposto, desequilibrando-o. Aquele garoto não deveria pesar mais do que trinta quilos, um corpo minúsculo que não aguentaria nem mesmo um soco de qualquer guarda.

— Não... não, senhor. — Tallahassee continuou curvado, observando John se apoiar nos joelhos para se levantar.

— Mas eu tenho certeza que esse livro não é obra de apenas um dos internos, tem mais alguém por trás disso aqui, alguém mais velho, mais esperto, que se acha melhor do que todos os outros... Que achou que ninguém perceberia! — Tallahassee esticou o livro, abrindo as páginas uma a uma diante dos olhos de todos os garotos:

— Isso aqui pertence a algum de vocês?

O rosto de Joonie se contorceu em puro medo, as mãos trêmulas prostradas atrás do corpo. Tallahassee olhava bem no fundo dos seus olhos, queria queimar a sua alma, obter uma confissão imediata para levá-lo direto ao inferno. Puxou um cigarro do bolso de seu uniforme.

— Se não aparecer um culpado, então todos serão punidos. — ele sorriu, exibindo os dentes amarelos — E alguns de vocês já conhecem bem o que acontece quando vocês acham que podem foder as minhas regras.

Joonie estava contendo as lágrimas desesperadamente. Com o cigarro pendurado no lábio, Tallahassee fazia pouco caso de nosso medo.

— É meu, senhor. O livro é meu. Eu fiz tudo sozinho. — A frase saiu de minha boca quase gritada, estava forçando meu corpo a reagir sem desmaiar. Podia ouvir a voz de Tanner em minha mente, eu estava sendo burro, idiota para caralho ao ponto de comprar a briga que poderia custar o início de um pesadelo, ou até mesmo a minha vida.

Tallahassee sorriu com ainda mais prazer.

— Alteza... — Ele curvou o corpo, aproximando o rosto do meu. — Você não deveria ter feito isso.

Desviei os olhos para o rosto choroso de Joonie, enquanto Tallahassee me analisava de perto. O inferno me esperava.


📼


Aconteceu durante a madrugada. Não tinha sequer pregado os olhos, o coração parecia constantemente estar saindo pela boca, um enjoo comum da ansiedade não havia me deixado jantar. Encarava a parede da cela, contava as marcas no concreto, qualquer minuto parecia o último até o ferrolho abrir e a figura de Tallahassee e outro guarda, Clifford, surgirem diante de minha porta.

— Ainda está acordado, alteza? — Clifford riu. — Eu tenho certeza que estava ansioso pelo nosso encontro...

De pé, diante da minha cama. Tallahassee me puxou pelos cabelos, antes de desferir o primeiro soco em meu olho, a língua enrolada e o bafo alcoólico denunciavam o excesso de bebida, o momento que uma criatura ainda pior habitava por debaixo da pele dele. A silhueta do outro guarda, que fumava um cigarro diante da porta, chacoalhando uma lanterna acesa, se tornou mais embaçada.

— Levante, seu bostinha. De pé. — Curvei os joelhos, tinha quase certeza que estava cego. A mancha escura cobria a retina quase inteira, tudo parecia banhado por um filtro vermelho. Fui arrastado para fora do prédio, pisoteando pedrinhas que facilitavam o reconhecimento do caminho. Sons agonizantes que antecediam tudo que me esperava. As ervas daninhas cobrindo o prédio mais afastado da administração e do velho casarão do dormitório, o lugar do qual não podíamos nos aproximar nem mesmo à luz do dia, onde as crianças iam para apanhar até morrer, onde todo pesadelo começava e nunca mais tinha fim no Lorton.

Fui jogado em uma cadeira e vi outros dois guardas sentados diante de uma mesa, cartas dispostas e cerveja gelada, como uma maldita quarta-feira à noite que não significava nada para eles. Eu não significava nada para ninguém. Tão inútil e descartável quanto as garrafas vazias empilhadas no canto da sala de tortura. Com direito a uma plateia.

Um dos guardas sorriu ao me ver. Não esqueço daquela expressão, do que ela deveria significar na cabeça dele, do qual sujo era aquele pensamento que percorreu sua mente doentia nas primeiras horas da noite.

— Então esse é o autor da obra de arte, Tallahassee? — Embaralhando as cartas de pôquer, um deles me olhou de soslaio.

— Ele mesmo. O pirralho atrevido que te falei.

— Ele consegue entender o que a gente tá falando?

Todos gargalharam.

— Pelo visto ele entende mais do que isso, não é? — Clifford segurou um punhado de cabelos, puxando minha cabeça em sua direção.

Fiquei encarando os passos de Tidwell enquanto ele se movia pela sala pequena. Ligou o rádio, acendeu um cigarro, tomou um gole de sua cerveja e caminhou até onde estava de novo.

— Alguma dessas aqui se parece com a sua mãe? — Tallahassee perguntou, folheando o livro ao lado da mesa. O coldre descansando na cadeira vazia. Se eu ao menos tivesse forças para alcançar aquela pistola, teria atirado naquele homem maldito e mandando-o direto para o inferno.

— Deixe-me ver. Que tal essa?

A garota asiática em uma pose provocante foi posta diante dos meus olhos.

— Eu comeria sua mãe facinho, igual todas essas piranhas ching-chongs da sua laia! — disse Tallahassee, raspando o livro contra a própria virilha de um jeito cômico. Os outros guardas riram.

— Não coloque o nome da minha mãe na sua boca suja, seu filho da puta imundo! — Cuspi as palavras e o soco veio quase imediatamente, seguido de um chute no quadril que me derrubou da cadeira. Foi apenas o início da humilhação. Eu queria dizer que senti dor, dor pra caralho, mas ela sequer havia começado. Mal conseguia sentir o rosto com seu coturno imundo pressionando minha cabeça com tanta força contra o chão.

— Você está no meu país, sob as minhas leis, cada hectare desse lugar pertence a mim e você também, seu pedaço de bosta insignificante. Eu posso fazer o que quiser com você, sabia? E ninguém daria a mínima! Nem o seu papai, nem a sua mamãe, nem aquele padre filho da puta que vem aqui te visitar...

Clifford me ergueu pelo braço, me empurrando em direção a cama no canto da sala suja.

Eu lembro do sangue nas paredes, do pedaço de lábio preso ao tecido de um travesseiro marcado de mordidas, pintado de vermelho, marcas de sangue novas sobrepondo em mais antigas, o nome de Jesus escrito na parede, uma oração arranhada em uma língua desconhecida.

— Tire a roupa. — O guarda do décimo andar vociferou, me cutucando com a ponta do cassetete. Toquei a base da camisa, os ombros tremendo tanto ao ponto de sentir que meus membros poderiam cair no chão, desconectados do corpo, a qualquer momento. Os quatro assistiram pacientemente. — A cueca também! Eu disse tudo. — Clifford puxou a peça para baixo e tentei cobrir o corpo com os braços.

— Olhe só para o novato... — A ponta da tonfa tocou minha barriga nua. — É isso que mostra as menininhas do buraco de onde saiu?! Como é mesmo o nome do lugar, Cliff?

Clifford riu.

— Roseville. — respondeu, expelindo a fumaça de um charuto forte.

— Isso, isso mesmo. Na pacata Roseville você deve ser um produtinho de qualidade. E aí, Clifford, você confiaria a Mary-Anne nas mãos do ching-chong?

Não conseguia esquecer o tom de escárnio, a vergonha, o medo que senti naquele momento. Queria enterrar tudo no fundo de minha mente para sempre, mas vez ou outra, aquele rosto, o som daquelas risadas ecoam em meus ouvidos quando me olho no espelho, no banho, antes do sono vir outra vez.

Suas mãos tocaram meu cabelo, os dedos percorrendo os fios e levando até o nariz. Ele deu um gole na cerveja. A meia luz de um abajur iluminou o padrão de cores do rótulo de uma ISA premium, com a águia-de-cabeça-branca ilustrando a pintura.

— Nem fodendo.

— Pois é. Você já comeu alguém, garoto?

A pergunta ecoou através do medo. Já havia sido avisado sobre as perguntas de Clifford. Gostava de falar sobre sexo com garotos que tinham idade para serem seus filhos, era um pervertido, um desgraçado como todos os outros.

Eu conseguia escutar sua voz distante o suficiente para atravessar uma parede, quase como se estivesse em outro cômodo, outra realidade.

Então o primeiro soco veio direto no estômago.

— Responda a pergunta, seu filho da puta. — ele riu, perto do meu rosto, senti seu bafo quente de bebida contra a orelha. — Você já fodeu com alguém, uh?

Estava curvando, sustentando o peso do corpo com um joelho enquanto tentava me recuperar da dor excruciante. A vibração do meu estômago me deixa tonto. Bêbado de dor.

— Sim, senhor.

— Ah, mas é claro. É claro que sim. Você deve ser do tipo de garoto que ninguém quer pelo bairro, passando o pau nas boas moças de família. Eu fui avisado sobre isso. Mas é claro que tenho algo para você, vai saber exatamente como as garotinhas que comeu se sentiram.

As gargalhadas altas me davam calafrios.

— Dá uma voltinha pra gente, alteza...

O tonfa lustrosa foi exibida diante do meu rosto. De alguma forma eu sabia que estava prestes a acontecer, a sensação ruim percorria o meu estômago e cada célula do meu corpo vibrava na frequência do medo. O vômito subiu queimando a garganta, mas o choro foi mais forte.

Tallahassee amarrou minhas mãos em uma velha cadeira enquanto cantarolava: "Eyes Without A Face" de Billy Idol, junto ao rádio. Fazendo uma dancinha patética e usando o cassetete como microfone.

Aquilo nunca significou nada para ele. Para nenhum deles.

O gerador foi acionado, provocando um barulho ensurdecedor lá fora.

Estava chorando tanto que mal conseguia respirar, os olhos queimando como brasas. Senti a borracha entre minhas pernas e apertei os olhos

— Senhor, por favor. Eu imploro, não faça isso, eu imploro, eu imploro... Eu imploro...

Ele deslizou a mão em meu cabelo, afastando a camada que cobria o rosto.

— Quero ouvir você contar comigo, vamos lá...Um...

Tudo virou um borrão de dor e desespero.

— Um... — Ouvia as risadas ecoando enquanto gritava por ajuda.

— É melhor começar a contar antes que eu perca meu cassetete dentro da sua bunda!

...dois... — A respiração ofegante de Tallahassee em minha orelha me fazia desejar a morte. A morte mais rápida que pudesse ter, se algum deus estivesse me ouvindo, eu iria implorar, pedir e desejar mais do que qualquer criatura por isso. — Por favor, senhor. Por favor.

— Não se preocupe, eu serei gentil na sua primeira vez...

Depois disso, tudo se tornou uma lembrança espaçada. E em boa parte dela, lembro de ver uma criatura de branco que perfurava o teto para me salvar, suas asas imensas chacoalharam as paredes e eu flutuava para fora dali, até o espaço. Foi a primeira vez em cinco anos que não vi o fantasma de eomeoni em lugar nenhum.

Quando Tallahassee terminou de brincar comigo como a peça de um velho jogo de montar, foi a vez de Clifford. Mal conseguia mover as pernas para ficar de pé, as coxas trêmulas pareciam inúteis.

— Você conhece essa aqui? Essa é a Besta. Ela estava ansiosa para conhecê-lo — Ele exibiu um velho azorrague, beijando a base da arma.

Encarei a parede e esperei a primeira chicotada, o estalo começava do teto, como um prenúncio do que me aguardava e terminava no meio de minha carne, rasgando a pele.

Contei até sete, aos gritos.

E essa é a última lembrança que tenho daquela noite.

Acordei dois dias depois, de bruços, em uma solitária com feridas nas costas e pernas. Um rastro de luz do sol entrava pela fenda da porta de ferro e mal conseguia sentir o meu corpo. O lugar inteiro fedia a merda e urina velha, a sala sem divisões e mergulhada na escuridão, ampliava o medo. Eu queria gritar, chorar e morrer. Mas não tinha forças sequer para nenhuma delas.

Alguém havia colocado a minha roupa de volta, sem se preocupar com a profundidade daqueles machucados que nem mesmo eu era capaz de analisar, estava vestido nas calças do uniforme e sentia o algodão da camiseta grudado em minhas feridas, apesar de anestesiado pelo cansaço físico inexplicável, a cada vez que movia o braço, as cascas eram puxadas pelo tecido. Nunca tinha sentido nada igual, nem mesmo parecido.

Tateando pelo bolso, lembrei da carta que ainda não havia sido lida, esquecida lá. O papel dobrado deve ter passado despercebido por Tallahassee, senti vontade de chorar ao sentir o envelope nos dedos e levá-lo até o fragmento de luz por baixo da porta de ferro.

A letra cursiva dela despontou, brilhante, no papel e meu coração se acalmou por um momento. Com as mãos trêmulas, abri o envelope, e ali, chorei como um bebê.


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17 de Setembro de 1995

Querido amigo,

Espero que você não tenha trapaceado e que realmente tenha lido o livro que indiquei. Fizemos promessas de escoteiro, então estou confiando em você. Ainda não sei nada sobre você, até porque todas as minhas cartas estão indo de uma única vez, e eu queria te perguntar tantas coisas, saber sobre o seu dia e a sua rotina, mas vou esperar pacientemente até que possa me respondê-las.

Me diga, você gostou do livro?

Eu me diverti tanto lendo O Castelo Animado e também pensei muito sobre como adoraria viver uma aventura assim um dia. Uma vez, enquanto andava de bicicleta com meu melhor amigo pelos arredores da cidade, conhecemos um soldado que tinha acabado de ser dispensado do serviço militar. Conversamos um pouco enquanto ele cruzava a estrada em busca de carona, e ele me disse algo que jamais esqueci.

Ele me disse que depois de ver tantas situações ruins e começar a desacreditar nas pessoas, percebeu como aqueles que amava eram, de fato, as pessoas certas para estarem ao lado dele. Que a iminência da morte, da dor, da solidão fez com que ele tivesse vontade de engolir a vida, sufocar de tanto viver, tudo de uma vez, ao mesmo tempo. Porque a vida é uma grande aventura, e tempo passa rápido e tudo é frágil e pequeno, e se não aproveitarmos tudo agora, em um desses momentos que antecedem o fim de todas as pequenas coisas, com quem verdadeiramente amamos, aquele último segundo se torna um arrependimento, porque nada, nada mais importa.

Então pensei comigo mesma que a vida pode ser cruel, mas acho que quando pensamos nas pessoas que estão destinadas a nos amar e como elas foram, de forma calculada, colocadas em nossos caminhos ou nas direções desses caminhos, tudo parece fazer mais sentido. Na hora certa.

Eu pensei que teria vergonha de dizer que meu sonho, além de ser uma grande atriz, era viver um grande amor. Mas também é. Você não acha que o amor, por si só, é uma aventura tão desconhecida, empolgante e assustadora como qualquer outra?

Posso soar boba acreditando em romances, mas espero estar preparada para isso um dia! Eu nunca amei ninguém, então quero experimentar isso um dia.

Embora, de alguma forma, saiba que não sou bem o tipo de garota que provoca amor, ainda acredito que existe alguém especial guardado para mim.

Então juntos vamos escolher a nossa casa com vista para o oceano, em Santa Mônica, com janelas bonitas para que a brisa salgada possa passear em nossa sala, e também o nome dos nossos filhos. Eu sempre penso em Bonnie, para uma garota. É um nome bonito e soa sofisticado, não acha?

Acho que todos nós merecemos coisas lindas da vida, que não precisam ser sempre grandiosas, mas que são cheias de amor nos detalhes. Eu desejo tantas coisas boas, bonitas e felizes e desejo elas para você também, caro amigo desconhecido!

Eu te desejo amor, eu te desejo pássaros cantando na sua janela, eu te desejo raios de sol beijando a sua pele, eu te desejo dias felizes, dias bonitos e canções, eu te desejo bebidas geladas no verão, eu te desejo danças lentas ao som de música boa, te desejo beijos roubados (eu sempre penso em como eles devem ser românticos) e vento no seu cabelo, eu te desejo uma vida linda e te desejo tanta, tanta vontade de viver que nenhum dia pareça perdido, e que nesses dias em que você estiver grato por ainda poder olhar o céu pela manhã, você possa lembrar de mim.

Eu ainda não te conheço, caro amigo. Mas eu prometo que me lembrarei para sempre de você!

Com carinho, da sua amiga.

M. Monroe.


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Durante os três dias que passei ali, que para mim, foram uma eternidade. Tudo que tinha era aquela carta. Lia, relia e relia durante todas as horas de luz disponível pela fenda de ferro, deslizando meus ressecados lábios no papel até senti-la no meio dos meus delírios.

Tudo que tinha era o amor de uma menina derramado em palavras feitas de tinta brilhante em um papel colorido. Eu decorei o que ela havia escrito a um desconhecido, os contornos dos seus jotas e o empenho dos seus delicados "as" que pareciam dar as mãos em um vínculo de inocência. Eu senti seu perfume doce no papel, e por 72 horas, ela foi o mais perto de Deus que pude chegar.

E o mais perto do amor que já senti em toda a vida.

Talvez não acreditasse na existência de um ser divino velando por mim, mas se ele existia, sentia que, de alguma forma, tinha enviado aquela menina para mim.

No terceiro dia, a porta se abriu e Tallahassee apareceu.

Trazia um prato de sopa aguado e com um punhado de purê de batata empolado em um prato sujo.

— Achei que estivesse com fome...

Eu poderia comer meus próprios dedos àquela altura.

— Ah, quase esqueci, eu imaginei que estivesse com muita sede, alteza. — Fiz que sim com a cabeça, minha garganta estava tão seca que mal conseguia falar, a claridade excessiva para os meus olhos distantes demais de qualquer lugar, não me deixava vê-lo além de uma assombrosa silhueta que me lembrava a noite passada, ou talvez, uma semana atrás.

Só me dei conta dos dias ao fim do meu pesadelo.

Tallahassee riu antes de abrir as calças e mijar em meu prato de sopa.

— Bom apetite — ele disse.

A escuridão engoliu as quatro paredes outra vez, escondi a carta junto ao coração e me movi o máximo que podia. Puxei o prato para perto e, desesperadamente, engoli a sopa.


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N/A: Olá, quanto tempo!

Gostaria de agradecer a quem tirou um tempinho para ler, votar e comentar no capítulo. Obrigada, de coração. Peço desculpas por qualquer possível errinho.

A tag da história é #GarotoSmiths.

*Alguns dos eventos citados são baseados/inspirados em histórias ou eventos reais retirados da pesquisa e os links, documentários, livros, matérias e filmes estão disponíveis através de uma thread na minha conta do Twitter (etthereal_). A pesquisa-base desse capítulo foi feita através do livro Sleepers, de Lorenzo Carcaterra.  

Como havia mencionado antes, os capítulos que envolvem as fitas são, quase sempre, os mais difíceis de escrever pelo próprio conteúdo dos acontecimentos, principalmente as situações de torturas que são inspiradas em situações reais com internos de reformatórios ao redor do mundo.

Lembrando que o intuito deste capítulo não é romantizar uma crueldade ou desumanizar o próprio personagem, mas trazer uma reflexão sobre o sistema carcerário juvenil ao longo dos anos e o abuso de poder. 

Há anos iniciei as pesquisas sobre os reformatórios nos Estados Unidos e o sistema de encarceramento juvenil norte-americano, onde Badlands é ambientada. Foram meses e meses de construção cuidadosa, pesquisas seguras em artigos científicos, documentários, matérias sobre o funcionamento dessas instituições e também sobre os segredos que a maioria delas esconde.

O Instituto Bartholomew Lorton para Jovens Infratores, em Badlands, é um lugar fictício, porém inspirado em reformatórios reais que funcionaram nos Estados Unidos entre os anos de 1900 e 2011. E queria compartilhar com vocês um pouco sobre a minha pesquisa.

A inspiração para a criação do Reformatório Lorton foi a Escola Arthur G. Dozier para Rapazes e outros reformatórios públicos que se utilizam de punições físicas e psicológicas na tentativa de "ressocialização" dos internos, que se davam muitas vezes por pequenos delitos.

Como faltar às aulas, brigas de rua e o que eles chamavam de "incorrigibilidade", de meninos e rapazes entre 5 a 18 anos. Alguns eram enviados ao reformatório por falta de vagas em orfanatos. E todas estas instituições eram financiadas pelo governo.

Nestes lugares, os alunos eram submetidos a um sistema de créditos e deméritos, muito comum em instituições de caráter correcional. Os créditos eram dados por serviços prestados a instituição, empregos que reduziam a pena como: auxiliar na lavanderia, cozinha e na organização do ambiente.

Já os deméritos, que segundo as regras dessas instituições, só deveriam ser aplicados em casos de descumprimentos de horários e da boa convivência, eram executados como castigos físicos e psicológicos na maioria das vezes (surras, jejuns obrigatórios e outras torturas).

Em 2013, após uma análise de solo por uma empresa ambiental, 55 corpos foram descobertos em possíveis "covas" nos fundos de uma destas instituições, dentre esse número, 27 corpos apresentavam mortes não-naturais. Muitos nunca conseguiram sequer ser identificados.

A função destas instituições era reabilitar estes jovens e transformá-los nos chamados "cidadãos de bem", produtivos e úteis para a comunidade. Mas a maioria dos internos que sobreviveram às torturas impostas nestes lugares, jamais superaram os traumas.

No Twitter (@/etthereal_), disponibilizei os links das matérias lidas, das fontes de pesquisa e dos livros inspirados em fatos reais lidos durante a construção do lugar.

Espero que tenham gostado do capítulo, a gente se encontra em breve.

Com muito amor, Sô.

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