Cold Wine

Gina

Entrei no elevador seguida por Rosa, por eu estar com as mãos ocupadas, ela apertou o botão por mim. Eu a olhei, sou péssima em conversas de elevador.

— Não precisa puxar assunto. — disse ela encarando a porta.

Eu assenti, mas não me senti aliviada, eu queria ser sincera com ela, mas não sabia como. Me virei para ela.

— Rosa.

Ela me olhou. A porta abriu, o elevador chegou ao térreo, eu preciso de uma distração.

— Segura.

Eu entreguei minhas vasilhas à ela, sua expressão era confusa, mas ela o fez. A porta do elevador fechou.

— Você quer... — ela me olhava, o que me deixava nervosa. — Me devolver?

Eu peguei as vasilhas de novo.

— Gina, o que está acontecendo?

— Eu odeio elevadores.

— Você podia ter saído quando ele abriu, agora estamos indo pro... — ela encarou a telinha. — Décimo primeiro andar, ótimo.

Ela enconstou na parede do elevador.

— Você quer me acompanhar? — as palavras saíram da minha boca.

Ela ergueu uma sobrancelha.

— Achei que estivesse zangada comigo.

— Só... — me aproximei dela, senti ela permitir. — Saí comigo.

Ela olhou nos meus olhos, eu senti um choque percorrer o meu corpo.

— Ok, eu vou.

Eu me afastei sorrindo. As minhas inseguranças haviam sumido, eu só queria estar com ela. O elevador já estava descendo, eu nem havia percebido, estava ocupada demais encarando Rosa.

— Para onde vamos? — perguntou ela saindo do elevador.

Eu a segui indo para o meu carro, ela sentou-se no banco de passageiro.

— E a sua moto?

— Amy me trouxe — disse ela irritada. — Eu tive que ouvir as fitas do Jake.

Eu ri.

— Elas são alguma coisa.

— Elas são péssimas, eu queria me jogar do carro.

Nós rimos, nossos olhares se encontraram, meus olhos revezavam entre os seus e a sua boca. Engoli a seco olhando para frente.

— Podemos comer a comida do Charles, só não sei o lugar.

— No parque?

Estremeci, o Central Park podia ser muito romântico, aquilo era um encontro? Não, não era, nós só saímos da casa do nosso amigo para comer a comida dele no parque. MINHA BEYONCÉ, É UM ENCONTRO.

— Como ia embora? — perguntei encarando a pista.

— Tenho um contato de um uber que não conversa.

— Você quer que eu fique quieta Rosa Diaz?

— Não Gina Linetti.

Eu sorri. Rosa ligou o meu rádio, algum especialista em culinária ranqueava os restaurantes de NY.

— A comida mais sensual que existe.

Encarei Rosa.

— Boyle. — dissemos em uníssono.

Rosa começou a gravar áudio zuando Charles, eu ria no fundo.

— O que shampoo tem a ver com culinária Boyle?

Ela tocou a resposta dele.

"Lavar o cabelo de alguém é a experiência mais íntima que se tem, além de..."

Rosa desligou o celular.

— Chega de Charles por hoje.

Eu ri. Estacionei em frente ao Central Park, fechado.

— Droga, esqueci que fecha à noite.

— Aonde iremos?

— Alguma praça?

— Vamos parecer duas bêbadas comendo comida de potes no meio da noite.

Eu dei de ombros.

— Vamos para vaGina.

— Invadir a sua companhia?

— Eu tenho a chave Rosa. Aliás, é aqui perto, fiz questão de comprar em alguma área valorizada.

Dirigi até lá em um silêncio confortável. Estacionei na vaga de Diretora e adentrei a minha empresa. Rosa me seguiu, reativei o sistema de segurança e encarei o lugar. Eu realmente sinto falta de trabalhar aqui.

— Vamos para a minha sala.

Ela assentiu me seguindo. Liguei as luzes, revelando o meu magnífico escritório, o meu lustre brilhava, mas eu brilhava mais. Rosa encarou a minha parede.

— Você tem uma vagina na parede.

— E um clitóris.

— Maneiro.

Gesticulei para que ela sentasse em meu sofá, assim o fez. Peguei talheres e sentei-me próxima à ela.

— Você sente saudades daqui?

Assenti.

— Esse lugar é tudo pra mim, falar de saúde feminina, xingar os homens na internet e ter uma vagina com um clitóris na minha parede é a realização de um sonho.

Rosa riu.

— Logo você volta.

Eu assenti, não tinha tanta certeza, o caso mal estava resolvido. Não sei se em dois meses tudo voltaria ao normal. Ela vasculhava o meu frigobar, Rosa sentou-se ao meu lado com uma garrafa de vinho.

— Vinho é melhor em temperatura ambiente.

— Bixa, continua sendo álcool.

Ela riu e me serviu.

— Hm, não. — ela deixou o copo na minha mesa.

— Virou o Charles? Rosa, é só temperatura, continua sendo vinho.

— Tem uma diferença Gina.

Ela revirou os olhos.

— Vamos comprar outro!

— Está tarde — ela reparou na minha chateação. — Eu posso ficar sem vinho.

— Certeza, gata?

Péssima hora para usar meus apelidos nos outros. Rosa levemente corou, porém assentiu. Ela voltou a beber seu vinho, provavelmente já estava quente.

— Rosa?

Ela me olhou tirando o copo da boca. Eu me aproximei e segurei seu rosto, ela é tão linda. Vi suas bochechas corarem. Eu encarei seus lábios.

— G_ Gina? — ela gaguejou relutante.

Eu encostei nossos lábios, senti o meu corpo aquecer, aquilo realmente estava acontecendo. Rosa apoiou seus braços nas minhas costas, enquanto eu ainda segurava seu rosto. Ela me puxou para mais perto, senti o cheiro de seus cabelos e por um instante concordei com Boyle sobre o shampoo.


Lady Ambrose entrou na minha mente, as mentiras contadas na impressa sobre mim e minha filha. A ameaça de expor a minha sexualidade, o que eu não ligaria, se não fosse pelos meus vídeos com outras mulheres que ela de alguma forma possuía. Rosa não me merece, estou claramente perturbada, estraguei a sua moto e provavelmente arrunarei a sua vida.

Me afastei, precisa retomar o fôlego, Rosa me encarava com um sorriso sem dentes. Eu não posso machucá-la.

— Gina...

— Me desculpa, foi o vinho. Gelado não é a temperatura dele.

Ela me olhou, estava decepcionada, apenas assentiu.

— Está tarde, tenho que ir. — ela me olhou pela janela e partiu.

É melhor assim.




Autora: NÃO ME AGRIDAM.

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