Capítulo 9 - A visita
O relógio despertador marcou cinco horas da manhã quando começou a soar na imensidão escura do meu quarto, minhas mãos foram de encontro ao aparelho para desligar o bip irritante e lutar por mais alguns segundos debaixo dos cobertores. Minha mão tateou o criado mudo ate achar o relógio e desliga-lo, satisfeito me viro e me encolho na ama quente enquanto o alarme do meu celular começava a soar na cozinha.
Eu sempre andava cansado ultimamente e nas raras vezes em que eu dormia em casa e que não estava com dores nas costas eu gostava de dormir, mas hoje não seria permitido. Eu havia decidido fazer uma visita e como parte da estratégia para garantir que eu iria acordar e fazer o que eu deveria fazer deixei meu celular carregando na cozinha. Não demorou muito o alarme do celular começa a disparar em volume máximo. Solto um longo suspiro e olho para o teto do quarto.
Espreguiço-me na cama e coço os meus olhos, meu corpo ainda estava casado e minhas pálpebras estavam pesadas, eu queria dormir, mas o bip não deixaria apesar do meu corpo não querer nem ao menos se levantar do meu aconchego. Estiquei meu braços e decidi que era hora de levantar, meus pés tocaram o chão frio e logo procuraram pelo par de chinelas que deveriam estar por ali em algum lugar. Sigo para o interruptor e acendo a lâmpada do quarto.
A luz machucou meus olhos e olhei para o meu corpo refletido no espelho, eu estava apenas de cueca branca boxer, havia algumas olheiras em meu rosto e eu estava com uma aparência cansada. Segui para o banheiro, olhei pra minha face e peguei a pasta de dente e a escova e iniciei minha higiene bucal matinal. Logo em seguida tomei um banho e procurei uma roupa quente para vestir.
O céu estava nublado e a brisa fria me incomodava quando finalmente atravessei a porta da minha casa e me vi na rua, era uma manhã de domingo, não demorou para que eu chegasse ao cemitério onde "ele" fora enterrado, eu não vinha aqui desde o dia em que ele fora sepultado.
Eu estava abaixo de uma enorme árvore, a sombra da copa da mesma me protegia dos raios solares. Eu não estava tão próximo ao sepultamento, todos estavam vestidos de preto e carregavam guarda-chuvas negros para se protegerem do sol. Marcus era o que estava mais abalado com toda a situação, ele chorava e não se distanciava do caixão onde de longe podia-se apenas ver parte de sua face saindo da caixa que iria acomoda-lo. Ele era o mais afetado de todos ali.
Eu não poderia me aproximar da família, nos não nos dávamos bem, mas nem sempre foi assim. Na verdade nem sempre fomos "inimigos". Houve um tempo em que éramos bem mais próximos. Uma época antes de Lucy, antes de eu ama-la. Era esquisito voltar ao passado, justamente em um momento como aquele. Esbocei um leve sorriso. De certa forma eu gostava dele. Havíamos estudado praticamente a vida quase inteira, mas depois que entramos no sexto ano, as coisas mudaram.
Os amigos mudaram e tinha Lucy, eu cuidava dela da maneira que eu podia e naquela época ela era mais importante. Na verdade sempre foi, principalmente quando ela perdeu a mãe. Foi uma época tenebrosa e não gosto de lembrar do que aconteceu naquela época. Mas eu odiava enterros, imaginava como seria se fosse o contrario. Se fosse Lucy e não Lucas. Como tudo estaria, como as coisas seguiriam? O ambiente era mórbido e melancólico, as lembranças se desfaziam em minha mente enquanto eu caminhava pelos túmulos ate chegar ao de Lucas Eithan Amell o jazigo trazia as seguintes inscrições:
"Aqui jaz Lucas Eithan Amell filho amado, namorado, irmão e amigo incomparável."
Em baixo havia uma frase:
"Enquanto o meu coração pulsar eu estarei com você..."
Algo que ninguém poderia contestar seria aquela frase. Fiquei em pé, olhando a lapide enquanto uma idéia absurda me veio à mente, por mais que fosse eu a tentaria de qualquer forma, não custaria nada tentar.
– Salve-a mais uma vez – sussurrei em meio à neve que caia tranquilamente do céu cinza. – Ela não vai acordar sem você lá, e se ela não acordar tudo será em vão. Salve-a mais uma vez.
Uma brisa invadiu o cemitério e com ela veio uma pequena folha amarelada que dançou suavemente no ar ate pousar silenciosamente na neve e ao pegá-la foi que absorvei que a frase que eu lera estava incompleta. Retirei a neve e parei por alguns instantes e li novamente a frase novamente agora completa:
"Enquanto o meu coração pulsar eu estarei com você. E com as flores morrem com a chegada do outono, elas renascem com a chegada da primavera."
Eu me lembrei de... Ouve um silencio ate em meu peito e olhei para o céu turvo novamente. Eles eram mais parecidos do que eu pensava.
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