AUTO PIEDADE I & II

[Esse capítulo possui 2 poemas, não possuem continuidade, compartilham apenas o mesmo contexto]

AUTO PIEDADE I

Eu cai,
Eu errei,
Eu chorei,
Quando parecia que não se repetiria;

Eu me perdi,
Dentro de mim,
Onde parecia mais difícil de me salvar,
Ao perder, perdi meu norte e suporte;

Pensei em me matar,
Me matei em vida,
Me perdoar era a coisa mais improvável,
Como aceitar que falhei miseravelmente?

Eu tinha metas e sonhos,
Não descansaria até concluí-las,
Tornar-me alguém e conquistar coisas,
Tentei me fazer feliz, sufocando meu corpo,
Quebrando cada osso, cada dia, cada poema;

Eu me condenei,
Jamais poderia me abraçar,
Eu tive vergonha de ser eu,
Me lancei no mar da indiferença,
Afundei e parecia não me importar,
Me tornei passageiro da minha vida;

Me esqueci de mim,
Só que ainda ardia lá uma chama,
Uma vontade de sobreviver,
De queimar as correntes das âncoras a me afundar,
Foda-se o que eu fosse me tornar,
Eu não poderia me abandonar,
Iria me erguer conforme precisasse;

Entendi minhas limitações,
Tive trégua com todas as frustrações,
Elas ainda me visitam pelas brechas do coração,
Quando se esvaem, faço poesia,
Fiz as pazes comigo, me abracei,
Chorei quando senti de volta minha sensação;

Comprei uma agenda, anotei tudo,
O que eu queria, deveria e faria,
Que ironia para um poeta como eu,
Não perceber que o papel me nortearia,
Fiz dessas folhas mapas para meu âmago;

AUTO PIEDADE,
por mim, fui meu pior inimigo,
Quando me abandonei, quando me quebrei,
Agora me ergo, as vezes pereço,
Mas me perdoei, me entendi, me amei de novo,
Não apago meus versos e nem meu passado,
Tudo me fortalece, sobreviver é minha religião;

(Data: 10 de Janeiro de 2020)

///

AUTO PIEDADE II

A pressão em cima de você não calcula
O quão fraco você é mas o quão forte pode ser;
Nunca temos problemas que não podemos lidar,
Nem que demorem anos para conseguir superar,
Não sabemos o quão fortes somos até precisar;

Podem tentar quebrar os meus ossos,
Tentar quebrar as paredes em que me sinto seguro,
Me tirar cada pedaço que me sinto confortável,
Mas posso provar que é difícil quebrar meu coração,
este foi forjado do maus gentil e teimoso uru;

Quem vai rezar pela minha alma?
Quando eu descer ao inferno batalhar,
Contra meu demônio particular,
Quem vai chorar pela minha alma?
Quando notar que ele vive em mim;

Carrego uma linha hereditária de vícios,
Negligência, fraqueza de espirito e generosidade,
Choro em saber que me verei em meus filhos,
E eles terão um pai, se nossa senhora aparecida
permitir, Aos pedaços, costurado de batalhas;

Fraquejo, as vezes penso em não mais existir,
Me agarrando a mim, desisto e volto atrás,
Tenho auto piedade da minha alma sim,
Não me vitimizo, abraço quem mais machuco,
Um abraço meu para todos os meus eus;

"Tire meus sapatos e jogue no lago"¹ não vou
mais esperar estar a dois passos, vou buscar,
Quando toda cor e vida abandonar, o que sobrar,
Eu deverei fazer florescer e meu conforto,
Ser receptivo a mudanças e variações,
Mesmo que meus pés sejam tão fincados ao chão;

(Data: 16 de Fevereiro de 2020)

¹Kate Bush - Hounds Of Love (1985)

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top