Capítulo 2
Depois de passar o resto do dia flutuando com diversos planos para conseguir ir na festa de aniversário da Tata. Lá estava eu em um lugar que claramente eu não queria estar. Porém Karen havia me chantageado. Era seu aniversário, como amiga e colega de quarto, faltar seria um crime dentro de sua cabeça.
A torre de chopp estava no meio da mesa para o pequeno grupo se servir. Todos falavam muito alto, enquanto eu só sorria e bebia devagar minha caneca.
— Sabe o que eu queria de aniversário? — Karen disse alto com a voz, todos viramos para ela — Um solo, só unzinho— lamentou minha amiga.
Segurei o riso, ela estava bêbada e como sempre melancólica. Karen estava apenas externando o que todos queriam, infelizmente só três pessoas terão solos.
—Por que você está sempre chorando Ka? — escutei uma voz masculina falar atrás de mim.
Virei-me em direção encontrando um homem alto com uma blusa azul clara. Seus cabelos estavam na máquina 1 e o sorriso branco iluminava o ambiente. Quando Karen colocou os olhos nele jogou-se em um abraço que tirou os pés do chão.
Cruzei um olhar confuso para Fernanda que disse apenas com os lábios "Joca". O que me deixou mais confusa ainda. Quem era Joca? Comecei a vasculhar na minha mente, de onde eu havia escutado esse nome.
— Nunca te apresentei minha colega de quarto. — Karen veio em minha direção, fazendo com que eu me levantasse sem graça. — Joca essa é a Amanda, Amanda esse é o Joaquim que eu conheci na escola.
Foi então que o tudo ficou claro na minha cabeça. Karen sempre morou aqui por conta da escola de balé, então o tal Joca era seu amigo da escola. Deve ter sido um amigo importante, ou teve alguma história muito boa, então um clarão de resposta veio em minha mente.
— Esse é o Joaquim, Joaquim... — tentei jogar um olhar discreto, mas Karen com a quantidade de álcool que possuía em seu corpo, não entendeu. Joaquim por outro lado sim, me interrompendo:
— O ex-namorado, prazer
Cumprimentei com um sorriso sem graça que os fez rir.
— Ela é uma graça, não é? — Karen deu um leve empurrão no braço
— Com certeza — ele respondeu com um duplo sentido fazendo com que Karen lhe desse um tapa na cabeça.
— Respeita a moça que ela é noiva. — Ela falou e as feições brincalhonas de Joaquim foram se desfazendo até torna-se uma cara confusa.
O olhar dele caiu para a minha mão direita, lugar que deveria estar o anel. Mas na verdade ele estava no meu quarto em uma caixa na segunda gaveta da cômoda. Sei que seu olhar não teve nenhum tipo de julgamento, mesmo assim me senti culpada.
— Amanda tem medo de perder o anel, então deixa ele guardado. — Karen respondeu a cara de pergunta do Joaquim.
— Entendi. — Ele disse então viu Fernanda atrás de mim e foi em sua direção conversar com ela. Ao que parece eles também eram amigos.
O resto da noite permaneci apenas ouvindo as conversas e respondendo perguntas de uma maneira mais direta possível. Tinha certeza que Joaquim não fez aquilo de propósito. O problema era a culpa que eu sentia.
Lá para às 23 horas senti meu celular vibrar. Era Pedro.
"Estou com saudades, volta logo"
"Já chegou em casa?"
"Ainda não" respondi.
Peguei o copo de cerveja de Fernanda e virei inteiro, fazendo uma careta ao terminar. Eu odiava cerveja.
— O que é isso noivinha? — Brincou Joaquim
— Coragem. — Respondi
Joaquim sentou-se na cadeira ao meu lado tirando do bolso do casaco um Brownie.
— Eu fiz, está muito bom. Vai te dar coragem. — Ele disse sorrido
Peguei o Brownie com desconfiança. Mas ao mesmo tempo ele era amigo da Karen, não deveria querer me fazer mal. Karen estava longe quando trocamos olhares até que ela viu o que estava em minha mão e veio em passos rápidos, tomando o doce da minha mão.
— Nada de Brownie para ela — Karen ordenada como se estivesse falando com uma criança
— Ela disse que estava precisando de coragem. — Joaquim respondeu na defensiva.
— Ela disse coragem e não drogas — Karen rebateu
Meus olhos praticamente saltaram. Aquilo era brownie de maconha? Minha mãe ia me matar se soubesse que estava até aquela hora em um bar, ainda por cima usando drogas. O que eu estava fazendo com a minha vida? Exatamente. O que eu vou fazer com a minha vida? Essa era a minha vida atual, e basicamente minha vida nos dois anos que se antecederam. Porém daqui à pouco menos de quatro meses, não seria mais. Eu iria voltar para minha cidade, me casar e não sei mais o que fazer. Cuidar da casa? Era isso. Exatamente isso que eu queria e eu tinha que sustentar.
Naquele momento eu senti que precisava mais do que nunca ir para essa festa. Para que eu me lembrasse de casa, lembrasse do meu amor e da vida que eu a havia escolhido ter.
Levantei-me pegando meu celular para chamar um Uber deixando Karen e Joaquim ali. Enquanto caminhava escutei minha amiga me gritar fazendo com que eu parasse.
— Me desculpa — Ela disse
— Não estou brava — respondi sinceramente
E realmente não estava. Por mais que eu achasse que seria muito melhor ter tido o conhecimento que eu iria ingerir drogas, não achei que Joaquim fez aquilo com segundas intenções.
— Vai embora?
— Estou cansada, além do mais amanhã temos aula.
Avistei o Uber se aproximando e assim que entrei nele, comecei a buscar passagens. Eu iria para a festa da Talita e nada me impediria.
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