Capítulo 45

Há certos acontecimentos em nossas vidas, que por mais ruins que sejam, não poderemos evitar. Mesmo que seja uma simples noticia que não lembre, se você fosse surdo, a vida ainda daria um jeito de você sabê-la. É assim que as coisas funcionam, então, se é para seguir essa rotina sempre, encare tudo sem medo e mesmo que esteja assustado, enfrente da mesma forma. Corajosos também tem seus dias de covardia, mas nunca desistem de lutar. Por esse motivo, estou prestes a saber algo que mudará toda a minha vida.

— Estou pronto... — Falei nervoso, mesmo que não fosse a verdade — Pode dizer o resultado!

— Veja, essas são as imagens que obtemos do seu cérebro — Dr Markson falou sério me entregando os exames — As proteínas tau, são proteínas que estabilizam os microtúbulos. Elas são abundantes nos neurônios do sistema nervoso central e menos comuns em outros locais. Quando as proteínas tau possuem defeitos, não estabilizando bem os microtúbulos, pode levar ao aparecimento de estados de demência, como a doença de Alzheimer. 

— Então, eu tenho Alzheimer? — Perguntando encarando os exames, assustado com o que eu estava vendo, eu nunca havia visto meu crânio e aquilo era estranho — O que são essas manchas entre os ossos do crânio?

— Isso é o que me incomoda. Você não poderia ter essa doença tão novo, mesmo sofrendo um acidente quando era criança, a perca de memoria deveria ter melhorado com os anos. Pois acredito que depois do acidente, você deve ter feito algum tratamento... — O Doutor explicou pensativo — Mas aparentemente, mesmo que não tenhamos achado o médico que lhe avaliou anos atrás, descobri que há algumas verdades nas anotações dele. Como por exemplo, formação de placas amiloides no seu cérebro. Só que há algo diferente nelas...

— Diferente como? — Perguntei impaciente — Me diga! Pare de enrolação, diga logo o que você sabe!

— Não é que eu esteja enrolando como você diz... Eu só não tenho a informação ainda — Markson suspirou chateado com minha reação — A amiloide parece ter outra substância junto a ela, por isso ocasionou sua perca de memoria quando criança ainda e nunca melhorou.

— E agora, eu tenho isso desde que nasci? — Perguntei chateado por antes ninguém acreditar em mim — Acredite em mim Doutor, minha doença se chama Síndrome de Dory, o médico que me examinou pode ter sumido, mas ele fez exames iguais o que você fez, ele entendia do assunto.

— Eu sei, mas isso é algo fora do comum, uma criança nascer assim e nunca melhorar. Se é o caso, então por que você está lembrando só agora de certas coisas do passado?— Markson perguntou confuso — Desde que assumi seu caso, tenho estudado e pesquisado para entender o que está acontecendo contigo, mas não obtive sucesso. Não é possível alguém passar por todos os sintomas de um paciente com Alzheimer e ainda está vivo... Seu caso é raro e só há mais uma pessoa no mundo assim.

— Acredito que essa pessoa esteja em uma sala secreta lá em cima — Falei com um sorriso ameaçador — Esse hospital esconde certos pacientes com doenças peculiares, não é? Vocês querem me manter aqui e fazer pesquisas iguais fazem com eles?

— Primeiro, você não deveria saber sobre isso... Segundo, eu não diria esconder, só não precisamos revelar ao mundo inteiro, que temos pacientes com doenças que mal sabemos o que são... E como tratá-las — Markson suspirou cansado, acho que eu tinha acertado o ponto fraco dele — Se você um dia, tivesse oportunidade de ser médico, saberia como nossa profissão é complicada e pesada... Sobre nossos ombros há pessoas com esperança de obter cura, outras que não querem morrer, outras que mal podem esperar para saber que doença tem, algumas desacordas cujos familiares nos pressionam todo segundo, para resolvermos logo a situação... E tantos outras situações que talvez você nem imagine.

— Eu nunca vou ter oportunidade de ser médico, sabe por que? Por que não há tanto tempo. Porém compreendo o que está sentindo. Se não for pedir de mais, eu gostaria de saber qual a outra pessoa que é como eu... — Pedi sem jeito, na esperança que no rumo daquela conversa, Markson confiasse em mim para me contar sobre o paciente — Sei que talvez seja contra as regras me informar isso, mas eu preciso saber, sinto que talvez eu o conheça...

— Como é possível você saber? — Markson perguntou curioso — Se bem que, agora que você perguntou, seu rosto me lembra o dele...

— O nome dele é Ricardo? É ele? Por favor, se for, posso vê-lo? — Me levantei eufórico, só poderia ser ele, o neto de Dona Tereza — Sei que é estranho, mas talvez eu o conheça, se for ele, preciso-lo vê-lo urgentemente!

— Creio que não seja possível... — Markson suspirou novamente, desanimado — Como eu disse, há aqui pacientes desacordados, e sim, é Ricardo, um dos casos de perca de memoria que também está em coma, já faz 1 ano...

— Ele não lembra como acordar? Nem uma só vez durante o dia ou a semana, ele não acordou uma só vez? — Perguntei me sentando, triste pela informação — Eu queria tanto falar com ele...

— Talvez você possa, mas ele não irá respondê-lo. Ricardo sofreu um acidente ano passado, só então, ele descobriu que tinha algo no cérebro, a mesma formação de amiloide que era pequena no inicio, mas se espalhou por todo o cérebro. Depois do acidente, os sintomas apareceram rápidos de mais e logo, ele não lembrava nem como respirar — Explicou Markson massageando a testa — Não sabemos se é aconselhável fazer uma cirurgia enquanto ele está desacordado, por enquanto, ele ainda pode viver, mas se mexermos em qualquer ponto errado do seu cérebro, perderemos ele completamente. Não sabemos como ele reagiria...

— E se fizesse ela em mim? O processo teria que ser feito comigo desacordado também, mas eu saberia como reagir, sempre tenho acordado depois dos meus desmaios — Expliquei animado, talvez eu pudesse me salvar e ainda ajudar o Ricardo — Vocês precisam tirar um pouco da substancia em nossos cérebros para analisa-las não é?

— Seria loucura fazer isso, também não temos como ter certeza que você acordaria depois... — Markson falou sério — Eu precisaria de um paciente que mesmo correndo o risco de morte, a família não venha me processar e causar ameaça a mim, ao hospital e ate minha própria família... Como eu disse, mexer no amiloide beta, pode ser arriscado, seja você ou o Ricardo, assim como nele, a amiloide pode se espalhar mais do que já fez e causar algo em seu cérebro também.

— Eu não tenho medo de morrer, se for para ajudar outras pessoas no futuro — Falei orgulhoso de mim mesmo — Eu nunca havia entendido o sentido de estar vivo, mesmo com uma doença que me faz esquecer as coisas básicas para se manter com vida... Talvez eu tenha lutado esses 20 anos e estou vivo até agora, por que eu seria o único que poderia passar por isso.

— E se você morrer?! — Markson perguntou irritado — Eu não posso ir tão longe assim, nem sei por que conversamos sobre isso. Estudarei e tentarei achar uma cura sem isso...

— Eu não ligo, já disse! Como posso ignorar o fato que com minha ajuda, você pode achar a cura para essa doença? Se é minha família que lhe preocupa, meu pai nunca ligou para mim e duvido que minha mãe biológica que me abandonou no passado ou até mesmo essa mãe falsa que me criou e está prestes a ir embora também, estejam se importando com minha vida! — Gritei furioso batendo na mesa — Eu quero fazer a cirurgia, se não for me ajudar, encontrarei quem ajude!

Sai da sala e bati a porta antes que Markson falasse algo ou me impedisse. Por sorte ele não me seguiu. Eu estava muito irritado, quando enfim acho um jeito de realizar meu sonho, o único que estava disposto a ajudar, desiste. E nem se quer descobri quanto tempo de vida eu tinha. Eu estava tentado a voltar para a sala do Doutor, mas uma pessoa me esperava no meu quarto e não poderia ser em melhor momento... Era hora de resolver algumas pendencias com ela. 

E que comece o climax da história hehe até o próximo capítulo!

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