Capítulo 18
Se vocês acham que passar um tempo com idosos é chato. Significa que você está fazendo tudo errado na sua vida. Não há nada chato em ficar com um idoso, eles contam histórias emocionantes e maravilhosas. O problema é que estamos muito acostumados com a modernidade e tudo do passado nos parece muito desinteressante. Mas acredite, há muito o que aprender com alguém mais velho que você.
— E foi assim que eu conseguir tricotar 50 cachecóis em um dia! — Teresa falou toda orgulhosa chegando ao fim de mais uma das suas histórias, enquanto caminhávamos pela calçada até chegar na padaria — Desculpa querido, deve está cansado de tanto me ouvir falar...
— Não, que nada. Eu amo ouvir histórias assim! É bom ter alguém para conversar! — Falei animado, por que realmente era verdade, por eu passar muito tempo sem sair de casa, cada história que Senhora Teresa contava, era simplesmente empolgante — Perdão eu só ficar em silêncio, eu não sou muito bom com as palavras...
— Você sempre foi assim querido, por que está pedindo desculpas? — Teresa falou sorrindo. Mal sabia ela que eu ser daquele jeito, era pura coincidência, afinal eu não era o Ricardo Neto dela de verdade — Você me lembra um amigo seu que te visitava, ele era calado igual você também.
— Amigo? Como assim igual a eu? — Perguntei curioso, será que ela estava falando de mim? Mas eu não lembro de ter visitados essas pessoas alguma vez na vida... — A senhora lembra o nome dele?
— Não querido, infelizmente minha memória não é das melhores e com o Alzheimer ela ficou bem pior... — Tetê falou desanimada — Mas você pode perguntar a Marry, talvez ela lembre.
Era estranho. Para eu me parecer com Ricardo, talvez eu realmente tenha vindo nessa casa e visto essa senhora. Acredito que Marry possa me esclarecer isso mais tarde. Ou talvez não, ela não parece que vá me ajudar com alguma coisa depois da nossa conversinha.
— Chegamos querido! Pode escolher qualquer rosquinha — Senhora Teresa falou indo até o caixa para falar com o dono da padaria — Vou pedir uns pãesinhos para levar pro lanchinho da tarde.
Eu nunca havia comido rosquinhas... Será que seria muito errado pedir uma de cada? Eu nem sou da família de verdade, mas minha mãe nunca deixaria eu comer tanto doce em uma só manhã. Nossa, que complicado, não dá para escolher... Eu quero provar todos os sabores!
— O que houve garoto? — O padeiro perguntou indo até onde eu estava encarando o vidro onde estava as rosquinhas — Não parecem gostosas?
— Pelo contrário! Não é isso... Elas parecem ótimas! — Falei nervoso, envergonhado pelo o que eu ia falar em seguida. — É que... Eu não sei qual escolher, queria provar todas.
O padeiro começou a rir e Teresa também, quando percebeu que eu estava com vergonha disso. Para eles parecia algo comum, afinal eu era neto dela, se eu pedisse o mundo, ela daria um jeito de me dar. Mas a realidade é que eu era um estranho, gastar dinheiro comigo, sendo que ela já estava me dando moradia, roupa e tudo mais, parecia errado querer 12 rosquinhas.
— Pode separar 2 caixas com 12 rosquinhas, uma pra ele e uma pra levar por favor — Dona Tetê pediu e o padeiro seguiu as ordens — Vamos sentar naquela mesa ali fora, rosquinha é bom comer saindo do forno!
— Eu gosto de comer com leite fresco, pena que por aqui não tem... — Falei triste, mas louco para empurrar a rosquinha de chocolate com granulado na boca — Ah, que delícia! Chocolate é uma perfeição!
— Acho que em algum lugar aqui perto serve chocolate quente — Dona Teresa tentou lembrar mas seria impossível, o Alzheimer não permitiria — Oh Zé, não tinha um lugar aqui perto que vendia chocolate quente?
— Tem sim — O padeiro falou passando alguns pães para outro cliente — É aqui do lado, quer que eu peça?
— Se não for incômodo, meu filho — Dona Teresa falou com um sorriso suave no rosto — Não é leite, mas chocolate quente deve ser melhor não é?
Acenei com a cabeça afirmando que sim e coloquei um grande sorriso cheio de povilho e geleia no rosto. Aquele era o melhor dia da minha vida, embora eu corresse o risco de ter uma diabete antes dos 30, se eu tivesse mais do que eu poderia, comeria rosquinha todo dia naquele lugar, a partir de hoje.
O chocolate quente estava ótimo, tentei não comer rápido para apreciar o sabor daquela preciosidade, Dona Teresa só ria das minhas reações a cada mordida. Alguns minutos depois já não tinha mais nenhuma rosquinha, bebi o restante do chocolate quente e fomos embora. Passamos em algumas lojas para recordar, segundo Tetê, os lugares que eu andava quando vinha visitar ela.
Acabamos entrando em uma loja de material de costura, onde Tetê pegou alguns rolos de lã, para fazer uma blusa pra mim. Eu não era muito fã desse tipo de roupa, mas presente era presente e vindo de uma idoso, é um tesouro que deve ser usado e bem elogiado. Para nossa infelicidade, o passeio estava chegando ao fim, já era quase 12 e o almoço feito por Marry já deveria estar pronto, resolvemos voltar pra casa e ao chegar, Tetê preferiu dormir um pouco antes de comer.
— Se divertiram? — Marry perguntou vindo da cozinha e sentando no sofá da sala — Parece que foi meio cansativo.
— Talvez tenhamos andado de mais — Falei sem jeito, percebendo a preocupação de Marry por Tetê preferir dormir antes de comer — Perdão... Ela quis me levar para comer rosquinhas, na padaria há 2 esquinas daqui.
— Não se preocupe, só comentei mesmo, mas dá próxima vez será melhor ir de carro. — Marry falou se levantando e indo até a estante onde havia alguns porta retratos — Ela é esforçada, dedicada e bem firme, mas não deixa de ser idosa.
— Eu compreendo... Sinto muito — Falei coçando a cabeça. Acho que realmente fomos bem longe, eu devia ter recusado ou levado ela a um lugar mais perto... — Na próxima, tomarei mais cuidado em relação a distância.
— Tem um parque aqui perto, pode ser melhor que ficar indo as lojas da cidade — Ela falou sem me encarar, ainda observando os portas retratos, pensativa sobre algo — Ir até essas lojas, vai trazer lembranças a ela e isso não é saudável...
— Por que não? — Perguntei curioso — Tem algo que ela não deve lembrar?
— Tem muita coisa... — Marry falou encarando tempo de mais uma foto em suas mãos — Mas inclusive... A antiga rotina dela.
— E qual seria essa antiga rotina? — Perguntei tentando descobrir um pouco mais sobre aquela senhora e sua família mistériosa — Isso tem a ver com o fato do Neto dela não vir mais visita-la?
— Olha, acho que falei além da conta, isso não é assunto para ser discutido com você — Marry falou guardando a foto e me encarando com um sorriso irônico no rosto — Você é só um estranho qualquer, não de intrometa certo?
— Mas... — Tentei falar, porém ele me ignorou e saiu em direção a cozinha, eu a segui indignado com sua reação — Você que pediu para eu sair com ela! Por que não posso saber nada sobre a Teresa?
— Pensando bem... — Marry falou de costas para mim na pia ignorando minha pergunta — Pode ir embora, Obrigada por hoje, mas é melhor você ir.
Era essa minha oportunidade. Minha chance de me livrar daquela senhora e seguir meu plano. Mas por algum motivo eu não conseguia ir, eu queria descobrir sobre a família de Teresa e por algum motivo, passar mais tempo com ela. Marry estava me expulsando, mas o que eu tinha feito de errado? Por que eu não poderia saber um pouco mais sobre Teresa? Aquele mistério todo estava me deixando cada vez mais curioso e eu só iria embora se eu descobrisse algo.
Eu só não digo que Richard não tem um pingo de juízo, por que eu sei que tem kkkk mas é muita loucura enfrentar a doida da Marry.
Enfim, espero que tenham gostado de mais um capítulo. Votem, comentem e até o próximo.
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