III

Maria

Albert estava nos meus pensamentos antes mesmo de eu levantar da cama. Só pensava em sua mão na minha cintura e seus olhos nos meus enquanto dançamos, foi épico. Eu devo ter corado na hora com certeza.

Soltei todos os panos que estavam enrolados em meu cabelo, coisas que as mulheres fazem quando querem o cabelo bem enroladinho, e prendi apenas a parte de cima.

Hoje usei um vestido verde-água de cetim com mangas longas. Estava fazendo frio e sem sinal nenhum de sol, eu amava o dia meio nublado então saí para caminhar.

Estava admirando a vista, as flores, grama e essas coisas fúteis quando resolvo olhar para frente e o vejo. Albert. De repente tudo para. É como se eu me perdesse totalmente, tudo que se passava pela minha mente era a quanto tempo ele estava ali me observando? Ele me viu brincar com a borboleta feito uma criança ? Eu estava atraente o suficiente?

Isso e uma serie de outras coisas que não tem importância nenhuma mas que a gente se preocupa quando está... apaixonada?Eu estava? Talvez no momento sim mas eu não sabia se duraria ou daria em alguma coisa devido a situação em que me encontrava então decidi apenas deixar a vida me levar,pelo menos uma vez.

Albert sorriu para mim e pegou na minha mão direita beijando-a. Tudo parecia tão certo. O jeito que eu reagia ao toque de sua mão na minha, a sensação dos seus lábios molhados sobre a minha pele. O jeito que ele me olhava.

Era tudo. Era como se Albert tivesse ciente de tudo que eu gosto e quero em um homem.

Eu não sabia que você tinha um cachorro.— Falei a primeira coisa que pensei para me tirar daquela tensão na troca de olhares,que era maravilhosa, de verdade,mas eu me sentia quase da cor de um tomate de tanta vergonha.

— Você não sabe muitas coisas sobre mim.— Retrucou ele em um tom desafiador.

— Gostaria de saber.— Respondi tentando soar sexy e falhei miseravelmente. Eu realmente não sabia flertar.

— Qual é o nome dele?— disparei logo em seguida na tentativa de fazer ele esquecer aquelas últimas palavras e me abaixo para acariciar o pelo do cachorro.

— Stainly. — Dei um breve sorriso. Alemães e seus nomes estranhos.

Me levantei e passei a mão pelo meu vestido limpando-o da grama, olhei para Albert e fiz uma breve reverência torcendo para ele não perceber que estava tremendo. Aquele homem mexia comigo.

— Foi adorável te ver Albert, mas tenho que continuar minha caminhada caso queira chegar a tempo da missa.

— Nos vemos lá então.— Albert disse com um leve sorriso e eu o observei passar do meu lado antes de tomar a coragem para continuar andando.

Fiz a volta no riacho em frente ao castelo e acabei chegando mais tarde do que imaginava então não tive tempo de comer antes de ir a missa. Andei pelos corredores tão apressada que podia ouvir o eco dos meus sapatos no piso de mármore. Abri a porta silenciosamente todos estavam ajoelhados com a cabeça baixa, tentei entrar mais despercebida o possível mas percebi que Enrico, rei da Itália, acabou virando para trás e me vendo.

Me sentei no último banco da fileira n do meio no canto que era mais próximo a porta, me ajoelhei e cruzei os dedos,antes de abaixar a cabeça olhei ao redor procurando o cabelo ruivo de Albert e não o encontrei, ele disse que estaria aqui.

Também percebi que Ana não estava, e tentei relaxar e não deixar a paranóia tomar conta de mim.

Mas era realmente estranho que Albert não estivesse aqui sendo que ele disse que estaria, e sobretudo Ana,já que era domingo ela teria que vir.

Era estranho ver todos esses bancos lotados cheios de reis,príncipes e condes. Eu só queria que tudo isso acabasse logo.

Na minha busca acabei percebendo que Enrico ainda me fitava e vendo meus olhos sobre os seus ele deu um sorriso.Eu corei de vergonha e acabei a cabeça logo em seguida.

Ao fim da missa já estava me sentindo meio fraca o que acontecia toda vez que ficava muito tempo sem comer,era bastante frágil.

Então assim que pude fui ao caminho da cozinha pedir algo e lá estava Albert no meio do corredor conversando com algum homem que não fazia menor ideia de quem era. Tantos estranhos.

Ele falou algo para o homem e se retirou vindo em minha direção, parei de caminhar e o esperei.

— Desculpa não pude ir, tive que...—  Albert começou a se explicar gesticulando com as mãos e eu tentava disfarçar o quando estava me sentindo tonta mas minha vista foi se escurecendo e apesar da luta, me senti caindo e seus braços me acolheram rapidamente.

Isso foi a última coisa que eu me lembrei antes de apagar.

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