XVIII


Zendaya acordou tarde, já passava do meio dia quando ela desceu as escadas, o silencio tomava conta da casa.

Mãe? — Ela chamou, mas ninguém respondeu. Percorreu a casa toda, atrás deles, mas não havia ninguém. — Que maravilha, eles saem e nem me avisam.

Zen caminha até a cozinha, atrás de algo para comer, ao abrir a geladeira, ela encontra um bilhete.

"Crianças, fomos almoçar com uns amigos, voltamos no final da tarde. Tem comida na geladeira, só esquentar. Comportem-se. Bjos Kátia.

Crianças? Então o Tom esta em casa. — Zen subiu depressa as escadas, direto pro quarto dele. — Tom? — Ela bateu, mas ninguem respondeu, chamou mais duas vezes, sem resposta. Então, abriu a porta devagar, e encontrou o quarto vazio. — Ué.

Estranhou o fato de estar sozinha, se dirigiu a porta, mas a curiosidade foi mais forte. Voltou e caminhou até a cômoda, onde ficava algumas fotos e medalhas de Tom. 
Ela pegou uma das fotos que estava mais para trás, limpou um pouco do pó e sorriu. Era uma foto deles pequenos, sentados no banco perto do lago, era verão, ela vestia um lindo vestidinho de girassóis e Tom, uma bermuda azul.
Ela abraçou a foto e suspirou.

Queria que voltassemos no tempo! — Guardou a foto no mesmo lugar e passou o olho pelo quarto, roupas espalhadas na frente de armário, alguns livros na prateleira.
Olhou mais um pouco e achou uma caixinha preta, ao lado de uma camiseta.
Pegou a camiseta e por impulso cheirou.

Meu Deus, como eu sou idiota. — Pensou e jogou a camiseta na cama. 
Pegou a caixinha e seu coração acelerou. — Não acredito. — Colocou a caixinha ainda aberta sobre a cômoda e se afastou. Havia um par de alianças ali, prateadas. Lindas.

Mas eles nem se conhecem. — Ela fala sozinha. Pegou uma das alianças e viu que dentro havia uma gravação.

"Cloe e Tom".

Não acredito. Porque eu estou tão triste? — Ela falava, enquanto encarava a aliança. — Seria tão bonito, se fosse meu nome. — Ela sorri, no impulso, coloca a aliança. Estica a mão para ver como ficaria.

Com certeza ficaria melhor na minha mão.

— Oi, alguém em casa? — Ela escuta a voz de Tom no andar de baixo. O desespero toma conta.

Ela tenta tirar a aliança, mas fica presa no dedo.

O que? Não, não, não. Me ajuda Deus. — O desespero ia aumentando a cada passo e grito de Tom.
Em um ato sem pensar, ela fecha a caixinha e sai correndo para seu quarto.
Menos de dois minutos depois, Tom bate na porta.

Ei bela adormecida, já acordou?

— Já, já. To me vestindo, não entra. — Ela grita, com a voz tremula.

Ok. Vou esquentar o almoço, não demora.

Ela escuta os passos de Toma se afastarem e corre para o banheiro, passa sabão e água e nada da maldita aliança sair.
Ela começou a suar.

Cara, porque eu sou tão metida. — Ela quase chora de desespero.
Outra batida na porta.

Zen?

— O-oi

— Ta tudo bem? Voce passou correndo.

— Estava muito apertada. — Disfarça.

Ha ok, então, você viu se alguem entrou no meu quarto?

— Eu acordei agora e não vi nada. — O coração já estava saindo pela boca. —Porque?

— Sumiu uma coisa minha, nada de mais. Acho que eu perdi. — Ele coça a cabeça.

Ha.

— Vou descer e esquentar a comida, não demora.

— Ok.

Ela mal consegui responder, a respiração tava alta já. Lavou mais um pouco, agora com condicionador, e enfim a aliança saiu. Ela ainda quase deixa cair no ralo da pia.
Lavou, secou e espiou pra ver se não tinha mais ninguem ali.
Correu para o quarto do primo e guardou na caixinha.

Bem feito, quem manda mexer nas coisas dos outros. — Se xingava.
Desceu e encontrou Tom preparando a mesa.
Ainda nervosa, sentou em silêncio.

Então, não viu ninguém no meu quarto?  — Ele a encara.

Não.

— Que estranho. — Ele olha para o fogão. — Quer arroz?

— Pode ser. — Ela engole em seco, parece que ele sabe.

O que vai fazer hoje? — Tom pergunta, terminando de se servir.

Vou sair com o Louis.

— O daqui do lado?

— Aham.

— Legal.

— É.

Zendaya não queria muito papo, o medo do seu primo descobrir que ela havia mexido em suas coisas, tomava conta dela.
Comeu rápido, lavou os pratos e subiu, deixando Tom sozinho.

Zen? — Ele apareceu logo atrás dela.

—  Credo, que susto Tom. — Ela põe a mão sobre o coração.

Você esta estranha. O que houve?

— Não estou estranha, só me assustei.

— Você mente muito mal.

— Não minto não. — Ela revira os olhos. — Cadê sua namorada, vai atormentar ela.

— Daqui a pouco ela chega, então, eu acho que eu perdi o que presente dela. — Fala, em tom triste.

Ha é? — Zen vira de costas.

—  Vou procurar mais um pouco. — Ele sai e vai para seu quarto.

Vai logo então. — Ela empurra ele porta a fora.

Tom procura, até cansar. Senta-se em sua cama e segura a caixinha.

Cara, era um dia importante, como eu pude perder? — O som triste sai da voz de Tom. Ele abre a caixinha e se depara com a surpresa. A aliança estava lá. — Como assim? — O sorriso surge nos lábios dele.
Mas algo estava estranho, a aliança surgiu do nada ali, ele aproximou o nariz, um perfume forte de rosas vinha das alianças.

— Eai, achou o que você perdeu? — Ela surge, com um sorriso amarelo no rosto.

Ele fica em silêncio, olhando para ela e depois para a aliança.

Achei. — Fala ainda assimilando.

Que bom. Entao, eu vou tomar banho, tenho um encontro hoje. — Ela fala nervosa.

Espero que seja um bom encontro.

— Eu também. — Ela sorri, sai do quarto.

Que cheiro é esse? — Ele fala, quando cruza com Zendaya no corredor, que acabava de sair do banheiro.

Cheiro? — Ela levanta os braços e cheira.

É, do seu cabelo.

— Ué, cheiro de limpo. Eu acabei de lavar. — Fala segurando uma das pontas e cheirando.

Cheiro bom. É shampoo de que? — Fala desconfiado.

Condicionador. — Ela o corrige. — Acho que é de rosas, o perfume é muito bom.

— É, o perfume é muito bom. Você tomou banho quando acordou?

— Que isso? Interrogatório?

— É que você estava com esse cheiro bom almoço e eu achei muito gostoso. — Mente.

Eu posso ter lavado as mãos com ele, porque?

— Por nada. Só achei gostoso. — Ele sorri.

Você é a criatura mais estranha que eu conheço. — Ela lhe da um peteleco e vai para o quarto.

Você mente muito mal. — Ele sussurra e vai para o quarto. — Sera que ela pegou? Mas não faria sentido.

Tom tratou logo de tirar aqueles pensamentos e foi tomar um banho, já eram cinco horas da tarde. Ele havia marcado com a Cloe as oito da noite, iria levar ela num belíssimo jantar e planejava a pedir em namoro naquela noite.

Que porcaria, que roupa eu visto? — Zendaya andava de um lado para outro, apenas de calcinha e sutiã. — Será que vamos tomar um café ou jantar? — Ela caminha ate a janela. — Que bom, esta começando a nevar.

Já estava chegando perto das seis da tarde e ela ainda não tinha se vestido, estava deitada com os braços abertos sobre a cama.

Eu só tenho duas horas para me maquiar e me vestir e eu ainda estou aqui. Me da uma luz.

— Zen? — Tom bateu na porta.

Não entra. — Ela berrou. Se cobriu com o cobertor. — Ta, agora pode.

— Então... O que ta fazendo deitada? Não tem um encontro hoje?

— Eu não consigo achar uma roupa.

— Como? Olha essa montoeira de roupa, como não consegue escolher? — Ele ri.

Eu não sei onde ele vai me levar e também, esta nevando. Não quero passar frio, mas quero estar bem vestida. — Fala, fazendo beiço.

Pelo que eu conheço, Louis vai te levar para algum lugar chique. Então você não vaibpassar frio.

— Sério?

— Sim. Quer ajuda?

— Ta, se vira então, pra eu levantar.
Ela levanta e veste o roupão. 

Que roupa você queria ir?

— Eu não sei, não consegui escolher entre o vestido azul, o vinho e o vermelho. — Ela aponta para o armário.

Vinho e vermelho são quase iguais. 

— Não são, não.

— Vai com o azul então.

— Vou vestir os três, você me diz qual fica melhor.

— O menos pior né. — Ele ri.

— Ai cala a boca. — Ela entra no closet e veste o vestido vinho. Ele era ate o joelho, com um longo decote nas costas e um pequeno decote na frente, sem mostrar muita coisa.

Não. Tenta o vermelho. — Diz, sentado na cama.

O vermelho era mais curto que o vinho, apenas uma alça com detalhes em pedraria perto do peito.

Esse é bonito. Tenta o outro.

O último, azul era longo, com uma abertura lateral quase até o meio da coxa, era de alças grossas, um decote que valorizava seus seios e mais justo na cintura, atrás tinha um pequeno zíper até o meio das costas, Que fechando formava um U.

Caralho. Você esta perfeita. — Ele se levanta da cama.

Sério? — Ela sorri.

Sério mesmo. Ficou tão lindo em ti.

— Obrigada. — Ela sente suas bochechas queimarem. O relógio já batia sete horas.

Mais alguma ajuda?

— Só fecha para mim, o zíper? — Ela se vira de costas.

Ele se aproxima e pega o zíper, segurando um pouco o tecido, ao subir sua mão, encosta acidentalmente na pele quente de Zendaya, sua mão gelada á faz arrepiar.
Ele sente uma corrente elétrica passando entre eles.

Desculpa. — Sussurou perto do ouvido dela, a deixando mais arrepiada.

Ela se virou, e os dois ficaram cara a cara.

Tudo bem. — Responde, em um tom muito baixo. Eles podiam ouvir os batimentos um do outro. As respirações fortes.

Então ela o beijou.
Passou seus braços por trás da cabeça de Tom, e o beijou.
Ele assustado, arregala os olhos, mas sem resistir, o retribui.
Um beijo calmo, o corpo parecia que soltava raios de energia, ele a pegou pela cintura e a puxou para mais perto de si, os dois ali colados um no outros, enquanto ela o mordia delicadamente nos labios.
A sensação de ter ela em seus braços era única, ele não queria sair dali.
O beijo aumentava e diminuía, era língua com língua, um beijo molhado, quase apaixonado.
Zendaya se derretia cada vez que ele a pressionava na cintura.
Mas o toque do celular de Tom os interrompeu, e por fim, ele se afastaram.

Apenas se encarando, respira fundo, estavam envergonhados e ainda sem entender o que havia acontecido.
Tom pegou o celular e viu que era Cloe.

Preciso me arrumar, Clô está chegando. — Ele a encara.

Tudo bem.

— Sobre isso, me desculpa. — Ele não sabia como falar com ela.

Não precisa fala sobre isso. A culpa foi minha, eu estava errada. — Ela sorri, sem vontade. — Vou terminar de me vestir.

Ela o empurra para fora e fecha a porta, Tom encosta sua testa na porta.
Zendaya senta na cama e as lágrimas invadem seu rosto, ela não queria aquilo, ela nem sabia o porque tinha beijado, ele apenas a ajudou com o vestido.

Parabéns sua burra. — Se xingava.
Levantou, secou o rosto, fez uma maquiagem e arrumou seu cabelo.
Ganhou o prêmio de fazer merda eim. — Falava sozinha.

Eram sete e quarenta da noite, quando Tom bateu em seu quarto de novo.
Ele vestia um terno justo, na cor azul escuro, sapatos social e tinha passado gel no cabelo, o perfume dele invadiu seu quarto.

Zen, sobre aquilo...

— Olha, eu te beijei, ok? Eu errei, você me ajudou e eu te agarrei. Você te namorada e eu não respeitei isso.

— Mas eu não te parei, eu não consegui, porque eu quis continuar. Eu errei, como você disse, eu tenho namorada, eu não respeite ela.

— Tom, eu não deveria ter te beijado, finge que nada aconteceu, porque é isso que eu vou fazer. Foi só um beijo. apenas isso. Foi um erro, mas já acabou e não vai se repetir.

— E se eu quiser que se repita? — Ela se aproxima dela.

Mas você não quer. Esquece isso. — Ela o afasta.

Mas...

A campainha o interrompe.
Zen o encara mais uma vez, e desce as escadas, pegando seu casaco.
Tom suspira, nem ele sabia se queria repetir, estava confuso demais, sentia leves dores na cabeça e parecia que algumas lembranças estavam contando, mas estava tão bagunçado.

Ele escuta os passos de Zen na escada, seu salto alto avisava que estava perto.

Tom. — Ela o chamou. Ele ainda estava em seu quarto.

Zen, a gente pode con...

— Cloe chegou.

— Oi amor. — Cloe sorri. Tom a abraça e ela o beija. Zendaya vira e desce. — Tudo bem?

— Claro. Vamos, temos reserva hoje. — Ele fala, ainda nervoso.

Assim que descem as escadas, encontram Zendaya conversando com Louis.
Os dois se encaram e cada um segue seu rumo, com seu parceiro.



Mais um capítulo para vocês, bebês.
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