XVII
— Meu Deus Tom, cadê o marido dela? — Zendaya falava angustiada.
— Eu não sei, ela acendeu as luzes vermelhas. Tira esse pano da cara, Zen.
— Meu Deus, o bicho vai pegar ela. Como ela vai ganhar o bebê se não pode gritar?
— Que sufoco. — Ele respondeu, pegando um punhado de pipoca.
— Graças a Deus eles soltaram os fogos e ela pôde gritar. Esse filme é agoniante.
— O nome é bem sugestivo né.
O tempo estava passando bem devagar, o filme estava perto do final e eles já haviam acabo com dois potes de pipoca e 2 litros de coca-cola.
— Não, não, não... — Zendaya falava num tom de choro.
— O que foi? Ta chorando? — Tom olhou surpreso para ela.
— Ele não podia morrer, Tom. Eu gostava muito dele. Filme bosta. — Secou as lágrimas e cruzou os braços.
— Ele morreu protegendo os filhos.
— Que se dane os filhos, ele era um pai muito bom. Não merecia.
— Meu bem, é só um filme. — Ele riu. — Um dos melhores que eu já vi.
— Tanto faz, agora to chateada.
— Vem cá. — Tom a puxou para seus braços e bagunçou seu cabelo.
— Para idiota.
— Só paro se você desfizer esse beiço ai.
— Não. Eu to indignada, o pai não deveria morrer, qual o nome desse filme mesmo?
— Mas Zen, ele salvou os filhos. Foi preciso e talvez tenha o dois, vai que ele apareça vivo, eim?
— Tanto faz.
— Meu Deus, que birra.— Tom começa a fazer cócegas nela. Ela se vira e revida.
— Ai. — Tom da um leve grito de dor.
— O que foi? — Pergunta assustada.
— Aqui foi onde eu me cortei, na cirurgia.
— Nossa, me perdoa.
— Ta doendo pra caramba.
— Meu Deus Tom, foi sem querer. — Zendaya fica de joelhos no sofá, encarando ele, preocupada.
— Mentira. — Ele grita a assustando, joga seu corpo em direção ao dela e começa outra guerra de cócegas.
— Não, não, para infeliz. — Ela gritava. — Eu vou te matar. — Ela se atirou em cima dele, para fazer cócegas também, mas ele se jogou para trás e Zen caiu em seu peito, seu rosto bem colado ao dele.
Houve um silêncio, apenas o som da respiração dos dois e a música do filme.
Olhos nos olhos, Zen havia se apoiado nos braços de Tom e agora ela podia sentir como eram fortes. Por outro lado, Tom não conseguia tirar as mãos perfeitamente encaixadas na cintura dela.
Era como se estivessem colados um no outro.
Num gesto automático, Tom aperta a cintura de Zen, fazendo ela fechar os olhos e suspirar forte.
— Desculpa. — Zen fala, tentando se levantar.
— Eu que peço desculpa.
Mais um pouco de silêncio, Tom não conseguia tirar seus olhos dela, Zen senta ao seu lado no sofá.
"Será? Talvez."
Ela pensa e um leve sorriso brota em seus lábios.
— Tudo bem? — Tom a encara.
— Tudo é que...
— Eu não quero que pense errado de mim, até porque somos primos né. Mas eu senti algo quando você esteve em cima de mim. Algo muito errado e queria que você me perdoasse. — Tom abaixa a cabeça e fica sem graça.
— Não precisa se desculpar Tom. Eu preciso confessar que...
— Tom querido, acho que tem alguém te chamando, ali na entrada. — Elizabeth chega bem na hora. Zen se encolhe para trás.
— Obrigado tia. O que você ia dizer? — Ele toca em sua perna.
— Nada de importante, vai atender a porta. — Ela lhe dá um sorriso amarelo.
O barulho da campainha soa pela casa toda, Tom levanta e sem tirar os olhos de Zen, caminha até a porta.
— Oi. — Uma voz feminina chega aos ouvidos de Zen.
— Cloe, oi. — Fala surpreso. — Entra.
— Cheguei numa hora ruim? — Cloe nota a surpresa no rosto de Tom.
— Não, lógico que não. Eu estava ansioso pra você chegar. — Ele da um selinho nela.
Os dois entram e encontram Zendaya tirando os potes e copos da mesa de centro da sala.
— Cloe, essa é a minha prima favorita, Zendaya e Zen essa é a minha... Minha namorada, Cloe. — Tom, fala, mesmo se entender, ele se sente sem graça.
— Eu te daria um abraço, mas estou um pouco atrapalhada. — Zen levanta os potes.
— Tudo bem, eu te abraço então. — Cloe sorri e da um abraço super apertado nela. — Muito prazer, eu ouvi tanto de você.
— Prazer é meu. — Zendaya responde, com quase nada se empolgação. Ela se afasta e vai até a cozinha largar as coisas.
Os dois vão até a biblioteca onde estão Kátia, George e Elizabeth conversando.
Tom os apresenta e os cinco ficam sentados conversando, enquanto Zen não consegue sair da cozinha.
Alguns minutos depois.
— Ei, o que faz aqui? — Tom aparece na cozinha.
— Lavando a louça. — Ela responde sem nem encara-lo.
— Achei que fosse lá para a biblioteca, sabe, pra conhecer a Cloe, junto com o pessoal.
— Ha, eu não sabia que minha presença era esperada. — Revira os olhos.
— Queria que todos estivessem juntos, Cloe é tão legal e isso é muito importante para... Ei, você esta chorando? — Ele a vira.
— Não.
— E esses olhos vermelhos?
— Maconha.
— Zendaya.
— Não estava chorando, não tenho motivos para isso. Acho que foi meu rímel que entrou nos meus olhos e começou a arder. — Ela disfarça. — E tu, porque não esta lá com eles?
— Vim pegar um água para Cloe. — Fala servindo um copo de água. — Vem, quero que conheça ela. — Ele a pega pela mão e a leva até a biblioteca, juntos dos outros.
Zendaya senta-se num canto do sofá e fica imóvel, apenas revirava os olhos as vezes enquanto Cloe falava.
— Bom, e durante os finais de semana, minha familia e eu ajudamos os moradores de rua, nesse frio é sempre bom ter algo quente pra comer. — Ela falava das coisas que havia feito.
Cloe além de trabalhar na cafeteria, ajudava os pobres da sua cidade, fazia faculdade de advocacia e já havia viajado duas vezes para a África, para ajudar os mais necessitados.
— Uau, isso é incrível Cloe. — Kátia falava.
— Realmente. E seus pais? — Foi a vez de George questionar.
— Bom, minha mãe morreu num incêndio. — Falou num tom triste. — Ela entrou pra salvar duas crianças num orfanato, apenas as crianças sairam com vida, infelizmente ela inalou muita fumaça. É nela que eu me espelho pra ser forte e lutar por aqueles que precisam.
— Eu sinto muito meu bem. — Tom fala, acariciando seu ombro.
— Nossa, que história eim. Sinto muito querida. — Disse Kátia.
— Tudo bem, ela é a minha heroína. Bom e meu pai, ele faz de tudo pra ficarmos bem. Depois que a minha mãe morreu, ele largou o emprego em Nova York e viemos morar pra cá, meus avós maternos vivem aqui. Agora ele é advogado num escritório pequeno no centro, ele presta serviços para aqueles que não tem muito dinheiro pra pagar ou quando não tem nada, ele representa de graça. — Falava com orgulho.
"Uau que perfeita, senhora santa, quer um prêmio?"
Zendaya pensava, ainda debochada.
— Nossa, que história. Estou sem palavras. — Elizabeth fala surpresa.
"Sério mãe?"
— Eu andava muito triste ultimamente, minha avó foi diagnósticada com alzheimer mês passado. Mas ai eu encontrei esse príncipe. — Ela beija a mão de Tom. — E ele me deu esperança novamente.
— Ha não. — Zen solta sem nem pensar, fazendo com que todos a encare.
— Tudo bem querida? — George pergunta.
— Sim, sim tio. — Gagueja. — Eu, eu, ah sim, eu ia dizer. Ha não acredito, que lindo. — Disfarçou e se enterrou no sofá de novo.
— Meu amor, você que tem me dado esperança. — Tom a beija no rosto. — Depois de tudo que eu passei, você tem sido meu anjo. Me ajudando em tudo.
— Eu to tentando. Por isso vim aqui conhecer vocês e principalmente você. — Ela aponta, sorrindente para Zendaya.
— Eu? — Quase pula do sofá.
— Sim. — Cloe levanta e senta ao lado de Zen. — Tom é louco por você, mas esta tão triste por não lembrar dos momentos que tiveram. — Ela o encara e depois pega na mão de Zendaya. — Então, eu vim especialmente te conhecer, para poder ajudar ele. Aposto que os dois tem ligações muito especiais. Eu nem te conheço e já gosto horrores de você, só pelo que ele fala. — A simpatia dele, deixa Zendaya com mais raiva.
— Eu acho que é melhor não. — Ela levanta, num ato sem pensar.
— Mas porque? Eu realmente quero me lembra da gente. — Tom chega perto dela, e o perfume dele faz as pernas de Zendaya tremer.
— Não tem o que lembrar, eram coisas bobas, geralmente brigas. Não éramos próximos, na verdade eu acho que a gente se odiava. — Ela se distanciava dele.
— Eu tenho certeza que isso é mentira. Eu sinto que éramos ligados, de alguma forma. E eu quero sentir isso de novo, eu te amo. — Ele sorriu.
— Desculpa Tom. — Ela sai de perto dele. — Posso ir para meu quarto? Estou morrendo de cólica. — Mente.
— Claro meu amor, eu te acompanho. — Elizabeth vai com ela até o quarto. Deixando os três na sala, ainda conversando.
— Filha, o que você tem? — Elizabeth a questiona, enquanto lhe entrega um remédio para dor.
— Só cólica mãe, nada de mais. — Ela sorri e se deita. O sol já estava baixando e o frio estava ficando mais forte.
— Meu amor, as vezes parece que você se esquece de onde saiu.
— Como assim mãe?
— O que ta acontecendo entre vocês dois? — Elizabeth fala sem muitas voltas.
— Vocês quem? — Zendaya se surpreende.
— Oras, tu e o Tom. Ou tu acha que eu sou boba? — Ela se senta na cama. — Filha, eu posso não saber os detalhes, mas eu sei que algo esta acontecendo ou estava, sabe, antes do acidente. Então, quando precisar conversar, lembre-se, eu sou sua mãe e sua amiga. E eu te amo. — Ela beija a testa da filha.
— Obrigada mãe. Eu só preciso dormir agora, de verdade. Eu prometo conversar contigo. — Ela abraça sua mãe e se deita.
— Ok. Bom, descansa, eu sei como você sofre quando esta com cólica. Se precisar é só gritar. — Elizabeth sai, deixando sua filha deitada.
O quarto esta escuro, apenas os últimos resquícios do sol se despedindo, entra pela janela.
— Eu só queria ter ficado em casa, ou melhor, o Tom podia ser horrível de feio. — Ela ri. — Mas azar né, eu sou forte, sou uma mulher muito forte e vou passar por isso. Pelo menos amanhã eu tenho um encontro. — Ela dá uma risada e se ajeita na cama, põe alguma coisa pra olhar na tv e acabada dormindo.
*Capítulo novo amores.*
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