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ஓீ፝͜͜͡͡Não demorou muito para Sarah chegar em casa.
Suas amigas já haviam sido entregues com segurança em seus lares por ela mesma. Ela ainda lembrava dos rostos preocupados de suas amigas a olhando e a abraçando por fim antes de finalmente entrarem em casa. Ela entendia a preocupação das amigas, mas continuava a garantir que estava bem.
Por fim ela guardou o carro na garagem e entrou para dentro de casa. Kevin ainda estava na sala, porém não estava acordado. Dormia de mal jeito no sofá, enquanto a TV estava ligada para ninguém. Ela pegou o controle jogado no sofá e desligou o aparelho televisor. Ela sacudiu-o para que acordasse. Ele abriu os olhos um pouco confuso. Nem ao menos havia percebido quando adormeceu. Ela não sabia exatamente quanto tempo ele havia dormido, apenas o chamou para levantar.
― Você já chegou? ― perguntou ele enquanto era conduzido por ela para longe dali.
― Sim!
― Que horas são?
― Já passa das dez e meia! ― disse ela com calma, como se falasse com uma criança. ― Vem vou te levar até o seu quarto dorminhoco!
― Eu sei andar sozinho! ― rebateu ele.
― Tudo bem! ― disse ela soltando-o.
Ele caminhou sozinho todo o percurso até o seu quarto, ainda meio sonolento. Ele entrou no seu quarto e Sarah seguiu para o quarto dela. Assim que fechou a porta, sentiu que estava segura finalmente em seu mundo. Ela viu que ainda usava o casaco que Blaine lhe dera depois de tudo. Ela aproximou o tecido seu nariz para sentir o cheiro emanava dele. Havia um cheiro amadeirado intrincado que era bastante agradável ao olfato.
Recordou-se automaticamente do quanto ele fora gentil e atencioso com ela, tomando todo o cuidado possível para não assustá-la depois de uma situação bastante incomoda. Ela não lembrava de ter ouvido o que ele havia falado para Janssen, mas o garoto saiu correndo sem ao menos olhar para trás.
Ela ainda podia sentir a sensação de ter os seus olhos sobre ela. No começo ela ficou um tanto receosa com a sua presença ali, mas logo que ele agira de forma tão cortês, portando um belo sorriso polido em sua expressão, fez com que aos poucos ganhasse certa segurança, tendo em vista que ele surgira ali de uma maneira brusca e um tanto violenta.
Por um momento ela sorriu segurando o casaco preto por entre os dedos, nutrindo boas lembranças dele. Ela andou até a cama colocando-o sobre ela e logo começou a se despir, sentindo seu corpo se libertar da densidade dos tecidos daquela roupa. Estava agora apenas de roupas íntimas, portanto caminhou até seu guarda-roupa e pegou suas roupas de dormir. Um conjunto florido que se ajustava levemente ao corpo. Ela se vestiu e logo foi até sua cama. Olhou o casaco ali em cima e pegou-o guardando-o em sua cômoda.
Voltou até a sua cama e deitou-se olhando para o teto de seu quarto, sentindo seu corpo leve como uma pluma. Sua cabeça vagava pelo espaço contido ali dentro. Não conseguia parar de pensar no que Janssen quase fez e em como foi salva por Blaine.
Sarah respirou fundo, voltando a encarar o teto. Ainda podia sentir seu coração acelerado. Talvez não conseguisse dormir tão cedo daquela maneira. Ainda sentia a energia percorrendo seu corpo como no momento em que Blaine aparecera. Aquela noite poderia ser mais longa do que ela imaginava.
☪☪☪
No domingo Sarah acordou um pouco mais cedo que o normal e se deparou com seu pai tomando café sozinho. Ele passava geleia no seu pão com uma faca de mesa. Ele parecia distraído. Sempre com o uniforme de xerife. Ela nem lembrava-se mais de como era vê-lo com outra roupa sem ser aquela farda. Ele nunca descansava, nunca tirava férias, sequer um tempo para si a pouco mais de um ano. Ele só notou a presença de sua filha ali, quando ela puxou uma cadeira para se sentar próximo dele num dos raros momentos que tinha a oportunidade de estar na presença dele.
― Bom dia pai! ― ela disse com um pequeno sorriso entre os lábios.
― Bom dia querida! ― respondeu ele com gesto de cabeça e um sorriso no canto da boca. ― Acordou cedo...
― Bem, foi uma noite difícil, só isso!
― Está tudo bem?
A garota assentiu com a cabeça. Por algum tempo mais a mesa ficou silenciosa. Sarah tomou um pouco do café com pão, enquanto criava coragem para falar com seu pai. Estar sozinha com ele era um tanto constrangedor agora, já que ele estava sempre distante. Tinha medo de falar algo errado e o afastar ainda mais.
― Sabe pai, eu estava pensando, já faz tempo que não jantamos como uma família! ― iniciou ela ainda com um pouco de receio de continuar. O olhar dele era um tanto avaliador, não sabia o que poderia estar se passando ali. Seu rosto sempre sério, quase como se não tivesse emoções, ajudava a dar um ar ainda mais intimidador à ele. Nem se parecia mais com o homem sorridente que conheceu na sua infância. Parecia ter envelhecido mais naquele período de um ano. Estava com olheiras fundas em seus olhos, causando-lhe um aspecto cansado e o bigode grande ajudava ainda mais. ― Bem, pensei que poderia fazer um dos seus pratos preferidos para janta. Um ensopado.
― Bem, já faz algum tempo que eu não como um ensopado! ― disse ele desencostando da cadeira e apoiando os cotovelos na mesa com as mão juntas logo abaixo do queixo, demonstrando certo interesse. ― Continue!
― Bem, você me daria a honra da sua presença nesse jantar?
Ele riu. Era a primeira vez em muito tempo que ela o via rir. Muito menos um riso provocado por si mesma. Ficou feliz instantaneamente com aquele simples gesto. Sentiu seu interior se aquecendo e esperava que aquilo também estivesse ocorrendo com ele. Esperava que o calor que sentisse aquecer o seu íntimo, derretesse toda e qualquer barreira de gelo.
― Bem, já que você insiste! ― disse ele se levantando da cadeira, pois já tinha terminado seu café da manhã. ― Farei o possível para estar aqui com vocês essa noite!
Ele andou na direção dela e lhe despejou um beijo na cabeça. Ela sentia bastante falta de ter todo dia aquele beijo antes de sair para a escola. Agora ele acordava mais cedo que ela para ir trabalhar e sempre chegava mais tarde. Era praticamente impossível vê-lo. Ele se foi, deixando-a só com o silêncio e os seus pensamentos.
☪☪☪
Enquanto organizava tudo para preparar o prato preferido de seu pai para o jantar, ensopado de carne que sua mãe fazia ainda em vida, pensava na sua mãe, já que a receita era dela. Ela seguia à risca o que estava escrito, já que outrora aquilo já havia despertado o paladar do seu pai. Como já fazia algum tempo que eles não se reuniam como uma família, achava certo fazer algo que agradasse o paladar de todos. Ela preparou tudo com muito carinho e dedicação. Queria que tudo ficasse de dar água na boca.
Até aquele momento Kevin ainda não havia voltado para casa. Sarah elevava seus pensamentos a isso, se perguntando onde ele poderia estar. Desde aquela manhã ele saíra com aquela garota com a qual passara a noite, porém ainda não tinha voltado para casa e nem mesmo sabia notícias, portanto ela já estava começando a ficar um tanto preocupada com o seu irmão mais novo. Raciocinando bem, chutou que poderia estar com a banda em que ele era integrante. Mesmo assim ainda a preocupava o fato dele não ter dado notícia até aquela hora.
O ensopado já estava no forno. Agora ela estava sentada numa cadeira na mesa de jantar e mexia no seu celular para conferir as mensagens. As garotas tinham mandado mensagem para ela, no entanto ela limitou-se a respondê-las naquela tarde para dedicar-se totalmente àquele prato. Ela tinha esperanças de que aquele jantar de certa forma recuperasse tudo o que ela havia perdido. Sua família.
Enquanto cozinhava uma memória passou pela sua mente. Ela brincando de bonecas na mesa da cozinha, enquanto sua mãe cozinhava. O cheiro deixado sempre era maravilhoso. Abria o apetite no momento em que inalasse. Sarah gostava o cheiro, sempre ficava ali para ser uma das primeiras a comer quando tudo estivesse pronto. Sua mãe sempre sorria, enquanto adicionava mais e mais ingredientes. O ensopado era uma de suas especialidades. Ela tinha um livro deixado de herança pela família. Sempre que podia cozinhava com aquele livro por perto. Uma vez aquilo aguçou a curiosidade de Sarah e ela folheou as páginas do livro e leu algumas receitas, quando sua mãe perguntou se ela queria aprender a fazer alguns daqueles pratos. A garotinha concordou logo com a cabeça, então ajudou sua mãe a fazer o ensopado.
Agora ali, folheava o livro com saudades, enquanto acompanhava a receita e teve um sobressalto quando seu irmão mais novo apareceu de repente na cozinha. Ele ainda estava com a mesma roupa que ela o vira sair de manhã. Um moletom vinho e calças pretas coladas com um rasgo bem nos joelhos. Ele ainda mantinha as mãos dentro do bolso de seu casaco e a olhava sério, sem dizer nenhuma palavra sequer.
― Que bom que você chegou! ― ela falou levantando-se da cadeira e permanecendo de pé no mesmo lugar. ― Eu já estava preocupada com você!
― Olha, se vai fazer outro sermão, é melhor eu voltar para onde eu estava, pois pelo menos lá eu não ouço sermão de ninguém!
― Se acalme! ― disse ela gesticulando para que ele não saísse do seu lugar. ― Não vá não. Hoje à noite eu pretendo fazer um jantar especial já que o papai vai vir jantar em casa.
― E daí?
― E daí que quero que fique. Nunca mais nos reunimos em família para nada.
― Essa família já se foi há um ano!
― Quer parar de se comportar como um bebê chorão? ― bradou Sarah tomada pela raiva. ― Desde que a mamãe morreu você não para de agir como um garotinho rebelde!
Kevin parou por um instante e logo voltou a enrijecê-la.
― O fato de você fingir que não se importa, só mostra mais ainda que você se importa! ― prosseguiu Sarah com o mesmo tom de voz forte. ― Está agindo como uma criança!
― Você nem sequer se importa! ― disse ele num berro. ― Vive aí a sua vidinha de Barbie girl com as suas amiguinhas como se nada tivesse acontecido!
― E acha que por isso têm o direito de dormir com qualquer pessoa, fumar uns backs para ficar doidão? ― vociferou ela. ― Você só está sujando ainda mais a memória da nossa falecida mãe!
Kevin recuou. O que sua irmã tinha acabado de lhe dizer, tinha o acertado em cheio como um soco bem na boca de seu estômago. Continuava a observando sem dizer nenhuma palavra mesmo depois que o silêncio se instalou por alguns minutos, enquanto os dois trocavam olhares silenciosos.
― Mamãe não ia querer isso para nós! ― disse ela com lágrimas se formando nos olhos e com sua voz se tornando instável e esganiçada. ― "Que todas as lágrimas de dor, se convertam em flor", disse ela no leito de morte.
Uma lágrima rolou pelo rosto de Sarah e a expressão cravada nos olhos de Kevin mudou. Agora ele suavizara seu semblante.
― Ela certamente não ia querer que sofrêssemos depois da morte dela. Ela queria que tivéssemos uma vida depois da partida dela. Se lamentar e se afundar, não vai trazer ela de volta.
Mais uma pausa enquanto Sarah limpava as lágrimas que banhavam seu rosto.
― Às vezes a saudade bate forte, mas isso não deve nos impedir de viver. A morte é para quem se foi, a vida é o que resta para quem continua aqui!
Kevin parecia comovido com as palavras da irmã. Continuava mudo e em seus olhos estavam se amontoando lágrimas que não demoraram muito para cair.
― Tem dias que eu acho que vou pirar com o tamanho da saudade que eu sinto dela Kevin, mas a vida continua. Ainda temos uma vida inteira pela frente. Temos que lutar para viver.
Kevin não continha mais as lágrimas nos olhos. Elas corriam livremente por seu rosto, encharcando-o por completo.
― Agora temos que viver por ela Kevin! ― concluiu Sarah finalmente, limpando as lágrimas de seus olhos castanhos.
― Eu vou ficar para o jantar! ― revelou Kevin com a voz meio embargada e passando as mãos pelo seu rosto para limpar a corrente de lágrimas que haviam se formado.
Sarah o fitou e quis forçar um sorriso, porém não conseguiu.
― Que bom Kevin! ― disse ela por fim lançando-lhe um olhar compassivo. ― Obrigada!
Kevin deixou a cozinha e subiu para o seu quarto. Sarah continuou ali na cozinha. Não podia abandonar o seu ensopado feito especialmente para agradar o seu pai. Ela voltou a conferir se estava tudo certo. O alimento ainda tinha que ficar por mais algum tempo no fogo até estar perfeito e Sarah continuou a vigiar, conferindo a cada espaço de momento se já estava no ponto até o instante em que finalmente ficou.
Depois de deixar tudo pronto na cozinha, Sarah foi tomar um banho. Já estavam perto das sete e ela queria estar pronta para receber o seu pai depois de um dia intenso de trabalho. Com tudo o que estava acontecendo em Heavenwood, não poderia estar com a mente mais cheia. Enquanto tomava banho, Sarah pensava em como o seu pai reagiria ao ver que o seu prato favorito que a mamãe costumava fazer para ele seria o jantar naquela noite. Ressuscitaria as lembranças mais profundas nele.
Depois de algum tempo Sarah ficou pronto para esperar o seu pai, que deveria chegar à qualquer momento para o jantar. Ela ficou na sala juntamente com o seu irmão, assistindo a programação da noite de domingo. Ela na verdade não estava dando muita atenção para o que estava se passando na TV, pois sua cabeça estava um verdadeiro turbilhão.
As horas estavam começando a ficarem um pouco avançadas e até àquele momento, não havia nenhum sinal de seu pai. Ela consultou duas vezes o seu relógio para ter certeza de que a hora estava realmente certa. Kevin já havia dito que não tinha esperanças de que seu pai fosse jantar em casa naquela noite. Ele agora quase nunca ficava em casa. Vivia para desvendar casos e com mais um em aberto naquela cidade, não duvidava que dormiria mais uma vez no escritório e com fome. Ele mal estava se alimentado e quando comia, era porque a policial que trabalhava em parceria com ele, o alimentava por ficar realmente preocupada com a saúde dele, além de que era impossível trabalhar de estômago completamente vazio.
Sarah insistia em esperar, porém seu irmão Kevin já havia desistido daquela espera e resolveu jantar por conta própria e caso o seu pai chegasse ainda, o que ele acreditava que não aconteceria, faria pelo menos companhia à mesa. Mesmo Sarah discordando da atitude dele, concordou em deixá-lo fazer, afinal ele estava com fome. Ela podia esperar mais um pouco até seu pai chegar.
Já haviam se passado quase três horas e já estava próxima a hora de dormir. Sarah tinha tudo para estar faminta, mas aquela decepção a fez perder a vontade de comer, e uma vez que ela olhou para dentro da panela, não sentiu apetite por aquela comida que outrora parecera tão saborosa ao seu ver. Fechou a panela e guardou o resto da comida em conserva para ver se ainda usufruiria dela no outro dia quem sabe.
Tudo o que ela sabia, era que no dia seguinte começavam as suas aulas novamente. As férias de verão haviam oficialmente chegado ao fim. Ela se sentia feliz e triste ao mesmo tempo. Estava ansiosa para a volta às aulas. Queria voltar ao colégio com suas amigas e aproveitar o colegial como uma boa adolescente faria. Ela sabia que tinha que descansar para estar completamente disposta na manhã vindoura, mesmo não estando com tanto sono assim.
Ela tomou mais um banho reflexivo antes de dormir e colocou uma roupa confortável para o ato. No fim das contas seu irmão estava certo sobre o seu pai. Ele não veio. Aquilo era muito decepcionante para Sarah e ela tinha certeza de que também era para o seu irmão, embora ele se escondesse por trás de uma camada reforçada de seus sentimentos. Ela conhecia bem aquele mecanismo de defesa. Nada fora mais igual depois da morte da sua mãe.
O seu pai, o xerife Foste, já fora mais presente. Ela ainda lembrava de ver seu pai passar pela porta com um sorriso de ponta a ponta no rosto ao chegar no fim de cada turno. Ela ainda podia ver sua expressão ao vislumbrar toda a sua família à sua espera para o jantar. Ela podia viver novamente a corrida que dava ao ver seu pai. Sentia novamente que abraçava as pernas dele e quase o fazia cair sentado. Ela ainda conseguia reviver aquele sentimento de preenchimento ao matar a saudade de um dia inteiro. Agora tudo o que restava era Saudades de uma época onde tudo parecia perfeito. Ela sabia que não poderia ter aquela vida de volta, mas queria pelo menos poder ter seu pai de volta em casa todos os dias. Ela fechou os olhos e foi com aquele sentimento pesaroso que ela adormeceu.
☪☪☪
Sarah acordou com o seu despertador a tocar. Ela automaticamente o desligou e abriu os olhos aos poucos por causa da claridade que entrava em seu quarto. Depois que se acostumou com a luz que invadia o lugar, ela sentou-se na cama, ainda processando. Ela lembrou que tinha que acordar Kevin, pois de maneira alguma ele acordava sozinho. Ele conseguia ignorar o despertador completamente e voltar a dormir. Para que ele levantasse realmente precisava que Sarah insistisse até ele se levantar, caso contrário ele daria um jeito de dormir novamente.
Sarah foi até o quarto de Kevin para o acordar. Ela abriu as cortinas para que os raios solares entrassem para dentro daquele quarto e incomodasse à ele. De imediato Kevin fez uma careta, porém ele virou o rosto para o lado oposto ao da luz, determinado a prosseguir com seu sono. Sarah não via outra alternativa se não o chamar até que ele acordasse. Ela odiava aquilo. Às vezes até se sentia como a mãe do seu próprio irmão.
Depois de uma longa tentativa de por Kevin de pé, ela finalmente conseguiu. Ele levantou-se com um olhos pesados e um tanto desnorteado, mas ela somente saiu do quarto quando o deixou prontamente de pé. Eles não poderiam se atrasar para o colégio, por isso Sarah correu para se arrumar no seu quarto.
Assim que abriu seu guarda-roupa, deparou-se com o casaco de Blaine que ela havia deixado ali pendurado em um dos seus cabides. Ela o pegou em mãos e voltou a cheirá-lo. O cheiro do perfume amadeirado ainda estava ali. Ela não pôde deixar de sorrir. Logo pegou e levou até sua bolsa. Iria entregá-lo assim que o visse naquele dia.
Quando finalmente ficou pronta, correu até à cozinha e comeu cereais ao leite, enquanto o pão estava na torradeira prestes a sair. Kevin também comeu cereais, afinal era o café da manhã mais prático que tinham, já que Sarah não havia acordado mais cedo para cozinhar omeletes com bacon. Depois que finalmente finalizaram tudo, ela pegou o seu carro na garagem, juntamente com Kevin e partiram rumo à escola.
Assim que chegou na escola de Heavenwood, Sarah estacionou enquanto Kevin saltava do carro. Ela trancou tudo e em seguida caminhou com o coração ardendo com as chamas da esperança. Até agora não tinha visto suas amigas por ali, então entrou na escola. Ao longe avistou suas amigas que acenavam para ela. Ela se aproximou com um sorriso largo.
― E aí meninas! ― disse Sarah por fim.
― E aí! ― responderam as duas.
― Você está melhor? ― perguntou Ava preocupada.
Sarah assentiu com a cabeça.
― Me lembrem de quebrar a cara daquele babaca quando eu o ver! ― disse ela indignada.
― Relaxa amiga! ― repreendeu-a Sarah. ― Ninguém vai agredir ninguém. Por sorte não aconteceu nada pior.
― Pois é! ― concordou Darla imediatamente. ― Se o Blaine Sexywoods não estivesse lá para ajudar poderia ter acontecido algo muito, muito pior.
― Você não tem jeito Darla! ― exprimiu Ava revirando os olhos.
― O que eu posso fazer se ele é um pedaço de mal caminho irmã?
― Não sei, mas acho ele muito estranho!
― Ele não é estranho ― interveio Sarah. ― Apenas é meio caladão. Além do mais ele me salvou e também foi muito gentil comigo!
Ava ficou em silêncio por algum tempo refletindo no que sua amiga tinha lhe falado.
― Bem, você tem razão. Eu não deveria julgar alguém antes de conhecer.
Sarah concordou com um gesto de cabeça. Parecia estar tudo resolvido.
Nora chegou minutos depois e todas a cumprimentaram.
― Nora! ― disse Ava abrindo um sorriso nervoso. ― Me desculpa pela festa no sábado. Eu queria ter ficado mais tempo com você lá!
― Relaxa! ― disse a garota sorrindo tranquilamente demonstrando não se importar com aquilo. ― Mas no fim das contas a festa acabou de qualquer forma depois que vocês foram embora.
― Como assim?
― O xerife Foster apareceu lá e acabou com tudo.
― Meu pai? ― Sarah questionou surpresa.
― Pois é! ― confirmou Nora. ― Ele simplesmente botou todo mundo para correr dali!
Todas ficaram em silêncio por algum tempo, então logo Nora levou Ava para conversarem melhor em outro lugar, enquanto Sarah e Darla permaneciam ali pegando os materiais necessários para a primeira aula.
― E então? ― Darla quebrou o silêncio finalmente. ― Você acha que pode rolar alguma coisa entre você e o Blaine Sexywoods?
― Eu não sei ― disse Sarah deixando escapar uma risada nervosa. ― Ele só apareceu no momento certo e me salvou.
― Será que ele é algum tipo de justiceiro noturno?
Sarah riu e meneou a cabeça. O sinal logo tocou, portanto as duas pegaram suas respectivas coisas e seguiram para mais um dia de aula.
☪☪☪
Quando o sinal para a hora do almoço finalmente tocou, Sarah juntou suas coisas e saiu da sala. Caminhou pelo corredor até o seu armário onde depositaria todo o seu material antes de finalmente se dirigir para o refeitório.
― Podemos conversar? ― perguntou ele num tom um tanto mórbido atrás dela.
Por um momento seu coração sentiu pontadas mais fortes e ela se virou para ver quem era antes de se decepcionar completamente.
― Não temos mais nada para conversar! ― disse ela por fim no tom mais ríspido que encontrou dentro de si.
― Por favor Sarah! ― ele pediu com uma voz chorosa. ― Será que você poderia me ouvir apenas?
― Eu posso te ouvir Janssen, mas eu não quero mais. Estou cansada de tantas desculpas. Você parece piorar cada vez que eu te perdoo.
― Sarah antes de mais nada eu queria te pedir desculpas, eu estava meio bêbado naquela noite! ― justificou-se ele com as mãos juntas quase como se implorasse à ela. ― Nos conhecemos desde pequeno. Você sabe que eu nunca faria mal à você.
Sarah recuou quando ele tentou se aproximar um pouco mais dela.
― Olha Janssen, depois daquela noite eu não tenho mais tanta certeza assim.
― Sarah, me perdoa de verdade.
― Não Janssen, eu acho melhor nós ficarmos longe um do outro. Essa relação já não é mais saudável. Não percebe que nós só estamos nos machucando?
Janssen respirou fundo concordando com a cabeça e dando um passo para trás. Parecia ter compreendido, mas logo sua expressão mudou repentinamente. Era nítido fúria em seu olhar. Sua boca se contraiu em uma risada de escárnio.
― Então é assim que você me trata depois de tudo o que eu fiz por você?
Sarah recuou. Não estava mais reconhecendo ele. Parecia outra pessoa diante de si. Alguém mais temperamental e sombrio com um olhar matador. Não compreendia como ele havia se tornado aquilo. Procurava um traço do amigo leal e sincero que a ajudou quando sua mãe morrera, mas não conseguia enxergá-lo.
― Janssen, você está me assustando!
Tudo o que ela queria naquele momento era correr para o mais longe possível dele, pois estar em sua presença já não parecia mais seguro. Ele se aproximou abruptamente o que fez Sarah se afastar.
― Acho melhor você ficar longe de mim ou vou ter que tomar medidas extremas, pois como você sabe, meu pai é o xerife da cidade e ele não mediria esforços para me manter segura. Com toda certeza ele colocaria um policial para garantir que você ficará à vários metros de distância de mim, então não arriscaria nada se fosse você.
― Ei! ― uma voz ecoou pelo corredor alta e firme.
Sarah virou-se para ver quem era e viu Blaine caminhando em sua direção à passos firmes, portando uma expressão feroz. Janssen parecia prestes a brigar quando Sarah o encarou, mas sua expressão logo mudou. De predador para presa rapidamente. Ele vacilou.
― Está tudo bem aqui? ― perguntou ele olhando diretamente para Sarah que logo se sentiu mais segura.
Ninguém respondeu nada, mas Janssen aos poucos se afastou deixando os dois ali.
― Por que será que toda vez que vejo ele perto de você, vocês estão brigando?
― Porque ele é um babaca. Não sei como não percebi isso antes. Algumas pessoas parecem simplismente se camuflar para não revelarem o que verdadeiramente são.
Blaine pareceu vacilar por um momento e não disse mais nada. O silêncio ocupou um espaço entre eles, tornando-se por um breve momento o centro dos dois.
― Ah, antes que eu me esqueça! ― Sarah abriu a bolsa e remexeu em algo lá dentro até tirar o casaco emprestado. ― Me manteve bastante aquecida naquela noite. Obrigada.
Blaine sorriu enquanto recebia de volta seu casaco. Eles se olharam por mais alguns segundos em silêncio que pareceram demorar um pouco mais do que realmente fora.
― Bem, acho melhor eu ir! ― disse ele começando a se afastar.
― Bem, que tal você vir almoçar comigo e as minhas amigas?
― Você tem certeza?
Sarah confirmou com um gesto de cabeça. Ele parecia decidir se aceitaria o convite ou não. Por fim deu de ombros e seguiu Sarah em direção ao refeitório.
Sarah se aproximou da mesa com o seu salvador. Estava empolgada. Darla dirigiu ao rapaz um sorriso largo, mas ele parecia um pouco desconfortável com tanta atenção recebida. Sarah apresentou suas amigas à ele e a medida que falava os nomes delas, trocavam apertos de mãos de modo cortês. Primeiro Darla, que fez questão de ter sua mão tocada pela dele primeiramente, depois Nora que sempre conseguia ser agradável sem muito esforço. Ele sorria timidamente. Era perceptível em seu rosto o rubor, mesmo tendo uma pele em tom de chocolate. Logo foi a vez de Ava. Ela estendeu a sua mão para que ele a pegasse, então assim ele fez, porém quando suas mãos se tocaram, ela caiu imediatamente no chão enquanto seu corpo sofria espasmos cada vez mais intensos, deixando todos ali no refeitório atônitos.
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