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ஓீ፝͜͜͡͡Sarah estava nervosa.
Em frente ao espelho, passava uma maquiagem básica para ressaltar ainda mais a sua beleza. O notebook estava ligado sobre a cômoda, pois estava fazendo uma chamada de vídeo com as amigas, que lhe direcionavam palavras positivas e vibravam por ela. Era a primeira vez que sairia com alguém com quem ela realmente sentia tudo o que sua mãe um dia lhe dissera. Blaine a fazia sentir as borboletas no estômago e quando sorria era como se o sol se abrisse em um dia nublado, aquecendo-a completamente.
Darla dava algumas dicas de maquiagem, já que era a mais vaidosa do grupo e eram seguidas à risca por Sarah, que confiava no bom gosto da amiga cegamente, pois ela sempre estava completamente impecável. Sarah passava o rímel em seus cílios, deixando-os bem erguidos. Por fim arrumou seus cabelos ondeados mais uma vez, jogando os sobre os ombros e se olhando mais uma vez no espelho para garantir que estava tudo perfeito.
Sarah trajava um vestido florido de alça e uma jaqueta jeans, já que a noite estava um pouco gelada e como andaria de moto, os ventos certamente a deixariam com bastante frio. Nos pés ela usava um sapato branco de cano alto que escondiam bem as suas meias. Ela se afastou um pouco da câmera, mostrando seu visual por completo para suas amigas, que a aplaudiram e até mesmo soltaram alguns assobios enaltecendo-a. Sarah girou completamente lisonjeada sentindo-se deslumbrante.
― Obrigada meninas ― disse Sarah se aproximando da tela. ― Vocês são demais!
Ela conferia seu celular, vendo se Blaine a ligava, tendo em vista que pegou o seu número na escola. Nada. Ele poderia chegar à qualquer momento, tendo em vista que a hora a qual ele havia proposto já estava quase em cima. Ela voltou o seu olhar para o notebook, levando-o até a cama, onde se sentou com ele em seu colo.
― Ai, estou muito ansiosa meninas! ― confessou Sarah respirando fundo enquanto sorria de nervoso.
― Relaxa amiga, vai dar tudo certo! ― assegurou Darla com toda a certeza que tinha dentro de si. Ava e Nora concordaram com ela, mostrando apoio.
― Aonde será que ele vai me levar? ― questionou Sarah. ― Ele me disse que era uma surpresa!
― Tenho certeza que vai ser num lugar bem romântico! ― respondeu Nora com um sorriso meigo.
Sarah sorriu.
― Acha que hoje pode rolar o primeiro beijo do casal? ― indagou Darla mexendo os ombros empolgada.
― Ah, eu já shippo com certeza! ― revelou Nora.
― É o nosso primeiro encontro! ― frisou Sarah. ― Não sei exatamente o que vai rolar!
O celular dela começou a tocar, então ela fez sinal de silêncio para suas amigas e atendeu no segundo toque. Do outro lado ela pôde ouvir a voz grave, porém aveludada, que fazia seu corpo estremecer apenas de ouvir. Ele disse que já estava em frente a casa dela, parado, apenas esperando que descesse para assim seguirem caminho para o lugar surpresa que ele havia reservado. Ela concordou e então desligou, enquanto suas amigas a observavam curiosas.
― Ele já chegou meninas ― revelou Sarah entusiasmada. ― Agora eu tenho que ir, falo com vocês depois. Cruzem os dedos por mim.
Elas cruzaram os dedos no mesmo momento em que ela disse aquilo, o que a fez rir divertida, ela se despediu, então por fim encerrou a chamada de vídeo, desligando o notebook logo em seguida. Ela voltou à frente do espelho dando mais uma conferida no visual, completamente vaidosa. Estava tudo certo. Ela saiu do quarto, pagando a luz e fechando a porta, depois desceu as escadas quase como se flutuasse, pois estava muito animada. Caminhou seguidamente até a porta radiante e a abriu, vendo que Blaine estava ali muito bem vestido sobre a sua moto. Ele segurava um capacete extra que fez a garota sorrir.
Ela fechou a porta atrás de si. Kevin estava com a chave reserva caso voltasse antes dela da casa dos seus amigos, então colocou a chave dentro da bolsa que carregava com sua carteira, maquiagem, caso precisasse retocar alguma vez, seu celular e algumas coisas mais. Ela se aproximou dele sorridente e nem precisava olhar diretamente para ele, para saber que estava sorrindo também.
― Você está linda! ― comentou ele num tom sereno.
― Obrigada! ― agradeceu ela. ― Você também!
― Obrigado!
Ele estendeu a mão na direção dela com o capacete e ela pegou, segurando em suas duas mãos. O capacete era em cor vermelha, diferentemente do dele, que era completamente preto. Ela destravou a pequena trava e em seguida pôs o capacete na própria cabeça. Blaine a chamou para mais perto e a ajudou a ajustar o sistema de retenção, até que ficasse adequado. A pessoa que usou aquele capacete antes dela, certamente era bem maior. Sarah por fim subiu na moto e ficou acanhada por um momento em colocar os seus braços ao redor do corpo dele, por mais que quisesse bastante fazer aquilo.
― É melhor se segurar firme! ― disse Blaine com uma risadinha, enquanto começava a acelerar, o que gerou um pequeno impacto sobre Sarah, que a fez agarrar quase que institivamente Blaine.
Era possível sentir o vento passando e cortando sua pele com toda a sua frieza, mas o calor que vinha do corpo de Blaine, fazia com que aquela sensação frívola, se tornasse um pouco menos impactante. O vento passava zunindo pelos seus ouvidos pela velocidade que atingiam na estrada. Ela nunca havia andado de moto antes, o mais perto que teve disso foi a experiência de estar em uma bicicleta quando era mais nova. Aquilo trazia boas lembranças da sua família de uma época que ainda estava toda reunida.
Ela não sabia ao certo pra onde estava sendo levada, mas podia imaginar um lugar com uma luz quente, talvez pudesse ter alguma música ambiente tocando em algum canto. Uma mesa para dois e uma toalha branca sobre a mesa. Já até mesmo podia imaginar o sabor dos pratos que poderiam ser pedidos e sentia-se contente.
Tudo o que mais pensava agora era como tudo aquilo lhe parecia tão romântico, andando com os braços ao redor do corpo dele, sentindo seu calor. Poderia até mesmo sentir o seu cheiro amadeirado, que a transportava pelas curvas mais sinuosas de sua mente, num delírio bom do qual tão pouco queria ser despertada.
Resolveu aproveitar aquele momento ao máximo, vendo a paisagem passar tranquilamente, enquanto apoiava o seu corpo no dele. A brisa da noite soprando em seus cabelos, fazendo eles dançarem em suas costas, enquanto ela idealizava o que havia de melhor para acontecer naquela noite.
Continuaram seguindo pela cidade até que ele entrou pela estrada de terra. Sarah ainda não sabia para onde estavam indo e agora muito menos poderia imaginar. Tudo o que via naquele momento eram árvores e mais árvores passando e quilômetros de terras verdes, até que por fim pôde ver uma casa bastante bonita de dois andares mais ao longe.
― Chegamos! ― disse Blaine por fim.
A casa era toda feita de madeira. Era bastante rústica, porém com um toque de modernidade com janelas de vidro e também as portas. Ele finalmente estacionou a sua moto na frente da casa. Sarah desceu da moto e a olhou de frente. Era ainda mais bonita de perto. A casa tinha uma varanda com um banco acolchoado alojado no canto que cabia até duas pessoas. Também tinha uma escada que dava até a varanda. Nas laterais, tinham alguns vasos com plantas que adornavam o lugar.
― Seja bem-vinda a minha casa! ― disse ele ao tirar o seu capacete.
― É uma casa muito bonita! ― confessou ela.
― Bem, obrigado!
― Se o jantar era na sua casa, por que não me mandou a localização e eu mesma poderia vir até aqui dirigindo?
― E perder a chance de ter você me abraçando?
Sarah corou quase que imediatamente ao ouvir aquelas palavras, foi impossível não sorrir. Blaine realmente era um cara bastante romântico e sabia fazer bom uso de suas palavras, o que realçava ainda mais o charme que emanava naturalmente dele.
― Bem, vamos entrar, preparei um jantar bastante especial para nós dois!
Sarah riu e concordou com a cabeça, deixando-se ser guiada por ele até dentro da casa. Ele abriu a porta para ela entrar, então assim que passou pôde ver um belo lugar. Eles seguiram pela sala, onde ela pôde ver um sofá de três lugares duas poltronas, além de uma raque com uma TV. Haviam uma mesa de centro com uma pequena escultura sobre ela.
Eles finalmente chegaram a uma sala de jantar, onde uma mesa de madeira com cadeiras acolchoadas jaziam. No centro da mesa havia uma vela que ainda não estava acesa sobre ela. Ele a convidou para mais perto, puxando uma das cadeiras para que ela se sentasse, então a garota assim fez, colocando sua bolsa no colo.
― Eu cozinhei hoje especialmente para você! ― revelou ele com um sorriso no rosto, franzindo o cenho. ― Espero que goste da minha comida!
― Você cozinha? ― interpelou Sarah surpresa.
― Eu tento! ― divulgou ele. ― Meu paladar nunca reclamou, mas sou suspeito para falar.
Sarah riu.
― Bem, vamos ver então!
Haviam alguns quadros pendurados na parede com algumas flores desenhadas. Mais à frente havia uma divisória da sala de jantar para a cozinha e Blaine se dirigiu até lá para pegar os pratos e os talheres. Ele voltou carregando em uma das mãos pratos de porcelana um sobre o outro, facas e colheres de alumínio dentro dos pratos, então os posicionou sobre a mesa. Na outra, ele carregava um acendedor, então aproximou da vela que estava apagada, encostando a chama que oscilava no bocal, ascendendo o pavio. Ele olhou para ela sorrindo, que lhe devolveu o mesmo gesto.
Ele voltou até a cozinha e finalmente trouxe a comida dentro de travessas de vidro. O arroz parecia bastante apetitoso, com pequenos pedaços de frango desfiado. O macarrão estava com molho de tomate e com queijo ralado em toda a sua superfície, além de pedaços de calabresa misturados. A boca de Sarah encheu-se de água ao sentir o aroma dançando em suas narinas. Ele posicionou tudo na mesa depois pegou algumas taças de cristal e um refrigerante.
― Uau! ― falou ela impressionada. ― Você caprichou bastante. Parece que está tudo muito bom.
― Espere só pela sobremesa! ― disse ele. ― Fiz minha especialidade!
― Mal posso esperar!
Ele sentou-se, então colocou a própria comida. Sarah serviu-se também, então começaram a comer aquele alimento. A primeira colher parecia que havia entrado num portal para o céu. O tempero que Blaine usara ali era bastante saboroso. A boca dela sofria uma explosão de sabores que a fazia querer comer cada vez mais. Blaine não era apenas bonito, como também um ótimo chefe de cozinha. Sarah não pôde deixar de exaltar aquele preparo.
― Uau! ― disse maravilhada. ― Isso está fantástico!
― Que bom! ― Blaine riu aliviado. ― Estava preocupado que não gostasse!
― Você é um ótimo cozinheiro!
― Meus pais me ensinaram bem!
― Falando nos seus pais, onde eles estão?
― Viajando! ― respondeu Blaine dando de ombros. ― Eles viajam bastante devido ao trabalho!
― E de que eles trabalham? ― indagou Sarah curiosa, agora que tinham tocado no assunto.
― São Consultores!
― Ah, isso é legal!
Blaine concordou.
― Mas e você? ― perguntou ele bastante interessado. ― Me conta mais sobre você!
Sarah pensou um pouco no que poderia falar sobre ela. Parecia uma tarefa um pouco mais difícil do que imaginava. Com Blaine por perto, tudo parecia escapar de suas mãos, ela mal conseguia se concentrar em si mesma.
― Bem, o que eu posso dizer sobre mim? ― perguntou a si mesma em voz alta. ― Fui nascida e criada aqui em Heavenwood, meu pai é o xerife Foster, eu gosto bastante de filmes e séries clichês e sonho em um dia ser uma grande escritora!
― O que gosta de escrever? ― perguntou ele estimulado.
― Bem, romances são o meu ponto fraco!
Ele sorriu.
― Eu aposto que você seria uma escritora incrível!
Sarah riu tomando um gole do refrigerante antes que todo o gás fosse embora. Blaine fez o mesmo. Eles voltaram a comer mais um pouco sob a pouca luz das velas. Sarah não podia estar mais envolvida. Seu coração batia fortemente, pois cada gesto, cada olhar, cada sorriso, era o suficiente para eclodir em seu interior, numa explosão multicolorida na dimensão mais bela. Ela voltou a sentir aquele frio na barriga, enquanto olhava-o. Cada canto do rosto dele parecia ter sido feito sob medida. O cabelo caindo sobre os olhos, a boca corada naturalmente, aquela pele amarronzada e os seus olhos estreitos a faziam viajar. Poderia ficar ali pelo tempo que fosse o admirando e ele parecia querer o mesmo, pois seus olhos não perdiam a oportunidade de estarem sobre ela.
Assim que terminaram de comer, Blaine recolheu os pratos da mesa e levou as sobras para a geladeira. Sarah ficou ali sentada esperando o que mais estava por vir. Em seguida o garoto voltou com duas vasilhas de vidro com algo bastante cremosos dentro. Uma colher pequena de alumínio, então ele colocou à frente dela e ela admirou. Haviam algumas raspas de chocolate sobre a cremosa cobertura.
― Pavê! ― revelou ele. ― A minha especialidade!
― Hum, parece estar delicioso!
Sarah pegou a colher e por fim tirou um pouco, levando até a sua boca e ficando completamente inebriada com o sabor doce que atingiu seu paladar. Ela fez um barulho com a garganta aprovando aquela sobremesa enchendo Blaine de orgulho do seu feito, enquanto liberava um belo sorriso de satisfação para ela, que continuava colocando mais e mais colheres na boca carregadas daquele preparo.
― Você tem mãos de anjo! ― elogiou Sarah por fim depois de já ter terminado completamente a porção que ele havia lhe dado.
― E você tem o rosto como de anjo! ― disparou ele.
Sarah sorriu timidamente, então ele recolheu as tigelas vazias e levou até a cozinha para lavar. Ele pegou um pano de prato e colocou sobre os ombros, então ligou a torneira. Sarah levantou-se e se aproximou da divisória com uma bela pedra de mármore sobre ela. Ela o assistiu por um momento lavando os pratos sujos, o que a fez sorrir. Ele parecia ser um garoto bastante responsável. Ela caminhou até ele e puxou o pano de prato de seu ombro, o que fez com que ele olhasse para trás na direção dela. Ela sorriu para ele, lhe dando certa confiança.
― Tive uma ideia! ― expôs ela. ― Você lava e eu seco!
― Adorei a ideia! ― concordou ele.
Ela sorriu, então assim foi. Blaine lavava os pratos e Sarah os secava de uma maneira harmoniosa, quase como uma engrenagem bem projetada. Não demorou muito até que eles já tivessem encerrado. Blaine por fim levou os pratos e talheres até o armário, pondo-os de maneira organizada e fechando. Ele voltou-se para ela sorrindo. O jantar havia sido bastante agradável, mas Sarah se perguntava se era hora de ir embora ou de ficar um pouco mais. Não sabia ao certo o que fazer depois dali. No seu relacionamento anterior, Janssen sempre tinha uma programação a seguir, então não se preocupava tanto, mas com Blaine tudo era diferente. Tudo era novo. Eles ficaram ali parados por algum tempo se olhando mergulhados no silêncio até que Blaine finamente disse:
― Quer conhecer o resto da casa? ― perguntou um tanto receoso pela resposta.
― Tudo bem! ― respondeu Sarah dando de ombros.
Blaine então a guiou para o andar de cima da casa, onde estavam os quartos. Na escada, Sarah pôde ver algumas fotos de Blaine com dois homens abraçados à ele. Um deles tinha o cabelo tingido de loiro, pois dava para ver as raízes negras no centro de sua cabeça. Os cabelos dele chegavam até a altura dos ombros, olhos intensamente negros e estreitos assim como os de Blaine, além de um sorriso bastante marcante. Já o outro tinha cabelos encaracolados aparado dos lados, olhos escuros e uma pele cor de chocolate. Pareciam ser uma família bastante feliz.
― Esses são meus dois pais! ― disse Blaine apontando para a foto na moldura que Sarah encarava.
― Vocês são uma família bem bonita!
Blaine olhou para ela por um instante e sorriu. Continuaram seguindo pela escada até que finalmente atingissem o outro cômodo. Blaine rumou para o lado esquerdo, onde Sarah imaginou que poderia ser o quarto dele. Um certo nervosismo a apertou assim que imaginou aquela possibilidade, mas continuou mesmo assim. Blaine abriu uma porta branca e ela pôde ver um quarto comum com uma cama de casal com uma colcha azul e alguns travesseiros. A parede também era azul e havia uma mesa com um computador sobre ela e uma cadeira giratória. Também havia uma estante na cor branca com alguns livros sobre ela que dava um belo contraste. Ele fez gesto para que ela entrasse e ela assim fez.
O chão era todo feito de madeira clara, além de um belo tapete nas cores cinza e bege que ficava ao lado da cama. Também tinha uma mesa-de-cabeceira ao lado da sua cama com um abajur e um retrato de Blaine quando era menor. Sarah foi até lá conferir aquilo mais de perto e não pôde deixar de sorrir ao ver como Blaine era tão fofo como uma criança. Tinha as mesmas características no rosto que tinha agora, mas era tudo mais brando e delicado.
― Você era uma criança muito fofa! ― emitiu ela com um sorriso.
Blaine se aproximou dela um tanto envergonhado.
― Esqueci que eu tinha essa foto aí! ― confessou ele um pouco embaraçado.
Ele pegou a foto das mãos dela e por fim a colocou no lugar de antes pegando na mão dela, o que fez o coração dela bater mais forte por um segundo. O toque dele era quente e reconfortante. Ele logo percebeu o que tinha feito por puro reflexo para levá-la de volta para o andar de baixo, mas agora parecia tarde demais para voltar atrás, então permaneceu com sua mão na dela para ver o que ela faria a seguir, mas tudo o que ela fez foi olhá-lo nos olhos. O silêncio era absoluto entre eles, mas mesmo sem dizer nada, podiam sentir o olhar um do outro aquecendo seus rostos como se o sol os atingisse numa manhã calorosa.
Sarah tirou o seu olhar do dele, sorrindo por um momento um tanto acanhada. Ele sorriu e então entrelaçou os seus dedos nos dela, ganhando mais uma vez o olhar da garota no seu. Os olhos dela brilhavam mais que mil constelações naquele momento e ela também podia ver isso através dos olhos dele. O coração dela batia fortemente dentro de sua caixa torácica sentindo as pontadas gélidas que se faziam presente, junto com as borboletas que pareciam voar em círculos, passando suas asas suavemente pelas paredes do seu estômago.
O rosto dela estava aquecido e ela sabia que estava vermelha, mas esperava que a pouca luz naquele quarto não desse para notar tão claramente aquilo, já que sua pele era extremamente clara. Pelo modo como ele sorria, talvez já tivesse percebido que ela estava naquelas condições, mas mantinha sua pose composta.
Ele se aproximou vagarosamente dela, o que fez o coração dela quase sair pela boca, mas se manteve no mesmo lugar, fingindo tranquilidade. Seus dedos ainda estavam entrelaçados aos dele. Sarah apenas assistia o rosto dele ficando cada vez mais perto do seu, até que ela pudesse finalmente sentir o ar quente que saía por entre seus lábios. Ele continuou chegando mais próximo até que seus narizes se tocassem, roçando um no outro até que os seus lábios finalmente se encontrassem, trazendo uma sensação ao coração dela que ela nunca havia sentido antes em sua vida.
Ela soltou a mão dele imediatamente e as levou até o rosto do rapaz. Sentiu sua pele quente, enquanto seus lábios pareciam se encaixar bem um no outro. O seu ser parecia completamente vivo e por um momento parecia que existia apenas eles dois no mundo inteiro. Nada mais importava. Sua cabeça não pensava em mais nada a não ser no quanto os lábios dele eram tão viciantes. Ela não queria mais parar uma vez que começou. O beijo era terno e lento, até que aos poucos começou a ficar mais intenso, então seguiu daquele jeito cada vez mais desesperado, até que seu ar foi tomado quase que completamente, fazendo com que finalmente afastasse sua boca da dele par respirar.
Ela mantinha a sua testa colada na dele, enquanto sentia os braços dele ao redor do seu corpo e sua mão continuava no rosto dele. Ela sentia o hálito quente dele se condensando ao seu. Ela ainda mantinha os olhos fechados aproveitando cada segundo daquela sensação que era tão agradável. Queria voltar a beijá-lo, mas antes ainda precisava recuperar o ar que havia se perdido outrora naquele beijo.
― Uau! ― disse Sarah por fim com um sorriso lhe ganhando os lábios.
Ela finalmente abriu os olhos encarando o rosto de Blaine, aqueles olhos estreitos a observando com um brilho mais que especial. Sarah estava mais que nas nuvens. Nunca pensou que um beijo poderia ser tão bom daquela forma. Já fizera isso diversas vezes com Janssen, mas nenhum a arrancou um suspiro tão profundo. Talvez o tempero do beijo seja a paixão ardente que incendeia o peito e faz tudo dentro do ser explodir como fogos de artifício no céu na noite da virada.
Ela pôde ver um sorriso se formando entre os lábios de Blaine. Aquele sorriso tão encantador que a transportava para lugares aonde as mais belas coisas aconteciam. O contorno de seus lábios era como a perfeição. Ela queria mais deles. Muito mais. Ela aproximou novamente sua boca da dele, beijando-o com paixão. Parecia provar do mais doce néctar e simplesmente não queria mais se afastar. A sensação que ele trazia à todo o seu corpo era incomparável. Ela poderia ficar ali para sempre se perdendo ainda mais nas suas carícias.
☪☪☪
Ela estava novamente agarrada à ele na moto voltando para casa. A noite fora até mais perfeita do que podia imaginar. Blaine a respeitou completamente, mesmo estando sozinhos naquela casa. Ele não avançou nenhum sinal que ela não permitiu, mas pela primeira vez ela quis ir mais além com alguém, mesmo que não tivesse se permitido naquela noite. Talvez finalmente o momento pelo qual tanto se reservou, estivesse finalmente prestes a acontecer e aquilo estava florescendo aos poucos dentro de si.
Ainda podia sentir a sensação dos lábios dele nos seus e aquilo a fez sorrir. Sentia aquela energia percorrer o seu corpo, apenas de recordar aquilo. Ela mordeu o lábio inferior, deixando que aquela sensação inquietante se apoderasse do seu corpo, acendendo-a por dentro. Estava mais radiante do que nunca esteve antes.
Até mesmo o caminho que lhe parecera tão longo na ida, agora era tão pequeno, que já podia reconhecer aquelas estradas. Estava próximo de sua casa. Queria que aquele caminho se prologasse um pouco mais para permanecer abraçada à ele.
Já podia ver a casa onde residia ao longe. Não demorou muito para que Blaine estivesse estacionando na frente da casa dela. Ela desceu por fim, tirando o capacete e passando a mão pelos cabelos para arrumá-los. Ela entregou-lhe o capacete sorrindo e ele também sorria para ela. Ele tirou o capacete revelando seu rosto completamente. Ele ficou olhando-a por um momento como se admirasse a mais bela obra de arte.
― Eu amei passar essa noite ao seu lado! ― disse Blaine por fim, o que arrancou mais um sorriso dela.
― Eu também!
― Acho que um beijo de boa noite viria bem a calhar agora! ― disse Blaine dando uma risadinha.
Sarah também sorriu, se aproximando dele e por fim dando um último beijo nos lábios dele. Ela queria se desvencilhar dele, mas seus lábios eram muito convidativos para que ela os deixasse. A sensação de ter ele ali tão próximo de si era incomparável. Era como estar navegando em águas profundas.
Quando finalmente se afastou dos lábios dele, eles se olharam por algum tempo trocando sorrisos. Ela queria voltar a beijá-lo um pouco mais, porém precisava se conter para que ele fosse embora. Não podiam ficar ali para sempre, por mais que essa ideia lhe parecesse bem mais convidativa, mas não havia nenhum sentido naquilo, apenas precisava deixá-lo regressar ao seu caminho.
Blaine volveu o capacete em sua cabeça com o visor levantado, até que ele o abaixou por fim, acenando com a cabeça, ligando a moto novamente e acelerando, enquanto ela apenas o assistia se afastando cada vez mais, subindo a rua até que desaparecesse completamente no horizonte. O coração dela se sentiu vazio por um mísero momento, mas logo as lembranças daquela noite preencheram todo o seu ser, intercalando suas emoções mais significativas.
Sarah caminhou saltitante para dentro de casa, pegando a chave de dentro de sua bolsa e a colocando na tranca, girando-a e por fim destrancando a porta. Ela remoinhou a maçaneta abrindo o limiar e entrando, não esquecendo de limpar os pés no tapete antes do umbral. Ela fechou a porta e logo subiu as escadas, não conseguindo conter o riso em seu rosto.
― A madame chegou! ― ela ouviu uma voz grave atrás de si, o que fez com que ela sentisse uma pontada no peito e parasse nos degraus da escada com o sorriso sumindo do seu rosto, virando-se na direção do som. Kevin estava parado encarando-a com os olhos curiosos. ― Como foi o seu encontro com o cara da moto que vi você beijando ainda pouco?
― Foi tudo ótimo! ― respondeu ela com um sorriso voltando a ocupar a sua expressão. ― E você, como foi com os seus amigos?
― Foi bem legal! ― confessou ele dando de ombros.
― Que bom! ― exprimiu ela com um gesto de cabeça. ― Bem, vou para o meu quarto agora, boa noite!
― Boa noite!
Sarah subiu os degraus restantes e por fim chegou ao corredor que a levaria para o seu quarto. Assim que alcançou a porta, entrou apressada para se jogar na cama e pensar sobre aquela noite maravilhosa que tivera com Blaine Blackwoods. Ela tocou o próprio lábio com os rastros dos beijos de Blaine, voltando a recordar a sensação que sentiu explodindo dentro do seu ser. Não conseguia parar de sorrir e tinha quase certeza de que também mal conseguiria dormir, pois seu coração estava batendo aceleradamente dentro do seu peito, pelo efeito que ele causava dentro dela, como se um milhão de estrelas se encontrassem em uma dança pelo infinito.
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