Tamura

Suas espadas brandiam na densa escuridão, tudo que a iluminava era os relâmpagos que caiam. Seus movimentos eram rápidos, apenas os rastros de luz deixados pelas skills eram visíveis. Golpe após golpe eles trocaram incessantemente, tudo que ele sentia era dor, arrependimento, e um grande pesar. Até que finalmente...

"Esse é o futuro que lhe aguarda se continuar nesse caminho, Adam."

Adam acordou em seu quarto. Seu coração batia rápido, e um sentimento de medo o envolveu.

— Isso foi um sonho? — Disse ele levando a mão até a cabeça.

"Minha cabeça dói..."

— Adam já estamos chagando. Já está pronto? — Disse Tordy batendo na porta.

— Me dê três minutos!

— Certo. Mas não se atrase.

"O que será que foi aquele sonho?"

Adam se levantou da cama e se aprontou. Logo depois foi até a sala de comando da nave onde estava. Abrindo a porta, na sala estavam Tordy e Mira.

— Finalmente acordou. — Disse Mira.

— Está bem frio hoje... — Disse Adam se aproximando deles.

— Estamos a poucos dias do inverno. Acho que falta uma ou duas semanas. — Completou Tordy.

— Onde está o Bronn? — Perguntou Adam.

— Deve estar bebendo em algum lugar da nave. — Respondeu Mira.

— Ah! Olhem. — Disse Adam abismado com a paisagem. O céu totalmente azul, as cachoeiras, as montanhas flutuantes, era sem duvida o lugar mais lindo de Zesthirya.

— Sim... Bem-vindo a Tamura, Adam.



Depois de desembarcarem, eles andaram um pouco pelo porto da cidade principal de Tamura, Lefen-Krandy. O porto estava lotado de naves. Não era incomum, já que era uma cidade neutra, e o centro do mercado global. Por onde se andava podia sentir incontáveis cheiros, e ouvir muitas línguas diferentes. Como o idioma nórdico, falados pelas pessoas que moram no estremo norte, o élfico, e muitos outros.

— Não achei que esse lugar fosse tão animado. — Disse Adam.

— Nem eu... — Completou Tordy.

— Tamura evoluiu muito com o passar dos anos, por ser um território neutro a guerra entre Acácia e Thelari não chegou aqui.

— Guerra? — Perguntou Adam.

— Não é uma guerra onde os exércitos atacam uns aos outros, está mais para uma...

—... Guerra fria...

— Sim. E pelo que eu soube, um portal Celestial apareceu aqui em Tamura. — Completou Mira. — Vamos, temos uma reunião para ir.

***

— Finalmente chegamos! — Disse Magnos descendo da nave.

— Sim... — Disse Don que aparentava estar cansado. — Onde está Clarys? — Perguntou ele a Kay, que estava atrás dele.

— Deve estar no quarto. — Respondeu Kay depois de um longo bocejo.

— Acho que a ouvi dizer que estava se sentindo meio mal. — Disse Magnos.

— Ah! — Suspirou Don. — Kay, volte e avise o capitão para dizer a ela aonde vamos.

— Agora?

— Sim. Agora. — Respondeu Don num tom sério.

— Certo, certo!

Kay voltou para nave fazendo cara feia. Enquanto Don e Magnos andavam em direção à pousada, Clarys os observava do quarto. Mas diferente do que eles achavam ela estava bem, e já estava com sua roupa de luta.

"Melhor me apresar..."

— Senhora Clarys, o Capitão Calahan pediu para avisa-la que eles estão indo até a pousada.

— Certo. — Respondeu ela se fingindo de doente. — Assim que eu melhorar eu vou.

— Entendido.

Clarys, que estava de pé ao lado da janela de seu quarto andou até o centro do mesmo e levantou sua mão direita. — Ahrtharan onuen kamiz. — Ela conjurou um portal de curta distancia.

— Vamos lá!

Enquanto Clarys fugia, Don, Magnos e Kay, andavam pelas ruas da cidade.

— A cidade está bem cheia, não é? — Perguntou Kay.

— Sim, acho que é por causa do portal Celestial. — Respondeu Magnos. — A maioria dessas pessoas são aventureiros. Não sente o fluxo de mana?

— Na verdade não. — Respondeu Kay coçando a cabeça.

— Vocês se lembram de onde é a pousada? — Perguntou Don olhando o mapa holográfico em seu braço robótico.

— Acho que ficava por... — Kay foi interrompido por Magnos.

— Don, veja quem está ali.

— Ai merda! Amira!?

Mira, Adam e Tordy estavam indo até o local da reunião quando Don os avistou.

— O que faremos Don? — Perguntou Kay.

— Vamos segui-los. — Respondeu Don enquanto os observava. — Vamos antes que sumam de vista!

***

Mira, Adam e Tordy andavam pelas ruas da cidade. Estavam em busca do local que Mira falou que haveria uma reuniam, e depois de um tempo eles finalmente o encontraram.

— É aqui? — Perguntou Adam.

— Sim, é o melhor lugar para não chamar atenção.

O local em questão se tratava de um armazém abandonado na região do porto de Lefen-Krandy.

— Esperem aqui. Eu já volto.

— Certo. — Disse Tordy enquanto a olhava entrar.

— Você está bem? Desde que chegamos você está meio distante.

— Estou bem, Adam. É só o cansaço da viagem. Afinal ficamos três dias numa nave. Só estou surpreso de você não estar enjoado.

— Eu também. É como se eu estivesse acostumado com a sensação... — Adam parou de repente.

— O que foi?

— Por um instante pareceu que eu iria me lembrar de algo, mas... mas...

Tordy o encarou enquanto Adam se debatia em seus pensamentos.

— Podem vir. — Disse Mira saindo do armazém. — O que ouve?

— N-nada. Foi só um mal estar. — Disse Adam forçando um sorriso.

— Vamos entrar logo. — Disse Tordy.

Enquanto eles caminhavam em direção ao armazém, Don, Kay e Magnos os observavam do terraço de uma construção não muito longe dali.

— Vamos invadir? — Perguntou Magnos.

— Não. Se fizermos isso eles saberão que estamos os vigiando. Por hora vamos apenas observar.

— Ei Don, aquele cara ali parece ter nos visto. — Disse Kay.

Don pegou o binóculo e olhou na direção do velho armazém. E percebeu que Tordy aparentemente os tinha visto.

— Se ele tivesse nos visto já teria avisado a Amira. — Disse Don olhando para Tordy que acabara de entrar no armazém. — Fiquem de olho.

"Devia ter trazido o equipamento."

Pensou Don enquanto se sentava ao lado de Magnos.

Enquanto isso, no armazém, Mira fazia uma cara de descontentamento ao ver quem os estava esperando.

— Olá Mira, já faz um tempo.

— Vamos logo com isso. Não quero ficar olhando para essa sua cara de bunda por muito tempo, Zeck.

***

Clarys estava fora do porto de Lafen-Krandy. Andava pela cidade a procura de algo, e por todo lugar que passava, tentava memorizar tudo que via. Depois de um tempo, ela finalmente encontrou o que procurava numa praça, sentada em um bando e vestida de preto estava uma elfa negra lendo um livro.

— Oi. — Disse Clarys se aproximando.

A elfa levantou o rosto e ao ver Clarys em sua frente deu um leve sorriso.

— Qual é a graça? — Disse Clarys emburrada.

— Você cortou o cabelo.

— Por isso está agindo feito criança?

— Não, é que você ficou mais feia que antes! — Disse a élfa rindo sem parar.

— Sua... — Clarys deu um suspiro e logo depois em leve sorriso. — Senti sua falta, Elza.

— Claro que sentiu.

Clarys se sentou ao lado de Elza.

— E então? Você conseguiu? — Perguntou Clarys.

— Espero ser recompensada adequadamente. Não foi fácil sabia?

— Não se preocupe com isso.

— Não é de dinheiro que estou falando. Sou uma traficante de informações afinal. — Disse Elza com um enorme sorriso de satisfação.

— Pare de enrolar fale logo. — Disse Clarys irritada.

— Certo, certo. — Ela deu um suspiro. — As informações que foram passadas ao seu grupo estavam certas.

— Quanto por cento?

— Cem por cento! Clarys... aquele plano é doentio!

— Eu sei. Por isso temos que mata-la. E eu acho que sei como. — Disse Clarys. E em seu olhar estavam a força e a determinação para fazer o que era necessário.

***

Mira, Adam e Tordy estavam em um armazém abandonado na região do porto de Lefen-Krandy. Zeck estava lá também.

— Não vou tomar o tempo de vocês, então vou falar logo. Como sabem, apareceu aqui em Tamura um portal Celestial. E esse portal emana uma energia magica incrivelmente forte, e foi exatamente isso que despertou os Colossos, que até então achamos que estavam extintos. Sua missão é matar os três Colossos que despertaram.

— Mas por quê mata-los?

— O motivo é simples, senhor Adam. Precisamos da energia magica deles para alimentar as fabricas de energia em Thelari. E sem energia o exercito ficará completamente exposto. Entendeu?

— Sim...

— E como recompensa, o rei lhes prometeu acesso ao portal Celestial. — Completou Zeck.

— Prometeu?!

— Eu fiz um acordo com o rei para ter acesso ao portal. — Disse Mira.

— Agora que está tudo explicado, descansem. Vocês começarão ao amanhecer.

Do lado de fora do armazém, Don, Kay e Magnos estavam de prontidão.

— Até quando ficaremos aqui? — Perguntou Kay entediado.

— Até eles saírem. — Respondeu Don, que também estava entediado. — Magnos me dê uma boa noticia.

— Bem, eles estão saindo.

— O que!? E você não disse nada? Sai, deixe-me ver! — Disse Don tirando o binoculo das mãos de Magnos, que se sentou ao lado de Kay.

— Você insuportável quando está ansioso. — Disse Kay.

Don os observou atentamente, mas infelizmente ele só podia fazer isso já que nem seu braço robótico poderia sintetizar o que falavam de tão longe.

Mira, Adam e Tordy conversavam na entrada do armazém.

—... Então encontro vocês na nave mais tarde. Vou atrás do Bronn. — Disse Tordy.

Depois de se afastar um pouco de Adam e Mira, Tordy olha de relance novamente para onde Don e os ouros estavam.

"Estavam nos seguindo?"

Pensou Tordy enquanto andava.

— Vamos!

— Finalmente! — Disse Kay.

— Sim... — Disse Magnos se espreguiçando.

— Podem ir na frente. Encontro vocês depois.

E enquanto isso Adam e Mira andavam de volta para nave.

— Adam... — Disse Mira Parando de repente. — Precisamos conversar.

***

Kay e Magnos acabaram de chegar à estalagem. Kay acabara de pegar as chaves dos quartos, já que não podiam ficar na nave.

— Kay pare de flertar com a recepcionista e vamos logo! — Disse Magnos um pouco irritado.

— Certo, certo! Desculpe gatinha, nos falamos em outro momento. — Depois de dizer isso Kay deu uma piscada para ela.

— Me liga mais tarde. — Disse ela sorrindo.

Kay acenou com a cabeça e foi na direção de Magnos. — Olha o que eu consegui. — Disse Kay orgulhoso.

— Eu nunca vou entender como um idiota como você consegue fazer isso...

— Vem, vamos logo.

Depois de subir as escadas e andar pelos corredores, eles chagaram em seu quarto. Nele tinham quatro camas, uma janela na parede do fundo, e Clarys. Que acabara de chegar por um portal de curta distancia.

— Está aqui há quanto tempo? — Perguntou Kay.

— Acabei de chagar. — Respondeu ela se sentando na cama. — Onde está o Don?

— Foi resolver umas coisas. — Respondeu Magnos. — O que foi? Você não parece bem.

— Eu descobri uma coisa muito ruim.

Há alguns quarteirões dali, Don estava tomando uma cerveja em um bar. Ele estava sentado no balcão.

— Te achei. — Disse um homem se aproximando.

— Vi você e seu grupo mais cedo.

— Então era você nos seguindo... que bom que não eram os traficantes de informação de Acácia.

— Você vai beber alguma coisa ou vai ficar ai parado?

— Só se você pagar.

Don a acenou com a cabeça. O homem então se sentou ao lado de Don e pediu uma bebida.

— E então? Por favor, me diga que aquelas informações que recebemos de nossos informantes na corte do rei de Thelari estavam erradas.

— Ela vai continuar com o plano. — Disse o homem com pesar.

— Pelos Deuses... e o garoto?

— Eu não sei ao certo qual lado ele vai escolher. Mas acho que sei como convencê-lo.

— Espero que saia mesmo. Ou estaremos mortos.

***

— E então? O que queria conversar? — Perguntou Adam enquanto caminhava ao lado de Mira.

— É sobre nossa missão. Nossa missão de verdade.

— O que quer dizer?

— Anos atrás eu descobri o que está acontecendo com o Reino Demoníaco. Ele está se desfazendo...

— Eu soube... sinto muito.

— Como soube?

— Li em algum lugar.

"Acho que devo dizer a ela..."

— Isso é culpa dela... da deusa da Criação, Alice. Se ela não tivesse separado os Reinos isso não teria acontecido... — As lagrimas começaram a escorrer pelo rosto dela.

— Mira...

— Mas quando eu soube do portal Celestial aqui em Tamura, eu pesquisei e então descobri uma como salvar meu mundo.

— Isso é ótimo! Como?

— Vou trazer o Reino Demoníaco para Zesthirya.

— O-o que!? E isso é possível?

— Sim. Mas para fazer tal coisa precisarei do portal Celestial. Eu usarei o poder que flui dele para invocar o Santo Graal, e assim vou fundir o Reino Demoníaco com Zesthirya.

— Então aquele acordo com o rei de Thelari era para isso...

— Sim. Mas ele me fez prometer que me casaria com ele quando eu acabasse.

— S-se casar!?

— Um pequeno preço a se pagar pela sobrevivência de meu povo. Adam, você está comigo não é?

— Claro! — Adam então a abraçou. — Não deixarei seu mundo acabar como o meu. Eu juro!

— Obrigada, Adam. — Disse ela chorando.

Um tempo depois eles voltaram para a nave. Tordy estava em um sofá, e aparentava estar exausto.

— Cadê o Bronn? — Perguntou Mira.

— No banheiro passando mal. Ele bebeu demais.

— Ele está lá há quanto tempo?

— Uma hora eu acho.

— Adam vá ver como ele está.

— Certo.

— E não entre no banheiro. Está podre. — Disse Tordy. Adam acenou com a cabeça e foi até Bronn.

Mira se sentou ao lado de Tordy. — Eu contei para ele. — Disse ela.

— Tudo?

— O suficiente.

— Isso não vai acabar bem, Mira.

— Não saberemos até chegar o momento. — Disse ela sorrindo. — Estou indo para cama. Depois dê algum remédio para o Bronn.

— Está bem. Boa noite.

Mira foi até seu quarto, e após fechar a porta, trocou de roupa e se deitou.

"Está tudo indo como planejado, só espero que continue assim."

E no dia seguinte, sua missão começou.

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