Recomeço


Já fazia algum tempo desde que anoiteceu. As brasas da fogueira se espalhavam pela caverna, e Adam estava deitado perto da entrada. A mulher de preto estava sentada à sua direita afiando a espada com uma pedra de amolar.

Adam acordou meio tonto, estava tudo doendo. Principalmente o lugar onde o cyborg lhe deu um soco. Ele tentou levantar, mas sentiu muita dor, desistindo da ideia na hora.

— Se eu fosse você não me mexeria tanto... — A mulher disse enquanto ainda afiava sua a lâmina de sua espada. — Você fraturou muitos ossos. Demorou muito para te curar.

Adam a encarou com dúvida e meio confuso com o que ela havia dito. "Curar"?

— O-obrigado... — Ele disse ainda se entender em o que estava acontecendo. — Obrigado por me ajudar por me ajudar, eu acho... — Ela o encarou por um momento, curiosa pela dúvida do rapaz. — Não quero parecer rude, mas... quem é você? Porque aqueles robôs estavam atrás de você? Que lugar é esse?

— Você faz perguntas demais... — Ela suspirou. — Mas se eu as responder, mas você também fará o mesmo. Tudo bem para você?

Adam acenou com a cabeça. Não confiava nela, mas era o único jeito para conseguir respostas.

— Meu nome é... Mira. Bem-vindo a Zesthirya. Você está nos arredores floresta de Fangöör, na divisa entre o norte e o sul perto do lago Quëën. E sobre os androides... não posso te falar. Não ainda.

Adam encarou-a com dúvida. Mas ela tinha desviado o olhar para fora da caverna quando falou dos androides, e parecia mesmo não querer falar sobre o assunto. Depois de um curto período de silêncio, ela o encarou e disse:

— Agora é sua vez. Quem é você? O que estava fazendo no lago Quëën? E como conseguiu usar uma skill?

Ele a olhou com dúvida.

Skill?

Mira o encarou com mais dúvida ainda, ela parecia confusa com a dúvida dele.

— Você não sabe?

Adam estava com uma expressão de dúvida. Mira respirou fundo e começou a explicar.

Skills são habilidades mágicas usadas em armas para aumentar o dano causado. Mas hoje em dia é raro ver alguém usando skills. Elas gastam muita Mana, e... antes que me pergunte, mana é como se chama a energia mágica de uma pessoa ou alguma coisa... ou melhor... era.

A expressão de Mira ficou triste de repente.

— O que houve? Você está bem? — O garoto perguntou.

— O motivo de praticamente ninguém usar skills, ou qualquer outro tipo de magia, é porque ela está quase extinta.

— Como assim?

— Há muito tempo, na era dos Deuses... era muito comum encontrar magos, bruxos, e muitas criaturas... monstros. Mas depois do fim da Oitava Era, os Deuses pararam de interagir com o mundo, era a presença deles aqui que dava força a magia, e com o fim dela, a magia foi ficando cada vez mais fraca. Com o passar dos anos foi ficando cada vez mais difícil usar feitiços, e então o mundo foi forçado a evoluir. A evolução da tecnologia nos permitiu criar mana artificial. — Mira tirou do pescoço um colar. Na ponta tinha uma pedra que brilhava em fraco azul. — Isso é um cristal mágico. Foi graças a ele que consegui te salvar, mas ele já está quase sem energia. — Adam estava incrédulo. Magia? Deuses? Ele não conseguia acreditar nisso.

— Mas se tudo que diz é verdade, se a tecnologia avançou tanto, por que precisam de magia? — Ele questionou.

Mira guardou o colar e disse:

— Nem tudo pode ser curado com ciência. Usando magia, um médico pode salvar muito mais vidas do que normalmente seria possível. Mas a magia não resolve todos os problemas. Ciência e magia... um completa ou outro, então por que escolher? Podemos simplesmente usar os dois.

Adam olhou pensativo e falou:

— De onde eu vim, não existia magia. Tudo que temos é a ciência... meu mundo está-... estava morrendo. Abusamos da ciência e da tecnologia, e isso condenou meu mundo... então fomos embora. Mas no caminho, a nave foi pega pela gravidade de um buraco negro e... todos morreram. Na verdade era para eu estar morto, mas em vez disso, eu acordei lá no lago. Será que você pode explicar isso? O porquê de eu não estar morto e de estar aqui?

Mira o olhou com pesar. Os olhos dele não mentiam. Então ela disse:

— Quando a presença da magia ainda era forte, era muito comum portais se abrirem aleatoriamente. Eles emitiam certa quantidade de mana, e dependendo do portal podiam sair monstros, mas às vezes eles apenas levavam a outros lugares, outras dimensões. É extremamente raro, mas às vezes, eles aparecem de vez em quando. Então, a única explicação é que você caiu em um. Ou segundos antes de morrer, um portal se abriu e assim você veio parar aqui.

As lágrimas de Adam começaram a rolar pelo rosto de Adam enquanto ele ouvia.

"Talvez... por algum milagre alguém tenha sobrevivido e estejam aqui também... e talvez Wanda não tenha morrido." — Ele pensou enquanto encarava a fogueira.

No dia seguinte...

— Ei, acorda! — Mira gritou. Adam continuou dormindo, o que fez Mira ficar irritada. ela já o estava chamando há vinte minutos, e obviamente ela perdeu a paciência e o acordou jogando água fria.

— O-o que aconteceu?! Estamos sendo atacados?! — Ele questionava assustado.

— Não, Essa sou eu te acordando para o café. — Ela disse de forma ríspida. — Levanta logo antes que eu jogue água quente.

Depois de tomar café, enquanto Mira apagava os rastros que deixaram na caverna Adam se aproximou.

— Já enchi o cantil.

— Certo. Também já terminei. Vamos nos apressar. Quero chegar à cidade antes do meio dia.

— Tão cedo? Qual a pressa?

— Vamos encontrar alguém. Toma, veste isso. Não pode sair por aí vestido assim.

Ela jogou uma sacola com algumas roupas. Já que ele ainda estava usando as roupas de cadente.

Depois de se trocar, Adam e Mira andaram para nordeste, onde ficava a cidade de Tigh, mas das principais cidades de Thelari.

Depois de algumas horas andando eles finalmente chegaram. Era uma cidade aparentemente normal, ficava aos pés de uma montanha, mas tinha uma espada gigante lá no meio da cidade. Era uma visão realmente incrível.

— Chegamos. Bem-vindo à Tigh — Ela disse enquanto parava de andar. — Aproveitando... você ainda não disse seu nome.

Adam a olhou meio sem graça.

— Me desculpe por isso. Meu nome é Adam, é um prazer te conhecer Mira.

Mira deu um leve sorriso para ele e acenou com a cabeça. Adam respirou fundo e voltou a caminhar seguindo atrás de Mira.

"Espero que estejam bem, onde quer que estejam... eu vou achá-los. Eu juro."



Adam e Mira caminhavam pela estrada principal. O clima estava bom, fazia calor, mas a brisa fria suavizava a temperatura. Mira andava mais à frente e Adam atrás caminhando mais devagar que antes.

— Força nessas pernas, Adam!

— Aah... você é muito chata!

— Antes chata que atrasada. Anda logo, já estamos perto.

Adam estava impaciente e cansado. Perguntava-se o que tinha de tão importante naquela cidade para ela estar com tanta pressa.

Ao chegar à cidade se depararam com inúmeras pessoas, a cidade ficava no caminho para Murien, a capital do Reino de Thelari.

Mira parecia incomodada com tantas pessoas, colocava a mão na cabeça com frequência.

— Você está bem?

— Sim. Não é nada, só não gosto de multidões.

Após andarem por um tempo, eles chegaram à uma loja. Adam notou que mesmo com tantas pessoas na cidade, a loja estava vazia — "Tanta pressa para isso?" — Pensou Adam.

— Tordy, voltei! — Disse Mira abrindo a porta da loja. — Onde ele se meteu? Adam me espere aqui.

— O-onde você vai?

— Vou buscar nosso anfitrião. Não vou demorar.

Disse Mira caminhando para a porta. Enfim Adam estava sozinho. E se alguém chegasse para comprar algo? Talvez achassem que ele estava roubando. Adam olhou ao redor e viu uma estante de livros.

— Melhor pegar algum para ler, assim pelo menos não pensarão que estou invadindo.

Ele pegou um livro que parecia de história, não entendia o que estava escrito no título, mas ao abri-lo, o idioma era parecido com inglês, mas era bem arcaico. Ele então começou a ler:

A história do mundo não teve um começo muito bonito, muito pelo contrário, é cheia de guerra e sangue. Durante as guerras entre a 1° e a 5° Era foram perdidas milhares de vidas.

Durante a 4° Era ouve o que chamamos de "O Grande Inverno", quando a Deusa da Criação lançou um longo e rigoroso inverno sobre o mundo na tentativa de parar a guerra, fazendo assim uma trégua forçada. Foi nesta época que Drácula, com seus experimentos com magia, descobriu outros universos e como viajar entre eles, aumentando a força de seus exércitos com todo tipo de criatura.

Elfos e vampiros sofreram baixas incalculáveis e ao fim da 5° Era os vampiros desapareceram dando origem aos humanos. Até que na 6º era houve a maior e mais avassaladora batalha desse mundo, chamada de Osthën Astaraxia, que em élfico significa Guerra de Astaraxia, nome da espada que pôs fim à guerra. Ao fim da guerra ela foi reforjada em duas: Excalibur, que está em Murien sob a posse da família Pendragon; e a Eternidade Dourada, que foi levada para o Reino Celestial por Alice.

A Osthën Astaraxia foi a batalha definitiva entre Victor, o herdeiro de Mephisto e Alice, a Deusa da Criação. Muitos morreram nesta batalha, mas ao fim dela, Alice conseguiu pôr as mãos no Santo Graal e enfim derrotar Victor. Alice então usou os últimos fragmento de poder do Graal para separar os reinos dos humanos e dos demônios para evitar mais guerras (...)

A leitura de Adam foi interrompida pela porta que se abriu. Mira havia voltado com um homem um pouco mais baixo que ela. Barba por fazer, cabelos loiros cortados bem curtos. Olhos castanhos e usava uma túnica marrom.

— Ai! Para, para. Você vai estragar minha camisa! — O homem reclamava.

Mira soltou o homem que tropeçou alguns passos até perto de Adam.

— Juro que da próxima vez que te pegar naquele bordel eu arranco suas bolas!

Mira estava muito irritada. O homem se levantou batendo a poeira em sua túnica.

— Você é muito chata, eu só fui ver um amigo!

— Amigo né?! Sei...

O homem ao notar que tinha mais alguém na loja, foi até Adam e disse em um tom de curioso/ entusiasmado/tarado:

— E quem seria você, gracinha? — Ao aproximar seu rosto do de Adam, o garoto percebeu as bochechas do homem avermelhadas e sentiu um forte cheiro de cerveja vindo de seu hálito.

Adam olhou para Mira, com um olhar que dizia "o que está acontecendo?"

— Este é Adam, ele está comigo — Mira respondeu.

O homem olhou para Adam com um olhar tarado no rosto e disse:

— O que um rapaz bonito como você faz com essa chata? — Ele então olhou para Mira

— Não me diga que fisgou mais um?! — Ele disse voltando seu olhar para sua amiga. — Mira sua maldita! Assim não sobra ninguém para mim!

Adam estava vermelho igual um tomate.

— Relaxa garoto. Você é muito novo para mim.

Disse o homem com um tom sarcástico. Mira o puxou para longe de Adam e disse com um tom sério:

— Pare de brincar. Vamos logo lá para baixo, preciso que veja uma coisa.

O homem a olhou desconfiado, mas mesmo assim acenou com a cabeça — "Mas quem é esse cara?" — Pensou Adam enquanto via o homem ir para trás do balcão. Aparentemente ele puxou acionou alguma coisa, pois o que antes era uma estante de livros, se abriu e deu lugar a uma passagem que levava para baixo.

— Primeiro as visitas.

Mira e Adam caminharam até a passagem secreta, que dava para uma escadaria. Eles desceram por quatro minutos até chegarem a uma sala que parecia uma mistura de um laboratório com algum tipo de sala de controle.

— Certo, o que você quer? Boa coisa não é, certeza!

Mira então lhe contou como ela havia conhecido Adam, e como ele tinha usado uma skill. Enquanto ela contava, o homem parecia incrédulo, e encarava Adam com curiosidade.

— Entendi... você quer que eu faça uma leitura no corpo dele.

— Isso, se o que eu suspeito estiver certo... isso muda tudo.

Enquanto isso, Adam estava mais perdido que cego em tiroteio. Mas entendeu a parte que teria que fazer algum tipo de exame para determinar sua quantidade de mana.

— Certo, preciso resolver uma coisa, Adam você fica aqui. E você? Não faça nada estranho com ele!

— Certo, certo!

Mira subiu as escadas, e enquanto isso Adam olhava com desconfiança para o homem que não parava de encará-lo.

— Então... vamos começar?

Disse o homem com um sorriso sádico no rosto.

Não muito longe dali, Mira foi até a lado norte da cidade, andou por um tempo até chegar no que parecia uma loja de armas. Ao entrar viu um homem não muito mais velho que ela, que ao vê-la pareceu ficar surpreso e feliz.

— Mira! Mas que coisa! O que veio fazer aqui?

— Aconteceram alguns imprevistos.

— Sei... deve ter sido algo sério já que voltou tão rápido. Hahaha!

— Bem, mais ou menos. Mas mesmo assim, é sempre bom te ver Bronn!

— Eu poderia dizer o mesmo, mas sempre que te vejo algo ruim acontece. Hahaha!

— Vem cá seu idiota!

Os dois se abraçaram por um tempo.

— Bronn, preciso que faça uma coisa para mim.

Enquanto isso Adam estava deitado em uma maca, e não parecia muito à vontade.

— Então, a quanto tempo você conhece a Mira?

O homem, que estava olhando alguns monitores, respondeu:

— Hum... já faz tempo. Talvez uns cinco ou seis anos.

Ele então olhou para trás e disse:

— Nossa! Eu ainda não me apresentei não é?

Adam acenou com a cabeça.

— Verdade.

— Bem, eu sou Tordy. Prazer te conhecer!

O-o prazer é meu!

Tordy se levantou e colocou um sensor no braço esquerdo de Adam, e voltou a sentar à frente dos monitores.

— Ok... vamos ver o que exatamente você tem... relaxa, vai ser rápido.

O sensor que Tordy colocou em Adam era para medir a quantidade de mana que havia em seu corpo. As leituras estavam normais, até que...

Tordy, que estava tomando café, cuspiu de susto ao ver os números subindo.

— Em nome de Alice...! Adam, você...

— O-o que foi?! Qual o problema? Tordy!

— Adam, você é um rank C!

Enquanto isso não muito longe dali, uma nave se aproximava em alta velocidade. E seus tripulantes se preparavam para um ataque.

***

Adam estava sentado em uma cadeira do lado esquerdo de uma mesa, Tordy estava sentado à sua frente. Logo depois de avisar Mira sobre o resultado dos testes, Tordy estava explicando à Adam sobre o que descobriu.

— Os rank's são determinados pela quantidade de mana de algo ou alguém. Os rank's E e D são os mais fracos, C e B são os mais padrões, mesmo que não haja muitos magos hoje em dia. Os rank's A e S são os mais fortes; aqueles que possuem esses rank's nem precisam usar cristais de mana como catalisadores.

— Então, quando usei uma skill lá no lago... e eu só desmaiei porque não tinha um cristal de mana comigo.

— Sim, provavelmente foi isso.

Enquanto Tordy explicava tudo a Adam, Mira estava na loja de Bronn, um velho amigo.

— Falta muito, Bronn?

— Está quase...

— Hum... você está nisso à quatro horas!

— Relaxa! Alguma vez eu já falhei com você?

— Tenho mesmo que responder?

Bronn a encarou com cara feia na hora.

— Estou brincando, calma!

— Ah...! — Suspirou ele — Sabe qual é a única coisa que não gosto em você?

— O que?

— Essa sua falta de paciência. Sério, você precisa rever isso.

Enquanto falava, Bronn colocou algo sobre a mesa.

— Certo, terminei! Então, o que acha?

Mira se aproximou da mesa e pegou o que Bronn havia colocado com tanto orgulho na mesa. Era uma espada longa de uma mão, na base do cabo tinha um cristal de mana.

Ela pegou a espada e deu alguns golpes no ar, dois normais e três usando skill's.

— E então? Muito boa não?! Usei Uruh para fazer a lâmina, e o cristal de mana na base do cabo ajuda muito com o fardo das skill's. Mas esse não é seu estilo, porque quer uma espada dessas? Achei que gostasse de espadas grandes.

— Não é para mim! — Disse Mira ao ver a cara de safado que Bronn fez. — Pare de me olhar assim, não é isso!

— Hahahaha! Você fica muito fofa quando está brava! Hahahaha!

— Que seja! Estou indo. Até mais!

Mira foi embora enquanto Bronn se acabava em risos.

No caminho de volta para a loja de Tordy, ela deu várias voltas pela cidade antes de voltar. Ao chegar foi direto para a sala secreta, desceu as escadas e colocou a espada que Bronn fez sobre a mesa. Adam e Tordy estavam em outro cômodo fazendo alguns testes de compatibilidade com cristais de mana.

— Estou de volta!

Disse Mira.

Bem-vinda de volta!

Disse Adam.

Tordy estava olhando o monitor e apenas acenou com a mão. Mira se aproximou dele e sussurrou:

— Tem alguém nos seguindo.

Tordy fez um olhar sério, se levantou e disse:

— Aqui, Adam! Coloque no pescoço, esse é seu cristal de mana.

Ele o jogou para Adam. O cristal tinha um brilho azulado, não era muito grande. Na verdade é em pequeno, com pouco mais de 3cm.

— Adam, trouxe uma coisa para você. Vem aqui.

Adam se levantou e foi com ela. Tordy voltou a sentar-se na frente do monitor e começou a verificar as câmeras de segurança ao redor da loja. No outro cômodo, Mira pegou a espada e a entregou a Adam.

— Meio pesada...

— Ela foi feita sob medida. Você só não está acostumado a segurá-la. Tendi dar alguns golpes no ar.

Adam segurou a espada com as duas mãos no cabo e deu dois golpes no ar na diagonal, um da direita para esquerda, e o outro da esquerda para direita.

— Agora tente fazer a mesma coisa de novo, mas agora usando skills.

Adam olhou concentrado para a espada, seus olhos estavam fixos na lâmina.

— Tente sentir o fluxo de mana em seu corpo, e canalizá-lo na lâmina... e relaxe.

Enquanto Adam se concentra, o cristal na base do punho da espada começou a brilhar, junto com o cristal em seu pescoço. A lâmina emitiu um brilho azulado, mas antes de dar os golpes, Tordy entrou correndo e ofegante na sala:

— Mira, Adam! Temos problemas!

A parte norte da cidade estava em chamas, os gritos das pessoas se misturavam aos tiros e explosões. Tordy, Mira e Adam observavam pelos motores.

— Mas o que está acontecendo?

Disse Mira enquanto olhava perplexa para os monitores.

— Eu não sei... foi do nada. Será um ataque de Osghlianth?

— Talvez... mas acho que é outra coisa...

Mira olhou para Adam, que parecia enjoado.

— Você está bem?

— Sim, foi só... uma sensação ruim?

— Deixem a conversa para depois, temos que sair da cidade! Vou ligar para o Bronn.

Enquanto isso, na parte norte da cidade, o um grupo lutava contra os guardas. Dois deles se destacavam no combate, um deles usava uma espada muito maior que seu corpo e uma armadura cinza, o outro era uma maga de fogo.

— Ei! Pare de brincar!

— Relaxa, só estou aquecendo! Localizou o alvo?

— Sim, está perto.

— Certo... vamos agitar as coisas! Haaa!

A espada emitiu um brilho avermelhado, que quando bateu no chão, liberou energia mágica suficiente para atirar os guardas para longe, e abrir caminho.

Enquanto isso, Mira havia vestido sua armadura, Tordy e Adam também estavam vestindo suas armaduras.

— Isso é mesmo necessário?

— Se entrarmos em combate, vamos precisar nos proteger.

Disse Tordy para Adam. Tordy aparentava estar nervoso com a situação, fazia muito tempo desde que a cidade havia sido atacada, mesmo tendo aquela idade aquilo era inédito. Mira era quem estava mais tensa, Adam olhou de relance para ela, e percebeu que suas mãos tremiam, era bem pouco, mas claramente ela estava nervosa.

Adam se aproximou...

— Você está bem?

Mira, que estava olhando os monitores, levantou a cabeça e disse:

— Adam, se alguma coisa acontecer comigo hoje... não voltem por mim. Entendeu?

— Mira eu-

— Você entendeu?!

— Sim.

— Certo... Tordy, abra caminho!

Tordy, que tinha em mãos um arco e flecha, saiu na frente. Eles correram para nordeste, onde estava a loja de Bronn, ele os estava esperando na frente da loja.

— Vocês demoraram!

— Desculpe. Adam, não saia de perto deles!

Adam acenou na cabeça. Os quatro então se dirigiram para saída oeste, onde ficava a espada gigante e um pequeno lago, de lá eles seguiriam para Fangöör, o Reino élfico.

Ao chegar no portão oeste, se depararam com ele completamente destruído.

— Mas o que?!

Disse Mira enquanto levava sua mão direita para pegar a espada em suas costas.

Adam olhou para Tordy e perguntou:

— Tem algum outro lugar?

— Sim, mas aparentemente as outras saídas da cidade também estão destruídas.

— Por que acha isso?

Perguntou Adam à Tordy, que lhe respondeu:

— Olhe a fumaça subindo, é onde ficam os outros dois portões. Aparentemente eles destruíram todos... exceto um...?

— É uma armadilha. Eles planejaram cada passo...

Disse Mira com os punhos cerrados, e com uma voz imponente, ela completou:

— Não temos escolha... o único jeito de sair da cidade é pelo portão leste. Então já que é para lutar, vamos lutar!

Enquanto isso, no portão leste, um grupo de vinte e oito pessoas esperava a chegada de Mira e dos outros. Um deles, o que usava uma espada grande e larga e usando uma armadura completa de cor cinza estava encostado na parede, ele parecia entediado.

— Cadê eles? Será que já morreram?!

— Pare com essa ansiedade, você está parecendo uma criança.

Disse a maga de fogo sentado em uma caixa de madeira ao lado esquerdo do homem.

— Você é muito chata, não está ansiosa para lutar?

— Só quero chegar em casa logo e descansar. Estamos atrás dela há seis meses.

"Quem está parecendo uma criança agora?!" — Pensou o homem.

— Espero que tenha uma boa notícia!

Disse o homem para um dos seus subordinados que se aproximava.

— Sim. Eles já estão quase aqui, senhor.

O homem se afastou da parede, e a mulher se levantou da caixa de madeira dizendo:

— Tente não usar um ataque em área logo de cara, você sabe que isso gasta muita mana!

— Certo, certo... talvez eu nem precise!

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