Às margens do novo mundo


Era noite, o clima estava preparado para chover. Era possível ouvir trovoadas ao longe, e sentir a tensão e o medo que tomava os corações de todos os membros do grupo.

Adam estava sentado na grama um pouco afastado dos outros. Em sua mente pairavam mil pensamentos e medos sobre o que estava por vir. Flashbacks de seu tempo com Amira lhe vieram à mente deixando-o ainda mais confuso, aumentando o conflito em seu coração.

— Você está bem? — Perguntou Clarys se aproximando. Ela andou até perto dele e se sentou ao seu lado.

— Estou. Eu só... — Adam não concluiu a fala. Ficou sem palavras de repente.

— Eu sei como se sente. — Disse ela colocando a mão em seu ombro.

Adam a olhou de relance. Seus olhos então se encontraram e por alguns momentos sentiu algo familiar.

Longe dali, Amira e Bronn estavam a alguns poucos metros do local onde o portal estava.

Bronn andava um pouco mais atrás de Amira, que estava um pouco tensa.

— Quer fazer uma pausa? - Perguntou ele num tom preocupado.

— Não, já estamos perto. — Respondeu ela de uma forma um tanto quanto fria. — Mas tem uma coisa que temos que fazer.

— O que?

— Um pacto.

Bronn se assustou com a resposta dela, afinal um pacto não é algo qualquer.

— Por que isso de repente?

— Contando com Adam e Tordy aquele grupo já tem seis membros. Você vai precisar de mana extra.

— Então você quer que eu enfrente todos os seis?! — Disse ele claramente irritado.

— Claro que não. Cada um de nós enfrentará três, mas o Adam e o Tordy são meus, preciso deles.

— Certo. Vamos então.

— Tem um rio aqui perto, vamos até lá. — Alguns minutos depois de chegarem ao rio, Eles deixaram suas coisas na margem e andaram até uma parte onde a água batia na cintura. — Um pacto com um demônio é muito diferente de um pacto com um Celestial. No pacto com um Celestial vocês dividem a mana um com o outro, não importa onde estejam. Por outro lado, um pacto comigo significa que você poderá fazer tudo que eu consigo fazer, assim como eu poderei fazer tudo que você consegue fazer. Porém se eu morrer você também morre.

— Não parece tão ruim. — Disse ele com um sorriso determinado no rosto.

— Pois bem então. Talvez doa um pouco.

— O que!? Espera!

— Ina. Öto. Kara imer ga löveh. Paryonty rezënv holëfhart rha!

O rio começou a emitir uma luz roxa e verde. Os olhos de Bronn ficaram escuros, e suas veias saltadas. Amira então pegou uma faca que estava na bainha em sua calça e fez um corte em sua mão deixando seu sangue cair nas águas do rio. Bronn gritou em agonia.

Longe dali, o grupo de Don fazia os preparativos finais para missão. Adam afiava suas espadas perto de Tordy, que estava encantando suas flechas.

— Você não vai levar uma espada? — Perguntou Adam.

— Vou sim. Ela tem uma lâmina retrátil, e já está equipada. — Disse ele com um sorriso que logo sumiu de seu rosto. — Adam... — Disse ele preocupado. — Por favor não use a Black Lothos hoje.

— Mas essa é a única skill que pode derrotá-la!

— O poder tem um preço meu amigo. E o preço para a Black Lothos é a sua vida, e você sabe disso.

— Sim, eu sei. Sempre que a uso me sinto meio estranho... como manteiga que foi espalhada num pedaço grande de pão. Mas se eu precisar usa-la eu irei! - Disse Adam com um olhar determinado em seu rosto.

— Certo, se já terminaram de se preparar venham aqui! — Gritou Don um pouco afastado.

— Estamos indo! — Respondeu Adam. — Vem, vamos logo. — Disse ele para Tordy.

— Certo...

Todos então se alinharam. Tordy e Magnos nas pontas, Kay ao lado de Tordy, Clarys no meio e Adam ao lado de Magnos.

— Eis o nosso plano... — Disse Don em alto e bom som para todos. — Quando chegarmos ao portal eu, Magnos e Kay daremos um jeito no Bronn.

— Aquele cara é difícil de matar. — Disse Magnos.

— Sim, por isso vamos nós três. — Concluiu Don. — Tordy, Clarys e Adam, vocês farão o máximo possível para fechar o portal. Enquanto Clarys o fecha, vocês distraiam Amira.

— Este é um plano muito óbvio. — Disse Adam.

— Sim, ela não espera que façamos isso. E é assim que vamos pegá-la! — Todos exceto

Adam e Tordy deram um grito animado e motivado. — Clarys, abra o portal de longo alcance!

Clarys ergueu sua mão esquerda e proferiu as palavras mágicas. O portal então se abriu e um a um eles o atravessaram. Porém do outro lado uma figura que emanava uma aura sombria e maligna e envolta de um manto negro e com duas espadas médias nas costas os esperava. Tordy deu um passo à frente enquanto tentava acreditar no que estava na frente de seus olhos.

— Então foi nisso que você se tornou, Bronn. E eu que te achava feio antes... olhe para

você... corrompido e distorcido.



— Eu estou mais forte e determinado do que nunca! — Respondeu Bronn enquanto puxava uma das espadas de suas costas.

— Nem parece você... — Disse Adam horrorizado com a figura sombria na sua frente.

— Ah, não meu amigo. Eu sempre fui assim, você que sempre foi e ainda é ingênuo.

— Adam sega o plano. — Disse Don sacando sua espada. — Nós vamos segura-lo.

— Quero ver se consegue. Desta vez vou arrancar mais que apenas um braço! — Gritou Bronn avançando contra Don. Magnos correu para defender o ataque, porém o mesmo foi tão forte que seus pés afundaram no chão.

Aproveitando a distração de Bronn, Tordy, Adam e Clarys correram em direção ao portal.

Tordy olhou para trás e viu Kay sendo empalado pela espada de Bronn.

— Ah, merda!

— Tordy! Continue com o plano. — Disse Clarys que corria ao seu lado.

Os três então continuaram correndo enquanto Don e Magnos lutavam contra Bronn, que defendia os golpes como se não fossem nada.

Adam, Tordy e Clarys encontram um entrave no caminho até Amira. Alguns pequenos golens de pedra surgiam cada vez em maior número a cada metro mais perto do portal, porém Clarys os segurava bem com sua magia de fogo. Depois de alguns minutos eles finalmente a encontram. Amira estava ajoelhada a vinte metros do portal Celestial, que estava em um tipo de altar com algumas escadas. Ela estava vestindo um manto azul, por baixo tinha um peitoral de armadura e abaixo disso sua malha de couro, com sua espada a seus pés.

A energia mágica emanada pelo portal era esmagadora, alguém que se possuísse aquele poder seria praticamente invencível.

Adam engoliu seco ao ver Amira, Tordy colocou a mão sobre seu ombro. Adam se virou para ele e viu um olhar confiante, porém tenso com a situação. Amira então abriu seus olhos, eles estavam amarelos, ela então se levantou lentamente. Apreensivos Tordy e Clarys instintivamente entraram em posição ofensiva.

— Não! — Gritou Adam.

Amira deu um leve sorriso. Tordy ficou tenso de repente, mais do que já estava. Adam então deu dois passos a frente, porém antes que dissesse qualquer coisa, Amira cortou silêncio.

— Sei o que pretende fazer, Adam. Eu não vou parar. — Disse ela calma e friamente.

— Mira eu entendo como se sente. Ter tudo e todos tirados de você... mas genocídio não vai resolver nada, não vai curar seu coração quebrado. Por favor, pare.

Ela não respondeu, apenas olhou para o rosto ingênuo de Adam e sorriu.

— Ah, Adam... como eu queria que fosse assim tão simples. Mas não a outra maneira, farei o que for necessário para salvar meu povo!

— Você diz salvar, mas matará milhões no processo!

— Sim. Porém posso salvar alguns do que virá depois.

— O que... virá depois?

— Adam, não se deixe morrer como esses tolos! Venha comigo.

— Mira...

— Venha Adam, venha comigo.

Adam olhou no fundo dos olhos de Amira e sentiu algo que fazia tempo que não sentia. Ele então caminhou até ela como se estivesse hipnotizado.

— Adam! — Gritou Tordy na tentativa de pará-lo.

Adam andou até parar na frente dela.

— Mira...

— Sim, eu estou aqui. — Disse ela de forma doce e gentil.

— Eu... sinto muito.

— O qu-

Adam então sacou uma de suas espadas e desferiu um golpe vertical contra ela, que pulou para direita, assim, desviando do ataque.

— Então que seja a morte! — Disse ela erguendo sua mão em direção a espada que estava no chão. A mesma começou a emitir um pálido brilho branco e voou em sua direção até parar em sua mão direita.

— Clarys, vai! — Gritou Tordy.

Clarys correu até o portal enquanto Tordy corria para ajudar Adam.

Os dois estavam perfeitamente sincronizados; Adam com suas duas espadas desferiu múltiplos golpes consecutivos, pressionando-a a abrir uma abertura. Ele pulava de um lado para o outro esquivando, defendendo e a atacando novamente enquanto Tordy estava mais atrás atirando contra ela. Porém mesmo com dificuldade em se manter lutando, Amira os segurava bem. Bem até de mais.

Enquanto isso a alguns metros dali, Magnos e Don lutavam com muita dificuldade contra Bronn, que agora estava em seu máximo graças ao seu pacto com Amira.

Com suas duas espadas médias, ao mesmo tempo em que ele se defendia dos golpes ele contra-atacava com uma força sem igual. A espada de Magnos estava em seu limite quanto Bronn a quebrou em mil pedaços. Porém Magnos cerrou seus punhos e tentou um soco no rosto de Bronn, que esquivou por pouco.

Don aproveitou a situação e saltou contra Bronn. Sua espada brilhou intensamente um vermelho vivo, e na tentativa de defender, Bronn levantou sua espada um pouco acima da cabeça. O impacto não foi o suficiente para quebrar nenhuma das lâminas, mas serviu para distrair Bronn. Magnos aproveitou a situação e finalmente deu-lhe um soco que o fez voar alguns metros até bater em uma pedra ali perto.

— Por essa eu não esperava... — Disse ele se levantando meio zonzo por causa do impacto.

— Tem mais de onde veio este! — Disse Magnos.

— Bem... infelizmente você não viverá para isso. Chega de brincadeirinha, hora de lutar sério.

Bronn então avançou contra os dois, que conseguiram esquivar do golpe cada um indo para o lado oposto o outro. Em consequência, o impacto das espadas de Bronn no chão causou uma cratera enorme de nove metros de diâmetro, além do som ensurdecedor.

— O que foi isso!?

— Adam, concentre-se na luta! — Gritou Tordy.

Naquele momento Amira conseguiu fazer um pequeno corte de raspão no rosto de Adam, que logo em seguida disso desferiu um golpe horizontal com 60° de inclinação. Ela conseguiu esquivar se inclinando para trás.

Os dois se afastaram, entre eles havia oito metros de distância. Ambos estavam ofegantes, Adam mais que Amira.

— Última chance Adam, venha comigo.

— Mira... por favor, pare. Genocídio não é a solução, milhões vão morrer! Você não se

importa?!

— Não. Eles morrerão, e não a nada que você possa fazer para impedir!

Amira então cravou sua espada no chão e colocou sua mão direita em seu ombro esquerdo segurando o manto azul que estava sobre ela e puxando-o. Tordy se espantou ao ver o que estava preso na parte esquerda de seu abdômen.

"O que?! Aquilo é...".

— Sim Tordy, é exatamente o que parece. Não foi fácil conseguir isso, mas ainda falta uma coisa.

Amira então ativou o catalisador. Seus olhos ficaram azuis, o ar naquela área ficou rarefeito.

Clarys, que estava tentando fechar o portal, caiu de joelhos quase sem fôlego. Ao ver que o mesmo aconteceu com Adam e Tordy, ela forçou um feitiço de fogo negro.

O feitiço consistia em drenar a mana do alvo, porém se falhasse aquele que lançou o feitiço ficaria indefeso até que sua mana voltasse ao normal.

Clarys não hesitou. Ergueu sua mão em direção a Amira e proferiu as palavras mágicas.

— Emathar emo nartharë. Quyviafhar önalë. Weui. Klym. Marë!

O fogo nas pontas de seus dedos era normal, porém as chamas mudaram sua coloração para azul, depois roxo, e então escureceram até ficarem completamente negras.

Clarys então disparou. As chamas cortaram o ar seco causando um som semelhante ao de arranhar um quadro negro. Ao ver as chamas negras se aproximarem, Amira respirou fundo e ergueu sua mão. E da ponta de seus dedos chamas totalmente azuis saíram.

— Mas o que!? — Disse Clarys completamente surpresa.

— Eu sou um demônio de olhos azuis. Fogo é um atributo da minha raça, sua idiota!

Fortalecidas pelo catalisador, as chamas azuis de Amira superaram as de Clarys, que foram totalmente consumidas pelas chamas azuis. Como consequência de ter falhado, Clarys caiu inconsciente.

Tordy e Adam se olharam. E naquele momento quando seus olhos se encontraram foi como se pudessem ler a mente um do outro, e ambos sabiam o que deveria ser feito. Porém a dúvida e o conflito ainda pairavam no coração de Adam.

Por um segundo o mundo ao seu redor ficou lento, era possível ver as chamas azuis de Amira se dissipando lentamente no ar seco e rarefeito.

"Adam..."

"Adam, não pare agora!"

"Essa voz..."

"Lute, lute para que esse mundo não tenha o mesmo destino que seu povo naquela nave. Levante-se, agora!"

Adam voltou a si. Tordy, que vinha correndo pela esquerda de Adam, tirou de sua aljava uma flecha verde e a posicionou em seu arco.

Os dois se olharam mais uma vez, porém desta vez Adam estava decidido a fazer o que era necessário. Com aquele simples olhar Adam entendeu que precisava distrair Amira mais um pouco e avançou contra ela diminuído a distância entre eles em alguns segundos. Adam desferiu múltiplos golpes alterando a força e a velocidade do ataque para que ela não se adaptasse, mas mesmo com dificuldade Amira segurou bem os golpes imprevisíveis de Adam.

Enquanto Amira estava distraída Tordy aproveitou a situação e disparou a flecha verde contra Amira. Aquela flecha estava encantada um veneno paralisante extremamente forte que deixaria todos os músculos abaixo do pescoço imóveis, mas infelizmente enquanto a flecha voava na direção de Amira ela fazia um zumbido causado pelo ar seco e rarefeito. Ao escutar o zumbido Amira se abaixou rolando por baixo das espadas de Adam, que naquele momento estavam em um movimento horizontal. Ao se levantar ela prendeu os braços de Adam com seu antebraço e escondeu-se atrás dele. A flecha então atingiu o ombro direito de Adam, que caiu instantaneamente nos braços de Amira devido ao rápido efeito do veneno paralisante.

— Não! — Gritou Tordy.

Amira o colocou cuidadosamente no chão. — Tudo vai acabar logo. — Disse ela com um sorriso doce e gentil no rosto.

Ela então se levantou e se afastou de Adam, que lutava para tentar se mexer.

— Só eu e você, Tordy.

— Sim.

— Tordy seu tolo, recue! Você não pode com ela! — Gritou Adam.

"Mas eu não tenho escolha..." — Pensou ele enquanto analisava a postura de Amira.

Ela não lhe deixou pensar e o atacou. Tordy esquivou para esquerda e rolou no chão, ao se levantar ele sacou uma flecha e a colocou em seu arco. Infelizmente Amira foi mais rápida e desferiu um golpe vertical.

Tordy em um ato totalmente instintivo elevou seu arco até um pouco acima de sua cabeça.

O golpe de Amira cortou o arco e por pouco não cortou a cabeça de Tordy, que mais uma vez rolou para trás na tentativa de se afastar.

"Droga! Ela é rápida demais, não consigo manter distância e por muito pouco ainda não estou morto! Preciso de um plano, e ráp-! O portal! Sim, claro. Se eu jogá-la no portal ela queimará até a morte! Já que ela é um demônio, ela não é compatível com a energia que emana dele. Porém..."

— Já cansou Tordy? Sempre achei que você fosse mais resistente. — Disse Amira debochando dele.

Tordy então colocou a mão em seu cinto. Na parte esquerda tinha um cabo de 15 cm. Ele então o pegou e proferiu um encantamento, e momentos depois a lâmina subiu.

— Vai mesmo usar uma espada? — Disse Amira surpresa.

Tordy não respondeu. Assumiu sua posição de ataque, e olhou de relance para Adam.

"Eu sei. Mas eu não preciso vencer, apenas jogá-la no portal." — Pensou ele tentando corresponder o olhar preocupado de Adam. Ele então encarou Amira com um olhar determinado.

— Ora, então vai ser assim? Espero que não tenha esquecido, mas fui eu quem lhe ensinou a lutar.

— Aprendi algumas coisas novas!

Ele então atacou.

Amira era mais rápida e mais forte, porém depois de vê-la lutar por tanto tempo Tordy aprendeu seu padrão de ataque. Os golpes de ambos eram preciosos, e a defesa mais ainda. A espada de Tordy então brilhou em amarelo e ele desferiu três golpes: um horizontal logo depois de esquivar de um dos golpes de Amira; e dois diagonais de sentidos opostos.

Enquanto Tordy lutava, Adam fazia de tudo para tentar se mover, mas o veneno era poderoso. Um sentimento de impotência possuiu o coração de Adam; momentos como a luta contra o orc na dungeon de Tigh e sua primeira batalha às margens do lago Queën lhe vieram à mente. Em todas essas situações ele estava impotente, e tudo que podia fazer era observar.

"Isso! Estamos perto das escadas. Só mais um pouco!"

Amira sorriu. O coração de Tordy gelou, e um arrepio surgiu em seu pescoço, algo o que o fez pular para trás para se afastar de Amira, que abaixou sua espada e deu um suspiro.

— Você é tão previsível Tordy.

"O que!? Não me diga que..."

— Acha que não sei que está tentando me jogar no portal? Se eu cair lá dentro serei carbonizada instantaneamente. Você é tão cruel, Tordy. Não esperava isso de você.

"Então ela estava se segurando o tempo todo!?" — Pensou Adam enquanto observava de longe.

— Mas chega de brincadeira. Hora de terminar isso.

Ela então avançou contra Tordy desferindo um golpe que ao tentar defender fez a espada de Tordy trincar.

"Ah merda!"

Os golpes de Amira foram ficando cada vez mais fortes até que em um momento, depois de rolar por baixo de um golpe horizontal, ela se levantou por trás de Tordy e cravou a espada em sua perna direita. Porém mesmo depois de cair de joelhos Tordy tentou um golpe direto mirando no catalisador, mas Amira o desarmou cortando sua mão.

— Aarrg!

— Não! Pare Mira!

Amira encarou Adam. Seu olhar deixava claro que ela não pararia por ali.

— Existem algumas coisas que preciso para conjurar o santo Graal. — Disse ela calmamente. — A primeira é muita energia mágica, a segunda é ser compatível com a energia Celestial e a terceira é um sacrifício de sangue.

— Não. Não pode ser. Mira... Não me diga que...

Amira olhou com pesar para Adam. Ao ver aquele olhar as lágrimas começaram a rolar por seu rosto. — Por... Por favor, não faça isso. Mira...

— Adam, Tordy... Eu sinto muito.

Ela então ergueu sua espada. Tordy então olhou para esquerda e olhou nos olhos de

Adam.

"Está tudo bem."

A espada então desceu.

"Adeus Adam."

— Não Mira! - Gritou Adam.

O sangue jorrou pelo chão. A visão era perturbadora para Adam, pois em sua frente estava o corpo de seu amigo, e um pouco mais a esquerda estava a cabeça de dele.

— Amira sua maldita!

As lágrimas também corriam pelo rosto de Amira, mas mesmo assim...

— Eu... Eu entendo perfeitamente como se sente, Adam. Isso não deveria terminar assim, eu... Sinto muito Adam.

— Você... você é um monstro. — Disse ele chorando.

— Sim... Sim eu sou um monstro. Isso que fiz, e o que estou prestes a fazer são culpa da Deusa da Criação, Alice! Se ela não tivesse separado os Reinos, meu povo não teria morrido por nada! Eu promulgarei quatorze mil anos de dor e sofrimento nos Reinos humanos! Matarei cem deles para cada demônio que foi mutilado até mesmo depois da morte! Você acha que sou um monstro Adam? Então veja isso!

Ela então ergueu sua mão direita na direção de Adam. — Amër. Amür urssülr. Amerathar mehar q'ue karathren! — Ela continuou repetindo o cântico por um tempo. Até que toda a energia Celestial no corpo de Adam começou a ser extraída.

Adam gritava e se debatia com a dor era indescritível.

— A-mi-ra! — Disse ele momentos antes de desmaiar.

Amira então ergueu outra mão em direção ao portal Celestial. Ela continuou repetindo o cântico até que de um brilho azul, o portal se tornou vermelho sangue assim como seus olhos. O portal foi se comprimindo até que finalmente explodiu. A explosão vez o corpo de Clarys que estava caído perto do portal voar longe na floresta.

E então no lugar de um portal uma pequena pedra branca flutuava.

— O santo Graal. Finalmente. — Disse Amira caminhando e estendendo a mão para pegá-lo. Quanto mais perto ela chegava, mais intenso o brilho da pequena pedra ficava. Até que ela finalmente o alcançou.

Naquele momento o tempo parou para Amira. Ela se viu em um lugar completamente branco. E em sua frente...

— Victorya? — Disse Amira sem acreditar em seus olhos. — É... você mesmo?

— Não.

— Então quem é você? E onde estou?

— No começo havia apenas Caos, o Deus criador de tudo isso que você chama de realidade. Eu sou a energia residual que do big beng. O santo Graal. O lugar em que está agora é um plano além da sua realidade, o local que Alice me colocou para que ninguém abuse de meu poder.

— Então o que eu estou fazendo aqui?

— Eu li a sua alma. Seus ideais são nobres, mas as coisas que fez e que está prestes a fazer... eu sinto muito. Não posso ajudá-la.

— Eu entendo. — Disse Amira sorrindo. — Diga-me, você sabe de todas as coisas não é?

— Sim.

— E sabe o que vou fazer com você.

— Sim.

Amira avançou contra a entidade e cravou a mão em seu peito.

— Isso que está fazendo terá terríveis consequências.

— Eu sei. — Amira então fechou os olhos e começou a proferir o cântico. — Amër. Amür urssülr. Amerathar mehar q'ue karathren! — Ela continuou repetindo até que seus olhos de ficaram azuis e toda energia mágica do Graal a ser extraída.

— Sim! Dê-me seu poder!

Ela então voltou a si. Ao olhar ao seu redor Amira estava no lugar onde pegou a pedra. Amira então abriu sua mão e a pedra não estava mais lá.

"Eu consegui." — Pensou ela.

Amira então ouviu o som de um trovão, e logo depois começou a chover forte. Ela então sorriu e ergueu sua mão para os céus.

— Então que comece.

Os céus de Tamura ficaram vermelhos, a chuva tornou-se sangue. Uma força mágica esmagadora começou a emanar de Amira. Gritos podiam ser ouvidos ao longe. E então, com o sacrifício de noventa e duas mil almas o Reino Demoníaco se fundiu a Zesthirya. Toda Tamura se tornou um portal. Tamanha foi a energia mágica liberada que a alteração da realidade pôde ser sentida até no Reino Celestial.

Amira desceu as escadas e foi até Adam, que estava inconsciente.

Alguns soldados de armadura negra saíram da floresta. Amira pegou sua espada e se posicionou.

— Calma minha senhora, sou eu, Melaphir.

Amira então abaixou sua espada, o soldado andou até parar a cinco metros dela um pouco atrás de Adam se e ajoelhou. Outros soldados saíram da floresta e se ajoelharam.

— Nossos olhos se alegram em revê-la minha senhora, Lilith.

— E os meus em vê-los. — Ela então deu um passo a frente, e com uma voz importante disse a todos. — Sejam bem-vindos a nova capital do Reino Demoníaco!

— Vida longa a Lilith! — Gritou Melaphir.

— Vida longa a Lilith!

— Vida longa a Lilith!

— Vida longa a Lilith!

Todos os soldados gritavam e saudavam a sua rainha. Lilith então ergueu sua espada em direção ao sol que nascia.

— Que todos os outros Reinos tremam diante de nós!

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