Acácia


A sala de reuniões estava uma bagunça, as vozes de todos se misturavam,, era quase impossível entender o que todos diziam.

— O que estamos fazendo?! Deveríamos atacar agora!

— Você ficou louco?! Seria uma declaração de guerra!

— Seus tolos! Apenas lancem alguma maldição e tudo será resolvido!

Em meio ao barulho um homem se levantou. Ele estava sentado em um lugar mais a frente que todos, e em um lugar um pouco mais alto. Perto dele também estavam mais duas pessoas, uma a esquerda e outra a direita, eles eram os conselheiros do rei. O homem encheu os pulmões e gritou em alto e bom som:

— Já chega! Vocês parecem um bando de crianças birrentas. É assim que o conselho do rei deveria se portar?!

Todos ficaram em silêncio e se sentaram.

— Assim está bom. Agora que já se acalmaram, podemos dar início à reunião. Como sabem a missão de reconhecimento foi um sucesso. Agora temos uma boa noção do poder de nosso inimigo: a demônio Amira. O capitão Don Calahan irá expor os dados obtidos. Capitão...

O capitão Calahan se levantou e foi à frente. Colocou um dispositivo holográfico sobre a mesa, demorou um pouco para ativar, já que não tinha o braço direito. Após ativar, ele exibiu uma imagem e alguns gráficos.

— Como podem ver, o poder destrutivo dela aumentou exponencialmente, mesmo sendo um rank B. Provavelmente ela é um tipo raro que aumenta de nível. Isso pode ser um problema, já que não sabemos até onde a extensão de seu poder poderá aumentar. Também não se tem registro de outra espécie de demônio com as mesmas características que ela.

As outras pessoas na sala começaram a conversar entre se por um momento. Don mudou a imagem do holograma e voltou a falar.

— No mesmo dia da batalha, foi detectada uma presença estranha. A assinatura da energia mágica correspondia a um Celestial, mas o resto de seus dados correspondiam a de um humano. — Don suspirou e então completou: — Senhores, este é o primeiro caso de um Semi Celestial ...

Todos na sala ficaram sem palavras e temerosos ao ver os dados, afinal, era a primeira vez que isso acontecia.

— V-você tem certeza disso?! — Perguntou um dos conselheiros.

— Sim. — Respondeu Don — Mas infelizmente não conseguimos detectar de quem são esses dados, pois a assinatura de energia estava muito fraca.

— De qualquer forma, envie esses dados para o laboratório. E Don, quero falar com você em particular na minha sala em vinte minutos.

Depois de todos saírem da sala, Don ficou mais um pouco para arrumar as coisas. Quando saiu ele andou pelos corredores do prédio até a sala do conselheiro chefe.

— Com sua licença... — Disse Don entrando.

— Ah sim, fique à vontade. Sente-se ali. — Disse o conselheiro chefe ao apontar para uma das duas cadeiras à frente da mesa. — Eu soube que a sua luta contra a demônio Amira foi bem difícil...

— Sim. Parece que ela ficou mais forte, ou estava se segurando.

— Vejo que você passou por dificuldades durante a luta. Nem imagino como deve ser para você agora que é canhoto...

— Não é tão ruim quando parece, senhor. E também, minha prótese ficará pronta hoje.

— Ah isso é bom. Estará em forma em pouco tempo.

— Conselheiro, o que o senhor queria falar comigo? — Perguntou Don mudando para um tom mais sério.

— Você pode me chamar de Clark, não tem problema. E sobre o que eu queria conversar, na verdade é apenas uma pergunta.

— E o que seria? — Perguntou Don com curiosidade.

Clark levantou e foi até a janela que estava atrás de sua mesa, e em um tom sério perguntou:

— Você acha... acha que ela está evoluindo?

Don abaixou a cabeça, e refletiu por um momento.

— Não é impossível. Alguns magos, depois de absorver certa quantidade de mana, têm seus atributos aumentados.

— Mas ela é um demônio.

— Sim, mas ela também é uma maga.

— Digamos que isso seja verdade. De onde ela conseguiria absorver mana?

— E-eu não sei. Mas depois de nosso primeiro confronto, ela esteve desaparecida dois anos.

— Hum... Entendo.

— Senhor conselheiro, sua reunião das quatro horas... — Disse a secretária abrindo a porta — Perdão, estou interrompendo?

— Não, nós já terminamos. Venha capitão, lhe acompanharei até a saída.

— I-isso não é necessário, senhor.

— Ora, vamos, vamos! — Disse o conselheiro empurrando Don até a saída.

Ao sair do prédio, o conselheiro Clark e Don se despediram com um aperto de mão. Clark foi andando até o carro que o esperava, e antes de entrar, deu um breve aceno para Don, que acenou de volta.

— Hum... Então era com ele que você estava? Tem noção de quanto tempo fiquei esperando?!

Disse uma garota de cabelos vermelhos que aparentava ter entre 19 e 20 anos.

— Desculpa, desculpa! Era importante.

— Tá! Vamos logo, estamos atrasados.

— Certo... — Don a encarou por um momento.

— O que você está olhando seu tarado?!

— Nada, nada — Don riu de nervoso — Certo vamos logo, Clarys!"

Algum tempo depois.

— Não se mexa... já está quase. — Disse o médico prestes a instalar uma prótese robótica em Don.

— Arg... O que está fazendo? Isso doeu!

— Estou conectando os nervos. Isso dói um pouco mesmo, mas não vai demorar muito tempo.

— Ora... não achei que o grande Don Calahan fosse tão fresco... — Disse Clarys rindo do medo de Don.

— Cale-se su- aii! Mas o que você está fazendo? Achei que você tinha dito que só doeria um pouco!

— Sinto muito senhor. Já terminei — Disse o médico soltando o braço de Don.

— M-mas já? Foi só isso?

— Como assim só isso? Você estava desesperado! Parecia uma criancinha! — Disse Clarys rindo sem parar. Don tentou retrucar, mas estava sem argumentos.

— Certo senhor Calahan, agora tente movê-lo. — Disse o médico.

Don fez força, mas não conseguiu movê-lo nem um centímetro.

— Não faça força senhor, apenas relaxe... tente sentir o braço e depois mova-o.

Don olhava fixamente para o braço, que alguns instantes depois do que o médico disse, começou a mexer.

— Olha só! — Disse Don rindo de felicidade.

— Finalmente! Podemos ir agora? — Disse Clarys olhando para o relógio.

— Fria como sempre, não é!? Você pode ir se quiser.

Clarys se levantou saiu da sala.

"Não achei que ela sairia mesmo..."

— Então tão doutor, quanto tempo até eu movê-lo normalmente?

— Em um ou dois dias. Até lá, você deve senti-lo um pouco pesado, e talvez um pouco de dor. Mas apenas tome dois desses comprimidos de manhã e de noite que você ficará bem.

— Entendi, obrigado.

Don se levantou e saiu da sala, e ao abrir a porta ouviu uma voz irritada e entediada.

— Então, para onde vamos agora? — Disse Clarys sentada em uma cadeira.

— Bem, que tal comermos alguma coisa? Já está quase na hora do almoço.

— Me pergunto se vai conseguir comer com essa coisa... — Clarys encarou a prótese robótica de Don. — Vamos logo então.

Não muito longe de onde Don e Clarys estavam, o conselheiro Clark estava em sua reunião.

— O clima em Acácia hoje está bom... — Disse Clark olhando uma janela.

— Mesmo assim ainda acho que está meio frio. — Disse o outro conselheiro que estava com ele.

— Você só sabe reclamar não é, Nickolas?

— Não me chame assim, só minha mãe me chama desse jeito. Além disso, reclamar é o que as pessoas fazem quando não tem nada para fazer.

— Isso é porque você passa todo trabalho para seu assistente — Disse Clark rindo. — Mas então, qual o real motivo desse encontro? Você não precisa marcar hora para conversarmos. Deve ter sido algo muito importante...

— De fato... — Ouve um momento de silêncio — Eu descobri uma coisa, e isso está me preocupando.

Clark o encarou sério.

— Nosso novo satélite de vigilância detectou algo interessante em Tamura... eu nem acreditei quando vi os dados.

— Pare de suspense e fale de uma vez! — Clark estava impaciente e curioso.

— Um portal mágico. E não é um portal comum. Mas sim um portal Celestial.

— O que!? — Clark estava pasmo

— E não é só isso. Soube de algumas pessoas que a demônio Amira está indo para lá.

— Por Alice... Essas notícias são... são incríveis!

— Hã?! O que quer dizer?

— Você não vê a oportunidade? Um portal Celestial e Amira no mesmo lugar! Se nós tomarmos Tamura, teremos em nosso poder um portal Celestial. Imagine a quantidade de energia que flui dele... com esse poder... nem consigo imaginar as possibilidades. E nós ainda poderemos acabar com aquela maldita, tudo isso em apenas uma raid.

— Você não muda mesmo não é, Clark?

— Nick, prepare os documentos para a missão.

— Já estão sendo preparados.

"Poderemos usar a energia mágica daquele portal para invocar o Graal... e talvez arrumar toda essa bagunça."

***

Don e Clarys estavam em um restaurante, Clarys estava comendo uma fatia de bolo de chocolate, e Don comia uma mistura de peixe, brócolos, e sementes de Lis. Algo que alguém sensato não comeria.

— Você não deveria comer isso... — Disse Clarys Enjoada.

— Hã?! Você não gosta? — Disse Don com a boca cheia. — Esse é o melhor prato daqui. Como assim você não gosta?

— Prefiro algo um pouco mais... humano.

Don a encarou com cara feia. Uma luz em seu braço robótico começou a piscar e fazer um barulho parecido com um bip.

— Parece que seu braço tem a função "não comer coisas estranhas". — Disse Clarys com sarcasmo.

— Isso é o comunicador. — Don deu dois cliks onde a luz piscava. Um holograma apareceu formando uma tela, e nela estava uma mensagem. — É uma mensagem do conselho...

— O que diz?

— Hum... Mas o que?! — Don arregalou os olhos por um momento. — Essa é nossa próxima missão...

— E qual é?

— Parece que... faremos uma raid em Tamura.

Clarys ficou perplexa ao ouvir isso.

— Tamura?! Mas aquele lugar não estava selado?

— Bem, parece que o selo foi quebrado. Nossa missão está marcada para daqui à três dias.

— Quem irá conosco?

— Acho que precisamos de uma ou duas pessoas, um paladino e um arqueiro também.

— Então somos eu como maga, você como tank e um paladino e um arqueiro... Quem serão os outros dois?

— O Magnos e o Kay

— O Kay não vejo problema, mas o Magnos? Ele está mais para berserker que paladino.

— Precisarmos dele já que a missão não vai ser fácil.

— E qual é?

—Tem um portal mágico em Tamura, e não qualquer um, mas sim um portal Celestial. Nossa missão é conquistá-lo e impedir qualquer um de tomá-lo.

— E quem seria capaz disso? — Perguntou Clarys sorrindo.

— Ela... Amira. E parece que sua nova party também é bem forte.

— Entendo... — Falou Clarys pensativa.

Já era fim de tarde, uma brisa fria vinha do sul. Don havia levado Clarys para casa de moto.

— Obrigada pela carona. — Disse Clarys tirando o capacete.

— Não foi nada. — Don olhou para o céu um momento e completou. — Amanhã faremos uma reunião para a raid.

— Certo, vejo você amanhã então.

Clarys andou em direção ao apartamento, mas foi parada por Don. — Clarys! — Gritou ele — Eu sei no que está pensando, e já adianto: não deixe isso lhe subir a cabeça entendeu?

— Sim, capitão. — Respondeu ela com um leve tom ríspido.

Don apenas suspirou enquanto a olhava entrar no apartamento, depois ligou a moto e foi embora.

Após essa despedida nada amigável, ao entrar, ela foi ao banheiro tomar banho.

— Será que ele estará lá também? — Murmurou ela enquanto ligava o chuveiro.

"Como? Como!? Como você pode estar viva... Wanda!? Sou eu... Adam!"

— Adam... Quem é você, e como sabe esse nome?

***

"O clima hoje está bom, nem muito quente, nem muito frio, está perfeito. A leve brisa fria, o sol não tão quente, o dia perfeito para um piquenique ou algo assim. Só falta uma coisa: eu sair logo daqui."

Pensou Clarys enquanto assistia a reunião de preparação para raid em Tamura.

Don estava levemente empolgando. Havia também na sala mais dois homens: Kay e Magnos, que estavam muito empolgados. Magnos estava ouvindo atentamente o que Don dizia, enquanto Kay se dividia entre isso e dar em cima de Clarys.

— ... Clarys... Clarys!

— Ah! — Disse Clarys depois do susto — O que foi?

— Francamente... você não ouviu nada que eu disse...

— Obviamente ela estava pensando em mim! — Disse Kay com um sorriso fadado e sínico.

— Arkan no kotharzi! — Disse Clarys usando um feitiço de levitação.

A cadeira de Kay pulou, derrubando-o. Ao ver a cena, Magnos riu tanto que quase se engasgou com a água, enquanto Clarys apenas cruzou os braços.

— Maldita rank A...! — Disse Kay irritado.

— Eu devia ter escolhido gente mais séria... — Disse Don com colocando a mão na frente do rosto. Algum tempo depois de toda essa bagunça, Don voltou a falar.

— Bem, acho que vou ter que explicar tudo de novo...

Dessa vez todos ficaram calados, e ouviram atentamente.

— Como dizia na mensagem que enviei, nós vamos fazer uma raid em Tamura. Algum tempo atrás, uns dois dias mais ou menos, foi descoberto um portal mágico, mas não um qualquer... era um portal Celestial.

Kay e Magnos se espantaram ao ouvir sobre o portal Celestial. Magnos levou sua mão esquerda para o queixo, e ficou pensativo um momento.

— Mas isso é incrível.... — Disse Magnos.

Clarys o observou fez uma cara de reprovação.

— Nós temos duas missões: tomar o portal em nome de Osghlianth e matar a demônio Amira. Soubemos que ela também está indo para Tamura. — Completou Don.

— Amira... eu não gosto desse nome... — Disse Kay.

— Ninguém gosta, garoto. — Respondeu Magnos. — Vai ser difícil... Para quando está marcada a viagem?

— Será em dois dias. — Respondeu Don.

— Ah...! — Suspirou Clarys enquanto olhando para o teto. — De qualquer forma, precisaremos ter cuidado. Acho que vocês dois sabem como o Don perdeu o braço não é?

— Sim, foi durante a luta contra Amira.

— Hã?! Sério?! Eu não sabia que tinha sido assim...

— Você não leu o relatório, Magnos?! — Disse Kay.

Claro que não! Sou pago para lutar, não ler. O que eu tiver que saber, saberei na reunião.

— Você não muda mesmo. — Disse Don entediado. — Bem, acho que por hoje é só. Discutiremos os planos quando chegarmos em Tamura.

— Certo... — Disse Kay se espreguiçando. — Ei Magnos, vai almoçar onde?

— Acho que no mesmo lugar de sempre.

— Então vamos logo, hoje tem promoção!

— Ah, é verdade. Vamos logo então! Até o dia da viagem Don.

— Até...

Após Magnos e Kay saírem, Don se sentou ao lado de Clarys.

— Agora que eles já saíram, vamos conversar.

— O que você quer conversar? — Disse Clarys encarando-o

— Sei no que está pensando, e sei o que pretende fazer. Você esteve distante desde ontem quando falei sobre Amira.

— Hum... Então meus parabéns senhor detetive. — Clarys mudou de um tom sarcástico para algo mais confuso e triste. — Ele sabia o nome dela... Como isso é possível?

— Eu não sei, mas você não pode perder a calma por causa disso. Lembra-se de como você ficou durante a luta? Você ficou fora de si.

— Sinto muito por isso, mas você não entende. Se você-...

— Eu sei como se sente, afinal fomos criados juntos, não é!? — Don sorriu. — Amira estará lá, então às chances dele aparecer são altas. Caso ele apareça, deixarei você lidar com ele. Só não exagere.

— Certo. — Disse Clarys abraçando-o.

"Adam..." — Pensou ela.

Não muito longe dali, em algum lugar na floresta de Fangöör, Adam e Mira se aventuravam numa dungeon.

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