O Fim - Parte I: Na palma do destino

04 de agosto de 849 da 10° Era do mundo



O céu distorcido acima de nós banhava tudo de vermelho. Olhando para ele é possível ver que as rachaduras aumentaram em número e tamanho. Parecia um grande espelho vermelho, mas sem reflexo. Era uma visão linda e apavorante. Não estava mais frio, um vento levemente quente soprava do céu distorcido.

Logo abaixo em Karath, os cidadãos amontoavam as ruas caminhando em direção ao palácio de Alucard, onde o portal para o Reino Celestial está, a última esperança, mas infelizmente nem todos poderão atravessa-lo. Muitos se amontoavam nas portas do palácio em busca de salvação, mas em vão. Se todos atravessarem o portal, não é certo que os celestiais possam manter um número tão grande de pessoas.

Observando de uma janela, com uma sombra sobre seu rosto, Saphira mantinha um olhar pesado e triste. Ela estava de pé com os braços cruzados; vestia um vestido brando que caia até um pouco abaixo do joelho.

— E pensar que eu viveria para ver tal cena... — ela suspirou.

— Não tivemos escolha — disse Alice enquanto vestia sua armadura prateada.

— Aposto que Lilith diz isso a si mesma com frequência — Saphira provocou. — Você não sente nada? — ela questionou enquanto colocava sua mão sobre o vidro da janela. — Vê-los assim... isso não a deixa...

— Culpada? Não. Sei que é a escolha certa. Até por que não havia outra maneira — Alice então se virou em direção a Saphira. — Não esqueça o que combinamos. Você deve liderar os sobreviventes no Reino Celestial.

— Tem certeza disso? — Saphira voltou seu olhar triste para Alice. Um contraste se formou. De um lado os olhos de Saphira demonstravam uma tristeza imensa; do outro os olhos frios de Alice, que a desde a derrota na base Argos, estão frios e sem emoções.

— Assim que todos passarem feche o portal. Assim o Reino Celestial e Zesthirya estarão definitivamente separados, e as chances do ambos serem destruídos diminuirá.

— Sinto muito que tenha terminado assim... — as lágrimas de Saphira finalmente começaram a cair. — Achei... achei que teríamos mais tempo. Eu... eu só queria que tivéssemos mais um pouco de temp-... — Com um abraço apertado, Alice envolveu Saphira em seus braços. — Alice?

— Este não é o fim. Você terá todo o tempo para uma ótima rainha. Apenas... apenas não cometa os mesmos erros que eu.

— Escuta... — Saphira afastou-se de Alice. — Alic-... hã!? — De repente o corpo de Saphira ficou frio. Por um breve momento seu coração quase parou e seus pés fraquejaram. Alice a segurou e impediu que ela caísse.

— Ei! Saphira! O que foi?! — Alice questionou preocupadamente enquanto a pegava no colo e a carregava até um sofá ali perto. Alice a deitou gentilmente. Saphira a segurou com força apertando seu ombro. — Ei, o que foi? — questionou Alice mais uma vez.

— Adam...

— Hã?

— O Adam está... vivo.

— O-O que? Mas ele morreu na explosão da base Arg-...

— Eu tive uma visão! — Saphira a interrompeu. — A realidade estava se despedaçando como vidro. Adam estava segurando você em seus braços. Você... você estava morta. O corpo de Lilith não estava muito longe de onde vocês estavam...

— Calma. Lembre-se de que suas visões são apenas um destino possível. Não é certo que isso vai acontecer. Além disso, se o Adam está mesmo vivo... então... então ainda há esperança! — enfim, depois de muito tempo, o coração de Alice se encheu de esperança mais uma vez. Seus olhos brilharam de felicidade enquanto ela imaginava o futuro salvo.

— Não... não conte isso a ninguém — disse Saphira. — Não podemos encher todos de esperança em vão.

— Ah... sim... — Alice começou a conter sua empolgação. De repente um som do alarme ecoou pelos corredores. Alice olhou para Saphira com um olhar afiado. — Está na hora. Vá para o portal. A batalha vai começar em breve.

Saphira acenou com a cabeça e com um pouco de dificuldade se levantou. Alice, que estava ajoelhada ao lado do sofá se levantou e caminhou até a janela. — Tch! — Alice clicou a língua.

Do outro lado das muralhas e da barreira mágica que envolvia toda a cidade de Karath, o exercito de Lilith havia chegado. Ao longe, saindo de trás da montanha já era possível ver as naves e logo abaixo delas o exercito marchava fazendo o chão tremer.

Observando do alto de uma torre, atrás do vidro de uma janela, Annie temia e sentia calafrios ao ver o exercício de Lilith se aproximar cada vez mais da cidade. Um suspiro deixou seus lábios enquanto um calafrio subia por sua espinha.

— Annie...? — uma voz gentil e cansada chamou o nome da garota. Era uma mulher jovem. Estava deitada sobre uma cama. Seus cabelos vermelhos estavam amarrados numa trança caída ao lado de seu corpo. — O que foi?

— Como consegue ficar tão calma numa situação dessas, Clarys?

— Muita pratica... — Clarys respondeu. — Me diz... Você realmente vai lutar? Digo, você seria muito útil para proteger o portal.

— Não. Se for para morrer... Então que seja lá fora. Lutando.

— Annie, não seja imprudente! — Clarys gritou. — Sua morte não trará nenhum benefício para ninguém! Não seja tola! — ao dizer isso Clarys tentou se levantar da cama, mas sentiu uma forte dor em seu peito, o que a fez voltar a deitar enquanto soltava um arfar de dor.

— Clarys! — Annie rapidamente deu duas largas passadas até chegar ao lado da cama. Pegou um copo d'água e entregou a Clarys. — Você está bem?

— Hm... ficaria melhor se você não fosse lutar — ela suspirou.

— Clarys...

A porta então se abriu. Era Cacio. Um garoto um pouco maior que Annie e velho companheiro de grupo. Ele usava uma armadura cinza escura com um pano vermelho preso a um dos ombros.

— Annie. Está na hora — ele disse num tom melancólico.

— Certo. Já vou indo — Annie respondeu quase que no mesmo tom. Cacio acenou brevemente para Clarys e então caminhou para o corredor.

— Ele também queria que você não fosse — disse Clarys segurando a mão de Annie.

— Hm... — ela sorriu. — Mas é como você disse. Não mudaria nada — ela então se levantou e caminhou até a porta, se virou, e disse com um sorriso: — Mas talvez mude — ela saiu do quarto. Do lado de fora havia dois guardas; um deles carregava consigo uma cadeira de rodas. Eles estavam ali para levar Clarys para o Reino Celestial. Cacio também aguardava ali; e com um aceno de cabeça um para o outro eles seguiram pelo corredor até a armaria.

Não tão longe quanto todos queriam, Lilith conversava com seus generais sobre o plano de invasão. Eles estavam numa sala dentro de um dos cruzadores mecha. Todos de pé em volta de uma mesa redonda, eles ouviam atentamente o que sua líder dizia.

— ...Mesmo com nossa vantagem numérica, nós vamos ter problemas se aquele campo de força não cair rápido. Temos que focar todo poder de fogo que temos nos cruzadores no campo de força. E assim que ele cair, avançaremos até o portal e finalmente conquistaremos o Reino Celestial!

Os comandantes concordaram e saíram da sala deixando Lilith sozinha com Alomër. Lilith usava uma armadura prateada e seu elmo estava sobre a mesa redonda; Alomër usava sua armadura vermelha. Uma espada pendia em seu cinto do lado esquerdo de seu corpo.

— Estamos quase lá... — ele disse com entusiasmo encarando Karath através do vidro da sala onde estavam. — Só mais um pouco.

— Sim. Mas não podemos ficar ansiosos — ela disse pensativa. — Vê o céu? É o Fim se aproximando. A qualquer momento podemos morrer, assim como este universo.

— Hm! Falar é fácil — ele riu.

— Sim, mas mesmo assim controle-se.

Ouve um momento de silêncio, que fora quebrado por Alomër.

— Diga-me Lilith... Você se arrepende de não ter feito o "salto"?

— Por que isso agora? — ela questionou.

— Bem, olhe o céu. O universo está à beira da destruição e nós aqui buscando vingança. Pergunto-me se foi mesmo a escolha certa.

— Se foi ou não, só você pode dizer. E também não estamos aqui só por vingança. O Reino Celestial é uma dimensão de bolso; ou seja, ele pode continuar a existir mesmo sem este universo — ela ficou alguns segundos em silêncio observando aquele céu distorcido. — Deixando isso de lado, avise a todos que vamos começar o ataque. Mande preparar os canhões de longo alcance. Depois encontre-me na ponte de comando — ela disse enquanto saia da sala. Alomër então se aproximou de um computador e abriu o canal de voz para todas as naves.

— Todos os cruzadores! Preparem seus canhões de longo alcance. Vamos começar! — ele gritou empolgado.

De repente um poderoso estrondo reverberou por toda parte. Dentro do campo de força que cercava Karath, as ruas estavam amarrotadas. As pessoas caminhavam em direção ao portal Celestial calmamente, mas isso até...

— O-o que foi isso?! — alguém perguntou no meio da multidão.

— Olhem! — mais alguém gritou. — No alto do campo de força! — ao olhar para cima todos contemplaram uma enorme bola de fogo e mana caindo em direção a cidade. Todos ali se desesperaram e deixaram de lado todo e qualquer senso de calma e começaram a correr loucamente passando por cima uns dos outros.

Havia guardas ali, mas de nada suas presenças adiantavam. Eles não podiam conter o medo da multidão, que pisoteavam uns aos outros sem qualquer remorso.

A bola de fogo e mana se chocou contra o campo de força causando uma enorme explosão, que se espalhou pelo domo formado pelo campo de força como tinta; cobrindo-o de um vermelho alaranjado.

Dentro do palácio, todos os soldados corriam loucamente em direção aos seus postos. Alice passava no meio deles apressadamente esbarrando e empurrando alguns deles. Ela continuou caminhando até uma sala. Depois de abrir as postas duplas, ela caminhou pelo salão das armas celestiais passando por entre espadas, lanças, clavas, maças e varias outras armas.

Ela caminhou até um solitário altar. Nele havia uma estatua de uma bela mulher segurando em seus braços uma larga bandeja. Sobre ela, uma espada dourada repousava guardada em sua bainha; era um design simples, nada muito extravagante, mas mesmo assim, a era uma bela espada. A estatua estava posicionada sobre uma pálida coluna de luz branca. O semblante da estatua era de alguém levemente triste, quase como se fosse começar a chorar.

Alice deu alguns passos subindo os poucos degraus que ali estavam e encarou o rosto da estatua. De repente Alice sentiu a presença de Alros, que estava parado alguns metros atrás dela. Ela olhou de relance por cima do ombro e suspirou.

— Tenho certeza que não era isso que minha mãe tinha em mente quando criou este mundo...

De repente outro estrondo ecoou. Alguns grãos de poeira caiaram aqui e ali.

— Mas em seu coração ela temia o pior. Ela sabia que em algum momento algo assim aconteceria. "Tudo que tem um inicio, um dia terá um fim. Nada é para sempre". É o que ela costumava dizer.

— "Nada é para sempre"... não é? — Alice murmurou. — Bem... — ela se inclinou para frente e segurou com força o cabo da espada. — Vamos fazer de tudo para os medos dela não se realizem! — ela disse enquanto se virava e encarava Alros com as chamas da determinação queimando em seus olhos. — Vamos!

Do lado de fora do campo de força, o impacto e as explosões causados pelos disparos dos cruzadores mecha já estavam fazendo efeito. Um som agudo como de vidro trincando era ouvido misturado as fortes explosões.

Alice a Alros saíram do palácio e seguiram até o portão principal de Karath. Lá estavam todos os soldados que não estavam nas naves de ataque. Havia ali pouco mais de 900 soldados, um número muito inferior às tropas terrestres de Lilith. Contando com os soldados nas naves de ataque, eram ao todo 1200 guerreiros prontos para morrer defendendo o que restou dos povos livres.

Usando uma magia de terra com um gesto simples da mão direita, Alice fez um pequeno palco. Ela subiu os poucos degraus e usando mana para aumentar o alcance de sua voz, ela limpou a garganta e começou a falar.

— Atenção! — ela gritou. — Hoje é o dia definitivo de nossas vidas. Não conheço todos vocês, mas sei que lutaram bravamente para defender o reino e aqueles a quem amam. Não sei se venceremos esta batalha. Olhando para o céu posso dizer que não temos muito tempo... — ela fez uma breve pausa e então continuou. — Nossa missão é garantir que todos atravessem o portal! Sei que estou pedindo muito. É egoísmo pedir isso, mas eu peço que morram aqui! Garantam que suas famílias sobrevivam a esta catástrofe! Morram ao meu lado! Morram pelo futuro!

Todos ficaram em silêncio. O único som que era ouvido eram as explosões logo acima contra o campo de força. Mas então a voz de Alros coou naquele lugar.

— Pelo futuro... eu ofereço meu coração e minha alma! Não permitam que aqueles que deram suas vidas tenham morrido em vão! Será uma honra morrer ao lado de vocês!

— Pelo futuro! — alguém gritou em meio aos soldados.

— Vamos mostrar a eles do que somos feitos!

Alice olhou para Alros, que acenou para ela mostrando um sorriso confiante e determinado. Alice acenou de volta. Alros então desembainhou sua espada e cravou sua lâmina no chão de terra e neve.

Uma pequena fenda se abriu e percorreu por entre os soldados até a enorme muralha de gelo abrindo uma grande abertura grande suficiente para os soldados avançarem sem problemas. Ouve então o impacto de mais um disparo contra o campo de força. Impacto este que reverberou por toda cidade despedaçando o campo de força fazendo-o cair como vidro quebrado. Incontáveis fragmentos do campo de força caíram e evaporaram no ar.

— Preparem-se! — Alice gritou. Um grito de águia soou logo acima. Era Nero montado em sua águia; ele trouxe consigo a águia de Alice, que desceu suavemente. Alice subiu em sua montaria e desembainhou sua espada — Avante! — ela gritou.

Com um frenesi incontrolável as tropas terrestres de Alice avançaram. Logo acima, a frota de naves avançou tomando os céus vermelhos. A águia de Alice levantou voou e juntou-se a Nero seguindo juntos para a batalha.

As tropas terrestres lideradas por Alros rapidamente cobriram uma grande distância. Em questão de dois minutos as tropas se chocaram contra a infantaria de Lilith.

Logo os gritos tomaram conta daquela planície. Sangue era derramado enquanto espadas dançavam e escudos eram partidos. Os tiros de blasters brilhavam e voavam em meio aos já muitos cadáveres. Logo cima as naves de ambos os lados eram derrubadas no campo de batalha, dificultando o movimento das tropas.

Alros lutava como nunca. Usando como vantagem o ambiente de frio do norte ele conjurava incontáveis estacas de gelo, que empalavam os soldados de Lilith aos montes manchando de sangue a neve logo abaixo.

Cima de tudo isso, Alice usando o poder de sua espada, a Eternidade Dourada, que podia disparar um forte raio de luz, destruía várias naves ao mesmo tempo, atravessando-as. Os céus eram pintados pelas varias explosões. Nero não ficava atrás. Usando a água presente na atmosfera, ele conjurava lâminas que cortavam e retalhavam as naves inimigas. Dragões de água dançavam nos céus destruindo naves e batendo de frente com os cruzadores mecha.

Observando a batalha se desenrolar de dentro de seu cruzador mecha, Lilith cerrava os dentes. Ela não esperava tal resistência. Lilith então virou seu rosto para o lado e olhou para Alomër.

— Vamos entrar. Vamos até o esquadrão 66 — ele acenou com a cabeça e ambos saíram da sala. Eles seguiram pelo corredor e entraram no elevador no fim do mesmo. Eles rapidamente chegaram ao hangar onde o grupo de vampiros aguardava. Eram ao todo 99 vampiros ali, mas havia também uma criatura réptil no hangar. Com seis metros de sua cabeça até sua calda e doze de asa a asa, era um Wyvern, ou serpe. Eles são parentes de dragões, embora não exalem fogo e tenham apenas quatro membros ao invés de seis como seus parentes cuspidores de fogo. Wyverns têm grandes asas de couro, bicos "cruéis" e uma fome insaciável. Eles são mais ferozes que dragões, e excedem seus primos em quase tudo, menos em tamanho. A criatura tinha escamas negras e cruéis olhos vermelhos brilhantes.

Lilith caminhou em direção a criatura enquanto Alomër caminhava para a frente de seus soldados. — Finalmente chegou o dia! — ele disse ao se posicionar na frente de todos. — Hoje vingaremos a morte do lorde Drácula! Alucard pagará por sua traição! — todos gritaram empolgados.

— Não deixem sobrar ninguém! — ordenou Lilith já sentada nas costas do wyvern. — Assim que tomarem a área do portal, mandem um sinal. Façam de tudo e quebrem as defesas internas deles! — todos gritaram, concordando com o que ela disse. — Abram a escotilha! — Quase que no mesmo momento elas abriram. — Vão! — ela gritou. Eles então saltaram do cruzador. Os vampiros primeiro e logo depois Lilith com seu wyvern.

O impacto dos corpos dos vampiros contra o chão resultou em várias pequenas crateras. Todos ali quebrariam suas pernas devido ao impacto, mas graças à cura acelerada dos vampiros, logo se recuperaram e avançaram em uma formação V com Alomër os liderado.

Lilith disparava rajadas de fogo azul contra as naves de Karath, derrubando-as ou explodindo-as. A chegada dela na batalha renovou as forças de seus soldados, que agora motivados pela presença de sua líder, lutavam como nunca.

— Lilith! — Alice gritou. Ao olhar para cima Lilith se deparou com Alice descendo num rasante com sua águia. Lilith cerrou os dentes e voou em sua direção. Passaram uma ao lado da outra. O som do impacto de suas espadas reverberou pelos céus na batalha causando um pequeno vácuo de ar, que logo se dissipou. — Hoje eu terei minha vingança Alice! — Lilith gritou.

Lá em baixo, formação V, o esquadrão 66 finalmente estava se aproximando da cidade quando foram surpreendidos por uma estaca de gelo gigante que voou em direção a um dos cruzadores mecha logo acima deles. Com o impacto o cruzador logo caiu, devastando as tropas abaixo dele.

Chocado com aquilo, logo Alomër buscou com os olhos o único que poderia fazer tal coisa. Os olhos de Alomër encontraram Alros não muito longe dali, pouco mais de 300 metros de distância. — Continuem avançando até a cidade — ele ordenou.

— Mas e o senhor? — um dos soldados perguntou.

— Tenho um encontro marcado com Alucard.

— Permita que nós o acompanhemos, meu senhor!

— Não! Compram a missão. Agora vão! — ele disse começando a correr em direção a Alros.

Observando de longe, Annie levou sua mão ao comunicador em seu ouvido direito. — Ele está indo até aí, mas seus soldados ainda estão vindo para cidade — ela disse observando pela luneta de sua Hecate.

— Ótimo. Cuidem dos outros — respondeu Alros.

— Entendido — ela disse enquanto recarregava para o próximo disparo. — Cacio, prepare-se. Eles estão vindo! — ela disse virando o rosto para Cacio, que estava de prontidão na abertura que Alros havia aberto na muralha. Com ele estavam mais 50 soldados.

Acima, Lilith lutava com fervor contra Alice, que devido a sua experiência durante a Rebelião de Victor, aprendeu a lutar sobre um animal voador. Alice já havia acertado algumas vezes o wyvern de Lilith, que parecia cansado. A águia de Alice por outro lado, estava muito bem.

"Tch!" — Lilith clicou a língua. — "Preciso derrubar aquele pássaro idiota!" — ela pensou. De repente veio em sua mente a ideia mais óbvia de todas, mas para isso ela precisaria quebrar a defesa de Alice, que acabara de dar a volta e estava vindo de encontro a Lilith.

Lilith apontou sua espada para frente, mirando em uma das asas da águia enquanto a mesma descia rapidamente num rasante. Infelizmente Alice percebeu isso tarde demais. Lilith então disparou uma rajada de energia azul derivada de sua mana. Alice ficou de pé sobre a sela de sua guia e saltou por cima do disparo, assim empurrando sua águia para baixo, salvando-a.

— O que?! — Lilith exclamou.

— Acha que sou assim tão tola?! Terá que fazer melhor do que isso! — gritou Alice. Sua espada brilhou em um verde intenso e desferiu um golpe horizontal. Lilith então jogou seu corpo para a direção oposta fazendo com que a barriga do wyvern ficasse exposta. O urro de dor da fera ecoou enquanto Alice cortava sua barriga. Lilith usou a asa do wyvern como apoio, assim girando e saltando na sela de Alice.

— Te peguei! — Lilith gritou enquanto caia em cima de Alice. Ambas caíram da águia.

Trocando alguns golpes de espada elas caíam. Alice mais uma vez desferiu o mesmo golpe de momentos atrás. Lilith foi lançada para trás enquanto a águia de Alice a pegava. Lilith caiu com força contra o chão deixando uma enorme cratera. — Tch! — Alice clicou a língua.

No chão, Alros lutava contra vários inimigos ao mesmo tempo e facilmente os derrota. Mas de repente um projétil veio voando em sua direção. Era uma pedra. Ele usou a espada para impedir que ela batesse contra seu rosto. — O que? — ele se perguntou confuso. De repente, vindo do lado oposto de onde a pedra havia vindo Alomër saltou enquanto desferia um golpe vertical. Alros percebeu a tempo, mas não conseguiu esquivar por completo. Seu ombro esquerdo fora ferido.

— Vamos continuar de onde paramos em Balor — Alomër disse depois de cair a alguns metros de Alros. — Hoje será o dia de sua tão esperada morte, Alucard! — ele proclamou enquanto avançava.

De repente o ar ficou seco ali devido aos movimentos absurdamente rápidos dos dois. As espadas mal podiam ser vistas. Eram quase invisíveis e o choque das lâminas fazia surgir faíscas. Golpes precisamente perfeitos, muito diferente da luta em Balor. No entanto Alros estava muito melhor devido a estar no norte, onde seus poderes funcionam ao máximo.

Alros então pisou com força no chão e uma grande estaca de gelo brotou arrancando o braço esquerdo de Alomër, que urrou de dor. Aproveitando aquele momento, Alros avançou a uma velocidade absurda mirando sua espada no pescoço de Alomër; o único modo de matar um vampiro sem a luz do sol era cortar sua cabeça, mas o golpe de Alros foi interrompido por uma adaga que veio voando e chocando-se contra a espada de Alros. Logo depois um chute diretamente no rosto fez Alros voar alguns metros para trás.

Alros rolou pelo chão até finalmente parar batendo as costas contra uma de suas estacas. Ele rapidamente recobrou a consciência. Ao olhar para frente ele viu Lilith de pé ao lado de Alomër. — Ah, porra... era exatamente disso que eu não precisava... — ele reclamou enquanto começava a se levantar.

— Você está bem? — Lilith perguntou a Alomër.

— S-Sim... essa passou perto — ele respondeu se levantando.

— Que bom... — então de repente, com um golpe seco e limpo, Lilith cortou fora a cabeça de Alomër fazendo Alros arregalar os olhos. — Sinto muito, mas não será hoje que você irá mata-lo — ela disse enquanto observava a cabeça de Alomër rolar pelo chão. Seu corpo caiu morto logo ao lado derramando o sangue do ex-comandante dos vampiros.

— V-Vocês não eram aliados? — Alros questionou.

— Sim... — ela respondeu voltando seu olhar para Alros. — É uma honra finalmente conhecer o Senhor do Gelo Eterno, Alros Alucard — ela disse fazendo uma saudação debochada. — Eu preciso de você para atrair a Alice até aqui em baixo... então... — ela apontou sua espada para ele. — Vamos ver se você é mesmo digno deste título! — ela disse enquanto avançava.

— Senhor Alros! Aguente firme, vou dar um jeito nela! — Annie falou pelo comunicador enquanto recarregava sua arma.

— Não! — Alros gritou pelo comunicador. — Defenda a cidade! Eu me vir-... — ele fora interrompido por um chute de Lilith. Annie cerrou os dentes e apontou sua mira para a formação V do grupo do falecido Alomër.

Com a mira apontada precisamente na testa de uma vampira que vinha liderando a formação, Annie apertou o gatilho. O coice do disparo empurrou a arma um pouco para trás, mas o tiro fora realizado com sucesso. O feixe de mana em formato de ponta de flecha voou pelo campo de batalha até finalmente colidir contra a cabeça da vampira, estilhaçando-a.

O corpo da vampira caiu sem vida no mesmo minuto. Nem mesmo o fator de cura elevado dos vampiros poderia curar tal dano. Porém os vampiros já estavam próximos. — Eles estão vindo! — Annie gritou para Cacio que aguardava pelo confronto.

— Não deixem eles adentrarem a cidade! Defendam essa abertura até que todos tenham passado pelo portal! — Cacio gritou para os soldados. Todos desembainharam suas espadas. Os atiradores posicionados nos telhados dos prédios próximos se prepararam para atirar.

A chuva de fogo que recaiu sobre a formação V transformou muitos vampiros em carne moída antes que a cura acelerada agisse. — Avancem! — gritou o novo líder da formação.

— Lá vem...! Preparem-se! — Cacio gritou. Como se fossem uma horda de monstros sedentos por sangue os vampiros se jogaram sobre os soldados, despedaçado muitos logo nos primeiros segundos. Em pouco tempo o chão já estava coberto de sangue.

Com sua lança Cacio abateu muitos, empalando-os. Sua lança se movia com uma maestria sem igual, com o suporte dos snipers a defesa dos portões estava fácil. Algo que não pode ser dito sobre Alros.

Alros mal conseguia ver os movimentos inacreditavelmente velozes de Lilith. A lâmina de sua espada era quase invisível. A cura acelerada de Alros quase não conseguia cura-lo a tempo dos golpes precisos de Lilith. — "Isso está ficando irritante!" — ela pensou. — "Mesmo sendo meio vampiro, o fator de cura dele é incrivelmente potente...!" — com um golpe vertical Alros finalmente conseguiu quebrar a defesa de Lilith, que deu dois passos para trás. Jogando seu corpo para frente Alros se preparava para cortar a cabeça de Lilith. Atrás dela uma estaca de gelo estava brotando do chão enquanto pela frente Alros desferia um golpe diagonal. Mas de repente o corpo de Lilith explodiu em chamas azuis. O calor da explosão repentina foi tão forte que derreteu o gelo e lançou Alros para trás. Seu corpo voou alguns metros parando apenas em uma estaca ali perto. O sangue jorrou pelo rombo na barriga dele. Um arfar de dor deixou a boca de Alros enquanto ele era empalado. 

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