Capítulo II

5 anos depois...

Todos os olhares recaíram sobre aquela figura que havia acabado de entrar e que agora, parada no meio da taberna, olhava a todos por baixo de seu longo chapéu. Alguns homens cochichavam sobre quem era ela. 

“Anne Bonny...” sussurrou um deles. “Ela tem muita coragem de aparecer por aqui.”

Só havia um lugar onde Anne sabia que poderia obter informações sobre Jack. E esse lugar chamava-se Tortuga. 

“Sirva-me uma dose daquela,” pediu à senhora atrás do balcão, apontando para a bebida em cima da prateleira logo atrás dela. 

Enquanto a senhora pegava a bebida, Anne varreu outra vez com os olhos o ambiente e percebeu que todos ali estavam, alguns mais disfarçadamente do que outros, encarando-a e falando sobre ela.

“Aqui está.” A senhora, que também encarava Anne com um olhar estranho, desconfiado talvez, empurrou na direção dela um copo com um líquido marrom dentro. 

Anne virou o copo, deixou no balcão algumas moedas e foi em direção a uma mesa em que estavam sentados alguns homens, que cochichavam algo entre eles. Logo, porém, todos ficaram em silêncio ao perceberem a aproximação dela. 

“Algum de vocês conhece Jack Sparrow?” 

Os homens entreolharam-se.

“Por que quer saber?” perguntou um deles. 

“Apenas digam-me, já viram ou não este homem antes?” Ela mostrou a eles o cartaz com o rosto de Jack estampado. 

“O que quer com o Jack?” indagou uma voz atrás dela. Anne virou-se para encarar o homem que falara aquilo e logo o reconheceu.

“Sr. Gibbs?”

Já o marujo levou alguns segundos para reconhecê-la. 

“Anne... é você? Como está... diferente,” disse, olhando-a de cima a baixo. 

“Já você não mudou nada,” retrucou ela, olhando para a pequena garrafa de bebida que Gibbs trazia na mão. 

Os dois então caminharam juntos para uma mesa nos fundos da taberna.

“Quer dizer que sabe por onde ele anda?” perguntou Anne ao sentar-se.

“Por que quer tanto encontrá-lo?” 

“Preciso recuperar algo que ele roubou.”

 Ela notou que Gibbs relutava em falar, então tirou de seu bolso um saco cheio de moedas e o colocou sobre a mesa. O marujo olhou para aquilo e imediatamente abriu um sorriso. 

“Jack... A última vez que o vi foi quando voltamos daquela viagem estranha... aquela na qual você também estava", disse. "Inclusive, nunca entendi ao certo o que aconteceu entre você e o Jack…"

"Não vamos mudar de assunto agora", Anne o interrompeu bruscamente. "Quer dizer nunca mais soube dele desde então?"

"Eu nunca mais o vi desde então", prosseguiu o marujo. "Mas tive notícias recentes dele. Soube que esteve fugindo…"

"Que surpreendente", ironizou ela. "De quem?"

"Eu não sei ao certo. Mas parece que estava devendo muito dinheiro para alguém."

"E ele continua surpreendendo..."

"Soube também que abandonou a vida nos mares", acrescentou Gibbs.

“Isto é uma surpresa," falou, inclinando-se para a frente e apoiando os braços sobre a mesa. "Está me dizendo que Jack deixou a pirataria?”

“Foi o que ouvi dizer.”

“Conte mais.”

“Aparentemente ele não tem mais condições de navegar."

“Em que sentido?"

Gibbs também inclinou-se um tanto sobre a mesa, ficando mais próximo de Anne, que o ouvia com atenção.

"Não posso afirmar com certeza se é verdade... mas há boatos de que o pobre Jack enlouqueceu."

Diante do esclarecimento, Anne deixou escapar um riso.

"Espanta-me acharem que antes ele era normal."

"Bom, as pessoas dizem muita coisa por aí. Quem vai saber o que é verdade?" falou Gibbs. "Mas de fato me recordo de que o Jack já não parecia muito bem desde a nossa última viagem. Ele dizia coisas estranhas… quero dizer, para além da estranheza habitual dele."

"Que tipo de coisas?"

"Sobre uma maldição… sobre ter estado no mundo dos mortos e coisas esquisitas assim."

Anne desviou o olhar do marujo, pensativa diante daquelas novas informações. Então, concluindo que Gibbs não tinha mais nada para lhe oferecer, agradeceu e despediu-se. 

Na volta para o seu quarto, que havia alugado naquelas redondezas, ficou pensando no que tinha ouvido. Não fazia sentido algum aquilo. Segundo as informações que recebera, Jack havia sido visto com um navio e uma tripulação, além de estar sendo procurado por roubo. Nada mais pirata do que isso, afinal.

Para além disso, era também difícil imaginá-lo levando outra vida. Se aquilo fosse verdade, se realmente tivesse deixado a pirataria, o que diabos estaria fazendo ele agora?

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top