Uma Tragédia De Grande Impacto

×Visão de Finn

Peguei Aaron pela cintura e o joguei sobre sua cama, subindo nele e o beijando. Enquanto nosso beijo continuava eu tirava meu macacão pra poder dar continuidade ao que queríamos fazer há dias.

Naquele dia, eu tinha ido esperar o Aaron sair da escola. Meus chefes deixaram que eu usasse o carro que eu já estava acostumado a pilotar para ir até ele com pressa, depois de passar no meu teste, mas pediram que eu não provocasse qualquer acidente e é claro que atendi seus pedidos – até porque eles tiveram bastante dificuldade em conseguir as permissões necessárias para que eu pudesse dirigir em pista comum. O que aconteceu naquele dia do meu teste, no geral, foi que eu entrei direto para a classe de pilotos de teste da Mercedes por ter feito o tempo recorde de 1min e 45seg – um dos melhores tempos do dia.

Para todos os efeitos agora eu estava ali, beijando o corpo que Aaron e ajudando-o a tirar sua camisa. Ele estava cheiroso e só seu cheiro já me excitava ao extremo. Continuei beijando seu corpo até chegar em sua calça e tirar tudo, passando minha boca sobre sua cueca em tom de brincadeira e vendo-o revirar os olhos.

Depois de alguns segundos, comecei a chupá-lo, masturbando-o com ajuda da minha mão e vendo Aaron gemer baixo, tentando controlar os sons que saiam de sua boca. Quando voltei até seu rosto, Aaron parecia já estar com saudade da minha boca e me puxou para si com força, nos trocando de posição e me fazendo ficar por baixo.

Aaron beijava meu pescoço, chupava meus mamilos e tudo isso enquanto apertava meu pênis com uma das mãos. Ele começou a descer e quando chegou no meu membro, não segurou a vontade e o colocou na boca logo de uma vez. Me lembro da sensação de prazer que essa ação me trouxe. Eu estava com saudade dele, estava dependente de seu corpo e louco de prazer.

– Você tem lubrificante aqui? – pergunto e ele apenas aponta para a mesinha com gaveta ao lado de sua cama.

Eu abro uma das gavetas e ali está, mas antes que eu possa raciocinar, o prazer por mais uma chupada bem dada de Aaron chega, me fazendo gemer. Ele continuou com isso e eu fui me entregando ao seu toque. O olhar de Aaron, que às vezes encontrava o meu, fazia meu corpo inteiro responder a excitação. Tudo continuou assim por alguns minutos, até eu não conseguir me segurar e puxá-lo pra mim.

Beijei Aaron mais uma vez e enquanto isso eu coloquei lubrificante em suas mãos, Aaron por sua vez passou as mãos com o óleo no meu pau e por diversas vezes fez devagar, passando a mão pela minha glande e apertando-a. Ele, então, se posicionou na cama e eu comecei a penetrá-lo devagar, mas o prazer depois acabou sendo tanto que eu tive que penetrar Aaron com força.

×°×

– Como vai ser daqui pra frente? – pergunta e eu fico sem entender.

– Tá preocupado com o que?

– Com a sua ida... você vai embora, não é? – Aaron pergunta e eu vejo que ele temia essa nova fase da minha vida.

– Quando você entrar pra faculdade, também vai. – ele desvia o olhar. Estávamos deitados e nossas pernas estavam entrelaçadas, enquanto Aaron mantinha sua cabeça deitada sobre meu peitoral.

– Você vai pra onde agora? 

– Meus treinos vão acontecer na Califórnia.

– Perdi você pra sempre? – pergunta, mas aquela pergunta não faz sentido pra mim.

– Não, eu sou seu. – digo e Aaron me olha. – Eu sou todo e só seu... quer dizer, a Emma tem uma parcela minha também. – ele sorri.

– Amber me mandou mensagem. – ele fala, olhando o celular.

– Sobre o que? 

– Uma matéria. Pra variar é sobre nós. – comenta. Eu já estava cansado de matérias sobre nós.

– Vamos ler? – pergunto. Se Aaron não estivesse a fim eu nem fazia questão.

– Ela disse que essa tá boa... – ele diz e se deita de costas pra mim, deixando que eu lhe agarre por trás.

Aaron então abre a matéria que dizia: Novo piloto de teste da Mercedes é logo aquele que todos julgavam por aparentemente correr em rachas no subúrbio de Denver.

A Mercedes abriu publicamente a lista de pilotos de teste que passaram na seletiva aqui nos Estados Unidos e um dos que passaram é Finn Longford. É, o namorado de Aaron McDevitt foi o dono do menor tempo de prova e Mercedes já espera que ele mostre seu potencial nas pistas com os carros da Fórmula para quem sabe correr no ano de 2019.

Finn, por sua vez, não parece tão preocupado com isso, já que a sua primeira reação ao saber que entrou para a equipe foi viajar de carro até a escola de Aaron para lhe dar a notícia pessoalmente. Com uma surpresa que emocionou a todos que estavam presentes naquele momento, Finn e Aaron se encontraram na porta da escola dele, onde foi revelado para Aaron que Finn tinha acabado de conquistar uma pequena parte do seu sonho de ser piloto.

Fora isso, tinham mais informações sobre quando nós fomos descobertos e o que vínhamos fazendo na internet. Quando terminamos de ler, Aaron colocou o celular de lado e se virou pra mim, me virando de costas na cama rapidamente e subindo em cima de mim em seguida.

Ainda estávamos nus e ele estava sobre mim, me beijando. É claro que aquilo começou a me excitar novamente e embora para muitos Aaron seja visto como uma pessoa "insaciável", pra mim ele era uma pessoa excitante que entendia bem quando eu estava a fim de transar com ele novamente. Eu fiquei com Aaron durante aquele dia inteiro e o dia seguinte também, sem dar chances para qualquer um que quisesse falar comigo.

Jantei com Emma, Marc e Alec na minha última noite ali. Claro que eu fui com Aaron para esse jantar e Emma aproveitou dele para comemorar a minha entrada para a equipe da Mercedes. Acontece que enquanto jantávamos Emma ficou de pé e eu já fiquei tenso.

– Boa noite a todos. – Emma fala, com uma taça na mão e todos do restaurante têm sua atenção retida pra nossa mesa. – Hoje é um dia muito especial, porque o meu irmão conseguiu entrar para a equipe da Mercedes para correr na Fórmula 1. – todos aplaudem. – O que importa pra mim, é que ele é a pessoa mais sincera e comprometida com seus afazeres que eu conheço. E é por isso que eu queria te dizer te amo muito, irmão e me orgulho de quem você é hoje. – as pessoas aplaudem ainda mais, eu, então, confirmo com um sorriso e um movimento rápido com a cabeça.

Os garçons trouxeram um pequeno bolo pra mim, nele tinha desenhado um carro de F1, o que me fez sorrir de gratidão. Embora dentro do restaurante estivesse silêncio, com pessoas conversando baixo, lá fora tinham diversas pessoas tentando tirar foto da nossa comemoração particular.

Eu nunca me senti um cara importante para o meio em que vivia e nunca pensei que fosse ser o cara que iria trazer orgulho a família. Eu sempre achei que por eu não fazer faculdade e só gostar de carro, jamais seria alguém de verdade, mas tenho que dizer que eu estava errado.

O problema da mente humana é que ela é muito focada em uma única coisa e na maioria das vezes essa coisa é um caminho que nos é ensinado como o único correto – e nem sempre ele é, verdadeiramente, o correto. Crescemos ouvindo dos nossos pais que temos que terminar a escola, fazer uma faculdade e trabalhar a vida inteira pra tentar ser "alguém", mas será que isso é verdade? Uma parte de mim sempre trouxe consigo um pensamento curioso: as pessoas de maior sucesso nunca fizeram faculdade, ou nunca seguiram o que lhes foi ensinado como obrigatório.

Quer um exemplo? Walter Elias Disney. Um homem visto pela sociedade como uma pessoa qualquer, que nunca fez faculdade ou qualquer coisa do tipo, mas hoje tem o nome na maior empresa de entretenimento do mundo. Atualmente, ninguém lembra que para trabalhar na Disney você não precisa de um diploma na melhor faculdade de animação do mundo, só precisa saber animar bem, pois era exatamente isso que o Walt sabia fazer.

A parte mais sem sentido, é que hoje as pessoas se lutam bastante em uma faculdade pronta pra ingressar em carreiras prontas dentro da própria Disney, quem sabe. Entendeu a brincadeira da vida? Pessoas estudam anos para trabalhar em uma empresa criada por um cara que sequer estudou em uma universidade, então... será que o sucesso vem mesmo de tudo o que escutamos a nossa vida inteira? Ou o seu sucesso é você quem faz, mesmo sem ter cursado uma faculdade muito boa? Pra mim o segredo é: seja lá o que você queira fazer, faça bem.

Jantamos conversando o resto da noite e foi divertido, me despedi de Aaron antes de vir pra casa com Emma, já que eu iria embora na manhã seguinte. Assim que ela e eu chegamos em casa, descemos do carro e quando eu entrei no apartamento o susto: Eddie estava sentado no sofá, fumando um cigarro de maconha.

– Oi, irmão? – ele fala, expirando para fora dos pulmões toda a fumaça que tinha acabado de inspirar e eu fico parado ali o observando. Emma vinha atrás de mim, mas logo parou de andar quando o viu ali. – Oi, Emma, saudades? – a cumprimenta em um tom de voz diferente e eu olho para ela.

As feições de espanto de Emma me deixaram nervoso e minhas mãos começam a suar. Nunca perguntei o motivo pelo qual ela sentia tanta repulsa de Eddie, mas estava decidido que iria perguntar naquele momento.

– O que você quer? – pergunto a Eddie, enquanto vou entrando em casa. Coloco meu casaco no sofá e me aproximo dele.

– Que grosseria, eu vi no jornal que você tinha conseguido se tornar piloto da Mercedes e achei legal. Vim te dar parabéns, irmão. – ele fica de pé.

~Que fedor. ~Penso.

– Apaga esse cigarro, o cheiro me incomoda.

– Tudo bem.

– Como você entrou aqui? – pergunto. Não importava qual movimento eu fizesse, Emma não saia do meu lado, ela parecia bem assustada.

– O seu prédio ainda fica no subúrbio e tem fechaduras ruins, irmão. Não esquece que eu cresci em um prédio parecido com esse. – ele olha ao redor.

– A polícia tá atrás de você, tem que ir embora. – aponto para a porta.

– Que isso, pensei que eu, você e a sua irmã fôssemos conversar e quem sabe dar uma volta por ai. – ele finalmente apaga aquele cigarro.

– Sai daqui, Eddie. 

– Não. – ele responde de forma curta e me faz franzir a testa, não acreditando que ele estava rebatendo uma ordem. – E então, Emma, ainda tem lembranças minhas? – olho para Emma. Ela estava tremendo como eu nunca tinha visto-a tremer antes.

– Eddie, eu nunca te perguntei ou perguntei a Emma, mas... qual é o problema de vocês? – sinto meu coração bater mais rápido. Eu estava começando a ficar ainda mais nervoso.

Minha irmã sempre comentou que muitas pessoas pedem pela verdade sem que consigam lidar com ela, mas nunca imaginei que naquele momento eu estava fazendo exatamente isso sem imaginar. 

– Irmão... eu nunca quis te contar, e eu sei que a sua irmã também não teria coragem de falar nada. Teria, amor? – olho para Emma. Seus olhos estavam vermelhos e eu tentava segurar a minha cabeça.

– Fala logo. – ordeno, olhando ligeiramente para meus punhos, que já estavam se fechando.

– É, pelo visto a nossa amizade já era mesmo, então sim, Finn... Eu tive uma linda noite de amor com a sua irmã. – sinto meus olhos se enchendo.

– Você me estuprou, seu imundo! – Emma grita, expulsando metade das coisas que ela pensava e só aí eu entendo que ele estava mentindo. Olho para Eddie que dá de ombros e expulsa um sorriso curto.

Eddie, no mesmo instante que vê que eu vou me mover, tira uma arma da cintura e me aponta ela. Já tinha visto ele fazer isso com as pessoas, mas não imaginava que um dia eu seria seu alvo.

– Não tava pensando que eu ia vir pra sua casa e falar que eu estuprei a sua irmã sem ter como me proteger, tava? Olha, eu tô aqui pra me desculpar e pra dizer que o meu pau tá com saudades, Emma. 

Olho para Emma e peço desculpas com o olhar pelo o que ia fazer, mas eu não estava mais me segurando no mesmo lugar. Eu não podia acreditar que aquele segredo ficou escondido de mim por tanto tempo e por isso me virei para Eddie novamente. O rosto dele mudou quando viu meus músculos se tencionarem e me viu dar dois passos em sua direção.

Eddie tentou atirar em mim, mas a arma falhou e por isso eu a arranquei da sua mão e joguei com força na cozinha. Segurei o braço dele, que ainda estava esticado e o girei, fazendo com que sua mão encostasse em seu pescoço. Segurei mais firme seu braço até sentir seu osso saindo do lugar e ouvir Eddie gritar.

– Você vai pagar por isso. – falo, em um tom de puro ódio.

O girei e dei uma joelhada bem dada no meio de suas pernas, quando Eddie caiu no chão eu comecei a bater nele. Dava socos repetidamente em seu rosto, até ver ele ficando cada vez mais ensanguentado. Conseguia ouvir Emma ligando para a polícia e depois vindo até mim, mas eu não conseguia parar de bater nele.

– Finn! – Emma me chama, enquanto tenta me tirar de cima de Eddie, mas eu não lhe dou ouvidos. – Finn, pelo amor de deus para! Finn, você vai matar ele!

– Mas eu quero! – falo olhando-a por alguns poucos segundos.

– Você pode perder tudo o que conquistou por causa desse lixo! Finn! – Emma me chama desesperada, enquanto eu ainda dou vários socos em Eddie. – Finn, por mim, para! – paro antes de dar mais um soco nele.

Meu punho estava fechado e minha mão estava alta, ela ainda seria impulsionada contra o rosto de Eddie, mas Emma me puxou, me tirando de cima dele quando viu que eu tinha escutado seu pedido. Ela me puxou e me abraçou, mesmo eu ainda estando cheio de sangue e eu a abracei de volta, colocando minha mão atrás de sua cabeça e apertando-a contra meu corpo.

×

– Eu vou precisar do seu depoimento. – o delegado fala e eu concordo com a cabeça.

– Ele vai sofrer algum processo por ter batido no Eddie? – Emma pergunta.

– Não, ele estava armado, invadiu a casa de vocês e ameaçou ambos. Na verdade, eu queria pedir, Finn, que você falasse a verdade sobre o que aconteceu anos atrás. – eu o olho. – Eu quero conseguir uma prisão perpétua pra esse cara, mas sem saber de todos os crimes dele, vai ser impossível.

– E sobre o meu estupro? – Emma pergunta. Ela parecia bem incomodada com a pergunta que ela mesmo fez.

– Emma, ele admitiu no carro que estuprou você. Ele também admitiu que a droga do Mitchell era dele, que algumas armas que foram apreendidas em seu apartamento eram mesmo dele e que era um dos maiores revendedores de drogas daqui de Denver. Ele vai pagar por isso tudo, mas estou falando do que aconteceu com seu irmão, porque ele apenas não comentou nada sobre a droga de anos atrás. – o delegado responde.

– Eu vou depor sobre isso. 

– Fico feliz. Não tava conseguindo dormir direito com aquele garoto como culpado pelas ações de um cara mais velho. 

– Finn! – escuto meu nome ser chamado e quando olho para trás, Aaron se aproximava. Ele me abraça forte e me olha nos olhos. – Como você está?

– Minha mão tá doendo e a minha cabeça também, mas vou melhorar. – ele me beija, me abraçando em seguida.

Eu acabei por ir no dia seguinte para a Califórnia, assinar o contrato de piloto de teste da Mercedes e fazer meu primeiro treinamento oficial como corredor da marca. Emma acabou indo passar um tempo na casa de Marc, para se sentir mais segura com o que aconteceu. Eu falei para os meus coordenadores o que estava acontecendo na minha vida pessoal e eles me deram folga nos dias de julgamento.

Preciso falar que o meu ódio por Eddie não diminuiu todas as vezes que eu o vi no tribunal com a cara toda machucada e torta pela surra que levou. Minha vontade era de ir até ele e matá-lo ali, na frente de todos.

– Silêncio. – O juiz fala. Ele finalmente iria falar a pena de Eddie. – Fixo, pois, a pena base em 150 anos de reclusão ao réu Eddie Aluísio Shakn, por conta do agravamento das acusações de estupro de vulnerável, que já tinham 4 anos de reclusão fechada, que pôde ser transformada em aberta após 3 anos de cumprimento da pena inicial e bom comportamento, tráfico de drogas, crime organizado, aliciamento de menores, formação de quadrilha e posse de armas sem a licença necessária prevista no código penal dos Estados Unidos da América. Lembrando, que o direito de andar armado é protegido pela Segunda Emenda á Constituição dos Estados Unidos, mas neste estado, para a posse de arma é necessária e irrefutavelmente obrigatória a presença da licença para cada tipo de arma que o cidadão portar. Levando também em conta crimes leves, como invasão a propriedade particular, ameaça e fuga da lei durante os meses em que foi perseguido eu somo mais 5 anos por cada um deles em regime fechado e sem chance de progressão de pena pelo péssimo comportamento mostrado na sua primeira progressão. Tendo em vista todos esses pontos a somatória de tempo recluso do senhor Shakn é de 165 anos de reclusão absoluta. – ele termina a sessão.

– Senhor, o meu réu... – o advogado de defesa tenta falar.

– O seu réu tem sorte por eu não poder condená-lo a pena de morte. – o juiz o interrompe. – A sessão está encerrada. – ele termina, sem dar a chance que ele tente falar mais alguma coisa.

Eddie sai algemado e sem reagir. Emma, então, me abraça com força, indo com Marc em seguida. Depois de 4 dias de julgamento, Eddie estava preso e dessa vez para sempre. Quando saí do tribunal, tudo estava uma bagunça. Jornalistas e entrevistadores se espremiam para receber uma palavra minha, mas eu apenas fui para a casa de Aaron, evitando qualquer perseguição de qualquer paparazzo, precisava me sentir bem.

×°×

– Como você se sente? – Aaron pergunta. Ele estava sentado e eu estava com a minha cabeça em seu colo, recebendo seu cafuné.

– Meus pensamentos estão mais calmos, mas ainda não consigo entender o motivo pelo qual a Emma não me disse isso antes. Por que ela guardou isso por tanto tempo? – pergunto olhando para Aaron que respira fundo.

– Você viu o que você fez com a cara do Eddie? – dou de ombros.

– Vi, mas a minha irmã é mais importante que ele. 

– Sua irmã... – Aaron começa, mas eu tenho de interrompê-lo.

– Minha irmã e você são tudo o que eu tenho. Não posso me dar ao luxo de fazer nada que ponha vocês em risco. São as pessoas que eu amo. São as únicas pessoas que eu amo. – ele me beija em seguida.

Naquele mesmo dia, acabei por ter que voltar para a Califórnia para continuar meu treinamento. No final de dezembro eu recebi a minha folga, podendo ir para casa passar o Natal com Aaron e Emma. Eles organizaram um Natal na casa de Aaron onde estavam eu, Aaron, James, Marc, Alec e Megan que acabaram passando o Natal conosco por causa do relacionamento sério de Emma e Marc.

– Eles falaram que queriam que eu testasse um novo carro, mas eu ainda não sei do que se trata. – falo, comendo um pouco de doce. Não gostava dessa coisa de comer de madrugada e por isso para esperar o horário eu ficava comendo um pouquinho de cada coisa a todo o momento.

– E você tá empolgado? – James me pergunta.

– Não exatamente, não gosto do mundo de olho em mim.

– Mas aceitou a condição pelo Aaron. – Alec fala e eu sorrio.

– Pelo Aaron é outra coisa, ele é meu amor. – Aaron me olha, sorrindo em seguida. –Aproveitando a ocasião, eu queria fazer uma coisa.

– O que? 

– Isso. – falo, tirando uma caixinha do meu bolso. – Eu fui em um shopping semana passada com um colega meu, porque ele ia comprar o presente de aniversário da namorada e eu vi essas alianças... Eu lembrei de você no mesmo momento, precisava mostrar que eu realmente quero estar ao seu lado. – vejo os olhos de Aaron enchendo de lágrimas. – Tá chorando por quê? Não quer usar alianças? – olho para a caixinha.

– É choro de alegria...

– Então você? – pergunto, levantando a caixinha agora aberta e Aaron sorri.

– Quero. – ele estende a mão e eu coloco a aliança em seu dedo. Aaron pega a minha e põe no meu, me beijando em seguida.

Meu 2018 começou de forma positiva. Principalmente, por conseguir manter bem meu relacionamento, mesmo que a distância, com Aaron. Na virada de ano, nós viajamos para Nova York e comemoramos o ano novo juntos. Era incrível estar ali com Aaron, mas logo após aquilo ele voltou para o Colorado e eu para meus treinos constantes na Califórnia.

Eu treinava todos os dias. O salário de piloto de teste era mediano e dava pra eu me virar ali, mas é claro que valia bem pouco pelo cansaço. Com o passar das semanas, a atenção da empresa aumentou sobre mim e meus treinos passaram a ser acompanhados por diversos técnicos e alguns médicos. Era nítido pra equipe que minha força de vontade era diferente da média dos outros pilotos, o que era ótimo.

A cada corrida com meus colegas eu mostrava mais domínio sobre o carro e mesmo sendo gay assumido e mantendo um relacionamento aberto para a mídia com Aaron, eles nunca colocaram isso na frente, até porque mesmo correndo para a Mercedes por apenas alguns meses, outras marcas como Ferrari e Red Bull Racing já tinham tentado entrar em contato comigo para me oferecer um contrato.

E foi aí que aconteceu. Depois de semanas acordando às 5 horas da manhã e só parando às 2 da madrugada, comendo muito pouco e treinando muito mais do que meus colegas, tive uma corrida para olheiros da Mercedes que eu fui muito bem, fechando um tempo de 1min e 35 seg., chamando atenção da mídia mundial.

Duas semanas depois, tinha uma corrida para efetivar a minha prática com o carro e quem sabe conseguir entrar na F1 de 2018. Naquele dia, o mundo estava acompanhando a corrida que escolheria os novos corredores para o time oficial da Mercedes que incorporaria a F1 e eu... Perdi o tempo da última curva, batendo de frente com os muros de proteção. No momento do impacto, apenas apaguei. Pensei que seria meu fim naquele momento. 

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