Tudo Para Ficar Mais Próximo De Você

×Visão de Aaron

– Bom dia, meninos. – Lisa fala e encara Mitchell, ao ver suas condições. Ele estava acabado, mas pelo menos aceitou tomar um banho e vestir uma roupa qualquer minha.

– Bom dia, Lisa, como vai o maior amor da minha existência? – Mitchell responde.

– Eu vou bem... – Lisa fala, tentando ignorar a cara de virado de Mitchell. Ela sabia que ele ia à festas com frequência e deduziu que talvez fosse isso... eu espero. – Vão tomar o café hoje? 

– Sempre tomamos. – respondo e ela faz "não" com a cabeça.

–  Claro que sim. E não esquece a entrevista hoje. – ela pede.

–  Não vou. Papai chegou? 

–  Não, ele disse que iria chegar na hora da entrevista e sair depois dela. – Lisa fala e eu olho para o chão, concordando com a cabeça.

– Claro que sim. – digo, em baixo tom. Meu pai nunca estava presente mesmo.

– Não fica triste com isso. – ela pede.

– É claro que não. Eu tô bem. – tento confortá-la.

Terminamos de tomar café e assim que chegamos na garagem para pegar meu carro, Mitchell para de andar e me encara.

– Onde tá meu carro? – ele pergunta e eu o encaro.

– O que? – pergunto de volta, confuso.

– Ontem... – ele respira fundo e põe a mão na cabeça. – Onde está meu carro? – Mitchell pergunta outra vez.

– Eu que te pergunto, fui te buscar ontem na casa do Eddie com o Finn e você não disse nada sobre ele. 

– Que merda, deixei meu carro no subúrbio sul? 

– Olha... – ia falar, mas Mitchell me interrompe.

– Ele tem identificação. Se alguém da imprensa esbarra naquele carro, vai ser um escândalo enorme. – Mitchell fala, pegando o celular. – Vou ligar pro Eddie. 

– E ele vai fazer o que? – pergunto.

– Eu tava chapado e bêbado ontem, ele que levou meu carro. – Mitchell fala com convicção, mas eu sabia que ele torcia por isso.

– Caralho, Mitchell, você parece uma criança. – resmungo, enquanto vamos até meu carro e saímos.

– Onde você tava enquanto eu me drogava? Esse é o seu trabalho... –  ele resmunga de volta e eu fico em silêncio, pensando. 

Mitchell ligou para Eddie e eles conversaram durante todo o trajeto até a escola. Pelo visto Eddie tinha uma capa e colocaria sobre o carro de Mitchell para que ninguém visse seu carro e hoje a noite ele buscaria. É claro que Mitchell me chamou pra ir buscar esse carro com ele, afinal ele precisava de carona, mas prometeu que não iria chapar hoje.

Na escola, mais uma vez Emma veio com Finn, mas dessa vez ele desceu do carro e levou alguns livros dela até a sala. O sinal tocou e todos começaram a entrar. Quando chegamos na sala, Finn ainda estava nela, recebendo uma série de ordens de Emma, que quando me viu desviou o olhar por alguns segundos, voltando a atenção para Finn novamente que se mantinha concentrado nela. Eu me perguntava mentalmente se Emma sabia sobre meu beijo com o irmão dela, beijo esse que eu não conseguia parar de pensar e imaginar desde que acabou.

– Você vai comprar tudo que estiver nessa nota, não compre nada que não esteja escrito aqui. Não vai pro Eddie hoje, por favor, limpa a casa, eu talvez chegue mais tarde hoje e vou estar exausta. – Emma pede e Finn pega o papel, olhando o que estava escrito. Ela falava com ele como se fosse criança, o que era fofo de assistir, porque ele parecia receber as ordens como uma criança. Aquele momento me lembrou o Rocket tentando dar instruções para o Baby Groot.

– Tudo bem. – Finn fala de forma carinhosa, puxa ela para dar um beijo em sua testa e se vira para sair. Nesse momento ele olha brevemente para a turma e me vê sentado. Ele não expressa qualquer reação e sai de sala sem dizer nada.

Ele não parecia se importar de fazer as coisas para ajudar Emma e a forma de puro amor que ele a olhava, o deixava com um olhar angelical lindo. De todas as formas, quando ele saiu um burburinho se formou na sala.

– Lindo seu namorado, professora. – Lindsay, uma das minhas colegas fala.

– Namorado? Não, ele é meu irmão. – Emma explica e algumas meninas se levantam para perguntar coisas sobre Finn.

– Sério? E ele tem namorada? – Rachel pergunta e Mitchell me olha e sorri disfarçadamente. Eu não sabia o que ele queria dizer com isso, mas também não queria saber.

– Não... – Emma responde.

– Aquele carro é dele? – outra garota pergunta.

– O preto? É... Ele tá me trazendo, enquanto arruma o meu. – Emma responde e as meninas se entreolham.

– Deixa ele te trazer sempre... – uma das meninas diz. Essa eu sequer sabia o nome.

– Apresenta ele pra gente... – outra pede.

– O Aaron o conhece, porque não vão perturbar ele? – ela fala e todos me olham. – Depois da aula. Agora vamos começar, abram seus livros na página... – Emma pede, mas algumas meninas se sentam ao meu redor e eu encaro elas por alguns segundos.

– Então aquele gato é seu amigo. – Lindsay fala, se apoiando sobre a minha mesa.

– Ele não é muito meu amigo, ele é só um cara que eu conheci. – é tudo que respondo. Não queria dar assunto a elas.

– É, onde? – a outra pergunta e eu reflito.

– Não interessa. – rebato. Se eu desse qualquer espaço, poderia me enrolar depois.

– Tá grosso, credo. – Lindsay fala. Eu gostava dela, apesar de tudo.

– Não é isso, só não interessa. – explico. Não queria ser mal educado com nenhuma delas, apenas não queria me comprometer com algo que depois pudesse me deixar mal.

– A conversa ai atrás tá boa? Pros lugares de vocês, já falei que na aula não é lugar pra querer falar do meu irmão. – Emma ordena e dessa vez as meninas se acalmam e vão para seus lugares. Parando pra analisar ela tinha o mesmo jeitinho mandão do Finn, o que era bem curioso.

Pouco tempo mais tarde, fomos para a quadra, para a aula de educação física e enquanto andávamos pelos corredores em direção a quadra, vi que Finn conversava com Emma. Ele tinha trazido comida pra ela e ela parecia agradecer por aquilo.

Eu estava com meus amigos do time, mas quando nossos olhares se cruzaram, nem eu nem ele conseguimos cortar a conexão que se instaurou ali, como foi quando ele estava prestes a correr na noite do dia anterior. Emma olhou pra trás, tentando ver quem Finn olhava, mas com o fluxo de alunos de sua altura, ela não conseguiu. Finn e eu éramos altos e com isso conseguimos aproveitar aquele momento, até Rachel pular nas minhas costas. Quando olhei para Finn novamente, ele já voltava a falar com Emma de forma concentrada e sem desviar o olhar dela em nenhum momento.

Finn era um rapaz diferente. Ele não falava gírias, evitava expressões, era inquieto e não tinha aquele filtro social de segurar a língua em algumas situações. Isso tudo fazia dele uma pessoa marcante e uma pessoa diferente de todas as que eu já tinha conhecido – isso tudo, além de ele ser um mandão, mas não um mandão agressivo e sim engraçado.

Durante o treino, tudo foi bem cansativo. Nosso treinador fez com que nós corrêssemos, pulássemos e treinássemos bastante. Eu tentava melhorar meus arremessos, mas podia ver que Mitchell não conseguia me alcançar mais como fazia antes. As outras pessoas da nossa classe brincavam em alguns jogos e as líderes de torcida da nossa sala treinavam ainda mais.

No fim do horário, todos fomos para o vestiário tomar um banho para poder relaxar. Aquele treino foi bem cansativo.

– Vocês viram como aquelas vadias ficaram assanhadas pro irmão da professora? – Tom fala após tomar seu banho e começa a trocar de roupa.

– Mais respeito com as meninas, Tom. – peço e todos ficam em silêncio, eles já sabiam que iria sair uma briga dali.

– Fala sério, vai defender elas? Você sabe mais que ninguém que elas são vadias sim. – Tom reforça e eu saio do chuveiro, pegando minha toalha e sorrindo, sentindo a irritação subir pelas minhas veias.

– Vou te mostrar quem é vadia, seu machista babaca. – falo indo até ele, mas Mitchell e outros colegas me param. Mitchell põe a mão no meu peito e me para antes que eu pudesse chegar em Tom e os outros seguravam meus braços.

– Que garoto bravo. – ele provoca.

– Para de ser idiota, Tom. – Mitchell diz.

– Fica calado aí na sua, que todos sabem que você fica dando pro Tyler. – Tom fala e Mitchell solta um sorriso sarcástico. Tava na cara que Mitchell não ligava pra o que ele falava.

– Você é um otário mesmo... Não cansa? – pergunto.

– E você, não cansa de encher meu saco? – ele rebate. Ele sabia que a galera que estava no vestiário não deixaria com que eu chegasse perto dele.

– Será que você não percebe o quão nojento você é? – pergunto e Tom sorri.

– Por quê? – Tom fala em uma tonalidade desafiadora.

– É, Aaron... Por que o Tom é nojento assim? – Blaney fala e eu o encaro.

– O que? Por que elas são vadias? – pergunto me soltando das mãos dos meus colegas. A raiva tinha passado e estava dando espaço a pena por esses caras serem tão miseráveis. – Elas são meninas solteiras, que viram um cara que causou interesse. – eles começam a refletir. – Não vejo mulher chamando homem de vadio ou puto por pegar várias em uma noite, por qual motivo vocês acham que tem o direito de julgar alguma delas dessa forma? – Blaney, então, abaixa a cabeça, com vergonha, mas Tom não esboçou qualquer reação.

– E vocês não terminaram ainda por quê? Andem, vocês tem que vazar. – nosso treinador reclama, entrando no vestiário e todos voltam a cuidar da própria vida sem dizer mais nada.

Eu percebi o olhar pesado de Tom sobre mim durante o tempo que estávamos ali. Eu nem sabia o motivo pelo qual ainda não tinha saído nos murros com ele pelas coisas que ele falava, mas assim era melhor... Tudo que eu fazia ia pra mídia e tudo o que eu não precisava era do meu pai bravo e no meu pé.

Quando saí da escola, deixei Mitchell em casa e fui pra minha. Nela eu me arrumei todo pra entrevista que eu daria com meu pai. Bom, eu estava de blusa social preta com alguns detalhes e calça preta. Meu sapato também era preto e meu cabelo bem arrumado. Quando encontrei meu pai já no local onde seria a entrevista, vi que ele estava com o terno clássico dele e nada demais.

– Como foi a escola hoje? – ele pergunta, vindo ao meu encontro.

– Boa, tive treino e... – vou falar, mas é claro que um dos celulares dele começa a tocar.

– Um minuto. – ele fala, pegando o celular. – Alô? Pode falar. Não não, pode falar. – ele atende sua ligação. – Desculpe, filho. – pede, enquanto sai andando com o celular no ouvido.

Eu sigo com as pessoas que estavam organizando tudo e uma moça até me maquia. Eu só volto a ver meu pai quando já vamos entrar ao vivo no jornal para a entrevista.

– Bom, hoje estamos com o nosso governador James McDevitt e seu filho Aaron McDevit. Sejam bem vindos. – a jornalista fala e meu pai me olha orgulhoso.

– Muito obrigado, Yve. – meu pai diz com aquela pose de homem feliz.

– E então, como é a convivência entre pai e filho com tudo isso de responsabilidades políticas? – Yve pergunta e eu espero ansioso como todos pela resposta do meu pai. Talvez eu esperasse que ele fosse sincero. Ingênuo eu, claro.

– Bom, eu infelizmente não fico muito em casa, mas sempre que estou tento compensar meu filho. Nós dois mantemos uma amizade e cumplicidade base para nos mantermos bem informados um sobre o outro e mesmo com essa rotina corrida, sempre que podemos estamos presentes na vida um do outro sem permitir interrupções. – meu pai responde e eu controlo para não deixar que as lágrimas nos meus olhos se mostrem.

– E pra você Aaron, como é? – ela pergunta, me olhando e eu respiro fundo.

Eu queria dizer o quanto a minha vida não tinha sentido. O quanto aquela versão do meu pai era falsa e o quanto eu odiava aquele momento, por estar ali, fingindo ser parte de uma família que não éramos. Minha mãe agora estava na Europa, torrando dinheiro com bolsas caras e uma vida de luxo, enquanto meu pai estava diante de mim, falando demais sem dizer nada.

Eu me sentia um boneco, uma espécie de manequim para o espelho social e estava louco para falar, mas sabia que o ideal era me manter calado e concordar com tudo o que saía da boca dele. Eu estava ali ouvindo tudo o que ele dizia, mas não escutava nada. Por mais incrível que pareça a minha vontade era de procurar Finn apenas para dar uma volta por aí ou passar o tempo com alguém verdadeiro.

– Aaron? – meu pai me chama, me arrancando dos meus pensamentos e das minhas reflexões.

– É... Bom, é exatamente o que meu pai disse. – eu falo devagar, soltando um sorriso social falso e sentindo meu coração ser dilacerado ao mesmo tempo. Até respirar doía naquele momento. Eu me sentia um boneco de plástico, mas sabia que era impossível fugir daquilo, por mais que quisesse.

Toda a entrevista correu durante o horário comum do almoço e em seguida, quando saímos, meu pai saiu para mais uma reunião, sem ao menos me dar um "tchau" que fosse. Enquanto ele foi cheio de seguranças em direção ao seu carro eu entrei no meu, me desviando de alguns paparazzi e sai dirigindo por toda a cidade, em direção ao apartamento de Finn.

Chegando lá eu hesitei em chamá-lo, mas foi impossível não fazer. Quando ele abriu a porta e me viu ali pareceu surpreso. Ele logo me deu espaço e eu entrei em seu pequeno apartamento, que estava bem arrumado.

– Emma não está aqui? – pergunto e ele fecha a porta.

– Não, ela tem aulas particulares agora na hora do almoço. Por isso fui levar comida pra ela mais cedo que o normal. 

– Então você vai ficar o dia inteiro só? – ele dá de ombros.

– Não se você ficar aqui. – fala, me deixando envergonhado.

– Se quiser eu posso ir embora. – comento, procurando seus olhos, mas ele sempre desvia seu olhar, como se fugisse dos meus.

– Não pedi que fosse. – rebate, me deixando ainda mais envergonhado. –Senta vai... Tava te vendo na televisão. 

– Então você assiste jornal? – pergunto, me sentando no sofá e ele se senta no outro.

– Não, tava arrumando tudo pra colocar um filme. 

– E qual você quer assistir? 

– Vai assistir comigo? – Finn pergunta e eu fico envergonhado mais uma vez.

– Você quer que eu assista com você? – o questiono e ele parece pensar por algum tempo. – Tudo bem, isso é ridículo. – digo, me levantando depois de vê-lo pensar por um tempo. – Desculpa por vir te perturbar... Eu sei que foi estranho. – dou as costas e saio andando um pouco, mas quando estou prestes a sair, sinto a mão de Finn no meu ombro.

– Eu só estava pensando se você era do tipo que conversa, enquanto assiste. Mas não tem como saber, porque nunc assistimos nada juntos.

Eu me viro devagar e aqueles olhos me encaravam como se estivessem em um misto de desejo e indecisão. Pela primeira vez desde que eu tinha chegado ele estava me olhando nos olhos e ver como eles eram belos me deixava completamente hipnotizado. Eu não queria incomodar ele, mas ele sem dizer mais nada, ele apenas deixou que sua mão deslizasse do meu ombro até minha mão. Finn então me puxou, fazendo com que eu o seguisse.

Acabamos por assistir "Operação Big Hero" e enquanto assistíamos, ele esquentou uma lasanha, trazendo um pedaço pra mim e pra ele. Comemos juntos e logo voltamos a assistir. Finn estava deitado em um sofá e eu no outro, mas às vezes nos tocávamos quando colocávamos os braços por cima do braço do sofá. Finn, então, me olhava e soltava um sorriso curto e discreto por conta disso.

×°×

– Obrigado pelo dia, foi excelente. – ele sorri, como se tivesse ficado extremamente satisfeito com meu agradecimento. Eu não aguento seu sorriso e antes que ele abra a porta para que eu saia, o beijo.

Os braços de Finn passam pela minha cintura e me puxam para si com força, enquanto nosso beijo continua. Seu perfume entrava no meu nariz e tinha um efeito de êxtase na minha mente tão forte, que assim que paramos o beijo ela exigiu por mais. Nossas línguas brincavam entre elas como se estivessem dançando em uma sequência de carinhos intermináveis.

Quando Finn me soltou, eu pude olhá-lo e acariciar seu rosto, o abraçando em seguida como forma de agradecimento por tudo. Ainda permiti que meu rosto repousasse alguns segundos em seu ombro até me sentir bem o suficiente para soltá-lo. Quando saí de seu apartamento, me senti leve, como se aquela tarde tivesse me renovado completamente. Eu não tinha ideia de onde aquilo poderia me levar, mas eu já nem ligava mais.

Eu acabei por passar na casa de Mitchell para irmos buscar seu carro no Eddie e dentro do meu carro, toda uma discussão sobre o uso desenfreado da maconha dele começou. É claro que eu era contra o ver usando ela todos os dias, mas tenho que admitir que os argumentos de Mitchell eram bons.

– Cara... Pelo menos eu não bebo. Pensa comigo... A bebida liberta seus extintos, a maconha seus pensamentos. Um cara que tá chapado de erva nunca vai bater na mulher, ele vai pensar sobre a vida. – ele expõe sua convicção e eu só consigo pensar o quão perigoso isso é. Convicções são armadilhas.

– O problema não é a maconha, o problema é você não ser do tipo que coloca rédeas nela. A erva te controla o tempo inteiro. – falo, enquanto dirijo. – Tudo demais faz mal.

– Claro que é né... E você? Dos seus vícios você não fala. – Mitchell diz e eu o olho por um curto período de tempo, voltando a atenção para rua em seguida.

– Do que você tá falando? 

– Onde você tava hoje? – Mitchell pergunta e eu reviro meus olhos.

– Oi mãe, tudo bem? Quer saber pra quê?

– Bateu saudade do meu melhor amigo, eu liguei pra ele várias vezes e ele sequer me atendeu. – Mitchell fala e eu já conhecia aquela chantagem emocional barata dele.

– Eu tava ocupado.

– É? Fez o que depois da entrevista?

– Fui me livrar do estresse da entrevista. – falo e ele percebe que eu não estava legal para esse assunto.

– É verdade né... Nem perguntei, como foi ficar ali aquele tempo todo? – dou de ombros.

– Mesma coisa de sempre. O corpo do meu pai tava ali, mas a mente tava viajando pra alguma reunião e assim que a entrevista acabou, o corpo acompanhou a mente. Queria pelo menos ter a oportunidade de conhecê-lo. Não sei quem é meu pai. Quer dizer, eu o conheço, mas não sei quem ele é.

– Você concordou com ele por quê? Não precisava. 

– É, mas é melhor. Eu tô saindo de casa todos os dias por sua causa pra ir na casa do Eddie... Tudo que eu não preciso é do meu pai na minha cola nesse momento. – respondo e Mitchell sente bem as minhas palavras.

– Eu tô fodendo a sua vida, não tô? – eu o encaro.

– Não, cara... – começo, mas ele me interrompe.

– Eu sei que tô. – Mitchell fala. – Me desculpa por isso. Talvez eu não queira admitir, mas... Talvez eu esteja bem viciado. De verdade... – fico feliz de ouvir ele admitir, esse é o primeiro passo para uma mudança e o mais difícil também.

– Tudo vai ficar bem. – volto a dirigir calado.

Quando chegamos na casa de Eddie, ele atente a porta com aquela cara de gente morta de sempre.

– Onde estão minhas chaves? – Mitchell questiona, entrando no apartamento, mas eu fico parado no mesmo lugar.

– Calma aí, moleque. 

– Anda, cadê as chaves? – Mitchell pergunta novamente, ainda mais exaltado.

– Tá aqui. – Eddie fala e Mitchell se vira pra ele, tomando as chaves de sua mão.

– Me dá. – só eu sabia o tamanho do ciúmes dele por aquele carro.

– Caralho, você tá muito bruto. – Eddie fala, enquanto Mitchell sai do apartamento.

– É claro, ontem eu deixei você dirigir meu carro, ninguém dirige meu carro. – ele conclui, já ao meu lado.

– Aliás, acho que você vai ter que lavar ele. – Mitchell franze a testa.

– O que? Por quê? – ele me olha e eu dou de ombros. Não sabia o que Eddie queria dizer com isso.

Mitchell então sai correndo para fora do lugar e eu dou uma boa encarada em Eddie, que dá de ombros e fecha a porta na minha cara. Quando saio, Mitchell está olhando seu jipe que estava todo sujo, por dentro e por fora. Mitchell tentou ligá-lo e o carro não pegou. Ele então desistiu e me olhou.

– O que foi? – pergunto, vendo ele fechar a porta e me encarar.

– Você pode, por favor, chamar aquele seu amigo? – ele pergunta, chateado.

– Eu não sei o número dele. 

– Vai lá na casa dele então, ué. Por favor. – Mitchell pede e eu concordo com a cabeça, saindo em seguida.

Quando chego no apartamento de Finn, ele abre a porta surpreso, mais uma vez. Finn estava suado e sem camisa. Ele parecia cansado e logo sorriu, mas mais uma vez eu percebo que ele evitou meus olhos em todo o momento.

– Que bom que você apareceu, eu tava mudando um armário de lugar. Pode me ajudar? – Finn pergunta, ofegante, e eu observo os músculos de seu corpo se contraindo a cada suspirada que ele dava.

– Eu também quero uma ajuda... – falo encarando ele que mantinha seus olhos em mim enquanto eu o olhava, mas assim que levanto a cabeça, ele muda o olhar de direção.

– Bom, então vamos fazer da sua ajuda uma troca de favores. – Finn conclui, dando espaço para que eu entre em seu apartamento e eu faço.

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