Ódio Correndo Pelas Veias
×Visão de Aaron
– Coloca isso ali... – Alec me pede e eu levo os copos para a outra mesa. Estava ajudando ele, Evan e Amber a arrumar a festa.
– Tá... – falo. – E aí, vocês acreditam que ele deu em cima do Finn? – coloco os copos sobre uma mesa.
– Você confia no Finn? – Amber pergunta, enquanto arruma as bebidas.
– Confio.
– Você gosta dele, Aaron? – Alec pergunta.
– Eu amo o Finn. Faria de tudo para ver ele bem e vocês sabem disso. – respondo, com toda a convicção que tenho dentro do meu peito.
– Então não precisa temer nada... a gente sabe que ele também te ama demais. Fora que se ele não amasse, iria esconder o que aconteceu. – Evan fala e eu o encaro.
– Por que acha isso?
– Porque você tá passando por uma fase de medo, ciúmes... ele não perderia nada escondendo o que aconteceu de você, mas como ele gosta e é sincero na relação de vocês, ele disse. – fala, enquanto termina de arrumar alguns petiscos.
– Olha... eu odeio esse Hans.
– É um direito seu, mas não afasta o Finn de você por causa dele. Lembre-se que é isso que ele quer. – Alec fala e eu o encaro.
– Não vou afastar o Finn de mim.
– Ame o seu noivo e mostre pra ele que você merece tê-lo perto... não o perca pra esse traste imundo, Aaron. – confirmo com a cabeça.
×°×
– Amor, o que acha dessa roupa? – Finn pergunta, saindo do closet.
Ele estava de bermuda preta, blusa social branca e jaqueta bege fina por cima. Tênis escuro também e cabelo arrumado – ele tinha cortado recentemente para o ensaio que ia fazer. Eu, então, ando até Finn e vou arrumar seu casaco que estava um pouco torto.
– Está lindo, como sempre. – ele sorri.
– Acha que eu vou assustar as pessoas da festa com essas próteses? Estava pensando em ir de calça, mas o calor tá tão grande aqui, que não queria. – o olho nos olhos. Era tão intenso todas às vezes que eu fazia isso com Finn, que me sentia lisonjeado por poder fazer.
– Você é lindo, não vai assustar ninguém. – dou um selinho calmo nele.
– Você acha bobagem que eu me importe com isso? – eu sabia que ele passava por toda uma questão de aceitação social, principalmente porque mesmo ele sendo "famoso", ainda sofria alguns episódios de preconceitos e maus olhares.
– Não, é normal nos preocuparmos com as impressões alheias, só não podemos nos privar de coisas pelo o que achamos que os outros irão pensar. – apoio cada uma de minhas mãos em cada lado de seu peito.
– E como foi ajudar em tudo hoje? – ele pergunta, fazendo uma carinha de manhoso, carinha essa que consegue me seduzir com facilidade.
– Ótimo, conversei bastante com eles. – respondo. Estava sentindo que meus amigos estavam distantes, ver que era apenas uma impressão boba e não uma verdade absoluta me deixou feliz.
– Alec ainda parece sentido pelo o que aconteceu?
– Ele parece estar menos neurótico agora. – ele sorri. Alec ficou preocupado dele querer brigar com ele também ou algo do tipo e eu também ficaria, afinal o Finn conseguiu quebrar o maxilar do Marc na briga que tiveram, além de arrancar alguns dentes.
– Que bom, não quero que ele se ache culpado pelo acontecimento. O irmão dele e ele são pessoas diferentes.
– E a Emma, falou com ela?
– Falei... ela tá estranha.
– Sobre o que aconteceu? – pergunto.
– Não, sobre a atenção que vem recebendo disso tudo. – estranho, não entendendo o que ele quer dizer com isso.
– Como assim?
– Ela me disse que o delegado vem sendo bastante atencioso com ela. – Finn fala com uma cara engraçada e eu sorrio.
– Isso é só o trabalho dele, não?
– Não sei. – responde em baixo tom, refletindo sobre isso.
– Acha que ela daria espaço pra um novo relacionamento mesmo tendo acabado de sair de um abusivo? – ele dá de ombros.
– Só quero ver minha irmã feliz, se ela achar que está preparada pra um novo relacionamento... Ótimo.
– Então, vamos? – pergunto, depois de alguns segundos em silêncio e a campainha toca.
– Quem é? Vamos dar carona pra alguém?
– Não... – falo, pegando as minhas muletas que estavam encostadas na cama e indo com elas até a porta. Quando abro a porta, Elaine e Hans estão diante dela. – Olá?
– Oi, Aaron... Tudo bem? – sorrio.
– Tudo sim, o que houve? – ela olha para Hans por alguns segundos, voltando a atenção pra mim.
– Então, é que eu e seu pai temos um jantar de negócios e ele deu a ideia de deixar o Hans com você... é só por hoje. – reviro os olhos mentalmente.
– Vocês querem que ele fique comigo? – pergunto e percebo que deixo meu tom de voz mudar levemente.
– Tem problema? É que não queria deixar ele sozinho... – me sinto extremamente incomodado. –E acho que vai até ser bom pra ele passar mais algum tempo com você, ele está bastante sozinho. – encaro Hans.
Ele estava com um sorriso cínico no rosto, me encarando como se fosse melhor que eu. Quando voltei meu olhar para Elaine, vi que seus olhos brilhavam com um ar de inocência. Eu tinha a leve e presente impressão que ela não sabia o filho que tinha, já que ela parecia fazer de tudo por ele, mas sem conhecer sua verdadeira índole.
– Pode sim, mas vamos sair daqui a pouco... – ela confirma com a cabeça, como se me agradecesse pela compreensão.
– Não tem problema, irmãozinho. Eu posso ficar em casa. – o encaro. Eu jamais deixaria esse cara sozinho na minha casa.
– Claro que não, você vai conosco. – ele me olha de forma diferente, como se não entendesse o que eu queria com aquilo.
– Então tudo bem, muito obrigada, Aaron. – Elaine fala, me puxando para um abraço.
– De nada, Elaine... um ótimo jantar a vocês.
– Obrigada... – ela diz, de forma suave. – E você, se comporte. – ordena em tom sério para Hans.
– Mãe, eu não tenho mais 7 anos.
– É isso que me preocupa. – ela diz e sai em seguida.
Hans entra no meu apartamento e eu percebo que ele está com uma mochila pequena nas costas. Fecho a porta e o encaro por alguns segundos, segundos esses que pareceram horas.
– Amor? – Finn fala, saindo do quarto. – O que?
– Elaine pediu pra ele ficar com a gente porque ela tinha um jantar com meu pai. – Finn faz careta, se virando.
– Não vai falar comigo, Finn? – Hans provoca e Finn o olha.
– Oi. – diz, depois de respirar fundo.
– Bom garoto. – Hans responde olhando meu noivo de cima a baixo e Finn sai andando pro quarto, completamente insatisfeito.
– Olha aqui... – chamo a atenção de Hans. – O meu noivo não é um cachorro.
– Não aqui, mas acho que na cama ele deve ser. – Hans fala e eu vejo nos olhos de Finn que ele está confuso.
– É? Provavelmente você vai escutar hoje. O quarto de hospedes é aqui. – falo, apontando pro lugar com uma das muletas.
– Se vocês quiserem eu posso ficar aqui pra vocês irem a tal festa de vocês. – Hans fala, olhando ao redor no meu apartamento e eu o encaro.
– Eu nunca deixaria você sozinho na minha casa.
– Calma, eu não vou estar com o Finn. – ele provoca.
– Mas esse não é o problema, eu confio no Finn.
– Sei, se confiasse não seria tão ciumento.
– Eu não tenho mais ciúmes de você, eu tenho nojo e raiva.
– Que garoto crescido. – ele me provoca e eu não digo mais nada, apenas começo a andar até meu quarto.
Quando chego nele, Finn está sentado na beira da cama. Acabo por me sentar ao lado dele e passo minha mão pelo seu ombro, puxando ele pra mim. Finn aceita meu carinho e se inclina em minha direção, deixando com que nossas testas se encontrem e fiquem juntas.
– Eu não gosto desse cara.
– Eu também não. – digo.
– Ele parece ter alguma coisa que te deixa aberto a desconfiar de mim, como fez com Dylan. – me sinto mal por ele ainda lembrar-se de quando eu preferi acreditar em Dylan a perguntar pra ele o que tinha acontecido.
– Eu sei que te machuquei naquela época.
– Vamos. – é tudo que ele diz, se levantando depois de alguns segundos e me ajudando a ficar de pé.
Fomos para a festa. Hans foi no banco de trás do carro e não disse nada o trajeto inteiro, o que me deixou feliz, já que eu estava quase enforcando ele com as minhas próprias mãos. Quando chegamos na festa, Amber foi a primeira a nos encontrar.
– Até que enfim vocês vieram... – ela fala, nos cumprimentando.
– É que tivemos um problema. – falo, olhando pra trás. Hans olhava ao redor com uma cara de nojo clara em seu rosto.
– Esse é o Hans?
– O próprio. – digo.
– Oi galera, que bom que já chegaram. – Evan fala, se aproximando.
– Feliz aniversário, Evan. – Finn fala, estendendo a mão e o cumprimentando.
– Muito obrigado, Finn. – Evan fala e sorri. – Espera... Quem é esse cara? – estranha a presença de Hans ali.
– Ele é o Hans. – respondo e Evan me encara.
– Oh... que merda. – Evan resmunga, já percebendo o tamanho do problema que tinha ali.
– Pois é, a Elaine pediu que ele ficasse comigo porque ela tinha um jantar de negócios e eu não consegui dizer "não". Não confio de deixar esse cara sozinho na minha casa, aí o trouxe, tem problema?
– Não, não... claro que não. Só não mata ele. – Evan fala e eu começo a rir.
– Já tô quase.
– Ele disse alguma coisa péssima? – Evan pergunta e Alec se aproxima do nosso grupo, abraçando Evan por trás.
– Ainda não.
– Vamos embebedar ele... – Alec dá a ideia.
– Façam o que quiserem, por mim tanto faz. – falo e Alec abre um sorriso largo, animado pra deixar meu "irmão" em situações deploráveis.
A festa estava animada. Muitos garotos do time, muitas líderes de torcida e até alguns irmãos de convidados. O que dizer? Evan era conhecido e as pessoas queriam fazer parte da festa dele, principalmente porque era um cara engraçado e gentil.
Finn e eu ficamos juntos o tempo inteiro e comemos algumas besteiras, nos beijamos e ele até me ajudou a dançar um pouco, mesmo eu ainda estando com a perna do Homem de Ferro. Ele foi atencioso como sempre e bem divertido, o que ajudou a tornar aquele lugar mais suportável, afinal depois do que aconteceu com Mitchell, me tornei aquela pessoa que observava festas em um canto.
No final da noite, Hans estava bêbado. Quando entramos no carro pra ir embora, ele foi dormindo no banco de trás, sem me perturbar ou perturbar Finn, o que foi muito bom. Quando chegamos em casa, longos minutos depois, ele já estava acordado e melhor da situação em que tinha saído da festa.
Assim que entramos no apartamento, ele foi tomar um longo banho e enquanto isso Finn e eu fomos fazer algo para comermos, afinal estávamos com fome. Hans, depois de tomar banho, apareceu na cozinha e nos encarou. Ele ainda abriu alguns armários até se render e decidir me falar o que queria.
– Tem remédio pra dor de cabeça?
– Tem, naquele armário cumprido ali. – falo e ele vai até o armário, pegando o remédio e tomando.
– Boa noite a vocês.
– Não vai me provocar? – pergunto e ele para de andar, me olhando em seguida.
– Não, você sabe que daqui algumas semanas eu que vou transar com ele, então vou guardar energia pra isso. – ele tenta e eu concordo com a cabeça, rindo dele em seguida.
×°×
De manhã, acordamos com um grito de Lisa. Finn colocou sua bermuda e próteses rapidamente, indo pra cozinha. Me vesti, peguei minhas muletas e fui da mesma forma, preocupado com o que poderia ter acontecido. Quando Finn e eu chegamos na cozinha, Lisa estava sentada em um banco do balcão, tremendo e Hans estava em pé, próximo dela rindo bastante de seu nervosismo.
– O que houve? – pergunto para Lisa, que estava sentada com a mão no coração.
– Ela se assustou comigo... – Hans fala, com voz risonha.
– Você que me deu um susto.
– Toma, Lisa... bebe uma água. – Finn fala, entregando o copo com água a Lisa, que toma o líquido e procura fôlego que parecia ter perdido nos minutos anteriores a nossa chegada.
– Ninguém mandou você contratar uma empregada velha. – Hans fala e eu o encaro, indo em sua direção e apontando o dedo indicador em sua cara.
– Olha aqui... – quando vou começar a falar, Finn me interrompe.
– Não gasta tempo com isso. – ele pede.
– Se encostar um dedo nela, quebro a sua mão, me ouviu?
– Você tenta me atingir com essa conversa de "meu noivo" e eu atinjo todos que estão ao seu redor. Vamos ver quem sente de verdade alguma coisa.
– Seu filho da... – vou xingá-lo, enquanto ele anda, mas Hans para e me olha nos olhos.
– Não xinga minha mãe, Elaine é um amor. Depois que ela me adotou, diminui o ódio que tinha por ela quando vi que ela era uma boa mulher... – Hans fala e eu percebo que ele provavelmente manipula todos que tem ao seu redor.
– Você é adotado?
– Claro, você acha mesmo que eu ia herdar essa personalidade magnífica dela?
– Vai embora daqui agora.
– Quem vai me levar? O Finn? Vai ser ótimo transar com ele no carro, você já fez isso?
– Some. – digo em alto tom e Hans sorri, saindo andando em seguida.
Olho pra cima com ódio exalando de meu corpo. Minha mente estava estarrecida com a forma como Hans demonstrava ser a cada dia que se passava. Eu não sabia quais planos ele tinha pra conseguir Finn, se mostrando o monstro que é a cada momento, mas tinha medo, pois vindo dele qualquer coisa seria possível. Quando volto meu olhar para frente, Finn está diante de mim, com um copo com água e um calmante. Em seu rosto, um sorriso acolhedor e cuidadoso se faz presente. Acabo pegando o remédio, a água e tomo tudo em seguida.
– Esse garoto é bem problemático. – Lisa fala já calma, se levantando do banco.
– Me desculpa por isso, Lisa. – ela faz sinal de desdém com as mãos.
– Não foi culpa sua, querido. – fala. Lisa era uma senhora que tinha cuidados com a saúde e eu sabia que esse tipo de acontecimento poderia ser perigoso para ela.
– O que ele fez?
– Cheguei pra trabalhar e fui fazer o café de vocês. Ele então apareceu por trás e me deu um susto, fingindo ser um assaltante.
– O que? – pergunto, sem acreditar.
– Ele disse que se eu gritasse ele me mataria, mas mesmo assim eu gritei pra alertar vocês, foi aí que ele começou a rir e se distanciou de mim, revelando que era uma "brincadeira".
– Ele tocou em você?
– Ele encostou uma faca nas minhas costas. – Lisa fala e eu sinto ainda mais ódio.
– Que desgraçado...
– Aaron... – Finn me repreende pelo palavrão.
– Desculpa, amor... não consigo acreditar no quão perturbado esse garoto é...
– Tá tudo bem, já passou. – sorrio sinalizando um "não" com a cabeça. Não ia deixar essa passar.
– Passou nada. – falo, dando as costas.
– Aonde você vai? – Finn pergunta e eu o olho por alguns segundos.
– Ligar pra Elaine e pro meu pai. – respondo.
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