O Outro Lado Da Mídia
×Visão de Aaron
– Não fica nervoso, geralmente eles são bem tranquilos. – a minha maquiadora fala e eu sorrio.
– O Finn que tá nervoso, olha a cara dele. – eu falo e a mulher que me maquiava começa a rir quando olha a carinha de perdido de Finn.
Finn e eu estávamos no prédio da Gloss Magazine, nos arrumando para a sessão de fotos que iríamos fazer para a matéria sobre nós. Finn parecia estar nervoso, ele tremia, enquanto um rapaz lhe maquiava e eu observava a cara dele de assustado de longe, me divertindo com isso.
– Prontinho. – a moça avisa e eu me levanto. Vou até o espelho e me olho. Minha sobrancelha estava bem feita e meu rosto coberto por uma camada fina de maquiagem. – Você é um adolescente de muita sorte, sem espinhas...
Eu estava com o uma blusa de frio jeans azul por cima de uma blusa moletom com capuz cinza, calça preta e tênis. Finn estava com um sobretudo preto, blusa verde escura por baixo, calça e tênis.
– Terminamos, gatinho. – o maquiador dele fala e Finn fica de pé, me olhando em seguida.
Sua barba estava bem feita e sua sobrancelha também. O rosto desenhado de Finn ficou ainda mais bonito com aquela camada fina de maquiagem. Mesmo assim ele não precisava disso para ser belo, ele conseguia sem esforço algum. Ele se olhou no espelho e estranhou a sobrancelha feita, mas me olhou e sorriu em seguida.
Após isso, fomos para a área onde tiraríamos as fotos para a matéria. Quando chegamos, lá um fotógrafo bem engraçado estava terminando de organizar o estúdio.
– Muito bem, eu quero uma foto bem natural de vocês. Quero que retratem pra mim a essência do que vocês vivem juntos. Isso, isso... – ele fala, quando eu passo meus braços pelo pescoço de Finn e ficamos frente e frente, nos olhando.
Finn não segura o impulso de passar a mão no meu rosto e contornar meu maxilar. Ele me olhava nos olhos e continuava assim por mais alguns segundos, até percebermos que o fotógrafo e mais algumas pessoas estavam nos observando com cara de "apaixonados". Nos soltamos e ficamos envergonhados por isso, o que fez muitos deles sorrirem.
– Conseguiu a foto? – pergunto e o fotógrafo sorri.
– Ficou perfeito. Ficou perfeito... – ele responde, com cara de apaixonado. – Tá vendo, Jully, são pessoas assim que você tem que trazer, não esses caras sem sal que vivem aparecendo.
×°×
A entrevista também aconteceria em live para o canal da Gloss no Youtube e para a conta no Instagram enquanto estávamos lá, por isso, para divulgar a live, postei uma foto no meu Twitter e no meu Instagram com Finn, avisando a todos onde estaríamos aparecendo.
Nos minutos seguintes entraríamos ao vivo para mais de 150 mil pessoas no Youtube e 60 mil no instagram. O pessoal dos nossos fãs clubes estavam em peso dando força e compartilhando nossa foto, chamando mais pessoas para verem e por isso diversas pessoas diferentes e do mundo inteiro apareciam também. Eu seria o primeiro filho de político com grande visibilidade a assumir estar em um relacionamento homossexual e muitas pessoas queriam ver o Finn falar pela primeira vez.
A minha visibilidade no meio político veio por conta do meu pai, claro. Mas se estendeu por causa da minha simpatia em responder as pessoas e o futebol americano ajudou em tudo por ser o esporte de maior visibilidade dos Estados Unidos. Quando vídeos dos meus treinos escolares começaram a aparecer e especulações de times profissionais em me contratar começaram a ficar visíveis, ainda mais pessoas me acharam e com isso eu fui me tornando uma pessoa realmente pública.
– Boa tarde, San Francisco! – Rye, a entrevistadora, fala, entrando onde faríamos a entrevista. – Hoje estamos com convidados mais que especiais, que vem causando uma grande comoção pelo país e mundo, mas antes eu tenho que agradecer a todos dos mais de 30 estados dos Estados Unidos que nos assistem nesse momento e aos outros países do mundo. Obrigado a todos vocês... – só aí tenho a dimensão do tamanho da coisa. Na tela pequena de contagem próxima a nós, já passavam das 200 mil pessoas assistindo, contando com todas as redes sociais da revista que estavam ao vivo. – Fora as perguntas dessa live, outras serão feitas apenas para a revista impressa e outras para as páginas, então corram para ver quando aqui acabar. Agora, sem mais enrolação, queria chamar Aaron McDevitt, filho do governados McDevitt e seu namorado, Finn Longford. – ela nos chama e nós dois entramos, acenando para as câmeras.
– Olá Rye. – falo, me sentando no sofá aveludado do lugar, ao lado dela.
– Oi... – Finn a cumprimenta, ainda um pouco envergonhado. Era a primeira entrevista dele e para tentar ajudar a vencer esse medo eu estendi minha mão para ele, deixando que ele entrelaçasse nossos dedos. Iríamos passar por isso juntos.
– Como estão com isso tudo? Que loucura que foram as últimas semanas! – Rye fala e eu sorrio, olhando para Finn.
– No começo foi difícil, foi dolorido porque eu me senti invadido como nunca tinha sido antes.
– Mesmo com a grande quantidade de seguidores no instagram e em outras redes sociais você nunca tinha realmente aberto a sua vida pessoal, certo? – confirmo com a cabeça.
– Certo. Minha família também não gosta de tanta exposição da nossa vida pessoal, porque as pessoas tem que entender que o Aaron que aparece em entrevistas e o Aaron que vai pra escola estão em situações diferentes e não merecem ser confundidos. Eu nunca neguei nenhuma entrevista, nenhuma foto quando estava em um momento público ou algo do tipo... – respiro fundo. – Mas atualmente sinto que a minha vida interia vem sendo documentada e isso não é legal.
– Acho que isso traz um incômodo não só a você como ao Finn também, certo Finn? – ela pergunta e eu o olho. Finn me encara com aqueles olhos verdes arregalados e eu levanto as sobrancelhas, esperando que ele fale.
– Comecei a me apaixonar pelo Aaron, sem saber quem ele era. Quando tudo isso começou a ficar mais público do que deveria eu não me importei, mas tinha medo de acabar perdendo ele por isso. Não me importo em como as pessoas me veem ou como elas se referem a mim, eu só me importo com o que o Aaron sente em relação a isso. – ele responde. Eu nunca tinha perguntado isso pra ele, então sua resposta me deixou pensativo.
– Finn, você já foi preso e muitas reportagens falam que você seria uma má influência para Aaron e que você ainda usa algumas coisas... isso é verdade? Como você vê essas acusações que fazem sobre você, sem sequer, tentar descobrir como você é de verdade? – ele respira fundo.
– Vejo como forma de chamar atenção e gerar julgamento público desenfreado, porque a verdade é que ninguém me conhece de verdade, mas mesmo assim as pessoas se acham no direito de dizer quem eu sou, o que quero e pra que estou aqui. – fico orgulhoso de vê-lo falar com tanta convicção.
– E você, Aaron, como se sente vendo o Finn ser tratado assim? – Rye pergunta e ele me olha nos olhos, esperando que eu responda.
– Desesperançoso. – falo, olhando pra ele e olho para Rye novamente em seguida. – Eu conheço o Finn, eu sei quem ele é e foi por isso que eu me apaixonei. As pessoas que julgam ele sequer sabem quem ele é e continuam apertando na mesma tecla de que "ele foi preso, ele é um ex viciado"... – respiro fundo e Finn passa sua mão nas minhas costas, pra me ajudar a me acalmar. – Diversos cantores, atores e esportistas já foram presos e são ex viciados e ninguém aponta o dedo na cara deles, mas vieram apontar na do Finn e isso me deixa irritado. Me deixa irritado, porque nada disso é sobre quem ele é, é sobre julgamento, afinal ele foi a melhor pessoa que me apareceu e mesmo assim ninguém se importa ou tem empatia o suficiente pra, sequer, imaginar isso.
– Inclusive, vale lembrar que o Kevin Spacey foi acusado ontem de abuso sexual por vários homens e esperamos que ele pague, se realmente for culpado. – Rye começa uma observação. – Esperamos, também, mais mídia em cima dele, que é considerado um dos maiores atores do mundo e que a justiça seja feita. De qualquer forma, deixamos clara a nossa nota de repúdio ao ator de Hollywood. – Rye termina sua observação. – Agora fala pra gente, o relacionamento de vocês é sério? – diz, voltando o assunto pra nós. Ela parecia curiosa e a forma como me olhava me fez sorrir.
– Esses dias nós dois oficializamos a nossa relação sim, Rye. – respondo e Finn segura minha mão com firmeza, mas logo relaxa, ao ver que ela ficou muito feliz com a minha declaração. Eu, então, coloquei minha outra mão sobre as nossas e fiz carinhos em Finn, para acalmá-lo.
– Que bom! Você acha que isso vai trazer ainda mais impactos pra sua carreira no futebol? Como o seu time vem se comportando com tudo isso? Nós sabemos que o futebol americano é extremamente homofóbico, isso tem impacto sobre você na escola?
– Não exatamente. – falo, gesticulando. – No time vem acontecendo coisas mais importantes que a discussão sobre a minha vida pessoal.
– E você, Finn, o que podemos esperar para o futuro? Modelo, talvez? – Rye pergunta e Finn sorri sem graça, sinalizando um "não" com a cabeça.
– Eu atualmente sou mecânico... – Finn fala, dando de ombros.
– Finn é um ótimo piloto. – puxo o assunto.
– Sério? E tem algum sonho relacionado a isso?
– Correr na Nascar ou em Fórmula 1, quem sabe... – Rye parece surpresa.
– Olha só! Será que temos algum patrocinador agora assistindo essa live? – Rye brinca e Finn e eu sorrimos.
A entrevista correu por mais alguns bons minutos. Conversamos sobre o nosso relacionamento, as impressões da sociedade, a falta de respeito que muitos meios de comunicação tem com pessoas públicas e até sobre planos futuros dentro da mudança social.
– Para entramos na reta final dessa tarde maravilhosa com Aaron e Finn, quero chamar Michael Sam, que jogou na NFL esse ano... – ela fala e meu coração quase para. Quando olho para trás, aquela muralha estava entrando realmente no estúdio. Michael se sentou ao meu lado, entre Rye e eu e me cumprimentou, cumprimentando Finn em seguida. – É um prazer, Michael.
– É um prazer estar aqui, Rye... Faziam meses que eu estava esperando uma boa oportunidade pra aceitar seu convite e vir... – Michael fala. Eu sequer conseguia fazer algo além de sorrir. Estava diante de um dos meus ídolos do futebol.
– E então, vocês se conheciam? – ela pergunta.
– N-não, eu... sou muito seu fã, cara... – falo emocionado e Michael põe a mão no meu ombro.
– Eu também sou seu fã. – fico paralisado, sem saber o que dizer. Quando olho pra Finn, ele simplesmente sorri. Eu ainda estava perdido, pensando no que eu iria dizer.
– E então Michael, como vem sendo tudo depois de sair do futebol?
– Eu ainda tô cuidando do meu psicológico. Outros jogadores me ofereceram apoio, sendo a maioria deles gays não assumidos ou pessoas que são simpatizantes da luta LGBT.
– Você acha que outros jogadores se assumirão? – Rye pergunta.
– Eu conto com isso. Sofri um boicote enorme por ser gay, mas eles não iriam admitir isso. Eu conto que meus colegas algum dia também digam e mostrem que nós existimos. – Michael fala e se vira pra mim. – O que aconteceu com você, Aaron, foi péssimo pela forma como aconteceu, mas só nas ultimas semanas já vi diversos esportistas das faculdades que acompanho de perto assumindo sua sexualidade publicamente por sua causa. Você pode não saber, mas você é um exemplo pra muita gente da sua idade. – meus olhos se enchem de lágrimas, olho para Finn emocionado ainda mais e ele me puxa, dando um beijo de conforto no meu ombro.
– Vocês não sabem como eu tô em choque de ouvir isso. – falo, depois de receber o beijo de Finn e ele aperta minha mão, provando seu apoio a mim.
– E pra você, Finn... – Michael começa. – Eu te desejo toda força. Me lembro que quando apareci com meu primeiro namorado, ele sofreu ainda mais exposição que eu, porque as pessoas queriam saber até seu tipo sanguíneo. Não vai ser fácil, mas se vocês se gostam, acredito que devam tentar. Aliás, eu preciso conversar com você sobre essa coisa de ser piloto. Conheço alguém que pode ajudar. – Finn confirma diversas vezes com a cabeça.
A entrevista correu por ainda mais tempo. Nos divertimos e rimos como se fôssemos amigos de infância e eu preciso ressaltar que pela primeira vez me sentia eu mesmo em um lugar. Michael era simplesmente incrível. Ele era sério, mas sempre trazia piadinhas em momentos inoportunos apenas para arrancar alguns sorrisos.
Ele explicou como foi entrar na NFL em 2014 e como foi sair dela em 2015, focando principalmente na parte sobre o preconceito dentro da liga e a forma como ela procura silenciar todos que tem algo para falar. Para todos os efeitos, conversar com um homem desse porte me fez crescer mentalmente. Eu também senti que Finn gostou bastante daquela entrevista, afinal ele conversou muito – e isso só acontecia quando ele se sentia confortável em algum lugar.
Após o fim das lives, nós fizemos mais duas entrevistas privadas para o site da revista e para a revista impressa. A entrevista do site sairia no outro dia e da revista impressa na próxima semana.
– Aí, Finn... – Michael fala, vindo até nós. – A temporada pra entrar na equipe de Fórmula 1 desse ano passou, mas a do ano que vem vai começar em breve.
– Eu não... – Finn começa e Michael estranha.
– Não quer?
– Não, eu não tenho contatos pra isso.
– Mas eu tenho. Eu posso te ajudar a começar a correr, sem problema algum. – Michael fala. – Eu já já vou ter que ir embora, anotem meu número... você pode me chamar sempre que precisar de conselhos sobre o futebol e você, sobre isso de correr. Se você for um bom piloto, tenho certeza que conseguimos alguém pra te ajudar. – concordamos com a cabeça. Anotamos seu número e Finn agradeceu imensamente o apoio. Eu mal podia acreditar que agora eu tinha o contato do meu ídolo no celular, estava em choque absoluto.
No aeroporto, Finn e eu tiramos fotos com algumas pessoas que nos reconheceram. Entre elas, adolescentes e até crianças. No avião, Finn deixou com que eu repousasse minha cabeça em seu ombro e ficou me fazendo cafuné, enquanto dormia. Ele não deixou de ser carinhoso comigo em momento algum e eu estava feliz de tê-lo por perto.
Já em casa, me preparava psicologicamente para meu exame toxicológico. É claro que eu estava limpo e totalmente bem, mas sempre vem aquele medo interno de algo dar errado. Nunca se sabe... sábado eu levantei e meu pai estava na cozinha, tomando café pacificamente, enquanto deixava seu notebook de lado.
– Bom dia? – falo, confuso, chegando na sala de jantar onde ele comia.
– Bom dia... Vim te acompanhar. – meu pai explica.
– Sabe quem vai fazer o exame hoje? – ele confirma, desbloqueando seu celular e olhando algo.
– Sim, você, Tom e Alec.
– Então... vamos?
– Não vai comer? – meu pai pergunta, estranhando.
– Tô nervoso, não consigo. – falo e ele sorri, pegando um guardanapo e limpando a boca.
– Então vamos. – ele fica de pé.
Dentro do carro, fomos até a clínica e ela estava razoavelmente vazia. Alec estava sentado com sua mãe ao seu lado, que sorriu quando me viu e Tom estava sentado com seu pai. Tom me cumprimentou com um movimento rápido de cabeça e eu devolvi o cumprimento.
– E então? Tá nervoso? – Alec pergunta, esfregando uma mão na outra.
– Bastante e você? – ele solta um sorriso de deboche.
– Eu sei lá, não tem como eu me imaginar com isso agora, tô neutro, tô tranquilo. – Alec fala, mas dava pra ver que suas mãos tremiam.
– Alec Georgio? – uma mulher que trabalha na clínica o chama.
– Me deseja sorte, por favor. – Alec fala, tremendo mais ainda e eu começo a rir. Ele estava mais nervoso que eu.
Meu pai e eu ficamos esperando a minha vez e na hora da coleta, outra mulher me chamou e eu entrei em uma sala comum e pequena.
– Olá governador, olá Aaron... – ela nos cumprimenta. – Eu vou te explicar como tudo vai funcionar, tudo bem? – diz, apontando para as cadeiras, pedindo que nos sentássemos.
– Tudo...
– Bom, não sei se sabem, mas o exame antidoping acontece em Washington há bastante tempo nas escolas, então não é nenhum monstro gigantesco. – ela tenta me acalmar. – Nessa clínica vai funcionar da seguinte forma: você vai tomar alguns goles de água e nós vamos conversar. Daqui 10 minutos virá até essa sala do seu examinador. Esse examinador vai ser responsável por te acompanhar para que você urine em um desses três modelos de potes, até aí tudo bem?
– Por que precisa desse examinador?
– É questão de segurança, pra ter certeza que esse líquido saiu realmente do seu corpo. Já tiveram, no passado, atletas que compravam urina pra esses testes e pra evitar qualquer manipulação do material agora todos os que fazem são vigiados.
– Tudo bem.
– Ótimo. Depois que você escolher um desses três potes só você vai poder manuseá-lo. Quando você urinar nesse potinho sob supervisão do rapaz, vai voltar pra essa sala aqui e vai despejar metade da urina contida no pote em cada um desses dois frascos de vidro que serão lacrados. O frasco A é a sua prova e o B é a contraprova. – a moça fala, calmamente.
– Pra que serve cada um? – meu pai pergunta.
– Nessa clínica, em especial, a prova é examinada e a contraprova é preservada. Caso seja encontrado algo na sua prova e você ache que não é justo, ou que não é verdadeiro, você pode pedir a contraprova para examinação. Tudo bem?
– Tudo sim. – digo.
Eu, então, tomei a água e ficamos conversando por um tempo. O meu examinador era bastante simpático e eles me deixaram bem a vontade. Eu fiz tudo o que foi pedido e em nenhum momento eles faltaram com respeito comigo ou algo do tipo. No final de tudo, agora só restava esperar o resultado. No carro, meu pai parecia em paz, conseguimos conversar e em anos eu não o sentia ao meu lado como sentia naquele momento.
– Austin, leva a gente no Burger King, por favor. – meu pai pede e eu o encaro.
– O que? Pai, eles vão reconhecer você. – ele dá de ombros.
– Lembra quando eu te levava quando você era mais novo? Quero fazer isso de novo. – eu confirmo com a cabeça, não ia recusar essa oportunidade de tê-lo próximo de mim.
Na lanchonete, nós comemos e meu pai me arrancou muitos sorrisos. É óbvio que surgiram paparazzi para todos os lados, mas nenhum deles invadiu o lugar, eles apenas tiraram fotos de longe. Eu sabia que metade disso era reflexo do meu desabafo sobre a falta de respeito com quem é publico e por isso eles tentavam controlar a necessidade de invadir nossa vida.
Meu pai deixou com que eu usasse a coroa do BK e fez diversas brincadeiras, incluindo as típicas dele de me sujar com os molhos – desde que eu era criança ele nunca mais tinha feito isso comigo, acredito que acabou tendo uma crise de meia idade e sentiu falta desses momentos, mas não reclamei. Estava sendo privilegiado demais por poder, depois de anos, sentar e comer um lanche enquanto rio com meu pai, não queria estragar esse momento. Eu me lembro que há anos ele sempre fazia isso quando eu era mais novo e tínhamos passado por algo muito ruim em casa ou na escola – no meu caso. Nós saíamos e curtíamos para tentar esquecer o estresse que tínhamos vivido.
As pessoas na lanchonete também nos olhavam e algumas até gravavam, mas ninguém teve coragem de se aproximar. Acredito firmemente que isso acontecia, porque todos sabiam as experiências difíceis que vínhamos tendo e ninguém queria atrapalhar nosso momento de rir sem preocupações – o que era ótimo.
Em casa, quando cheguei, fui até meu quarto, tomei banho e troquei de roupa. Fiquei tranquilo deitado por um tempo, até meu pai aparecer na porta.
– Eu vou ter que viajar amanhã. – ele se aproxima.
– Reunião? – pergunto, me sentando na cama e ele se senta em seguida. Estava de bermuda e sem blusa.
– Não. Sua mãe quer divórcio... – desvio o olhar.
– É por minha causa?
– Ela disse que quer entrar em um novo relacionamento, porque eu só trabalho. A realidade é que eu não suporto mais ela e nem ela me suporta, por isso estamos sempre separados. – seguro meu riso.
Talvez eu seja o único filho no mundo que torcia pela separação dos pais, afinal eu tinha uma mãe detestável e um pai que merecia mais do que isso.
– Se ela se separar o que acontece comigo?
– Você vai ficar comigo, certo? – meu pai pergunta e eu sorrio, aliviado.
– Ainda bem que você disse isso. – falo e meu pai começa a rir. Ele bagunça meu cabelo e se levanta da cama.
– Se cuida.
– O Finn pode dormir aqui? – pergunto e ele fecha a sua expressão para séria, me assustando um pouco.
– Claro. – ele fala, abrindo um sorriso em seguida e rindo com o meu nervosismo, saindo do quarto. Meu coração tinha disparado, mas ele tinha feito aquilo de brincadeira. – Não precisa me pedir pra ele dormir aqui, sempre que ele quiser, é só vir, o Finn já tem passe direto pela segurança. – ele comenta, abrindo brevemente a porta e me lançando uma piscadinha rápida, saindo novamente em seguida.
Eu chamei Finn para ficar comigo naquele sábado à noite e ele foi. Quando chegou a minha casa eu já percebi que ele estava cansado.
– O que foi? – pergunto.
– Tava montando algumas coisas no quarto de Emma, tô com dor nas costas. Daqui a pouco passa, não se preocupe. – ele responde, se sentando para tirar seu tênis.
– Eu posso fazer massagem em você... – ele me encara.
– Tudo bem. – diz, tirando a blusa e deitando de barriga pra baixo na cama.
Eu vou de joelhos até próximo dele e fico assim, enquanto passo minhas mãos pelas costas de Finn. Ele tinha os músculos definidos e de costas isso ficava ainda mais aparente. Eu o apertava, enquanto descia a massagem pelas suas costas.
Percebi que ele estava respirando fundo demais e mal podia acreditar que apenas o meu toque já conseguia excitar Finn. Continuei minha massagem, mas fui surpreendido quando ele me puxou com força para sentar em seu colo, me beijando em seguida.
– Não tá com dor? – pergunto e ele sorri.
– Ela passa. Tenho necessidades maiores agora. – responde e eu volto a lhe beijar.
Ele me puxava cada vez mais forte para si, apertando minha bunda contra seu corpo, enquanto no meu quarto a música "High" do Sivik tomava conta do ambiente – e não existia outra música possível que se encaixasse com aquele momento gostoso que estávamos. Quando eu queria que ele me olhasse, enquanto nosso beijo rolava eu brincava com seus sentidos, indo para trás todas às vezes que ele fosse me beijar, até seus olhos encontrarem os meus.
Olhos baixos, braços envolvendo todo o meu corpo e me prendendo no dele, Finn estava realmente totalmente entregue e relaxado naquele momento. Eu gostava de ver ele me olhar, enquanto me beijava, porque seus olhos verdes ferviam de desejo e suas pupilas revelavam isso, deixando apenas um pequeno risco de cor no cantinho de uma imensidão negra.
Devagar, enquanto me prendia com um de seus braços, ele começou a acariciar meu pau por cima da bermuda, sem parar de me beijar momento algum. Ele trocou de posição comigo e segurou minhas mãos para cima, enquanto começava a me masturbar, descendo seus beijos pelo meu pescoço diversas vezes – me arrancando arrepios, por causa de sua barba.
Tudo que ele fazia era devagar e isso me deixava completamente surtado. Ele me beijava devagar, controlando cada músculo da minha boca, me masturbava devagar e mais do que isso, ele respirava devagar – forçando-me a me conectar com ele todas as vezes. Quando me soltou, foi para me ajudar a tirar minha blusa e em seguida começou a descer sua boca pelo meu corpo.
A partir do momento que ele colocou seu pau em minha boca, meu pescoço pareceu não sustentar mais a minha cabeça. Cada vez que ele me chupava, eu soltava um gemido mais demorado, enquanto mantinha minha mão em sua cabeça, sentindo seu cabelo bagunçado entre meus dedos.
Sua mão segurava minha cintura, enquanto ele continuava me chupando. Finn, quando voltou a me beijar, sorriu ao ver que eu ainda estava perdido por causa do que ele tinha conseguido fazer comigo. Ele, então, tirou sua bermuda e me olhou de forma séria.
– Amor? – o chamo, tirando ele de seus pensamentos.
– Anda logo. – ele fala e confirmo rapidamente com a cabeça, eu realmente não era do tipo que contestas as decisões alheias que me favoreceriam de alguma forma.
Eu vou devagar com Finn no começo. Tentei penetrá-lo com cuidado, indo devagar e com jeito, para não machucá-lo. Ele estava de frente pra mim e me olhava, enquanto eu o penetrava devagar. Ele gemeu um pouco e fez careta quando eu me pus dentro dele pela primeira vez, mas nos momento seguintes consegui ir mais e mais fundo, fazendo com que ele se soltasse.
Depois de um tempo eu comecei a beijá-lo enquanto o penetrava e deixava nossas mãos entrelaçadas. Sentir seus suspiros e seu desejo foi incrível e me marcou para sempre, principalmente a vista linda de vê-lo com a boca aberta, gemendo a cada estocada que eu dava. Sem falar que o prazer foi incrível, eu nunca tinha feito aquilo com qualquer rapaz antes e eu confesso que estava feliz de que tivesse sido com Finn, porque eu sabia que ele estava demonstrando confiar em mim.
×°×
– Eu te amo. – Finn fala, de forma séria. Estávamos deitados na cama de conchinha, procurando a matéria da Gloss para dar uma olhada no produto final do site. Nesse momento, me virei para Finn e o encarei.
– O que você disse?
– Que eu te amo. – ele repete.
– E porque está tão sério?
– Porque amar uma pessoa é uma coisa séria, não é piada pra rir. Eu te amo seriamente, como nunca cogitei amar alguém. – meus olhos se enchem de lágrimas. – Ficou triste?
– Não... – o beijo. – É que eu te amo também. – ele me beija mais uma vez.
Depois de algum tempo de carícias, fomos ler a matéria da Gloss: O amor está no ar e o exemplo de como ser forte também.
Não é novidade pra ninguém que Aaron recentemente foi visto com um rapaz chamado Finn e sofreu exposição exagerada sem seu consentimento. O que é novidade, é que na entrevista de ontem com a Gloss, Aaron assumiu o relacionamento sério com o jovem de 19 anos.
Na entrevista especial para o nosso site, quando foi questionado sobre o início do relacionamento Aaron disse "Quando nos conhecemos já senti que era algo diferente. Eu nunca tinha me interessado verdadeiramente por alguém, como me interessei por Finn desde a primeira vez que o vi e depois de conhecê-lo eu percebi que sim, eu estava apaixonado e o queria eternamente pra minha vida".
Mais adiante, levantamos uma questão na mente de Finn, perguntando se ele tinha noção da personalidade pública que estava se relacionando e ele completou a frase de Aaron dizendo "Eu nunca me interessei pelo Aaron por ele ser a pessoa pública que todos conhecem, eu jamais me apaixonaria por alguém apenas por ela ser famosa ou ter dinheiro. O que me despertou interesse no Aaron, foi a forma como ele leva a sério tudo o que sente. Aaron não tem amarras em questão de sentimentos e eu sou fascinado em pessoas puras" completou o rapaz.
Na live que foi realizada no momento da entrevista de ambos, eles demonstraram carinho absoluto e era de se perceber que os jovens realmente estavam passando por um momento de muito amor e respeito. A entrevista completa que ocorreu fora da live virá na edição especial dessa semana. De qualquer forma, desejamos felicidades ao casal e agradecemos a presença, elegância e educação de ambos com todos da nossa equipe.
Quando terminamos de ler eu olhei Finn por alguns segundos e ele me puxou ainda mais contra seu corpo, me dando um beijo sobre a temporal da minha cabeça e sorrindo em seguida.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top