Mais Invasão, Menos Paciência
×Visão de Aaron
– Mitchell... – chamo ele, enquanto me aproximo. Estávamos indo para o refeitório.
– Oi...
– Me leva em casa hoje?
– O que houve? – Mitchell pergunta, enquanto entramos no refeitório e vamos em direção à nossa mesa. Nela, Amber e Alec já parecem estar em uma conversa.
– Finn tá em avaliação com a Mercedes essa semana...
– Ah, levo sim... – responde, enquanto nos sentamos na nossa mesa. – A Mercedes sabe que o Finn é autista?
– Sabe. – falo, colocando as muletas de lado.
– Isso não influenciou em nada?
– Não. Eles não se importaram muito, o Finn é um ótimo piloto e ele faz o autismo trabalhar ao seu favor.
– Como assim? – Alec pergunta, se interessando pelo assunto.
– Sabe porque o Michael Phelps é tão bom? – pergunto.
– Não... – Alec responde.
– Porque o Michael passa horas treinando. O Phelps não tá dentro do espectro, mas tem TDAH e ele conseguiu fazer com que isso trabalhasse ao seu favor, mudando o pensamento de todos ao redor. Fora que outras diversas personalidades também tem algum transtorno, que não faz com que ela seja inferior, só faz da pessoa quem ela é.
– Caralho, eu nunca tinha pensado nisso.
– É, nem eu, até conhecer o Finn... ele me ensinou tanto a amadurecer sem perceber, que eu nem sei como eu seria hoje se não tivesse conhecido ele. – Mitchell me encara.
– Seria o mesmo idiota de sempre. – Mitchell diz.
– O que?
– Um trouxa. Não ia descobrir como é lutar por algo que você quer e levar as coisas até o fim. Exatamente como era antes. Tudo o que você passou com o Finn fizeram o Aaron de hoje, fizeram você compreender e respeitar coisas que você não entende.
– Valeu... – digo, refletindo em baixo tom.
– Mas é verdade...
– Aaron, você sabe de mais alguém na fama que esteja dentro do espectro? – Alec pergunta.
– Na história, dizem que o Einstein era autista, mas não tem nada confirmado. Junto com ele entra o Bill Gates, que também não é confirmado, mas tem muitas pessoas que relatam comportamentos característicos vindo dele... aí, junto com o Einstein, vem o pessoal que viveu antes de pessoas com autismo serem estudadas, então não tem como ter certeza.
– E como as pessoas falam que elas poderiam ter se já morreram? – Alec pergunta.
– Por causa de comportamentos documentados.
– E quais são as outras? – Amber pergunta.
– Espera, são muitas... – digo, tentando me lembrar de uma das conversas com Finn. – O Newton, Darwin, Mozart, Michelangelo e mais um monte... – os conto nos dedos.
– O Finn tá em uma classe bem seleta de pessoas...
– É, ele está.
– Muita gente vem taxando o Finn de gênio das pistas, quando veem uma corrida dele. – Mitchell comenta. Eu já tinha visto esse tipo de comentário, enquanto o Finn estava em coma e os conhecia bem.
– É. Eu não acho que ele seja realmente um gênio, o negócio, é que o Finn realmente se dedica pra aprender, entender e vivenciar algo, ele é diferente... – falo e Mitchell parece entender.
Não gostava dessa impressão sobrenatural das pessoas sobre quem meu namorado era. Por mais que ele seja sim uma personalidade inspiradora para muitas pessoas, ele alcançava o que queria por ter muita dedicação e é isso que queria enfatizar. Ele treinava demais, até a exaustão, para chegar onde queria.
O resto do meu dia escolar foi comum. Depois da aula, Mitchell me levou pra casa e eu fui de elevador até meu andar, entrando em casa em seguida. Finn não estava em casa como eu já sabia, quem estava era Lisa, fazendo comida.
– Oi, Lis. – falo, entrando na cozinha e colocando minha bolsa no balcão. Era difícil andar de muletas e carregar minha bolsa, mas eu conseguia me virar bem.
– Olá... tô fazendo o jantar, vai ser lasanha hoje.
– Não tô com fome. – ela me encara.
– Mas você tem que comer. Finn me disse pra obrigar, caso seja necessário. – sorrio.
– Ele mandou notícias? – pergunto. Passei o dia sem meu celular.
– Ligou apenas quando tinha chegado.
– Você acha que ele vai ficar muito tempo fora?
– O que foi? Você parece triste... – Lisa fala.
– Tenho medo dele se apaixonar por alguém lá. – digo, me sentindo um idiota infantil e depois de alguns minutos de conversa vou para meu quarto.
Era verdade, eu tinha medo de perder Finn – por mais que não expressasse isso em palavras. Acredito que o que eu sentia por ele era bem forte, tão forte que me trazia medo de perder, mas como eu nunca fui um cara que demonstrava inseguranças, não queria falar com ele sobre isso. Naquele dia, acabei ficando um tempo no meu quarto, até sentir meu celular vibrar e ver Finn na tela.
– Oi, amor, já comeu? – Finn pergunta, quando atendo o celular.
– Oi, amor, não tô com fome.
– Você precisa comer pra dar força pra esses músculos se curarem mais rápido. – ele comenta e sinto dificuldade em escutá-lo, pois tinham muitos carros passando em alta velocidade.
– Onde você tá?
– Na pista oficial da Mercedes... – fala, virando o celular e me mostrando onde estava. – Olha isso... – ele vira para si e me mostra que esta vestindo o macacão da Mercedes mais uma vez e dessa vez, o oficial da equipe.
– Já tá treinando?
– Tô, passei horas correndo hoje... saiu matéria sobre isso, o que acha de você ler? Espero que use pra rir, porque sentir raiva não vai ajudar em nada.
– Vou sim... – digo, não conseguindo segurar minhas feições abatidas.
– O que foi? Parece triste.
– Eu tô com saudade já, é bobagem... – falo. Acabei me acostumando com a presença dele, mas não podia ser egoísta a ponto de tentar privá-lo de seus sonhos, claro.
– Lógico que não é bobagem, mas daqui a pouco vou voltar. E também, a pista oficial da Mercedes não é tão longe.
– Onde é?
– Kansas.
– Adoro o Kansas. – digo e ele sorri.
– Pode vir me visitar quando quiser, esses dias que passarei fora...
– Vai durar quanto tempo essa primeira etapa? – pergunto.
– Amor, eu já estou na equipe 2019. Como a F1 2018 já começou, tenho que esperar, meus treinos de verdade só vão começar a partir da metade do ano, pode ficar tranquilo que eu volto pra casa essa semana pra ficar com você.
– O Alec tinha chamado a gente pra festa do Evan...
– E nós vamos, se você quiser.
– Você é um homem perfeito, sabia? – falo, em tom apaixonado. Os olhos de Finn estavam claros e se destacavam na chamada, o que me fez querer observá-lo ainda mais.
– Não, não sou. – sorrio. – Agora eu tenho que ir, tudo bem?
– Tudo...
– Se quiser, lê a matéria, não tá tão ridícula, mas aconselho a ler quando estiver de bom humor, afinal eles conseguiram tirar fotos minhas em uma hora indiscreta.
– Como assim?
– Tenho que ir meu amor, beijo. – Finn fala e eu aceno. Ele desliga o celular em seguida e eu vou procurar a matéria com pressa, preocupado com o que ele tinha acabado de falar.
Eu, então, entrei na matéria que o Finn tinha dito e já me chamou atenção as letras enormes no titulo: O mais novo piloto da Mercedes acabou de voltar!
Hoje, Finn Longford foi visto no seu primeiro dia de treinamentos com a Mercedes, após o acidente gravíssimo que resultou na amputação de suas duas pernas. É, pra quem viu a última corrida do rapaz, sentiu tanto quanto seu namorado Aaron McDevitt a gravidade do ocorrido.
Finn se envolveu em um acidente na última corrida de seleção da Mercedes, perdendo o tempo da curva que deveria fazer e batendo de frente com o muro de proteção da pista. Ele felizmente sobreviveu, mas por outro lado perdeu ambas as pernas. Ao lado temos a primeira foto de Finn em pé depois do ocorrido, que foi postada em sua rede social depois de passar mais de dois meses em coma induzido e semanas sendo conduzido por tratamento terapêutico.
Mas o que chamou mais atenção na volta de Finn hoje foi o momento em que ele foi colocar seu macacão da equipe por cima da roupa que vestia no momento. Um paparazzo tirou foto do rapaz de costas que mostrava sua parte traseira com destaque, o que chamou muita atenção no twitter e quando Finn ficou de pé, o tamanho de seu volume também causou alvoroço, principalmente por Finn sequer parecer excitado ou coisa do tipo.
O resultado de tudo isso é que Finn, com seus recém-completados 20 anos, já é cogitado como um dos homens mais desejados do mundo e não só por homens, como mulheres também. Em seguida na lista vem Aaron, seu atual namorado e jogador de futebol americano que também carrega consigo olhares e comentários maliciosos das fãs, desde que apareceu pela primeira vez com seu pai, o governador James McDevitt.
Uma das coisas que chamou a atenção dos fãs do casal foi o uso atual da aliança dourada, que substituiu a aliança prata. A pergunta que todos se fazem até o presente momento é: Finn e Aaron agora são noivos e não contaram a ninguém?
Depois de terminar de ler a matéria, fiquei com um misto de ciúmes por falarem tanto do corpo do meu futuro marido e com um sorriso e felicidade boba, por mesmo depois de ter sido tão massacrado pela mídia, agora ele era um dos queridinhos dela. É claro que uma parte de mim também ficou com medo pela observação da troca de nossas alianças, mas nada que tenha sido tão nocivo até aquele presente momento.
Eu acabei por ir comer depois disso. Lisa estava assistindo televisão, quando eu cheguei na cozinha, ela parecia concentrada em um programa de culinária.
– Tem alguém na sua família que gosta de culinária também? – pergunto.
– Meu filho, ele faz faculdade de gastronomia. – fico curioso.
– É?
– É sim, ele e a namorada adoram cozinha. Tudo bem que como eu criei ele praticamente sozinha, ele acabou passando muito tempo comigo na cozinha.
– Foi mãe solteira, Lisa? Nunca tinha me falado. – ela me observa.
– É que a minha vida pessoal não cabia naquela casa. – me sento no banco do balcão, descobrindo a lasanha e me servindo.
– E então, agora me conta o que aconteceu... – peço e ela sorri, desligando a televisão e se sentando próxima de mim.
– Meu marido era limpador de vidro de prédio... – Lisa fala e eu fico sem entender.
– Como assim?
– Sabe os arranha-céus de Nova York?
– Sei...
– Alguém precisa limpar eles por fora. – Lisa fala e eu encaro ela.
– Oh, não... – digo, em baixo tom.
– É, quando o Wes tinha 9 anos o meu marido foi limpar o Genior Prismer Center... lembra em 2014 quando um andaime ficou pendurado lá? Mas eles conseguiram resgatar as pessoas que estavam trabalhando? – Lisa pergunta e eu concordo com a cabeça.
– Lembro, foi horrível...
– Com o meu marido a sorte não sorriu dessa forma. Era o ano de 2008, meu marido saiu cedo do nosso apartamento minúsculo e foi trabalhar... às 15h foi noticiado que um dos andaimes que faziam a limpeza das janelas do prédio tinha caído. Adivinha qual... – Lisa fala e olha para o balcão, desviando o olhar de mim.
– Eu sinto muito...
– Tá tudo bem, o Wes sofreu muito com a perda do pai. Ele chorou tanto, que eu tive que começar a pedir a ajuda dele na cozinha, pra tentar ajudar ele a vencer esse luto. 10 anos depois, ele me disse que queria fazer a faculdade de gastronomia...
– Eu não conheço o Wes.
– Não conhece mesmo, seu pai pagava a melhor escola de Indiana pra ele estudar, já que era o sonho dele e eu não tinha condições. Hoje, ele ajuda o Wes a realizar o sonho de ser um grande chefe de cozinha. – Lisa fala. Eu não sabia que meu pai era assim.
– Sério? E onde ele tá agora?
– Em Nova York, estudando na Le Cordon Bleu.
– Vai me apresentar ele algum dia? – ela sorri.
– Claro... Mas eu mesma quase não vejo ele, quer dizer... ele me liga sempre, mas é bastante ocupado.
– Entendo... – digo, refletindo.
– A sua família é minha família desde que ele escolheu ir pra longe estudar. Não tiro a razão dele de forma alguma.
– Ele morava sozinho?
– Não, ele morava com a minha irmã em Indiana, quando eu decidi tentar a vida aqui e conheci sua família.
– Eu realmente não conhecia essa parte da sua vida... – Lisa dá de ombros.
– E eu nem achava que iria conhecer.
– Por quê? – pergunto.
– Porque antes do Finn, você vivia no seu mundo. Nada nem ninguém podia fugir do seu falso padrão de perfeição, a menos que fosse alguém que você julgava importante, como o Mitchell. Esse tinha passe verde na sua vida pra fazer coisa errada que você sempre iria apoiá-lo. – Lisa fala e eu me sinto envergonhado.
– E eu melhorei pelo menos?
– Acho que ter que aceitar que estava amando um homem autista e quase perdê-lo, fez você acordar pra vida, Aaron. – concordo com a cabeça.
Eu sabia que o que Lisa tinha falado era verdade, afinal eu era bem diferente, antes de Finn. Depois de terminar de comer, fui lavar meu prato e me despedi dela, deixando claro que ela podia assistir televisão na sala. Na minha outra casa isso não era comum, principalmente pela minha mãe não querer muita interação dos funcionários conosco, mas agora que eu morava só, Lisa precisava saber que ela tinha total liberdade dentro de casa.
Fui para o meu quarto e tomei banho de banheira aquele dia, afinal eu não estava com coragem de tomar banho de chuveiro e ter que proteger o gesso. Depois e tomar banho, me deitei na cama e me ajeitei nela, começando a entrar nas minhas redes sociais pra ver o que tinha acontecido durante o dia.
Para a minha surpresa, a matéria sobre Finn vinha repercutindo demais, tinham muitas pessoas falando sobre o corpo dele e tudo mais, além de que a foto que ele postou com seu novo macacão da equipe oficial e ao lado de Dolan também fez com que as pessoas comentassem sobre ele.
"A cada dia eu entendo mais o motivo pelo qual Aaron gosta desse cara." – Arlo, pelo Twitter.
"Olha que homem, meu Deus!" – Enya, pelo Twitter.
"Sorriso bonito, força de vontade em ser quem quer ser, educação que humilha muita gente... e assim foi criado o homem capaz de prender Aaron McDevitt." – Greta, pelo Twitter.
"A gente tem que combinar que Aaron teve muita sorte e o Finn também... ainda me mantenho no aguardo de conseguir um milagre desses!" – Sean, pelo Twitter.
"Eu acredito que o Finn é bem mais do que as pessoas dizem. A cada entrevista que ele dá e mostra sua simpatia, dá pra ver que objetificar o cara não é uma coisa legal." – Troy, pelo Twitter.
"A hipocrisia do ser humano é incrível. No começo só julgavam o Aaron por namorar um cara, agora vangloriam disso como se quisessem apagar as humilhações e agressões que os dois sofreram." – Xavi, pelo Twitter.
"Arrancaram Aaron do armário com força, quase acabaram com a vida do Finn e agora fazem um carnaval na vida dos dois. Ridículo." – Andie, pelo Twitter.
Entre outras mensagens me chamou bastante atenção o fato de que tinham muitos questionamentos sobre a aliança que Finn estava usando. É, realmente muita gente se perguntava se aquela aliança dourada era realmente uma aliança de noivado ou qualquer coisa que fosse, mas outras cobravam respostas como se fosse o meu dever abrir a minha vida.
Essas perguntas eram tão recorrentes que eles conseguiram subir uma tag intitulada "Aaron is Getting Married" (Aaron vai casar) com diversas perguntas, pedindo/exigindo que Finn ou eu nos pronunciássemos pelo assunto. O engraçado é que muitas pessoas criticavam a época em que foram extremamente evasivos sobre a minha sexualidade, mas agora cobravam respostas por uma questão que eu ainda não tinha comentado por achar que era extremamente pessoal e totalmente desnecessária.
= Amor... – Aaron McDevitt.
= Oi, minha vida... – Amor <3.
= Você entrou no Twitter hoje? – Aaron McDevitt.
= Não, eu acabei de chegar dos meus treinos, estou exausto. – Amor <3.
= É que tá acontecendo uma comoção enorme sobre as nossas alianças. – Aaron McDevitt.
= É? Eles perceberam? – Amor <3.
= Foi... – Aaron McDevitt.
= E você quer contar? Acha que está preparado? – Amor <3.
= Devo? – Aaron McDevitt.
= Você sabe que quando eu aceitei me manter em uma relação com você, aceitei me tornar uma pessoa pública. Você viu as fotos da matéria? – Amor <3.
= Vi... – Aaron McDevitt.
= Eles foram extremamente audaciosos em publicá-las, mas não ligo. Isso, porque eu sabia que iria acontecer. É normal que as pessoas queiram saber da nossa vida agora que abrimos isso, mas só conta se você estiver confortável pra isso. Seu pai já prestou apoio e eu também te apoio em tudo o que decidir. – Amor <3.
= Eu te amo tanto. – Aaron McDevitt.
= Eu também te amo amor, mas tenha sabedoria com a legenda. Não esquece que são apenas pessoas curiosas que pensaram "eles abriram uma parte, então vamos colocar pressão que quem sabe saia o resto". Se não estiver confortável, não caia nessa. – Amor <3.
= Tudo bem... – Aaron McDevitt.
= Eu vou tomar meu banho, tô muito cansado, depois do banho vou dormir. – Amor <3.
= Tá tudo bem. – Aaron McDevitt.
= Espera... – Amor <3.
= O que? – Aaron McDevitt.
Finn então me faz uma ligação de vídeo e eu atendo. Ele estava sentado e depois me mostrou que já estava no banheiro, sentado na beirada da banheira.
– Queria ver você. – ele diz e me faz sorrir.
– Amo você. – falo e ele sorri de volta.
– Eu também te amo. Um beijo, paciência. – confirmo com a cabeça. Ele desliga em seguida.
Quando desligo, volto a minha mente para os comentários da Internet. Eu, então, entro no meu Instagram e vou até a galeria, escolhendo uma foto em que eu estava sentado na mesa ao lado de Finn, tínhamos nossas mãos entrelaçadas sobre a mesa e as alianças douradas estavam aparentes. Ele estava beijando minha mão com um sorriso no rosto e eu estava com os olhos vermelhos, por causa da emoção da surpresa. Na foto, dava pra ver parte da surpresa que Finn fez pra mim e eu tirei ela para gravar, em imagem, o dia mais feliz da minha vida até aquele momento. E então, após selecioná-la eu escrevi a minha mensagem.
"Obrigado a todos. Obrigado, por mais uma vez exigirem esclarecimentos de uma coisa que não sou obrigado a falar. Tempos atrás, fui exposto pela mídia. Mídia essa que se fez de santa depois das minhas declarações sobre o quão desconfortável eu tinha ficado, mas agora que todos pareceram esquecer o que ela fez, ela simplesmente fez a mesma coisa. Acho sensacional essa mania de todos acreditarem que artistas ou pessoas públicas não são humanos e fazer com que toda a vida da pessoa seja obrigatoriamente exposta, mesmo que contra a sua vontade. Não, pessoas públicas não abrem 100% da vida para seus fãs e nem precisam, se eu abro uma parte pessoal da minha vida é porque a parte que eu abro me faz sentir conforto em abrir, mas não é por isso que eu sou obrigado a falar TUDO o que eu vivo. Obrigado a todos que não respeitaram mais uma vez o meu tempo de digestão de uma nova fase da minha vida e para você, Finn... obrigado por me fazer o noivo mais feliz do mundo. Eu te amo muito."
Alguns minutos depois de postar a foto os comentários e curtidas começaram a estourar. Acompanhei por alguns minutos, até que um comentário me chamou atenção.
"– Isso tudo é vontade de chamar atenção? Bem coisa de gente que precisa se promover em cima de polêmicas mesmo, porque de talento até agora nada."
Após ver esse comentário eu soltei um sorriso e tive que responder.
"– Eu, ao contrário de você, chamo atenção até sem querer. Sem falar que eu não preciso de polêmica pra me promover, não sei se reparou, mas nunca fiz nada para causar polêmicas, se elas ainda existem, é por causa de pessoas como você, que ao invés de cuidar da própria vida, veem mais vantagem em encher o saco da minha. E eu não tenho talento? Engraçado que eu fiz pontos em todos os jogos que joguei, fui convidado a entrar em uma equipe de futebol americano profissional com 18 anos e coleciono títulos escolares, afinal ainda estudo. E você, além de perturbar as pessoas, tem quais talentos?"
Depois de responder o rapaz eu simplesmente saí do Instagram e deixei que as coisas se explodissem longe de mim. Queria paz e precisava dormir, eu sabia que quando abrisse meus olhos no dia seguinte a bagunça estava feita, mas assim que fechei meus olhos meu celular vibrou e era uma mensagem de Finn.
= Amor, vai dormir e para de dar atenção a pessoas que procuram motivos pra te deixar com raiva. Não faz bem pra você se estressar com pessoas como essas. –Amor <3.
A mensagem de Finn me fez sorrir instantaneamente. Era impressionante o cuidado dele comigo, mesmo de longe.
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