Em Que Foi Se Meter?
×Visão de Finn
– E então, você que é o cara que tá namorando o filho do governador, não é? – Aiden pergunta, enquanto vê eu arrumar seu carro. Eu não gostava de clientes que perguntavam muito sobre a minha vida pessoal, mas respondia para parecer simpático.
– Bom, não sei se é exatamente um relacionamento.
– Ele é esperto. – Aiden fala em baixo tom.
– O que disse? – pergunto, ficando em pé diante dele.
– Você é bem bonito, Finn. Queria te falar isso desde quando eu trouxe o carro no primeiro dia pra você arrumar o amortecedor.
– Muito obrigado.
– Sai de cima dele, Aiden. – meu chefe fala e eu me agacho novamente, rindo da brincadeira.
– Nem falei nada demais.
– Sei. Finn, tenho um trabalho pra você. – meu chefe chama e eu o olho.
– Sim, senhor. – digo, me levantando novamente.
– Ajuda esse jovem aqui com a direção do carro. – ele aponta pra alguém que estava atrás de mim.
– Sim, senhor... – digo, me virando, mas fico sem reação ao ver de quem se trata.
– Oi, Finn... – Dylan fala e sorri.
– Dylan?
– É, ele quer que você faça o balanceamento do carro dele. – meu chefe explica e eu respiro fundo.
– Eu tava ajudando o Aiden com a suspensão.
– Não, agora ajuda o Dylan. – meu chefe fala e eu concordo com a cabeça,
– Tudo bem. – é tudo que respondo.
Depois de minutos, começo o balanceamento no carro de Dylan e sinto que ele me olha o tempo inteiro.
– E então, tá gostando da fama? – Dylan pergunta.
– Que fama?
– De namorar o filho do governador.
– Olha... eu te ofereci minha amizade, mas como você não quis eu acho que a gente não precisa forçar simpatia. Vou fazer o meu trabalho, que é arrumar o seu carro, você vai me pagar e ir embora.
– Calma, Finn... eu não quero ser seu amigo, mas também não sou seu inimigo. Sei que fui infantil, só quero saber como vocês estão. – Dylan tenta contornar nosso contato conturbado.
– A gente não se fala faz dias.
– Eu sinto muito.
– Ele e eu estamos passando por situações delicadas, mas tudo vai se resolver.
– Semana que vem tem corrida em Boulder. – Dylan fala, depois de alguns minutos de silêncio.
– Ainda acontecem rachas? – pergunto e ele ri.
– Claro, a polícia prendeu alguns dos caras da última vez que apareceu lá no subúrbio, mas eles não pararam de marcar. É muito dinheiro em jogo pra deixar pra lá. Aliás, obrigado por avisar sobre aquilo.
– Quem foi preso? – pergunto.
– Iker e Jan.
– Que pena, a Jan tinha futuro nas corridas.
– Bom, de qualquer forma acho legal você aparecer às vezes. O tratamento da irmã do Jamal tá indo bem e geral tá feliz com isso, como você foi o maior contribuinte, ele ia ficar feliz de te ver. – Dylan comenta e eu sorrio um pouco. Era bom saber que tudo estava dando certo, mesmo que eu tivesse me afastado das corridas e das pessoas que as frequentavam.
– Fico feliz que tudo esteja indo bem.
– Começou o balanceamento? – meu chefe pergunta, se aproximando novamente.
– Sim, senhor, em alguns minutos eu termino.
– Vai terminar o trabalho com o Aiden. Ele tá insuportável. – respiro fundo. Ultimamente ele estava um tanto quanto indeciso e eu odiava indecisão.
– Sim, senhor. – volto para o carro de Aiden, sem me despedir ou olhar para Dylan.
– Ele te mandou de volta? – Aiden pergunta e eu confirmo com a cabeça, voltando para a minha atividade.
– Ele tá meio atordoado hoje. – respondo.
– Percebi. – ele responde e eu continuo meu trabalho, em silêncio. – Você vem sendo alvo de muita mídia depois da exposição?
– Não mais que o Aaron.
– Deve ser chato. – Aiden fala.
– Eu não tenho uma rotina muito vasta, então não me incomoda muito. – respondo, ainda concentrado no que estava fazendo.
– É, mas tem paparazzo bem ali te vigiando. – Aiden fala e eu sequer olho, não ligava pra eles.
– É, eles apareceram faz alguns dias, mas logo vão embora, quando percebem que eu sou um cara comum.
– Sabe, Finn... – Aiden se aproxima de mim e eu percebo, mas continuo arrumando o carro fingindo não ligar pra isso. Ele, então, põe a mão no meu ombro e o acaricia. – Eu queria saber se você aceita sair comigo hoje... sabe... só pra eu te conhecer melhor. Talvez seja bom se divertir com alguém que não vai te expor desse jeito, porque você parece ser um cara reservado.
– Não. – falo, movimentando meu ombro e ele tira a mão. – Não gosto de sair.
– Que isso, então você não é romântico? –Aiden fala se distanciando de mim e eu me sinto mais aliviado.
– Romântico?
– É...
– Com quem eu tenho interesse, talvez eu seja. – respondo, cortando aquele assunto.
Continuo arrumando o carro e felizmente Aiden ficou calado a maior parte do tempo. No fim da tarde, fui pra minha casa, sem nada demais para observar. Quando cheguei, Marc, minha irmã e um outro rapaz estavam na sala.
– Que bom que chegou! – Emma fala, ficando de pé e todos também.
– Quem é ele? – pergunto, me referindo ao garoto.
– Prazer, eu sou o Alec... – ele responde, sorridente, e eu continuo sério.
– O Alec é meu irmão mais novo. – Marc explica e eu solto um sorriso sem muita empolgação.
– Entendi.
– A gente tava pensando em sair pra jantar, o que acha? – Emma pergunta, animada.
– Eu tô cansado, com dores musculares então não, obrigado. – passo por eles para ir até meu quarto.
– Finn... – Alec me chama e eu me viro, encarando ele em seguida.
– Sim?
– Eu tenho um recado do Aaron. – Alec fala e me deixa pensativo por alguns segundos.
– Você conhece o Aaron?
– Sim, eu estudo com ele e faço parte do grupo dele da escola...
– Vem. – chamo o garoto pro meu quarto. Se o assunto era Aaron, seria um assunto particular. – Pode começar. – digo, me sentando no meu banco e pedindo que ele se sente na minha cama, de frente pra mim.
– Como ele é meu amigo, ele tava pensando de eu fazer uma festa sabe? Pra mim, você, ele, Amber e Mitchell lá em casa. Uma coisa reservada... – Alec fala, mas aquela ideia não me traz uma aprovação exata.
– Pra que? – pergunto e Alec olha para os lados, envergonhado.
– Pra vocês se verem? – ele pergunta de volta e seu tom de voz muda. O que queria dizer? Eu também não sei.
– E quem disse que a mídia não vai ficar inventando coisa sobre ele estar indo na sua casa?
– Ah não, a mídia não vai ligar. – Alec fala e eu estranho aquilo.
– Como sabe?
– Minha mãe é escritora. Ela já é famosa. Não sei se percebeu, mas a comoção pra saber quem era você aconteceu, porque você era anônimo.
– Eu ainda sou.
– Bom, de qualquer forma... meu irmão namora a sua irmã e eu sou amigo do Aaron... tem uma ponte que vocês podem aproveitar, afinal... não é estranho você ser amigo do irmão do namorado da sua irmã. – Alec fala e faz uma careta pensativa em seguida. –Caralho, isso ficou confuso.
– Ficou mesmo, mas eu entendi.
– E então? Não precisa ser necessariamente uma ida até lá, eu posso fazer essas festinhas sempre, assim a mídia não vai encher o saco e vocês vão poder namorar em paz.
– E por que você tá querendo ajudar? – pergunto.
– O Aaron me ajuda muito na escola, eu só estou retribuindo o favor. Além do mais... ele é meu amigo. – respiro fundo, pensando sobre a minha decisão. Eu ainda estava desconfiado de ser alguma armação de alguém ou o plano não ser verdadeiramente de Aaron, afinal eu nunca mais tinha falado com ele.
– Tá. – ele sorri.
– Você vai lá quando o Marc falar o dia da festa? – Alec pergunta, ficando de pé rapidamente e parecendo animado.
– Vou.
– Que bom! Então tá... eu vou falar com o Aaron hoje mesmo.
– Você sabe por que ele não tá respondendo as minhas mensagens? – pergunto ficando em pé, de frente pra ele.
– É a mãe dele. Pelo o que eu sei, ela surtou e tomou o celular dele. Tá vigiando as redes sociais e mensagens que ele recebe também, até os amigos só conseguem falar com ele na escola ou treinos. – respiro fundo. Eu estava com saudade de Aaron.
– Mas o pai dele não reagiu de forma ruim a exposição.
– É, mas o pai dele tá viajando e a mãe dele surtou essa semana.
– Entendi.
– Essa coisa de vocês se encontrarem lá em casa é também pra não levantar suspeitas com a mãe dele, afinal ela contratou até seguranças pra acompanhar o Aaron até a escola. – Alec explica e eu fico feliz de não ter ido lá, como queria fazer dias atrás.
– Eu vi nas notícias que ele tá indo de motorista.
– É, nem o Mitchell pode mais levar ele pro colégio. Ela tá muito no pé de verdade. – Alec fala. – Eu vou indo.
– Manda um beijo pra ele. – peço e ele concorda com a cabeça, saindo em seguida.
Logo depois disso, Emma veio me avisar que estava indo jantar e perguntou se eu não queria mesmo ir. Eu realmente estava com dores musculares fortes, por isso neguei. Assim que saíram, fui tomar meu banho e sequer jantei, apenas me deitei na minha cama e dormi.
Os dias foram passando e a minha rotina me consumia todos os dias. Eu fiz uma agenda em que seguia os mesmos horários sempre. Eu trabalhava na oficina de manhã até o fim da tarde, chegava em casa e jantava com Emma. Quando estava cansado demais, apenas dormia, sem querer muita conversa.
Às vezes Emma saia com Marc, com isso, quando eu não estava muito cansado, assistia filmes, lia revistas e mais manuais sobre carros na ausência dela. Eu gostava de trabalhar na oficina, isso me deixava feliz, mas mesmo assim a saudade das pistas voltava na minha mente por diversas vezes.
Em uma quinta-feira qualquer, Marc trouxe Emma em casa depois de jantarem juntos. Eu estava deitado no sofá, com uma tigela de pipoca na barriga e uma garrafa de refrigerante na mesinha quando entraram.
– Finn... o Alec pediu pra dizer que vão fazer uma festa amanhã. – Marc fala, mas parece não entender bem do que se trata.
– Fala pra ele que eu não sei onde vocês moram. – respondo, sem ligar muito pra ele.
– Vou colocar meu carro na manutenção amanhã, a Emma vai me buscar. Se você quiser, ela me traz pra cá e eu vou com você pra minha casa. – Marc diz e eu faço sinal de desdém com a mão. Estava assistindo um programa sobre mecânica.
– Pode ser. – digo e Marc ri.
Marc era legal. Ele parecia um homem carinhoso com a minha irmã e isso me deixava tranquilo. Fora que ele parecia ter a mesma maturidade que Emma, então eles não brigavam, pelo menos até o presente momento. Naquele dia, eu continuei assistindo meu programa até cair no sono e acordar no dia seguinte, correndo pra ir trabalhar e sobre isso, não tem muito o que falar, porque é rotina comum. Após o trabalho, me arrumei e esperei sentado no sofá que Marc chegasse com Emma. Eu estava com moletom preto, calça jeans azul e tênis.
– Vamos? – ele me chama, assim que entram.
– Vamos. – digo, me levantando e indo até a porta.
Eu me despeço de Emma, pego minha chave e em seguida saio com Marc em direção à casa dele.
– Sua irmã é uma mulher incrível. – Marc fala, enquanto estamos no carro.
– Eu sei, cresci com ela. – digo.
– Gosto da sua sinceridade, Finn.
– Ainda bem, afinal eu não mudaria se não gostasse. – ele sorri.
Pela forma como sorriu um tanto quanto constrangido, eu sabia que tinha perdido um pouco o controle, por isso decidi ficar calado o resto do trajeto pra evitar qualquer resposta que causasse mais incômodo.
– Chegamos. – Marc fala, depois de me explicar durante um longo trajeto onde ficava sua casa.
A casa era enorme e foi ali que eu percebi que a minha irmã estava namorando um rapaz de classe alta. Entrei um tanto quanto tímido naquele lugar, mas bastou dar alguns passos para ver Aaron correndo em minha direção e me abraçando apertado.
– Que saudade de você. – ele sussurra, enquanto em abraça. Quando me solta um pouco, ele me beija e meu corpo responde imediatamente aos seus estímulos, beijando-o de volta.
– Eu também estava com saudade de você. – sorrio. Aaron deixa com que seus olhos lacrimejem apenas com o meu sorriso e me abraça novamente.
– Essa é a Amber. – ele fala, respirando fundo e limpando seu rosto, soltando uma risadinha por ter chorado quando nos soltamos. – Ela conversou comigo quando você falou do autismo.
– Olá, Amber. – digo pra ela, que sorri.
– Oi. – ela responde.
– Esse é o Alec, mas acho que você já o conhece. – Aaron fala. – Eu que o obriguei a nos convidar pra casa dele.
– Conheci esses dias. – explico, confirmando rapidamente com a cabeça para Alec que confirma de volta.
– As oportunidades vêm com o tempo. – Alec fala e todos sorrimos.
– Cadê o Mitchell? – pergunto.
– Sei lá, deve chegar daqui um tempo. – Alec responde.
– Ele disse que ia passar em um amigo. – Aaron fala e eu o encaro. Ele dá uma leve confirmada com a cabeça e eu já entendo onde Mitchell está.
– Então vamos logo. – Alec chama.
Nós ficamos na sala conversando e rindo. A todo momento, algum empregado trazia algo para comermos e com isso a noite pareceu ficar curta pelos assuntos que surgiram. Enquanto estávamos sentados no tapete enorme da sala em círculo, Aaron estava no meio das minhas pernas e eu acariciava sua cintura.
– Finn e eu vamos bem ali no banheiro. – Aaron fala, depois de algumas horas de conversa.
– Tudo bem, no andar de cima, terceira porta a esquerda. – Alec explica e saímos andando.
Quando chegamos no banheiro, ele me puxa pra dentro e fecha a porta.
– Por que me trouxe com você? – pergunto.
– Por que eu tô com saudade do seu corpo inteiro, não só da sua boca. – ele me beija, passando as mãos pelo meu peito.
Aaron continua me beijando e enquanto isso ele desabotoa minha calça devagar. Quando ele começou a deixar o beijo ficar mais lento, me fez olhá-lo. Aaron me beijava devagar, enquanto me olhava nos olhos e descia sua mão pra dentro da minha calça e cueca.
Quando segurou meu pau, ele sorriu levemente ao me ver suspirar – e provavelmente depois de perceber que eu já estava duro, claro. Aaron começou a me masturbar devagar, enquanto descia seus beijos pelo meu pescoço e com isso pelo meu corpo, até ficar de joelhos e começar a me fazer sexo oral.
Ele fazia aquilo tão bem, que conseguia deixar meus músculos rígidos. Eu, depois de alguns minutos tive de colocar minha mão atrás de sua cabeça e lhe ajudar com aquilo, fazendo ele consumir meu pau por inteiro com a boca por diversas vezes.
Quando puxei Aaron de volta, o virei de costas pra mim e beijei suas costas, enquanto tirava sua bermuda e depois disso também comecei a masturbá-lo, enquanto com a outra mão prendia suas duas mãos na parede. Assim que percebi que ele não as tiraria dali, soltei suas mãos e desci a minha para sua bunda, introduzindo meus dedos nele e ouvindo, em seguida, um gemido baixo vindo dele.
Depois de um tempo, percebendo que Aaron já estava quase implorando para que eu o penetrasse, dei alguns tapas firmes nele, o que pareceu piorar ainda mais sua situação. Consegui ver o olhar totalmente excitado dele pelo espelho e puxei seu cabelo e cabeça pra trás, foi aí que depois de me lubrificar, eu comecei a penetrá-lo. Aaron apoiou uma das mãos no espelho e a outra no balcão enquanto me sentia dentro de si, tentando controlar sua respiração e não gemer alto.
Ver pelo espelho que ele revirava os olhos de prazer, enquanto eu o penetrava, me excitou tanto que eu comecei a ir com mais força. Quando puxei o cabelo dele mais uma vez Aaron soltou um leve gemido baixo e eu tive que beijar e morder seu pescoço, deixando-o arrepiado. Eu logo continuei penetrando ele com vontade, mas torcendo para que ninguém nos ouvisse.
Mudamos de posição algumas vezes e sem dúvidas as minhas favoritas são as que consigo olhá-lo de frente, porque consigo sentir o carinho e excitação na forma como ele geme baixinho, quando puxa meu pescoço, para ouvi-lo. Fora que são nessas posições que o beijo fica ainda mais intenso, porque Aaron gosta de me apertar, arranhar, puxar para si enquanto o penetro e eu também consigo dar as estocadas mais firmes todas as vezes que o vejo revirar os olhos – pois fico viciado com essa paisagem e acabo fazendo mais vezes para poder apreciar melhor.
×°×
– Demoramos muito? – Aaron pergunta, quando voltamos pra sala.
– Um pouco. Suspeito, muito suspeito. – Amber fala e logo cai na gargalhada.
– Ainda bem que foram no banheiro de visitas. – Alec fala e eu começo a rir. – Se não eu sinto que teria que dar uma faxina no meu banheiro pra me livrar de certos cheiros antes de entrar lá, fora que a gente ia ouvir bem vocês.
A noite continuou. Eu recebia caricias de Aaron o tempo inteiro e beijos no queixo. Ficamos juntos o tempo inteiro e com o passar do tempo, as conversas ficavam mais longas.
– Aaron, liga pro Mitchell, faz um tempão que ele deveria ter chegado. – Alec fala, completamente impaciente.
– Se ele não chegou até agora, não vai chegar mais. – Aaron responde.
– Boa noite, meus amores. – uma mulher fala chegando na casa, assustando todos nós.
– Oi, mãe... – Alec fala e ela sorri, colocando a bolsa sobre a mesa.
– Esses são seus amigos? – ela pergunta, vindo até nós. Eu senti que Aaron quis sair do meio das minhas pernas, mas eu não deixei ele se retrair por medo de julgamento, por isso segurei ele comigo.
– Sim. Amber, Aaron e Finn. O Finn é irmão da Emma. – Alec explica e a mulher sorri ainda mais. Ela deveria ter pouco mais de 50 anos e parecia bastante com Marc e Alec.
– Que legal, é um prazer Finn. Eu adoro a sua irmã, ela tem um senso de humor ácido, como o meu. – não entendo a colocação, mas sorrio e confirmo com a cabeça. – Você é o Aaron McDevitt? Filho do governador? – ela pergunta, se sentando em uma das poltronas próximas de nós.
– Sim, sou eu mesmo... – Aaron responde, ainda envergonhado e temendo comentários sobre a forma como estávamos.
– Ah, eu conheço vocês, passaram no jornal outro dia. – ela olha para Alec, como se tudo tivesse ficado esclarecido pra ela.
– Eu espero que não estejamos incomodando... – Aaron fala e ela sorri, sinalizando um "não" com a cabeça.
– É claro que não, são muito bem-vindos aqui. Aliás, parabéns pela resposta naquela jornalista idiota, estamos em 2017 e esse estado ainda permite que tenham jornalistas tão estúpidos. – ela fala, cruzando as pernas.
– A senhora não se incomoda com... – Aaron não completa a frase, apenas aponta com a mão para como estávamos. No caso ele ainda estava sentado no meio das minhas pernas.
– Homossexualidade? Claro que não, ela traz a minha renda e é normal, como todas as outras orientações sexuais.
– Mamãe é escritora de romance gay. – Alec explica.
– Que legal. – Aaron demonstra ficar mais tranquilo.
– Não é? Também acho. – ela diz em um tom que faz com que todos comecem a rir. A mãe de Alec tinha uma desenvoltura sem igual.
– Mãe... – Alec fala em baixo tom.
– O que foi? Quero conhecer seus amigos... e você, senhorita? – ela pergunta, se referindo a Amber.
– Eu sou uma garota. – Amber fala e todos gargalhamos.
A mãe de Alec era realmente simpática. Ela contava algumas piadas que todos riam, mas eu não conseguia entender a maioria. De certa forma, quando todos começavam a rir eu também ria pra tentar me enturmar. Marc não apareceu durante o resto da noite. Desde quando entramos na casa dele, não o vi mais.
O que importa é que com a mãe de Alec a noite pareceu render ainda mais. Ela falava de seus livros e de sua experiência. Ela era uma mulher que sabia como usar as palavras ao seu favor.
×°×
– Megan G. – falo, lendo o nome da autora de um dos livros que Estevam na biblioteca particular dela. – Minha irmã já leu alguns livros da senhora.
– Sim, ela disse.
Enquanto andávamos por lá, o celular de Aaron começou a tocar e todos olhamos. Estávamos olhando a biblioteca há alguns minutos, para vermos os livros que Megan tinha.
– Você tá com seu celular? – Amber pergunta, estranhando aquilo.
– Minha mãe me deu, pra caso ela precisasse me ligar. – Aaron explica tirando o celular do bolso em seguida.
– Quem é? – pergunto.
– É a Liz, mãe do Mitchell. – ele fala, atendendo o celular. – Olá, senhora... eu tô com alguns amigos, estamos esperando o Mitchell chegar. O que? – Aaron parece ficar perplexo, colocando a mão no rosto e me olhando em seguida. – Eu... eu tô indo pra lá agora então. Tchau. – Aaron desliga o celular, tremendo bastante.
– O que foi? – Alec pergunta. Nesse momento todos na sala, incluindo Megan, ficam tensos.
– O Mitchell... – Aaron fala, conturbado, e eu me aproximo, colocando a mão em seu ombro.
– O que aconteceu com o Mitchell, Aaron? – pergunto e ele me olha nos olhos.
– O Mitchell foi preso. – ele responde e todos nos entreolhamos.
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