Deixe-me Descobrir Quem Realmente É Essa Mulher

×Visão de Finn

– Hans foi fazer pós graduação. –James fala de forma séria. Eu estava do lado dele, estávamos na porta do prédio onde morava com Aaron, olhando para a rua.

– Onde? – pergunto, olhando pra ele. Era melhor que Hans nunca mais aparecesse ou se aproximasse de Aaron, pois ele estava irritado e com razão.

– Canadá.

– Ótimo, bem longe do Aaron. Você que tá pagando isso? – James solta uma gargalhada.

– O que? – ele começa a parar de rir. – Eu? Pagar faculdade pra um marmanjo de 23 anos que trouxe tanto estrago pro meu filho? Quem tá pagando é a Elaine e ela sabe que sou contra isso.

– Não pagaria pro Aaron? 

– O Aaron é meu filho. Ele não quebrou coisas de outras pessoas por motivo nenhum e o Aaron é um bom rapaz. Nem sei porque aceitei que o Hans fosse conosco. A Elaine queria tanto que esses dois fossem amigos que acabei cedendo. – James fala e eu volto a olhar para a rua, pensativo.

– Você vai me perdoar, mas não confio na sua namorada. 

– O que? – James pergunta, me olhando brevemente.

– É isso mesmo que você ouviu. Acredito que a Elaine tem mais a esconder do que o Hans. 

– Ela é uma boa mulher. – James fala e eu sinalizo um "não" com a cabeça, ele se vira e eu me viro também. Acabamos ficando frente a frente.

– Você não conhece a cabeça dela... – rebato e James olha pro chão, pensativo.

– Eu ia pedir ela em casamento, agora estou até assustado. – sorrio, colocando a mão em seu ombro.

– Faz o teste... – ele me encara com o olhar semicerrado.

– O que? – ele pergunta.

– Pede ela em casamento. Eu cuido do resto. 

– O que você vai fazer? – James pergunta.

– Pede ela em casamento, James. – ele concorda com a cabeça, mesmo não entendendo o que eu iria fazer.

Naquele dia, tive que comprar próteses novas. Estávamos de volta há algumas horas e Aaron estava irritadíssimo ainda pelo o que aconteceu, por isso tirei o dia para fazer nossas compras sozinho e deixei que ele tomasse um banho e relaxasse. Comprei notebooks novos, próteses, algumas roupas e tudo o que Hans tinha estragado. É, ele conseguiu nos trazer um prejuízo alto – tendo em mente que cada uma das minhas próteses eletrônicas chegavam a 50 mil dólares, dá pra pensar no custo delas somadas com todo o resto.

Já na hora de voltar pra casa, desviei o meu caminho, indo até o subúrbio, procurar Jamal.

– Olha quem tá aqui, o piloto mais famoso da cidade! – ele fala, saindo de casa. Eu sabia que Jamal iria atender ao meu favor pelo o que fiz pela irmã dele, pelo menos estava contando com isso.

– E aí, Jamal... como você está? – pergunto e nos cumprimentamos.

– Eu tô ótimo. E você? O que te traz aqui? 

– Preciso da sua ajuda com alguém... – ele confirma com a cabeça.

– Seja lá o que for, é só falar.  

Eu tinha um plano, mas não quer dizer que tudo iria sair como eu queria. Jamal já tinha trabalhado como segurança, por isso pedi para James que deixasse com que ele fosse o seu segurança particular e de Elaine, na esperança de conseguir um trabalho pra ele e conseguir um informante pra mim. Pedi que James não comentasse com Elaine que Jamal era meu amigo, pra evitar que ela mudasse de comportamento e ele felizmente me ouviu.

Eu confiava em Jamal o suficiente para deixar ele de olho nela, sem que ela soubesse. James o contratou para trabalhar com eles e a minha ordem era clara: me fala qualquer coisa que a Elaine fizer de suspeito. Jamal já tinha me dito que precisava de dinheiro um tempo atrás e como ele confirmou que me devia uma por conta da ajuda com sua irmã, tudo ficou ainda mais fácil pra mim.

Enquanto isso tudo rolava eu continuava levando a minha vida com o pequeno furacão chamado Aaron. No dia que chegamos, consegui mantê-lo calmo e no outro dia também, lhe dando todo o carinho que ele precisava para voltar ao seu estado mental normal, mas sabia que ele iria descontar ainda mais sua raiva no próximo jogo. Aaron ia ter jogo naquela semana, por isso acabei fazendo com que ele dormisse em cima de mim no dia anterior ao jogo, recebendo meus carinhos, como eu fazia quando ele estava tenso. Queria deixá-lo calmo, afinal seria o último jogo escolar dele.

De manhã, acordamos e eu dei uma olhada na mão de Aaron, que ainda não estava muito boa, mas também não estava péssima. Lisa, aquele dia, felizmente fez o café dele e com isso ficamos conversando.

– E o que ele teve? – ela pergunta, sobre Hans. Ela sabia que um dos motivos do surto do Aaron com Hans era a brincadeira sem graça que ele tinha feito com ela algum tempo atrás.

– Quebrou o nariz e outros ossos do rosto. – falo.

– Ele vai ficar bem? – Lisa pergunta. Ela era uma mulher boa o suficiente para se importar com Hans, mesmo ele tendo feito o que fez.

– Não importa muito. 

– Se eu ver esse garoto, mato. – Aaron fala, mas eu já sabia disso.

– Aaron... ele foi pro Canadá. Tava conversando com seu pai sobre... 

– Sério?

– É, mas chega desse assunto, o importante é o seu último jogo e o baile de formatura. 

– Nem sei se vou nisso... – Aaron fala. Eu já tinha percebido que ele não parecia animado para o baile.

– Por quê?

– Todo mundo sabe o que eu fiz com o Hans, eles me olham de forma diferente. – Aaron fala. 

No dia que Hans estava no hospital, ele publicou uma foto de seu rosto e do estrago que Aaron fez, mas tiveram mais comentários negativos para ele do que para Aaron. É claro que Aaron não viu dessa forma, ele mal leu alguns comentários e já deduziu que todos tinham ódio mortal por ele.

– Por causa daquela foto que ele postou e te marcou? – pergunto.

– É... – ele fala, tomando café.

– Amor, isso não importa. Ele fez aquilo pra chamar atenção, você sabe como pessoas como eles se comportam. – Aaron me olha, sorrindo em seguida.

– Eu sei, mas não diminui o fato de que eu fiquei mal falado. 

– Você é o capitão do time, treine, vença e leve o prêmio para o seu colégio. – digo, passando minha mão por suas costas e Aaron me olha, sorrindo em seguida.

Naquele dia, ele saiu de casa e foi treinar pesado para o jogo que seria a noite. Aaron vinha se dedicando ao extremo para poder conseguir jogar, ele tomava café da manhã reforçado, jantas muito bem feitas e academia sempre, desde que voltou a andar, para melhorar o condicionamento e o desenvolvimento de seu corpo. Fora que eu sabia que ele acreditava que uma vitória no jogo faria as pessoas esquecerem do pequeno desentendimento dele com o meio irmão.

No horário do jogo, Lisa e eu fomos para o campo assistir. Aaron parecia confiante e seus colegas felizes por tê-lo em ação novamente. Aquele seria o último jogo do último ano de escola e Aaron, depois dele, ia fazer uma entrevista no time Washington Redskins, por isso estava bem confiante e sabia que uma vitória lhe renderia ainda mais atenção do time da NFL.

O hino americano foi cantado, as líderes de torcida, após ele, começaram a animar o jogo e o mascote dos Panthers também. A festa inicial foi muito bem feita, com fogos e muita animação. Mesmo da arquibancada, podíamos ver o prêmio sobre uma mesa enorme, junto com medalhas e outras coisas. A mídia também marcava presença, já que era o primeiro jogo oficial escolar de Aaron depois de uma lesão e eles provavelmente queriam ver como estava seu desenvolvimento em campo.

O jogo no geral foi difícil, o time Fox, que era o time adversário de Aaron, conseguia segurar bem o placar, de uma forma que ficava difícil para o Panthers passar. Fora que, mais uma vez, a perseguição sobre Aaron foi marcante, o que fez ele levar quedas feias, mas também fez Tom querer revidar todas. Eu sabia que Aaron, por sua vez, estava descarregando sua raiva de Hans no campo, por isso às vezes conseguia ver que muitas jogadas foram revidadas de forma violenta de propósito. Tom, Alec e Aaron foram os três jogadores que mais mostraram presença no campo, o que fazia com que o nome dos três fossem repetidos a cada minuto.

– É uma noite complicada para o time Panthers! – um dos comentaristas que acompanhava o jogo fala.

– Sim, Elias, o time chega aos últimos minutos de jogo com uma diferença de 7 para o Fox. – o outro comentarista fala.

– Fox sabe muito bem da diferença de placar, mas é impressionante a concentração deles em campo, Julian. – Elias diz.

– Claro, eles sabem que os dois melhores jogadores em idade escolar dos Estados Unidos estão de frente pra eles nesse momento. – Julian responde.

– Lembrando que Aaron McDevitt se recuperou recentemente de uma lesão grave. 

– Da mesma forma, Tom também, que tinha quebrado o braço e tinha dado tempo dos campos. – Julian lembra. – O último jogo foi doloroso para os dois.

– Não deixa de ser impressionante ver ambos dando o sangue no campo, mesmo que os dois já tenham convites para jogar em times oficiais da NFL na próxima temporada. 

– Uma vitória no último ano do colegial vale muito. – Julian comenta.

– Muito mesmo... – Elias concorda.

– E mais uma jogada começa! Olha só as pernas de Tom enquanto corre com a bola. Toda a arquibancada fica de pé, a torcida do time Fox fica atenta... Tom não para, parece uma máquina, enquanto corre. Tentaram derrubá-lo, mas parece que não deu certo. Ele continua correndo, evita de passar a bola para alguém, o que é uma jogada perigosa, mas muito corajosa e típica do rapaz... e é um touchdown! – Julian fala e todos que torciam para os Panthers, incluindo eu, começam a gritar.

– Todos esperávamos que Aaron fizesse a jogada, mas foi Tom quem salvou parcialmente o jogo... – Elias comenta.

– O time Panthers pede uma conversão! – Julian atenta e todos da arquibancada voltam suas atenções para o jogo. Essa seria a última chance do time de Aaron conseguir dois pontos e passar do time Fox.

– Que decisão perigosa! Se der errado o time vai sair como uma das maiores decepções do campeonato estudantil de Denver... 

– Acredito que eles sabem disso, mas nos resta esperar. 

– E a última chance de conseguir vencer o jogo começa. Tom volta a correr, mas é cercado... – Elias começa a narrar o que acontecia em campo.

– Tom arremessa para Aaron... – Julian continua a narração. – A potência de corrida do McDevitt ainda me impressiona, nem parece um rapaz que está voltando a jogar agora.

– É ponto? – Elias pergunta, confuso, vendo que diversos jogadores do time Fox se jogam próximos de Aaron, que dá um mortal para frente e cai de forma correta, correndo pela end zone e finalizando a jogada.

– É Touchdown! Que bela conversão de dois pontos do Aaron! É vitoria para os Panthers! – Julian termina, falando totalmente empolgado e toda a torcida começa a gritar, eufórica. O time de Aaron o abraça, animados pelo o que ele tinha acabado de fazer.

Eu e toda a arquibancada começamos a gritar o grito de guerra do time, eufóricos pelo fim do jogo. Desci a arquibancada e assim que me aproximei da cerca, Aaron veio em minha direção, correndo feliz pelos últimos pontos que fez no jogo.

Ele me beijou e me abraçou em seguida. Logo atrás dele, veio todo o time, que começou um abraço coletivo, comemorando a vitória da temporada. A arquibancada inteira começou a bater os pés, causando um barulho incrível no campo inteiro. O jogo tinha sido marcado pelo sufoco constante, mas agora tudo parecia estar sob controle.

O treinador Bratt também se aproximou dos meninos correndo e abraçou Tom com força. Em meio as comemorações eu pude ver que Dylan estava na arquibancada do time adversário, batendo palmas devagar, como se não tivesse gostado dessa final. Quando percebeu que eu o olhava, ele se levantou e deu as costas, saindo dali.

O time de Aaron ganhou a taça de prêmio escolar e as medalhas de outro, já o time oposto ganhou as medalhas de prata pelo segundo lugar. Aaron parecia estar realizado e toda a tensão que ele sentia parecia ter desaparecido com aquela vitória.

– Que mortal foi aquele, Aaron! – Tom fala cumprimentando Aaron.

– Fez o segundo touchdown com classe... – o treinador dos rapazes fala.

– Tinha que deixa minha marca. – Aaron fala e me beija em seguida enquanto andávamos em direção ao vestiário, ao som da gritaria da torcida que continuava eufórica.

Eles tinham tirado as proteções, mas permaneciam com o uniforme do time, tiraram apenas as calças coladas, colocando shorts leves. Pareciam confortáveis com ele e como os garotos escolheram um bar eu tive que ir também, fazer companhia para Aaron. Foi a primeira vez que eu vi Aaron beber, mas entendi o motivo dele estar feliz pela vitória.

Eu estava sentado ao lado dele e Aaron mantinha a mão na minha coxa, apertando-a todas às vezes que ele queria beijo ou que ria com alguma piada.

– Meu irmão vai dar uma festa na casa dele em comemoração ao jogo, bora? – um dos caras do time que eu não conhecia pergunta e Aaron me olha.

– Eu preciso ir em casa, tomar um banho. – Aaron responde e o rapaz confirma com a cabeça.

– A gente também. – outros caras falam.

– Beleza, eu vou pra casa agora, umas 22h apareçam lá. – o garoto que chamou todos para a festa fala.

– Convidado pode convidar? – Tom pergunta. Ele estava todo esticado na cadeira.

– Convidado não, vencedor de jogo pode! – o rapaz fala e todos começam a rir, gritando um pouco mais.

– Então Finn e eu vamos indo. – Aaron fala, colocando o copo de cerveja vazio na mesa e ficando de pé. Eu o acompanho, ficando de pé também.

– Vai pra festa? – Tom pergunta, nos seguindo.

– Vou ver. Ah... Tom, como tá seu braço? – Aaron pergunta.

– Louco pra arrumar confusão. – Tom fala, dando um soco no ombro de Alec que o encara e Aaron sorri, fazendo sinal de desdém com a mão.

– Então eu vou indo... – ele volta a andar.

– Até mais, pessoal. – digo.

– Até mais... – o time me responde.

– Boa comemoração pra vocês. – Alec fala.

– Vai ser ótima, obrigado. – Aaron fala e Alec sorri.

Vamos de mãos dadas até o carro e quando entramos, ele me beija, me beija mordendo meu lábio inferior com força. Retribuo naquele momento, mas imaginava que ele precisava de um pouco de descanso, por causa do esforço físico que empregou naquele último jogo – acontece que aparentemente estava errado sobre isso. 

– O que houve? – pergunto, quando ele me solta.

– Tá com saudade de transar no carro? – Aaron questiona de volta e eu sorrio, ligando o carro em seguida.

Saímos e enquanto dirigia, Aaron começou a passar a mão pela minha coxa, apertando ela devagar, até perceber que eu tinha começado a me movimentar, retribuindo seus carinhos. Ele abriu os botões da minha bermuda e o zíper, puxando para baixo, para que conseguisse começar a acariciar meu membro devagar por cima da cueca.

Eu me remexia inquieto no banco enquanto ele fazia isso, sentia vontade que ele o colocasse na boca logo, mas aquela massagem estava tão boa que preferi aproveitá-la, ao invés de apressar alguma coisa. Quando parei no semáforo, Aaron finalmente se inclinou e começou a me chupar, me deixando cada vez mais excitado.

Eu me lembrava da última vez que ganhei um oral do Aaron no carro e esse foi tão prazeroso quanto o último. Quando o semáforo abriu eu acelerei devagar, para não desequilibrar ele e não atrapalhar o que ele estava fazendo, enquanto por alguns momentos ele chegava a me olhar, percebendo minha vontade de revirar os olhos – o que não acontecia, porque precisava me manter parcialmente concentrado na direção.

Eu acabei por ir para uma área afastada da cidade, parando o carro em um lugar totalmente deserto, para evitar que qualquer pessoa nos visse. Puxei meu banco para trás e Aaron pulou para o meio das minhas pernas, ficando de joelhos no carro e continuando seu oral em mim, até que eu o puxasse pelo queixo e fizesse ele me beijar.

Antes que ele se levantasse, Aaron já aproveitou aquele beijo para tirar seu short e cueca. Dessa forma, quando veio para se sentar no meu colo, ele já encaixou meu membro dentro de si, olhando para o teto do carro por alguns segundos e soltando um gemido longo. Aaron me abraçava, enquanto permanecia de blusa e depois de alguns segundos começou a cavalgar bastante.

 Eu, às vezes, contrariando o sentido da penetração, fazia com que Aaron sentisse o meu membro inteiro dentro de si e com vontade, o que fazia com que ele gemesse ainda mais alto. Prendi suas mãos para trás e as segurei com uma minha. Com a outra, o segurei pela cintura e comecei a dar estocadas mais fortes, que fizeram Aaron gemer bastante. 

Todas as vezes que ele olhava para o teto do carro, eu puxava seu corpo pra mim, colando com o meu, beijando seu pescoço e fazendo-o gemer mais. Adorava  ver Aaron chamar meu nome enquanto gemia, fazia com que eu me excitasse ainda mais.

×°×

– Eu só vou se você quiser ir. – Aaron fala. Ele só estava com o short do time e blusa, eu estava de cueca, bermuda e blusa, mas os botões e o zíper da minha bermuda ainda estavam abertos, por conta da transa de minutos atrás.

– Você merece se divertir. – falo, enquanto dirijo. – Só não sabia que tinha votado a beber.

– Não voltei, mas precisava comemorar um pouco aquela vitória. – Aaron explica e eu entendo seus motivos.

– Você sabe que poderia ter fraturado o pé novamente com aquele mortal para frente, né? – pergunto e ele se senta de lado no banco, acariciando meu rosto, enquanto me assiste dirigir.

– Eu sei, mas ia até ser legal ter meu médico particular de volta. – o encaro.

– Mas eu sou seu marido. – falo e ele sorri, ficando sério em seguida.

– É forma de dizer... espera, marido?

– O que? – pergunto de volta.

– Você disse que era meu marido... – sorrio.

– Estamos próximos disso acontecer, não é mentira. – digo, dando a seta para entrar no estacionamento do nosso prédio.

– Eu amo tanto você... – Aaron fala, em baixo tom.

– Eu também amo você, Aaron, amo como nunca amei ninguém antes. – ele sorri, passando a mão na minha perna.

Quando chegamos em casa, fomos tomar um banho demorado. É, eu consegui obter uma vida comum depois do acidente, o que, quando aconteceu parecia ser impossível de recuperar. Acontece que estar, agora, esfregando as costas do homem que amo parece mais ser uma cena de filme que qualquer outra coisa. 

Sei que quando aquilo tudo aconteceu, pensei que tudo tinha acabado e é normal olharmos para uma grande mudança já pensando que será o fim de tudo. Mas com Aaron tudo parecia possível, inclusive conseguir minha vida de volta. Ele não tratava essa nova fase com muito drama ou choro, era como se precisássemos nos adaptar – e depois que aconteceu, nossas vidas voltaram a correr normalmente. 

Embora muitas vezes eu tenha escutado que iria ser um fardo inútil e que agora não tinha mais nenhuma utilidade, cada dia ao seu lado me provava o contrário. As pessoas são mesquinhas e ruins, logo tentam fazer com que pessoas que não são como elas se igualem as suas convicções apodrecidas pelo ódio... mas é aí que está: quando você não escuta palavras pobres de pessoas que não têm nada além de rancor, percebe que sua verdadeira capacidade está em si, não nas expectativas ou achismos de terceiros. 

Todos os dias, quando acordava e percebia que de fato tinha perdido minhas pernas, ao invés de acreditar nas palavras alheias de pessoas que definitivamente não queriam meu bem, eu me esforçava para fazer com que eles calassem a boca. Afinal, se alguém não tem nada de bom para dizer, por qual motivo eu daria valor? Gente ruim não merece atenção, merece ser esmagado e esquecido em sua própria amargura.

 A única coisa que eu preciso dizer sobre esse novo período da minha vida, é que eu caia às vezes com as próteses, era engraçado, mas acho que quem via isso de longe ficava com pena da situação. Aliás, se tem uma coisa que eu preciso dizer é... guarde seu olhar de pena sobre as pessoas, ninguém precisa dele.

Aaron e eu tomamos banho juntos e brincamos bastante antes de sairmos do banheiro – incluindo, nessas brincadeiras, muitos beijos e mais uma rapidinha. Ele estava animado e eu não era o tipo de pessoa que perdia vontade das coisas muito rápido, acredito que esse era um dos motivos principais de sermos tão complementares – todas as vezes que ele queria dar, eu queria comer.

Depois do banho nos arrumamos e saímos. Ele queria comemorar e eu queria vê-lo feliz. Uma coisa curiosa é que ele, mesmo estando cercado com o pessoal do seu time, não me deixou de lado. Acho que temos essa âncora de não deixar o outro sozinho em momento algum e tentar fazer com que o outro se enturme, afinal um queria ver o outro participar da sua própria felicidade.

Aaron dançou comigo, me beijou e cantou no karaokê com os amigos, o que era engraçado de ver, já que mesmo não cantando, geralmente ele cantava bem. No final da noite, fomos para casa. Ele estava em situações péssimas relacionadas ao álcool, por isso eu passei em uma farmácia e comprei remédios para a ressaca que viria no dia seguinte.

Ajudei Aaron quando chegamos em casa, o coloquei na cama e tirei sua roupa, deixando-o confortável para dormir. Antes de dormir eu ainda li algumas revistas de mecânica e olhei nossas redes sociais. O Twitter ainda mantinha o jogo como uma das tags mais comentadas do momento, junto com gifs do mortal perfeito que Aaron deu para o último touchdown, por isso fui ver o que estavam falando.

"O Aaron, mais uma vez, mostrou o motivo pelo qual é o capitão dessa porra toda, olha esse mortal!" – Kahn pelo Twitter.

"E aquele beijão no Finn depois do jogo? Até eu fiquei com vontade." – Lipe pelo Twitter

"No jogo o meu foco foi pro para as pernas do Tom..." – Fun pelo Twitter.

Entre outros comentários que me fizeram rir. Aaron e eu tínhamos postado uma foto juntos depois do jogo, onde ele estava ao meu lado, ainda com o uniforme e proteções. A foto já tinha chegado as suas 3 milhões de curtidas e diversos comentários, mas nesse caso a preguiça foi maior e eu logo fui dormir, antes de ver a repercussão dela.

No dia seguinte, quando acordei, percebi que ele ainda dormia, descoberto. Cobri ele com cuidado e depois de fazer minha higiene pessoal, fui para a cozinha, fazer café da manhã com Lisa.

– Que jogo... – ela comenta, depois de fazermos o café da manhã.

– Sim, você viu o mortal que ele deu? – pergunto, me sentando com minha xícara de café e abrindo o notebook.

– Ele não tinha escolha, se não pulasse o cara ia jogar ele longe.

– É verdade... – digo. – E o Wes, chega quando?

– Amanhã. Tava arrumando meu apartamento pra chegada dele. – Lisa fala.

– Ele vai morar com você? 

– Vai, pelo menos até resolver sua vida financeira aqui. – explica.

– Olha... tô vendo que a próxima festa vai ser lá. – ela sorri.

– Festa não, mas se quiser chamar alguns amigos para ir pra lá pode chamar, afinal ele tá meio triste. – Lisa fala e eu encaro ela por alguns segundos.

– Por quê?

– Ele e a namorada terminaram. Ele me disse que não tá triste, mas sei que está. Acho que isso vai fazer bem a ele, porque meu filho precisava sair da zona de conforto que estava, mas mesmo assim fico angustiada. – confirmo com a cabeça. Eu não sabia exatamente se Wes tinha terminando com a namorada por causa do Alec, mas ia avisá-lo disso.

Quando Aaron saiu do quarto, estava com uma cara péssima, apenas de cueca e com o cabelo todo bagunçado.

– Bom dia, meu amor. – falo e ele me encara, com uma cara emburrada e com os olhos inchados.

– Minha cabeça tá estourando, fala baixo amor, por favor. – pede e eu apenas aponto para o balcão, onde estavam alguns remédios para ele. Aaron olha para os remédios e sorri. – Eu te amo. – diz, tomando alguns. – Bom dia, Lisa.

– Bom dia. – Lisa sussurra e Aaron começa a rir, vindo em minha direção e se encaixando no meu colo, enquanto começa a comer.

– A Susan te mandou email. – sussurro em seu ouvido.

– Quem é Susan? – Aaron pergunta e eu nem consigo acreditar na memória fraca que Aaron tinha.

– Coordenadora do Washington Redskins.

– Só vou tomar um banho e já venho responder ela... – sorrio, vendo-o comer. Ele estava com uma aparência péssima, o que era de se esperar pela noite que ele teve. 

Aaron ficou ali recebendo as cheiradinhas que eu dava em seu pescoço até terminar de comer. Depois que ele saiu para ir tomar seu banho, continuei mexendo no meu notebook, até chegar uma mensagem de Jamal no meu celular.

=Aí Finn, achei uma coisa séria que eu acho que você vai querer ver. – Jamal Racha.

=Já vou. – Finn Longford.

– Não vai terminar seu café? – Lisa pergunta, vendo eu me levantar.

– Não, eu tenho que fazer uma coisa... – digo a ela. – Amor, vou sair! – sinalizo em alto tom para Aaron.

– Toma cuidado! – Aaron responde e eu aceno uma última vez com a cabeça para Lisa, pegando minhas chaves e saindo de casa em seguida.

Jamal nunca me mandava mensagem, se ele estava me falando que precisava conversar era algo sério e eu precisava dar atenção para aquilo. Só estava torcendo para não ser algo muito grave, ou pior, relacionado de forma negativa a Aaron.

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