A Mídia E A Falta De Privacidade
×Visão de Aaron
– E então eu... – enquanto fazia meu discurso, vi que alguns policiais tinham aparecido e estavam correndo para separar uma briga que estava ocorrendo bem no fim do evento. – Eu passo a vez para a minha mãe. – digo, sorrindo e assim que ela começa a falar, dou a volta no palco e passo de forma disfarçada pelas pessoas, indo até a briga que estava acontecendo.
– Pode bater nos dois. – um dos policiais fala.
– Não, deixa o que está batendo comigo. – falo e ele me olha, confirmando com a cabeça ao ver que sou eu quem falou.
Depois de separar a briga, faço Finn vir andando comigo até seu carro e pego sua chave, me preparando para sair.
– Senhor... – um dos policiais me chama.
– Sim?
– O outro jovem foi preso por tráfico de drogas. Eu preciso ver se esse tem alguma coisa. – o policial fala. Eu confiava em Finn e como ele já tinha me dito que estava limpo, apostei todas as minhas fichas em sua palavra.
– Pode revistá-lo. – autorizo ele puxa Finn, que fica de pé. Eu fico também e me apoio no carro, esperando que a revista termine.
– Ele tá limpo. – o policial confirma, depois de revistá-lo e ele e eu entramos no carro em seguida.
Finn estava com sua blusa, calça e sobretudo sujos por ter batido no rapaz no chão. Ele não disse nenhuma palavra, enquanto estávamos em seu carro e quando chegamos na minha casa o levei até meu quarto e tirei suas roupas, o deixando apenas de cueca.
– Senhor e aquele... nossa... – Lisa fala, aparecendo no meu quarto.
– Acho que ele fica assim, quando passa por uma raiva muito grande. – falo, vendo que Finn ainda estava sem reação.
– E aquele carro? Tá sujo por dentro.
– Pede pro pessoal limpar, mas não tirem nada que encontrarem lá dentro. – ela concorda com a cabeça. – Vem, Finn... você precisa dormir. – coloco-o na minha cama.
Por sorte o corpo dele estava limpo, já que não tinha sujado de lama ou algo do tipo. Pedi para que Lisa colocasse as roupas dele pra lavar e depois de alguns minutos ele caiu em um sono profundo. Fui dormir no quarto de visitas, já que estava vazio e de manhã, após escovar os dentes, fui até a cozinha, aproveitar que Lisa já tinha feito o café da manhã.
– Arruma uma bandeja, por favor. – peço.
– Pro seu amigo? – Lisa pergunta.
– É. As roupas dele já estão secas? – ela confirma com a cabeça.
– Sim, lavadas e passadas.
– Ótimo. – digo, comendo alguns pães que estavam sobre a mesa.
– Hoje seu pai volta pra casa, mas vai embora amanhã. – ela comenta, enquanto arruma o café de Finn.
– O que deu nele de aparecer dia de sábado em casa? – pergunto, enquanto como.
– Bom... – Lisa vai falar algo, mas é interrompida.
– Bom dia, filho. – minha mãe fala aparecendo na cozinha. – Foi embora ontem e nem se despediu, Mitchell ficou te procurando.
– É, eu tive que ajudar um amigo. – falo e minha mãe encara Lisa.
– O bonitão na sua cama? – minha mãe pergunta.
– Achou ele bonito, mamãe? – rebato, com o tom mais irônico que consigo.
– Bastante. Aconteceu algo entre vocês? – minha mãe pergunta, forçando amizade. Eu odiava quando ela fazia isso.
– Não, ele é meu amigo. Teve problemas na festa ontem e eu tive que ajudar. Enfim, bom sábado à vocês. – concluo, terminando de comer e pegando a bandeja com o café de Finn.
– Temos um jantar, quando seu pai chegar. – minha mãe alerta.
– O que? Você não me disse nada antes, por quê? Já tenho planos pra essa noite. – minto. Eu não tinha nada pra fazer ainda, mas não queria ficar com eles.
– Tyler...
– Meu nome é Aaron! – rebato em alto tom e deixo a minha mãe assustada. – Me chama pelo meu nome. – dou as costas e vou até meu quarto.
Chegando nele, me sento na minha cadeira da mesinha. Finn ainda dormia e vê-lo daquela forma fez subir uma sensação louca na minha mente. Eu começava a me imaginar deitado com ele, sentindo aqueles braços ao redor do meu corpo e sua respiração na minha nuca. Enquanto isso, na minha mesa estavam as roupas dele e a bandeja para seu café da manhã.
Enquanto o assistia dormir, eu fiquei refletindo no que ele me disse sobre o autismo. Eu nunca tinha tido contato com alguém assim antes, mas naquele momento eu me sentia ainda pior por ter deixado a minha falta de informação sobre o assunto tomar conta de mim e me transformar em um perfeito ignorante.
Quando Finn acordou, me olhou com os olhos quase que completamente fechados, por causa da claridade no quarto. Ele parecia confuso de estar apenas de cueca na minha cama e quando foi se sentar nela, eu pude observar ainda mais aquele corpo incrível que fazia minha mente viajar.
– Eu tô... – ele começa a falar com uma voz confusa.
– Na minha casa. É.
– Esse é...
– Meu quarto. Bem-vindo. – completo e sorrio em seguida.
– Por que eu tô aqui?
– Te ajudei, você arrumou uma briga ontem.
– Sim, me lembro...
– Não lembra de mais nada depois disso?
– Aconteceu algo? – ele pergunta olhando ao redor. Eu estava com shorts de dormir e ele apenas de cueca, é compreensível o motivo pelo qual ele estava confuso.
– Eu te trouxe pra cá e te ajudei...
– Não lembro, mas conforme o tempo for passando esses detalhes voltam.
– É coisa do autismo? – pergunto. Eu queria saber o que acontecia com Finn pra poder cuidar dele.
– Não, é coisa de surto. Quando eu fico com muita raiva, a minha memória entra em colapso.
– Bom, aqui está seu café da manhã. – falo, levando a bandeja até a cama e colocando-a sobre ela. Quando vou me levantar e voltar para a minha cadeira Finn segura meu braço.
– Fica aqui. – ele pede e eu relaxo no meu lugar, desistindo de sair. É claro que eu iria fazer qualquer coisa que ele me pedisse, afinal ele tem mais controle sobre mim do que pensa. Finn, assim que percebe que eu ia ficar, logo começa a comer.
– Você tá sem roupa, porque a sua sujou por você ter brigado no chão. Ela já tá lavada e passada, sobre a minha mesa. – ele se observa rapidamente.
– Você quer que eu me vista? – ele pergunta, mas não me olha.
– Você quer uma resposta sincera?
– Bom, eu sempre fui sincero com você.
– Então não, não se veste não. – ele sorri, enquanto come, mas ainda sim não me olha. – Eu queria te falar algumas coisas...
– Então fala, eu tô aqui agora. – Finn fala e aquela sinceridade me deixa envergonhado mais uma vez.
– Eu errei com você, errei feio. Todo o momento, desde que eu disse pra você não vir atrás de mim eu torci para que viesse. – ele mastiga devagar, enquanto eu falo, mas ainda sim não me olha.
– Eu não ia.
– Eu sei.
– Eu tenho uma condição, eu conheço ela, mas a minha mente não me permite pensar diferente e você precisa entender isso. Não importa se você fala algo com outro sentido ou uma frase esperando o contrário, eu nunca vou saber decifrar isso. – ele me explica e eu fico feliz de estar tendo essa conversa com ele.
– O que importa é que eu quero desfazer uma série de frases que eu te falei quando não sabia disso.
– É? E quais são? – ele pergunta e finalmente me olha. Aquele olhar penetrante me deixa excitado, minha respiração fica ofegante e meu corpo começa a ir em direção a Finn, mas quando vou beijá-lo ele desvia. – Você me pediu pra nunca fazer isso.
– Essa é a primeira das frases que eu preciso que você esqueça. – ele me olha novamente, finalmente depois de alguns segundos assim ele me deixa beijá-lo.
Eu logo pego a bandeja que já estava vazia e coloco de lado, abrindo espaço pra mim. Finn conseguiu me puxar e fazer com que eu sentasse sobre seu colo. Nosso beijo continuou e dessa vez seu beijo era mais agressivo, mais penetrante.
Quando paramos de nos beijar eu coloquei minha mão em seu peito e a subi, passando pelo seu pescoço e seu maxilar com aquela barba que crescia. Finn estava ofegante e não me olhava nos olhos, ele mantinha seu olhar no meu peito.
– Você é bem indeciso. – ele conclui e eu sorrio, essas doses de sinceridade dele me deixavam envergonhado, mas era uma das coisas que mais me deixava apaixonado por ele a cada minuto que se passava.
– A gente se conhece faz quase uma semana.
– E você já me mandou embora e já pediu que eu voltasse.
– Eu não quero que você vá. – digo devagar.
– Mas dessa vez é sério? Ou na próxima conversa que tivermos, você vai me mandar de novo? – Finn pergunta, me dando um choque de realidade.
– Eu agora quero você comigo, tudo bem?
– Então... – ele começa, mas antes que continue, eu o interrompo.
– Agora no presente, não agora desse momento. Eu só quero viver o presente com você. – explico. Com o conhecimento que eu agora tinha sobre ele, entendia que não podia dar espaço para interpretações errôneas do que eu dizia. – Agora você precisa se vestir. – me preparo para sair de seu colo, mas Finn me segura.
– Me beija mais. – ele pede. Aquela voz mansa me pedindo um beijo me fez aceitar e sentir sua boca mais uma vez.
Depois do nosso beijo, me levantei e ele começou a se vestir. Enquanto ele se vestia eu fiquei o observando, sentado na cama. Finn era muito bonito e isso era inegável. Ele tinha aquela essência que algumas pessoas tem que nos faz querer observar e admirar.
– Pronto? – pergunto e ele se vira, abrindo os braços em seguida.
– Pronto.
Eu me troco também e logo saímos. Quando chegamos na sala minha mãe lia, sentada no sofá.
– Não esquece do jantar. – minha mãe reforça.
– Tudo bem, mãe.
– E você, quem é? – ela pergunta, se levantando.
– Eu sou o Finn. – Finn fala, indo até a minha mãe e estendendo a mão para um aperto de mãos.
– É um prazer, Finn... vi que dormiu aqui... – minha mãe começa.
– Mãe...
– É, o Aaron me ajudou com um problema que eu tive ontem.
– Bom, você é bem-vindo pra vir quando quiser. – minha mãe afirma e eu encaro ela. Não queria ela perto do Finn.
– Obrigado.
– Vamos. – o chamo, puxando Finn. – Lisa, a bandeja ficou no meu quarto.
– Tudo bem, já mando alguém buscar. – confirmo com a cabeça e saímos de lá em seguida.
– Você pode me levar no Eddie? – pergunto a Finn, enquanto saímos da casa e andamos pela garagem.
– Pra quê? – ele pergunta.
– O Mitchell deve estar lá.
– Levo sim, mas preciso passar em casa. Essa roupa é pra frio e tenho que escovar os dentes. – ele fala e eu confirmo.
– Tudo bem. – entramos no carro dele em seguida.
– O meu carro foi limpo? – ele pergunta olhando para o carro.
– É, pedi pro pessoal lavar.
– Obrigado. –ele agradece e sorri. Aquele sorriso me deixa perdido todas às vezes que aparece.
Logo o portão se abre e saímos da minha casa, indo em direção à casa de Finn. Quando chegamos lá, Emma não estava. Finn pareceu estranhar, mas não disse nada.
– Você é bem organizado. – falo, quando entro em seu quarto.
– É, a maioria dos autistas ou é bem organizado, ou bem desorganizado aos olhos de quem está fora. – ele comenta, escolhendo uma roupa.
– Não tem meio termo pra vocês?
– Meio termo? –
– Nada radical demais. – tento explicar, mas ele ainda parece confuso. – Nada que não seja sim ou não, como se fosse um mais ou menos. – tento de novo, mas ele parece refletir. Aqueles olhos me olhavam confusos, mas ele pareceu pescar o que quis dizer depois de alguns segundos.
– Não. Quer dizer, podem ter pessoas que conhecem esse tal meio termo aí, mas pra maioria de nós, é melhor levar tudo no que escuta. – Finn explica e sai do quarto, provavelmente indo escovar os dentes.
Eu olhava ao redor por algum tempo, olhando algumas fotos e tudo mais. Quando me virei depois de alguns minutos, Finn já tinha voltado e tinha uma rosa na mão. Ele me olhou e sorriu, estendendo a mão com a rosa nela. Era uma bela rosa vermelha e eu tive que sorrir quando a tive na minha mão.
– Obrigado por isso. – ele se aproxima. Com isso, eu abraço Finn e deixo minha cabeça repousar em seu ombro.
Quando nos soltamos, ele me olhou nos olhos e colocou uma de suas mãos atrás da minha cabeça, levando meu rosto até o seu. Durante o nosso beijo, ele ainda desceu os beijos pelo meu pescoço e os pelos de sua barba passaram por ele, me trazendo arrepios.
– Você me excita. – Finn sussurra quando volta os beijos próximos do meu ouvido e me faz sorrir envergonhado. – Você me excita demais.
– Você também. – digo e nos beijamos por mais alguns minutos.
Quando paramos, ele pega sua chave que estava sobre a cama e sacode, me lembrando de que precisávamos sair.
Eu só conseguia observar Finn, enquanto ele dirigia. As veias aparentes das mãos no volante, o olhar atento na estrada e o cabelo bagunçado, me deixavam ainda mais hipnotizado. Ele estava com uma blusa regata que mostrava o início de sua tatuagem e com uma bermuda rasgada. Finn dirigia descalço pelo calor daquele dia e seus olhos estavam claros, invadidos pela claridade do dia.
Quando chegamos em Eddie, descemos simultaneamente, mas Finn ainda demorou um pouco mais para me acompanhar, pois teve que pegar o chinelo e calça-lo. Quando entramos no pequeno prédio, bati para chamar Eddie e ele logo apareceu.
– Caralho, irmão... onde você foi parar? – Eddie pergunta e eu estranho, até reparar que ele falava para Finn, que estava atrás de mim.
– Quem é, Ed? – Oliver fala, aparecendo atrás de Eddie.
– O que você... – começo a falar, estranhando a presença de Oliver ali.
– Vim trazer o Mitchell. – Oliver fala e eu passo por Eddie, entrando naquele apartamento imundo.
– Quem é vivo sempre aparece. – Mitchell fala, ele tinha um cigarro atrás da orelha e outro aceso na mão.
– Larga de ser idiota, seu imbecil. – falo e ele sorri.
– Que saudade de você, sumiu ontem por quê? – Mitchell pergunta e olha para a porta, vendo Finn. – Ah, entendi.
– Entendeu o que? – Oliver pergunta, sem entender.
– Nada, só esse imbecil aí fazendo novos melhores amigos. – Mitchell fala, me livrando de qualquer interpretação vinda de Oliver.
– Eu tive que ajudar o Finn, ele brigou ontem. – explico para Mitchell. O apartamento estava cheio de fumaça e eu me perguntava mentalmente quanto de maconha eles fumaram pra conseguir deixá-lo assim.
– É, ele fez o Alex ser preso. – Eddie fala e Finn o encara.
– Eu não fiz nada. Se vocês não fossem tão medrosos e tivessem nos separado, a polícia não teria feito isso por vocês. – Finn fala, o tom dele começa a ficar ríspido e toda a paz que ele parecia sentir, enquanto estávamos juntos, pareceu desaparecer.
– Você nem deveria ter brigado com ele. – Eddie fala e Finn solta um sorriso irônico.
Finn tinha comportamentos irônicos involuntários às vezes, mas eu tinha certeza que eles eram provocados por espasmos. Ele sequer devia perceber que sorria quando estava chegando ao ápice do incômodo.
– É, mas ele que quis me deixar irritado. – Finn rebate.
– E o que vamos fazer pra tirar ele de lá? – Eddie pergunta e Finn o encara, aparentemente sem entender o questionamento.
– Eu não vou fazer nada. Não sou os pais do Alex pra ter que livrar ele de alguma coisa, principalmente por ele ter feito as próprias escolhas.
– Do que você tá falando?
– Eu tô falando que ele trafica, porque quer e isso não é problema meu. – Finn encerra. A sinceridade dele cresce ainda mais em discussões.
– Nada é problema seu, né Finn?
– Nada que não diga respeito a mim ou a Emma. – eu entendia o que ele queria dizer, afinal Emma foi a pessoa que mais lutou por ele em sua vida.
– Você é um egoísta. – Eddie fala, após soltar toda a fumaça que estava em seu pulmão na cara de Finn, que fecha os olhos.
– Não, eu sou realista. – Finn fala em alto tom quando Eddie dá as costas para ele, enquanto eu e os outros meninos apenas assistimos. – Você ou o Alex não fizeram nada pra me ajudar quando eu injetava 7 doses de heroína por dia e fumava 5 carteiras de cigarro enquanto intercalava essas doses. – Eddie se vira para ele. Eles ficam frente a frente e Finn não para de falar. – Você não fez nada quando eu assumi toda aquela droga por você. – ele expulsa as palavras apontando para Eddie. – Você nunca fez nada memorável por mim, e muito menos o Alex. A única coisa que você fez foi me viciar nesse cigarro adulterado e me chamar de melhor amigo, depois que eu livrei a sua barra.
– Tá! Tudo bem! – Eddie grita, interrompendo qualquer coisa que Finn fosse dizer depois.
– Eu já falei que eu tô com vocês, mas hoje eu conheço meus limites. – ele encerra oficialmente a discussão, se preparando para sair. – Você vai ficar ai? – me pergunta.
– Ei, irmão... Aonde você vai? – Eddie pergunta colocando a mão no ombro de Finn que tira em seguida.
– Você vai ficar, ou não? – ele me pergunta mais uma vez.
– Não. – digo, me levantando.
– Aaron... – Mitchell me chama.
– Desculpa, esse cheiro me incomoda. – falo, indo em direção á Finn.
– Ótimo, depois o Oliver me leva em casa, então. – Mitchell fala e eu concordo com a cabeça. Eu sabia que o tom de Mitchell era um tom de pedido para que eu ficasse, mas eu não ia deixar Finn sozinho como estava por causa de Mitchell e sua preciosa maconha.
Quando saímos dali, Finn foi direto até seu carro e eu o acompanhei. Entramos ali e logo saímos. Ainda eram 9h e ele dirigia para a saída de Denver.
– Aonde vamos?
– Pra um lugar que eu gosto bastante, preciso melhorar essa cabeça.
Eu sabia que Finn gostava dessa coisa de viajar para fazer algo simples em outra cidade e voltar apenas pela sensação de dirigir em rodovia e era legal estar ali com ele. Aproveitei para tirar meu tênis e apoiei uma das minhas pernas no banco. Nesse momento, ele foi quem colocou a mão na minha coxa e deu um leve aperto. Eu coloquei minha mão sobre a dele e apertei também, mostrando que estava com ele. Minha rosa estava apoiada entre o vidro do para-brisa e o painel, já que não queria que ela estragasse.
Finn só parou de dirigir, quando chegamos em um parque em Boulder. Eu já tinha ido até aquele lugar, mas nada que eu me lembrasse demais. Logo descemos do carro e começamos a fazer a trilha como a maioria das pessoas ali. Por ser um dia de sábado, o parque não estava totalmente vazio, mas também não estava cheio.
Para todos os efeitos, quando chegamos em uma das cachoeiras, Finn começou a tirar sua roupa e eu fiquei observando aquilo.
– O que foi? Não vai banhar? – ele me pergunta, tirando sua blusa na beira de um penhasco baixo.
Que imagem linda e que iria ficar na minha mente para sempre era aquela dele segurando a blusa após tirá-la. Ela estava em seus braços, como se não tivesse sido tirada completamente. Por causa desse movimento de passar a blusa pela cabeça, o cabelo de Finn estava bagunçado e ele me olhava com aquele olhar que misturava desejo e inocência.
– Tem gente demais aqui, eles podem me reconhecer.
– Você que sabe. – Finn fala e se vira de costas pra mim, jogando a blusa de lado e tirando sua bermuda. Aquela cueca realçava ainda mais o tamanho de sua bunda e eu acabei olhando mais do que deveria.
Finn, então, pulou na água e eu fui olhá-lo. Quando ele voltou a superfície ele sacudiu a cabeça e olhou pra cima, onde eu estava, sorrindo em seguida. Não preciso dizer que eu não aguentei, tive que tirar minha roupa e pular até ele também.
Quando caí na água, aquela água gelada me fez arrepiar, mas bastou sentir os braços de Finn me puxando para uma parte onde tinham rochas e me beijando em seguida, que senti meu corpo inteiro ascender, como uma chama.
– Você é incrível. – falo, depois do beijo e Finn sorri.
Depois de alguns minutos, voltamos para o meio do rio e começamos a brincar. Finn era divertido e eu me sentia bem com ele como não me sentia há anos com alguém, mas isso tudo acabou, quando o som do primeiro flash disparou.
Finn e eu vimos os paparazzi ali e corremos até nossas roupas, para nos vestirmos novamente. Corremos desses homens com pressa, tentando desviar as atenções, até voltarmos ao carro. Quando chegamos no carro, começamos a rir do que tinha acontecido, logo Finn começou a dirigir apenas de cueca molhada e eu coloquei minha roupa por cima da minha. Foi impossível não observar o volume em sua cueca enquanto ele dirigia. Estava tudo muito bem demarcado e eu segurava suas roupas, por isso quando meus sentidos se afloraram eu pressionei minha mão contra meu membro, tentando disfarçar minha ereção.
Depois de alguns minutos, meu celular começou a tocar. Eu nem ia atender, mas como minha mãe nunca me liga, achei necessário.
– Fala, mãe... – falo, atendendo. Finn se mantinha concentrado na estrada, mas ainda assim me olhou algumas vezes.
– Quero você aqui em casa, agora. – ela diz e desliga a ligação.
– O que aconteceu? – Finn me pergunta, vendo minha cara de preocupação.
– Tenho que ir pra casa. – digo e ele concorda, afundando ainda mais o pé no acelerador.
×°×
– Me explica o que é isso. – minha mãe fala, jogando o Ipad pra mim assim que entro em casa. Por sorte eu consigo segurar ele sem deixar que ele ou a rosa que ganhei de Finn caísse no chão.
Nele uma matéria intitulada: "O filho do governador arrumou um novo romance?". Na matéria, diversas fotos estavam ali, entre elas, fotos minhas tirando Finn de cima de Alex na festa de aniversário da cidade, fotos minhas no carro de Finn com ele e fotos recentes minhas com ele na cachoeira de mais cedo.
Na matéria, o texto: Aaron Tyler de 18 anos foi flagrado na noite de ontem com um rapaz misterioso, cujo nunca tinha sido visto antes. O rapaz aparenta ter entre 18 e 20 anos e se mostra um homem bastante atraente, porém brigão.
Nas imagens podemos ver que ele teria brigado com outro rapaz no aniversário da cidade, na noite anterior e que Aaron precisou o tirar da confusão, mas hoje estavam juntos em um parque de Boulder, como se curtissem um passeio de namorados.
A pergunta que não quer calar é: O filho do governador James McDevitt é homossexual?
– Mãe... – eu tento falar, enquanto coloco o tablet na mesa.
– Não fala nada. Seu pai vai chegar em algumas horas e você sabe o que uma matéria como essa vai fazer com a mente dele? Você conhece o pai que tem, Tyler. – minha mãe fala.
– Eu já te falei pra não me chamar assim.
– Tudo bem, você venceu. Eu não te chamo mais pelo seu nome, mas você também está proibido de ver esse rapaz.
– O que? Você disse pra ele hoje que ele era bem-vindo.
– Ele não é o problema, o problema são as manchetes sobre você. – minha mãe fala em alto tom, colocando o dedo indicador sobre a mesa e batendo nela diversas vezes.
– Mãe, não faz isso... ele é muito... – tento falar, mas minha mãe me interrompe.
– Apaixonante? Eu não ligo. Você não vai ver ele mais e fim de conversa, pelo menos até tudo isso esfriar. Eu não quero os holofotes do estado em cima de nós. E se for almoçar, fala logo, a Lisa tem que recolher tudo da mesa. – minha mãe conclui e eu fico olhando ela por alguns segundos, incrédulo.
– Você se esforça pra que eu não goste da sua presença. – dou as costas. Minha mãe me chama algumas vezes, mas eu não atendo seus chamados e apenas vou até meu quarto. – E não vou almoçar não, não tô com fome. – digo, fechando a porta e sentando no chão.
Eu fico ali, sentindo o cheiro da rosa enquanto lágrimas surgem nos meus olhos.
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