CAPÍTULO 7 | CINEMA
Isabela
– Ual, você está linda – Bernardo diz assim que apareço na sala de estar para irmos ao cinema. Estou com um vestido rose, de manga curta, soltinho e com uma faixa na cintura, uma maquiagem básica, cabelos soltos naturalmente e salto alto preto. Permito-me olhar para o Bernardo melhor, vestindo com uma calça jeans, uma camisa gola polo branca, tênis all star preto, a barba por fazer como sempre e seu cabelo meio bagunçado.
– Você não está nada mal também, namorado – Ele ri do meu comentário.
– Até que enfim Bela, daqui a pouco iriamos ao cinema na última seção – Alana diz já saindo do apartamento.
– Nem demorei tanto assim – Os meus três amigos olham para trás como se não acreditassem no que eu tinha acabado de dizer – Ok, talvez eu tenha demorado um pouco.
Fomos os quatro de carona com o Eduardo, e eu e o Be lógico que sentamos juntos atrás para deixar a Alana na frente com o Edu. No carro falamos de assuntos aleatórios, mas eu estava começando a ficar nervosa em saber que deveríamos fingir um relacionamento novamente. Sinto um toque na minha mão e percebo que é o Bernardo alisando e fazendo carinho enquanto fala com o Edu sobre o futebol do final de semana. Não sei por que, mas seu toque me acalma. Assim que chegamos os meninos foram comprar nossos ingressos para o filme.
– Não vi ninguém ainda, e você?
– Ainda não, mas logo devem chegar também – Alana responde.
Os meninos voltam com os ingressos e entramos no cinema, sentou o Eduardo, a Alana, eu e o Bernardo ao meu lado, mas até agora não vi ninguém da faculdade como a Alana havia mencionado.
No telão passava um filme de terror, e todos os três sabiam que eu odiava filmes de terror, será que eu iria matar alguém assim que saíssemos daqui? Com toda certeza. Sussurrei no ouvido do Bernardo:
– Porque me trouxe para ver um filme de terror hein?
– Foi ideia da Alana e do Edu, não me culpe por isso.
– Eu odeio filme de terror e eles sabem disso.
– Pode segurar a minha mão quando tiver medo, não tem problema – Ele pousa seu braço na minha poltrona, entrelaça nossos dedos e me lança um sorriso que quase me faz derreter.
– Tudo bem – Digo meio envergonhada, enquanto percebo um casal sentar ao lado do Bernardo, que eu logo reconheço, Gabriela e Pedro. Ela faz questão de passar as mãos no braço do Bernardo para lhe chamar a atenção e depois ainda lhe cumprimenta com um beijo no rosto. Fiquei com vontade de vomitar só de olhar a cena. Pedro olha para mim e acena, acabo fazendo o mesmo só por educação, tanto lugar no cinema e vem sentar do nosso lado.
O filme mal tinha começado e eu já estava encolhida na poltrona com medo das cenas, minha mão não estava mais segurando a do Bernardo, e sim esmagando. Ele parecia estar meio tenso e quando olhei na sua direção, entendi o motivo. A Gabriela estava fingindo estar com medo e ficava agarrada ao braço dele, alisando, por mais que não fossemos namorados de verdade, senti um ódio ao ver essa cena que cutuquei ele chamando sua atenção.
– Troca de lugar comigo.
– Que? – Fez cara de confuso.
– Essa ai não para de se esfregar em você, troca de lugar comigo e problema resolvido.
– Está com ciúmes? – Ele começou a rir de mim, mas não me deixou responder, já se levantou e eu pulei para a poltrona do lado, dei um sorriso para a Gabriela e assim que o Bernardo sentou na poltrona que antes eu ocupava, me acomodei e deitei a cabeça no peito dele, e ele aproveitou e passou os braços pelo meu ombro e ali pousou sua mão. Seu cheiro era muito bom, e não consegui evitar cheirar seu pescoço, e senti sua pele se arrepiar.
Como eu não estava a fim de ver o filme de terror, aproveitei para fingir ser uma namorada muito carinhosa e atenciosa, e pelo visto ele também, porque o cafuné que ele fazia em mim estava até me dando sono.
Não sei quanto tempo exatamente se passou, mas só acordei quando algumas pessoas já se levantavam para irem embora. Quando olhei para o Bernardo, ele estava me olhando atentamente, nossos rostos ficaram tão próximos que eu podia sentir sua respiração quente contra a minha pele, e não sei por qual motivo, mas tudo o que eu queria naquele momento era me inclinar um pouco mais e roubar um beijo seu. Mas antes que qualquer um de nós pudesse fazer algo, escutamos alguém chamar:
– Bernardo, podemos conversar um momento? – Eu e ele nos afastamos rapidamente, compreendendo que não estávamos sozinhos, e que estávamos prestes a nos beijar, de verdade. Olhei para quem havia solicitado falar com o Bernardo e me deparei com a Gabriela, novamente.
– Não tenho mais nada para falar com você – Ele levantou da poltrona e estendeu a mão para mim – Vamos amor? – Eu peguei a sua mão e me levantei com sua ajuda e saímos do cinema. Quando íamos de encontro aos nossos amigos a Gabriela veio novamente, pegou no braço do Bernardo e disse:
– É a última vez, prometo que não te incomodo novamente, mas eu preciso falar com você – Percebi que ele suspirou e concordou, ele se aproximou de mim e disse:
– Já volto pequena – Me deu um beijo na testa e saiu para conversar com a Gabriela, não acredito.
– Não acredito que ele foi falar com ela – A Alana diz revoltada, tanto quanto eu estou.
– Nem eu acredito, mas quer saber? Que sejam felizes se merecem – Não consegui esconder que ele ter ido conversar com ela me deixou com raiva.
– Ui, alguém está com ciúmes ou é impressão minha? – Eduardo fala, mas acho que ele bateu a cabeça.
– Ficou louco? Eu e o Be somos apenas amigos, só não acho que a Gabriela seja mulher para ele. Sei que ele merece alguém muito melhor.
– Ah, mas lá dentro não foi o que pareceu. Onde amigos ficam tão próximos ao ponto de quase se beijarem? – Alana diz rindo de mim.
– Vocês estão vendo coisa, só pode – Fico envergonhada de eles terem notado e então completo – A gente precisa parecer um casal de verdade, quer dizer, dependendo como for aquela conversa lá – Disse apontando para os dois que estavam em um canto afastados de nós – Nem será preciso continuar com essa mentira.
– Até parece que o Bernardo vai deixar de curtir uns momentos mais íntimos com você, a voltar com aquela lá. Às vezes parece que você não conhece o Bernardo, ou finge que não – Eduardo fala.
– Gente, vocês veem coisas onde não tem, não existe nada rolando entre mim e o Bernardo, somos só amigos e vai ser sempre assim.
– Aham, e o papai noel vem na pascoa – A Alana diz mas não tenho tempo para responder, pois o Bernardo para ao nosso lado e nos convida para ir embora.
Durante o trajeto até nosso apartamento ninguém perguntou ao Bernardo o que a Gabriela queria falar com ele, e eu queria muito saber, de curiosidade claro, porque mais seria? Apenas para saber se vou ter que continuar com a minha atuação ou não. Espero que ele me conte quando finalmente ficarmos sozinhos. Eduardo parou o carro em frente ao prédio em que morávamos e falou:
– Vou levar a Lana lá em cima, podem se despedirem a vontade – Eu fiquei vermelha da vergonha com o seu comentário, ainda bem que no escuro do carro não dava de perceber. Eles desceram do carro e o Bernardo falou:
– Não queria estragar a nossa noite com o assunto Gabriela, mas sinto que te devo uma explicação.
– Achei que não iria falar nunca – Ele riu.
– Meu Deus, mais é curiosa – Eu confirmo com a cabeça e rindo – Ela veio tirar satisfação, se realmente era verdade o nosso namoro, se não era algo passageiro e se ela teria outra chance comigo. Disse que estava disposta a mudar por mim, que só depois que me perdeu viu a burrada que fez.
– Meio tarde para isso não?
– Com certeza, eu disse para ela que não teria a menor chance de a gente voltar um dia, e que eu estava com você agora e que nosso relacionamento é sério, uma pessoa que eu amo muito e quero sempre ao meu lado.
– E ela acreditou?
– Não teria porque não acreditar, não menti em nada do que eu disse – Antes de eu poder dizer qualquer coisa o Eduardo voltou para o carro e perguntou se precisávamos de mais algum tempo sozinhos. Lógico que eu disse que não, que já estava de saída, dei boa noite para eles e quando fui dar um beijo no rosto do Bernardo ele virou ao mesmo tempo e pegou no canto dos seus lábios. Ele me olhou surpreso por um momento, depois preocupado, mas ao mesmo tempo tinha um brilho em seu olhar que eu ainda não havia visto. Eu fingi que nada havia acontecido, dei boa noite e subi para o apartamento.
Mal deu tempo de eu entrar a Alana já estava na sala a minha espera me fazendo milhares de perguntas ao mesmo tempo:
– Ele contou o que a Gabriela falou? E o que você disse? Rolou algum beijo? Já se declararam um pro outro?
– Ei, calma, assim eu não consigo responder tudo. Sim ele falou da Gabriela, ela queria outra chance, ele não deu, é basicamente isso resumidamente.
– E as minhas outras perguntas, sei que você é inteligente e lembra de todas, então pode ir falando.
– Ninguém se declarou e não teve beijo.
– NÃO TEVE BEIJO? – Ela praticamente gritou – A gente deixou vocês sozinhos por minutos e só conversaram, vocês são mais lerdos do que pensei.
– Não teve beijo, talvez na hora de eu me despedir tenha dado um no canto dos lábios dele sem querer – Admito por fim, ela é minha melhor amiga e sabemos tudo uma da outra.
– Mentira? – Ela pergunta incrédula com o que eu acabei de falar.
– Verdade, mas nem vem, foi sem querer, eu já disse que somos apenas amigos.
– Não vem você, não quer admitir que gosta dele porque? Isso não vai estragar a amizade que vocês tem, pelo contrário, se ele gostar de você também, vai fortalecer ainda mais os laços que os unem.
– Eu já percebi que estou atraída por ele, e talvez até seja mais que atração está bem? Mas eu não faço ideia do que ele sente, e eu realmente não quero perder a amizade dele, isso é muito importante para mim.
– Eu sei, mas com o tempo vocês dois vão perceber o que nós de fora já vimos a bastante tempo. São vocês que não querem enxergar o que está na cara. Agora eu vou dormir porque amanhã é cedo – Ela veio até mim e me deu um beijo na testa e eu aproveitei e fui para o meu quarto também.
***
Assim que eu saio do banho, arrumo a minha cama para dormir, porém quando eu deito meu celular vibra em cima do criado mudo que fica ao lado da minha cama, avisando que recebi uma nova mensagem.
Bernardo: Lembra que ainda me deve um favor, e que você disse que se eu precisasse eu poderia cobrar? – O que será que ele vai aprontar? Respondo:
Eu: Claro, o que se passa nessa mente? – Em segundos vem à resposta:
Bernardo: Então, aceitei jantar na minha mãe amanhã, mas disse que levaria minha namorada, aceita? Você me deve essa.
Eu: Meu Deus Be, você é louco, sua mãe me conhece, ou se esqueceu disso? Ela vai suspeitar logo de cara, e fora que era para fingirmos esse relacionamento para o pessoal da faculdade, imagina se cai na boca dos meus pais?
Bernardo: Eu sei que é pedir muito. Mas se eu dissesse que era uma amiga, minha mãe não iria aceitar porque ela quer um jantar em família e alguém de fora não ia ser legal. Fora que você sabe que eu odeio aquela casa e todas as lembranças, ter você lá vai ser muito melhor, por favor. Eu prometo que seus pais não saberão e eu vou fazer a minha mãe acreditar na nossa história, só confia em mim.
Eu: Ele vai estar lá?
Bernardo: Ela me disse que não, e assim eu espero. Mas se estiver, viemos embora na mesma hora. Aceita, por favor, por mim?
Eu: Só porque é para você. Jamais te abandonaria em um momento como esse, mesmo que não tivesse devendo favor nenhum.
Bernardo: Eu já disse que te amo hoje? Minha pequena, obrigada por sempre estar ao meu lado <3
Eu: Se disse eu não ligo de você repetir. Também te amo grandão, sempre estarei aqui por você! <3
Então amanhã eu terei um jantar na casa da dona Lívia, tenho muitas saudades dela, mas não faço a menor ideia de como ela vai reagir quando descobrir que eu sou a namorada que o Bernardo mencionou para ela. Mesmo que namorada falsa, mas ela não sabe disso e nem precisa saber. Amanhã será um longo dia.
***
Oi meus amores, mais um capítulo para vocês!!
E esse dois hein? Quase rolou um beijo no cinema, se não fosse aquela lambisgoia atrapalhar...
Mas quem sabe nesse jantar não role algo a mais? Venha conferir nos próximos capítulos!
Não esqueçam de votar e comentar gente, beijos.
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