Capítulo 5

Alice

- Garota eu não posso sumir por uns minutos e você ja se mete em confusão? - Meg diz rindo de toda aquela situação constrangedora.

- Eu não tive culpa Meg, foi um acidente, ela praticamente se materializou na minha frente, eu pedi desculpa, ela sequer me ouviu e começou a me insultar, como se eu fosse menos que ela, e você sabe Meg, eu jurei nunca mais deixar alguém me humilhar - disse num só fôlego como se precisasse justificar minha atitude de minutos atrás, mas a verdade é que eu não gosto disso, de ter que enfrentar as pessoas, mas isso a vida me ensinou, eu não posso deixar as pessoas pisarem em mim, como já fizeram anos atrás, não de novo.

- Tudo bem Meg, não precisa se explicar, ok? - me abraça - a verdade é que aquela vaca mereceu, onde já se viu querer bater na minha amiga? A vontade que eu tenho é de voltar lá e acabar com aquela cara redonda dela - chateada ela me aperta demais e sem querer eu gemo com o leve incômodo.

- Megan acho que você tá apertando a Alice demais - Tomás avisa e pro meu alívio, ela me solta.

- Desculpa amiga, é que eu te amo e fiquei com muita raiva daquela lá, você tá bem?- assenti.

- Obrigada por ser minha amiga, também te amo.

- Tá bom garotas, mas vamos parar com esse chororô, porque eu posso garantir pra vocês que as pessoas gostaram do que aconteceu , não é todo mundo que tem a coragem de de desafiar a Penélope por aqui. - Tom avisa, quebrando aquele clima melancólico que estava se formando.

- Eu não vi isso, me conta Tom, o que a Alice disse pra aquelazinha querer bater nela? - curiosa, ela praticamente deu pulinhos, como se eu me vangloriasse daquilo

- Por favor Meg, vamos esquecer isso, hum?

- Claro que não Ali, lembra o que você passou? Pra mim é muito importante que você não se deixe ser menosprezada - de certa forma, Meg tem razão, ela sabe tudo o que eu sofri, o que me fizeram, tudo que tive que superar, a verdade é que sem ela ou o Matt que também esteve presente sempre que precisei, eu não sei se teria conseguido seguir em frente, mas com eles eu ultrapasso meus limites, então olho para Tom, que me olhava como se pedisse permissão para contar, assenti.
Ela desvia seu olhar do meu e olha para ele - E então Tom o que houve antes da minha entrada triunfal? - Ela ouve tudo atentamente e suas expressões me divertem. E de repente, enquanto Tom narra a minha trágica quase refeição, eu lembro daquele par de olhos azuis que insistem em circular pela minha mente, mas me lembro também que aquela garota estava sentada em seu colo quando cheguei ao refeitório, e simplesmente, aquilo me incomodou, mas serviu para mim perceber que alguém como ele certamente teria alguém exatamente como ela, oca por dentro, pois de certa forma, eles são iguais. É triste. Mas é verdade. É perceptível que ele é o típico jogador de futebol, e com certeza deve ser o capitão do time, o mais cobiçado da escola e ela uma líder de torcida, ou melhor, a líder de torcida, isso é tão clichê, no entanto, alguns dizem que clichês são bons e bonitos, mas não nesse caso.

- Então você chegou e.. é isso, o resto você já sabe. - desperto dos meus pensamentos, Meg me encara com um sorriso de orelha a orelha.

- Ali, você foi demais - eu definitivamente não queria mais prolongar aquele assunto

- Certo Meg, agora vamos voltar para sala, acho que que a outra aula já começou - ela foi comigo sem reclamar ou tentar prolongar o assunto, Tom tinha uma aula diferente. Chegamos na aula de Química e como eu disse a aula já havia começado, todos nos encararam, mais especificamente a mim, quase desisti e fui embora não fosse Megan me puxar para dentro, tentei não ligar para os cochichos e olhares de canto, mas era impossível, felizmente ele não estava aqui, agradeci mentalmente por isso, em compensação ela estava e parecia querer me destroçar com os olhos.

Quase duas hora depois, jogo minha mochila na cadeira do computador e me jogo na cama, a manhã foi estressante, quando levanto, já é o almoço, todos estão reunidos em volta da mesa, conversamos e nos divertimos uns com os outros como sempre, Baah me avisa que que arrumou meu quarto e e eu agradeço, amo estar com eles, todos eles, esse é o meu lar.

A noite chega rápido, o sono também. Amanhece e me arrumo depressa, pois esqueci de pôr o despertador e acho que estou atrasada. Hoje uso uma saia longa em uma das minhas cores preferidas, azul, e uma blusa de alça por dentro, o cabelo vai solto e pouca maquiagem como de costume. Chego a cozinha e a Meg está a minha espera.

- Amém bela adormecida, já ia te derrubar da cama.

- Desculpa Meg, vou só dar um beijo na Baah e nós já vamos - não estamos tão atrasadas quanto eu imaginei pois não são nem 8h ainda, mas vou comer alguma coisa na escola, pego uma maçã no caminho de volta a Meg.

Descemos em frente a escola, e como se fosse o destino conspirando contra mim, lá está ele, encostado no portão, sorrindo com uns garotos, deveria ser pecado ter um sorriso tão bonito assim - chega Alice- logo depois aparece a tal Penelope que se agarra a ele de forma bem possessiva, eu não tenho nada haver com isso, então não tenho porque ficar constrangida, continuo a caminhar.

- Ali, o Cris não já deveria ter chegado? Eu estou com saudades daquele idiota- ela sorri

- Eu também não aguento de saudades dele - digo sorrindo, lembrando do meu irmão ciumento e carinhoso - se eu não me engano ele chega pela manhã, não sei o horário.

- Amiga te garanto que ele também está com muitas saudades, acredita que as poucas vezes que nos falamos ele sempre arrumava um jeito de perguntar da pequena dele?

- Quer dizer que a santinha tem namorado? - diz uma voz debochada enquanto passávamos pelo portão, nem havia percebido que já estávamos aqui, quando olho em direção a voz, Penelope está de frente para mim, me encarando com uma certa raiva - pelo visto não é tão ingênua quanto aparenta - continua com um sorrisinho cínico para mim.

- Oh - finge pensar- como é mesmo seu nome? Ah, é, eu não me importo. Mas eu me lembro dessa sua cara de hipopótamo, se eu não me engano, ontem eu avisei pra você não mexer com a Ali, e se você abrir isso que você chama de boca mais uma vez eu vou fazer jus as minhas palavras, vamos lá, tente. - disse Megan se pondo à minha frente.

- Eu não sabia que essa garota precisava de vira latas como guarda - costas, mas pelo visto ela tem uma. - disse com ar superior e um sorriso vitorioso.

- Meg, deixa pra lá, não vale à pena - eu não queria prolongar mais aquela discussão, só queria sair dali, e pra completar eu podia sentir ele me olhando e eu não estava confortável com isso.

- Oh, a pobrezinha está com medindo? Não precisa fofa, eu não desço o nível! - essa menina não desiste.

- Mas eu sim - Meg estava indo em direção a garota com a clara intenção de agredi - la, mas chega dessa confusão, essa garota tá implicando comigo por besteira e e eu não vou deixar que isso prejudique a Meg - a segurei pelo braço, a mesma parou e olhou para mim.

- Não Meg, vamos sair daqui, vem! - me encarou com o censo franzido, mas voltou a encarar Penélope e disse

- Eu vou, mas não pense que é por medo de você porque não é, agradeça pois se a Ali não estivesse aqui eu faria você engolir cada palavra - enquanto ela falava eu sabia que ele continuava me olhando, olhei em sua direção e lá estava ele com aqueles oceanos fixados em mim, como se quisesse desvendar algo, logo desviei e Penélope me encarou com mais raiva e se pendurou no pescoço dele.
- Liam não deixa essa coisa chegar perto de mim - disse com uma voz manhosa fazendo Meg revirar os olhos, aquela cena me apertou o coração, puxei Meg de leve comigo, Liam, nome bonito, combina com ele, tenho que parar de pensar nesse garoto, que agora tem nome e acho isso pior ainda - Essa garota tá pedindo pra apanhar Ali, porquê me segurou? Eu teria feito ela ficar pianinho - disse frustrada, paro de pensar nele e me volto pra ela.

- Porque eu não quero que você se prejudique por causa das loucuras dela, nós mal chegamos e já arranjamos confusão?! Eu não quero que aqui seja igual a nossa antiga escola, por favor, me promete que vai deixar isso pra lá! - pedi na esperança dela concordar comigo.

- Tá Ali você venceu, eu prometo, mas você sabe como eu sou, quando minha paciência esgotar eu não vou me segurar mais não, aquela lá provoca. - assenti, ela era assim, não vou mudar o que a deixa encantadora. Nos separamos, pois eu precisava pegar um livro na biblioteca para um trabalho que nos foi passado ontem, estava destraida procurando nas prateleiras quando alguém esbarra em mim, quase me levando ao chão, não fosse por braços fortes a me amparar, e quando eu levantei os olhos para ver o motivo da minha quase queda, nossos olhares se encontram e meu coração falha uma batida, ele estava muito perto - Você está bem? - pergunta ele, Liam, ainda com os braços em minha cintura, que faziam com que uma corrente de eletricidade percorresse meu corpo, o que tá acontecendo comigo? não posso me sentir assim, não com ele.

- Si.. Sim, eu estou bem - olhei em seus olhos novamente e quase me perco no azul de seus olhos, mas logo me recomponho - você poderia... - desviei meu olhar para seus braços ainda presos em minha cintura e corei.

- Ah, claro, me desculpe, hum... - ficamos em um silêncio constrangedor, só queria sair dali urgentemente.

- Muito obrigada por não me deixar cair, se bem que você foi o motivo disso - digo e o mesmo sorri de canto, deveria ter uma lei que proibisse alguém de sorrir assim, eu tenho que parar com isso - mas agora eu tenho que ir - tentei passar por ele, mas antes que eu pudesse dar um passo o mesmo segurou meu pulso e aquela eletricidade voltou, mas o que é isso meu Deus? Me virei para ele novamente, tentando não deixar transparecer o quanto estava nervosa - sim? - perguntei com a esperança de que fosse um engano e ele me deixasse sair.

- É que... mas que droga Liam, foco - acho que ele pensou alto demais, parecia estar em uma luta interna - hum.. você - me encarou - é muito linda - disse analisando cada centímetro do meu rosto, me deixando confusa e fortemente corada, me puxou para mais perto afastando uma mecha do meu cabelo do meu rosto a colocando atrás da minha orelha, em seguida passando o polegar pela maçã do meu rosto. Por que ele tá fazendo isso? Porque eu não consigo me afastar? Ele está muito perto Ali e e ele tem namorada, se afasta enquanto é tempo, a razão tenta me avisar, mas isso não funciona em nada. Isso nunca me aconteceu, eu nunca me senti tão envolvida assim por ninguém, meu Deus o que eu faço? Por que meu coração não me obedece e está tão acelerado, como se fosse sair do peito? - Linda- Eu estou assustada com o modo como ele está me olhando, como se estivesse encantado, com seu olhar preso ao meu.

- Ali? - essa voz grave me desperta e eu consigo me afastar dele que me olha com o cenho franzido e a sobrancelha arqueada, como se também tivesse voltado pra realidade, e se perguntasse de quem era essa voz que me chamava - Ali cadê você pequena? Você sabe que eu não posso ficar gritando aqui não é? - então ele aparece no fim da prateleira me sorrindo.

- Cris? - saio de onde estava e corro até ele que me envolve envolve um abraço apertado e carinhoso - que saudades - ele me aperta mais um pouco e o sorriso não sai do meu rosto.

- Eu também pequena, muitas saudades de você, da próxima vez eu te levo junto comigo - diz me soltando aos poucos, com um sorriso lindo, mas logo ele ergue uma sobrancelha - mas quem era aquele muleque que estava com você? E muito perto por sinal? - diz olhando para o lugar onde minutos atrás eu estava com Liam, o mesmo também não está mais lá.

- Não era ninguém Cris, só um garoto que esbarrou em mim e e e me ajudou, só isso - sim, ele precisava continuar sendo somente só isso.

- Hum, sei, é melhor ele ficar avisado que eu tô de olho, nenhum marmanjo se aproxima da minha chatinha - aperta minha bochecha me fazendo rir.

- Para Cris - digo rindo fazendo ele soltar minhas bochechas - e não tem que avisar nada, duvido muito que ainda nos falemos algum dia - assim espero, não posso me deixar levar por aqueles olhos, por ele não.

- É melhor mesmo - reviro os olhos - você está linda sabia? Vou começar a comprar uns sacos pra você vestir - até parece.

- Você inventa cada coisa, mas como você sabia que eu estava aqui?

- Meg, encontrei ela na sala, depois de muitos abraços ela me disse onde te encontrar e ainda bem que cheguei a tempo ou não sei o que eu veria se tivesse demorado um pouco mais - disse fazendo uma careta.

- Nada, você não teria visto nada, já disse que não quero ninguém.

- E continue assim- disse colocando o braço ao redor do meu pescoço - agora vamos pra sala - só quando cheguei na porta da sala me lembrei que eu não tinha pegado o livro.







Demorou mais saiu rs
Tá um pouco grande, espero que gostem.
Beijos e abraços.

Cris na multimídia ;)

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