8. O FIM
Eu nunca quis conhecer Teresina, na verdade eu nunca havia conhecido nenhum atrativo. Mas foi inevitável e lá estava eu apaixonada. Aphonso me mostrou o museu me levou ao zoo e ao encontro dos rios. A escola havia melhorado, eu havia crescido, mas uma duvida interna ainda estava sem resposta. O semestre estava quase acabando e minha vida havia mudado drasticamente.
Já fazia dois dias desde a ultima visita ao lago, Aphonso me policiava eram raras às vezes em que eu andava sozinha, quando ele não estava Liam e Rose se revezavam, me vigiavam. Eu não ia sozinha para minha casa, eu estava vivendo em uma espécie de cárcere privado, mas eu gostava de toda aquela atenção apesar de Liam achar tudo aquilo um exagero enquanto Rose achava fofo o que ele estava fazendo.
Era quase hora do almoço quando a campainha tocou e minha surpresa ao abrir a porta foi maior ainda ao ver Aphonso, Liam e Rose. Liam estava emburrado enquanto Rose e Aphonso me mostravam um doce sorriso.
– Que surpresa. – abracei Rose e em seguida beijei Aphonso.
– Viemos fazer uma visita. – ela olhou para nos dois.
– Aphonso esta preocupado. Ele acha que atrás de uma lixeira estará algum animal perigoso. – zombou Liam.
– Se isso o deixa tranqüilo Aphonso, o máximo que vai conseguir aqui é um cachorro faminto fuçando o meu lixo. – zombei.
– Isso não é do seu feitio. – ele estava bravo.
– Não se irrite Aphonso ela esta certa. – Rose me defendeu.
– E então vamos entrar ou não? – Liam olhou para Rose.
– É melhor irmos fazer aquele trabalho. – Rose falou para Liam.
– Que? – ele olhou confuso para ela.
– O de Biologia II, Liam. – ela se voltou para ele, pude ver um leve sorriso no seu rosto.
– Claro. Como eu poderia ter esquecido. – ele puxou Rose para si.
– Então ate o colégio. – a voz áspera de Aphonso me indicava que seria difícil trazer o seu bom humor de volta.
Liam e Rose de mãos dadas seguiram rua acima, enquanto Aphonso entrava na minha casa. Fechei a porta e ele me olhou friamente.
– Porque fez aquilo?
– Não foi a minha intenção. – expliquei
– Mas o fez. Se não fosse algo serio, você acha que eu estaria fazendo isso tudo. Tentando manter você viva.
– O que quer dizer? – eu estava assustada.
– Nada ele desviou o olhar.
– Nada! E isso o que você me diz? A minha vida esta em risco e você diz que não é nada. – gritei.
– Eu não devia ter falado.
– Mas falou. E então vai me explicar o que esta acontecendo?
– Não.
– Aphonso!
– Recebi um bilhete dizendo que se eu não em afastasse de uma pessoa, ele ou ela iria matar você. – sua voz era serena e calma, nos seus olhos transbordavam uma dor que eu nunca iria sentir.
– E você não se afastou? – minha voz agora estava em tom mediano, mas meus olhos deixavam escapar lagrimas.
– Não. – ele abaixou a cabeça. – Essa pessoa é muito importante para mim.
– Então você não quer deixar essa pessoa, mas me arrisca ao mesmo tempo. Ei não consigo entender. Você fez aquilo tudo por causa da ameaça.
– Fiz. – ele não em olhou no rosto e eu não via mais os seus olhos encarando os meus.
– Eu não sou tão importante assim como você diz? – eu estava chorando, magoada.
– Não. Você não é.
– E o que faz aqui então?
– Francamente... Eu não sei.
– Vá embora. Eu não quero mais te ver. Some da minha vida.
– Se você o deseja assim.
Eu abri a porta. Ele passou por mim sem olhar uma única vez em minha face. Vi ele entrar no Logan, mas fechei a porta bruscamente antes mesmo dele sair.
Voltei ao meu quarto e me deitei. Fiquei inerte na cama pensando se tudo aquilo era só mais um teste para fortalecer o nosso ou se nada daquilo valeu à pena. Agora eu estava sozinha, desprotegida. Analisei cada frase que ele me disse, cada resposta, cada conclusão, eu estaria sendo egoísta?
O que eu havia feito talvez não tivesse volta. Talvez fosse o fim.
Olhei para o relógio no meu pulso, estava quase na hora de ir pro colégio. Tomei um banho, me vesti, comi me vesti e peguei os meus livros. Abri a porta, não havia um Logan ou outro carro. Fechei a porta e fui para o ponto de ônibus. As tagarelas falavam como sempre faziam.
Caminhei em silencio ate o colégio. Felipe não estava conversando com Day e nem com Liame. As escadas pareciam intermináveis, o corredor estava vazio todos se concentravam nas salas. No momento em que entrei olhares me perfuraram, varias perguntas que eu não poderia dar nenhuma resposta. Aphonso não estava na sala, muito menos Rose. Sentei–me ao lado de Key que me olhou incrédula.
– O que houve?
– Você não ficou sabendo? – seus olhos não acreditavam em mim.
– Do que?
– Todos estão falando que Aphonso foi embora.
– Embora? – meu peito apertou. – Por quê?
– Ninguém sabe o porquê, mas a Mada o ouviu pedir transferência para outro colégio. Vêm cá vocês não estavam namorando? – indagou–me ela curiosa.
– Estamos ou estávamos. Eu não sei. Na verdade eu acho que terminamos.
O sinal soou. O Sr. Smith entrou na turma com um aluno novo ao seu lado. Todos se sentaram. O Sr. Smith se direcionou a turma junto com o aluno. Ele tinha um metro e oitenta, olhos verdes em tom de cinza, cabelos loiros, a pele branca quanto à neve, vestia uma camisa com capuz preto e uma bermuda jeans além do clássico tênis.
– Bem turma, esse é seu novo colega de turma Athael Colsen ele é novo na cidade e começa hoje em nossa turma. – ele se voltou para Athael – Pode se sentar Sr. Colsen.
Ele veio em nossa direção e sentou ao lado de Mada, agora naquela distancia eu podia ver um fragmento de uma tatuagem no ombro esquerdo. Ele me olhou e sorriu.
Virei–me rapidamente eu estava corada, então ouvi alguém bater a porta da sala, ao levantar o meu rosto vi Aphonso entrando seguido por Rose. Seus olhos me fitavam, mas foi interrompido por um toque de Rose em seu ombro, ele olhava agora para Athael seus olhos se transformaram em puro medo. Rose se sentou e puxou Aphonso para que ele fizesse o mesmo.
Ele não desviou o olhar, mas ao dizer algo para Rose ele se voltou para frente. Ao olhar para o meu caderno uma memória vem à tona na minha mente, aonde as palavras dele pelo menos dessa vez não me viriam à mente.
"'Athael e Jake estão aqui. – Rose me olhava".
Agora eu me recordava Aphonso não queria que eu o conhecesse ou que ele se aproxima, mas o que de mal ele faria a mim? Na verdade ele parecia ser a versão calma de Aphonso. Algo estava me incomodando, mas eu não sabia o que. As primeiras aulas daquela tarde foram tranqüilas. O Sr. Mittell explicava algo que eu não prestei atenção isso porque ela estava voltada para Athael. O sinal do intervalo soou aos poucos todos foram saindo da sala.
– Vamos Eduarda. – Key me chamou.
– Já vou indo. – eu ainda estava tentando anotar algumas observações que estavam no quadro, enquanto Key saia da sala.
Então o vi, sentando–se ao meu lado e com um sorriso no rosto ele me cumprimenta.
– Oi.
–Oi. – devolvi envergonhada.
– Você é...?
– Eduarda... Eduarda Longdon.
– Bem acho que eu não preciso me apresentar novamente. – ele riu brevemente.
– É...
– Então você é que é a Eduarda.
– Você já tinha ouvido falar de mim? – indaguei curiosa.
– Felizmente. – ele riu maliciosamente – Você é muito bonita.
– Fica longe dela Athael. – Aphonso se aproximou tão rápido que não vi de onde ele surgiu.
– Calma Aphonso, só estávamos conversando. – ele ironizou.
– O que você quer? – seus olhos estavam estreitos.
– Eu só... – Athael tentou se explicar.
– Já acabou tudo entre a gente, não? – eu o interrompi.
– Então vocês terminaram? – falou ele surpreso.
– Terminamos não foi Aphonso? – minha voz era firme.
– É... Terminamos. – ele abaixou a cabeça e voltou ate a sua cadeira.
Athael me olhou com um sorriso convidativo.
– Quer da uma volta depois da aula?
– É melhor não, quem sabe outro dia.
– Via ficar me devendo essa então... – ele sorriu novamente.
O sinal para o fim do intervalo soou. Athael voltou ao seu lugar, Key chegou e se sentou.
– Eu só posso ter muita sorte.
– Por quê? – indagou–me ela curiosa.
– Athael veio falar comigo.
– E o que ele disse?
– Que quer sair comigo.
– E você?
– Disse que não podia. Ainda mais porque acabei de terminar com Aphonso.
– E você já o esqueceu?
– Ainda não, mas eu vou.
– Porque vocês não conversam?
– Não há mais volta.
– É isso o que você realmente quer?
– Não. – murmurei.
– E por quê?
– Eu... – fiz uma breve pausa. – Eu acho que vai ser melhor assim.
Abaixei a minha face inerte triste. Eu queria saber de onde vinha tanta besteira, eu não estava bem por ter terminado com Aphonso e muito menos por ter o feito passar por aquela situação constrangedora. Por quanto tempo eu conseguiria fingir que era forte e que o termino do nosso relacionamento não me afetara? Com certeza eu não agüentaria por muito tempo.
As pessoas sempre dizem que para curar as feridas de um antigo amor nada melhor do que conseguir um novo amor.
Naquele momento eu estaria disposta a volta com Felipe ou a engatar um novo namoro com Athael que se mostrou bem interessado em mim, massa verdade é que eu estava louca para que Aphonso viesse ate mim e nos reconciliássemos, o problema é que ele talvez não queira. Eu fui tão egoísta.
– Key. – sussurrei.
– Hummm...
– Preciso de um conselho.
– Sobre?
– Eu não se devo voltar com Felipe, reatar com Aphonso ou ate mesmo ficar com Athael.
– Nossa. – ela riu. – Você tem três caras que gostam de você, isso é que é ter sorte ou muito azar.
– Key... – retruquei. – Serio, mas acho que Aphonso não quer voltar comigo.
– Mas o Felipe quer?
– Acho que se eu ligasse para ele dizendo que eu quero voltar, ele não pensaria duas vezes em vir aqui e mostrar ao Aphonso que ele perdeu a guerra. Mas eu não gosto dele.
– Então você tem um problema.
– Nem me fale. – olhei para Aphonso cabisbaixo.
Os outros horários se foram e finalmente o final da tarde chegou com o sinal de saída soando pelos corredores.
– Tchau Eduarda.
– Ate amanhã Key. – acenei enquanto Key atravessava a porta da sala.
Peguei os meus livros e sai. Sem querer tropecei em Liam que vinha da direção oposta.
– Me desculpa.
– Não precisa você sempre foi um pouco desengonçada. – ele riu.
– É verdade. Será que você pode me tirar uma duvida?
– Posso ainda mais que eu estou curioso para saber por que Aphonso chegou em casa com uma cara péssima.
– Ele não te falou nada?
– Sobre...?
– Nos terminamos.
– Hummm... Então foi isso, mas qual é a sua duvida?
– Porque Aphonso não gosta do Athael?
– Athael? Porque essa pergunta?
– Ele se senta do meu lado.
– E o que o Aphonso fez?
– Gritou com ele.
– Isso não é um bom sinal. Aphonso sempre foi um vulcão prestes a entrar em erupção, ele não devia ter gritado logo com um rastreador.
– Rastreador? – indaguei confusa.
– Bem... – ele pensou por um segundo e continuou. – Todos nos temos apelidos e o de Athael é rastreador.
– E porque esse apelido?
– Ele consegue localizar qualquer um em qualquer lugar. Ele tem uma habilidade excepcional. Ele é digamos um bom observador e pesquisador.
– Sabe que às vezes eu acho que vocês têm um parafuso a menos.
Ele riu enquanto olhava para o corredor, pude ver em seus olhos algo muito rápido atravessando o corredor.
– Bem quer que eu te acompanhe?
– Não quero incomodar.
– Não vai ser incomodo algum.
O celular de Liam tocou, ele olhou para o visor e atendeu.
– Pode falar Rose. – ele ouviu atentamente por alguns instantes e falou: – Acabei de saber, mas eu vou deixá–la em casa e se você puder me ajudar a... – ele hesitou e ouviu em silencio. – Sem problemas ate logo. – ele desligou o celular.
– Era Rose?
– Era. Ligou para eu te dar uma carona.
– E o Aphonso?
– Ela não me falou nada, mas e aí ate quanto tempo vocês vão ficar brigados?
– Acho que não há mais volta.
– Você acha?
– Vai ser melhor assim. Lauren vai ter o caminho livre.
– Você não entende mesmo não é?
– O que?
– Você foi à única garota por quem Aphonso se interessou por toda a sua vida. Você é a única que o fez ver o lado bom. Você o tirou das profundezas. Você o fez se sentir vivo.
– E porque você diz isso?
– E você não queria ouvir? – ele me olhou confuso.
Eu não havia percebido, mas já estava ao lado de um UNO azul. Ele abriu a porta do carro e eu entrei.
– Onde esta o Crossfox? – indaguei confusa.
– É o carro de Rose, esse aqui é meu. – ele riu.
– Me diz uma coisa, quantos anos você tem?
– Dezoito por quê?
– Esquece é besteira minha. – El riu ao ouvir minha resposta.
– Coloque o sinto. – aconselhou–me.
Coloquei-o enquanto Liam engatava a primeira marcha e saiamos em alta velocidade. Meus pensamentos estavam confusos e eu desolada. Todo o percurso foi silencioso, ele me deixou em casa, agradeci e entrei, fui direto pro meu quarto, agora eu estava chia de perguntas e eu desejava suas respostas.
Havia detalhes esquecidos em minha mente que se faziam presentes naquele momento. Peguei meu caderno e olhei para minha lista, reli todos os itens e acrescentei novos. No final das contas minha lista ficou desse jeito:
1. Porque ele controla os meus beijos?
2. Porque ele não desejava que eu o amasse?
3. O que houve na cachoeira?
4. Como fui parar na casa dos Huberman?
5. Como Aphonso poderia ser tão bom em tudo?
6. Qual o segredo que ele tanto guarda?
7. Porque ele pediu que eu o ignorasse, que eu o esquecesse?
8. Porque eu tenho a sensação de que isso é só o começo?
9. Quem são os Halfwolf?
10. Porque Aphonso tem medo de Athael?
11. O que Lauren quer me dizer?
12. Quem ameaçou Aphonso?
13. Porque eu tenho que em afastar dele para continuar viva?
14. Porque eu ainda estava viva sem o Aphonso ao meu lado?
15. Porque Athael tem o apelido de rastreador?
Para algumas eu tinha as respostas, mas eu tinha a sensação que algo estava errado. Eu tinha certeza de que as respostas que eu tinha era apenas uma distração para alterar o meu foco.
Eu poderia ter varias hipóteses e nenhuma delas fazia sentido algum. Liam ficou preocupado em saber que Aphonso gritara com Athael. Porque eles teriam medo dele? O mais estranho é que ele se interessou por mim sem saber que eu havia terminado com Aphonso.
Meu coração palpitou. Algo ruim iria acontecer logo. Meus pensamentos foram nele. Há aquela altura eu já estava decidida eu iria investir em Athael. Eu tinha um plano – um bem louco na verdade – mas era um plano. Athael teria todas as respostas que eu precisava e ainda faria que Aphonso me esquecesse, mas de certa forma – lá no fundo – eu não queria que Lee me esquecesse, na verdade eu o estaria protegendo de Athael.
Eu não tinha muitas informações, mas de alguma forma eu evitaria algo. Uma briga entre ele e Athael ou causaria uma? Acho que estou ficando louca com esses pensamentos insanos.
Eu deveria esquecer todo o meu plano – era bem melhor deixar que tudo fluísse – mas de uma coisa eu tinha certeza. Athael gostou de mim e Aphonso não gostou nada disso, havia uma invariável que era imprevisível e que eu não saberia ao certo como reagiria. Felipe.
Aos poucos todos os meus pensamentos tomaram o seu lugar, mas fui interrompida pela campainha, alguém me esperava lá fora. Caminhei ate a porta e abri e para a minha surpresa era Rose vestida em um lindo vestido preto e sandálias rasteiras na mesma cor, com um leve sorriso em seu rosto ela me abraçou.
– Eduarda.
– O que houve? – olhei confusa para o seu rosto.
– Será que podemos conversar?
– Claro.
Ela entrou, olhei para o Crossfox e lá estavam Liam e Aphonso esperando. Senti uma pontada de alegria ao velo, mas ao que parecia ele não parecia dar atenção alguma a Liam, ele olhou rapidamente para minha face e vi em seus olhos novamente o medo, não por temer, mas talvez de me perder. Era estranho, fechei a porta e seguimos pra sala. Eu me sentei no sofá de dois lugares e Rose ao me lado. Tudo aquilo me parecia um adeus.
– Eduarda... Aphonso, Liam e eu decidimos...
Depois que ela pronunciou a palavra decidimos a única coisa que eu pude ouvir foram alguns zunidos, eu estava bloqueando algo que nem eu mesma sabia – mas temia.
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