Capítulo 19

Passei a noite no hospital, sentado em um estofado no quarto de Celeste. Sua mãe me pediu que ficasse com ela enquanto ela ia em sua casa com Patrick, para tentar convercer Antony a vir vê-la. Não consegui dormir um minuto sequer, na esperança que ela acordasse, mas isso não aconteceu.

Quando a vi deitada naquela cama, meu coração se quebrou. Ela estava irreconhecível, seu rosto estava inchado, com tubos por todos os lados em seu corpo frágil.

Eu merecia estar em seu lugar. Merecia pagar pelas coisas horríveis que disse a ela.

Sua mãe e Patrick também não saíram de seu lado, a não ser o tempo que foram atrás de Antony. Foi triste ver o desespero de Emma quando viu a filha naquele estado. Ela deve ter se arrependido amargamente por não ter apoiado a filha, e ter ficado ao lado de Antony.

- Dominic. - Chama minha mãe.

- Oi mãe. - Digo suspirando cansado.

- Você precisa descansar meu filho. - Diz preocupada. - Não vai adiantar de nada você ficar ao lado dela, se não estiver saudável.

Pega minha mão gelada, e aperta com carinho e apoio.

- Eu só quero estar aqui quando ela acordar.

Vejo ela sorrir fraco, e olhar para cama onde Celeste está deitada.

Minha mãe também não saiu do hospital. Está sendo um conforto para mim, te-lá ao meu lado. Não suportaria a espera sem ela.


Celeste teve outra parada cardíaca. Foi uma correria louca. Mas graças a Deus os médicos chegaram a tempo de reanima-lá.

Meu corpo gelou com a possibilidade de perde-lá. Senti minhas forças indo embora. Já estava sem esperanças de ve-lá acordar. Mas coloquei os pensamentos negativos de lado.

- Você tem que ser forte Celeste. - Digo pegando em sua mão.

Mas ela não me respondeu, não acordou. Continuou em seu sono profundo.

- Como nossa garota está? - Pergunta Karem entrando no quarto.

- Na mesma. - Digo triste.

- Tenha Fé Dominic. - Ela aperta meu ombro. - Ela irá acordar. - Sorri pensando na possibilidade. - Você vai ver. Celeste ainda vai nos dar muito trabalho.

Sorrio fraco. Mas uma pequena palavra não sai da minha mente... Fé.

Se Deus não me ouviu antes, por que me ouviria agora?


Uma semana depois.

Já se passou uma semana e Celeste ainda não acordou. Os médicos disseram que o inchaço de seu cérebro está normalizado, e ela está fora de perigo. É esperar ela acordar para ter certeza se haverá alguma sequela.

Cada dia que passa me sinto ainda mais impotente, sem poder fazer nada para ajudar, a não ser esperar pacientemente.

Patrick e Emma vem todos os dias ao hospital, assim como meus pais e Karem. Antony nem sequer deu as caras para visitar a filha.

Fico me perguntando que tipo de pai, odeia tanto uma filha para não aparecer em um momento desses?
Antony colherá o que está plantando, e não será uma colheita nada agradável.

Eu sei disso, porque estou colhendo o que plantei. Eu mereço meu castigo.

Deixei Celeste com sua família no quarto, e comecei a vaguear pelo hospital.

De longe vejo uma pequena capela, e decido ir até ela.

Entro para dentro, me sento no último branco, e fico a olhar uma cruz no centro da capela.

- Eu sei que não tenho o direito de te pedir nada depois de como eu venho me comportando, sei que não mereço ao menos falar com o Senhor. - Digo sorrindo fraco. - Mas eu não quero pedir nada para mim, e sim para Celeste. Ela merece ter a chance de ser feliz. - Meus olhos se enchem de lágrimas. - Eu não tenho sido um bom filho, culpei o Senhor pelo que aconteceu a Melanie, descontei minhas frustrações em quem não merecia. Fui um mal filho, um mal amigo, e o pior de tudo... fui duvidar de quem me deu a vida. - Suspiro triste. - O Senhor poderia me perdoar? Poderia me dar a chance de consertar meus erros? Poderia entrar nesse coração imundo que está morrendo mais e mais a cada dia? - Lágrimas correm pelo meu rosto. - Eu sei que não mereço essa oportunidade, mas eu a quero mais que tudo. Eu quero o antigo Dominic de volta, quero os sonhos e propósitos que o Senhor sonhou para mim. - Coloco minhas mãos sobre meu peito. - Se não for tarde demais meu Deus, me aceite de volta.

Abro meus olhos e olho para a cruz novamente.

- Não é tarde demais meu amor. - Diz minha mãe pegando em meu ombro.

Me levanto e a abraço forte.

- Me perdoe mãe? - Peço. - Por tudo.

Ela chora em meu peito. Me aperta ainda mais contra sim.

- Eu te perdoo meu filho. - Beija meu rosto com carinho. - Mas não se esqueça de uma coisa Dom. Lutas e adversidades sempre virão, para testar a nossa fé. Não desista na primeira delas, se apague ainda mais com Deus, que tudo se torna mais fácil.

Passa a mão pelo meu rosto secando minhas lágrimas.

- Eu não vou mãe. - Digo sorrindo. - Agora será para sempre.

Ela retribui o sorriso. Vejo alegria em seu semblante.

Minha alma está alegre, sinto meu corpo leve, sinto a presença de Deus ao meu lado. Agora eu sei que mesmo em meio a minha rebeldia, Ele não me deu as costas, continuou ao meu lado. Tenho certeza que Melanie ficaria orgulhosa de mim. Um dia irei me encontrar com ela novamente.

Voltamos para o quarto. Quando abri a porta, um sorriso automático se instalou em meus lábios.

Agradeci mentalmente a Deus, pela dádiva da vida.

- Olá Celeste. - Digo.

- Quem é você? - Me olha confusa.

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Bom dia amores 🌹

Espero que gostem do capítulo novo.
Até o próximo. ❤👌😚

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