Conto 5 - Refugiados do Amor

Autora: Adriana Vaitsman

Sinopse:

Enquanto o resto do mundo e a União Europeia parecem se perguntar o que fazer com os refugiados da guerra civil na Síria, o capitão-tenente Alessandro Romanzini, oficial da Marina Militare (marinha militar italiana), participa do resgate de refugiados sírios, a bordo do navio-patrulha Squadra, sob o seu comando. Ao desembarcarem os resgatados em terra firme, no porto de Pozzallo, na Sicília, em meio ao caos e ao sofrimento, ele conhece Aisha Chiarelli, uma médica síria naturalizada italiana. A atração entre os dois é imediata, e a paixão, arrebatadora. Entretanto, o capitão-tenente terá que vencer a resistência desta linda mulher, que roubou seu coração para sempre, e precisará provar que os dois estão do mesmo lado.

Música Tema: In Assenza Di Te - Laura Pausini

Classificação: +16

***

Mediterrâneo, Junho de 2015.

Eles eram muitos. Vinham, em sua maioria, da Síria, mas havia quem fosse de outras nacionalidades. Tinham partido da Líbia, mais especificamente de Zwara. Todos tinham algo em comum: estavam fugindo dos conflitos, das perseguições e da violência. Eram homens, mulheres e muitas, muitas crianças... Estavam assustados, sujos, famintos e sem esperanças. Havia cerca de cento e vinte pessoas das quais mais de dez por cento não sobreviveria, pois estavam debilitados e doentes, vítimas da desnutrição e hipotermia.

Naquela manhã em que os resgatara a bordo do Squadra, o navio-patrulha da marina militare italiana, sob o seu comando, o capitão-tenente Alessandro Romanzini, não sabia que sua vida mudaria por completo.

Ele sabia que com o fim do Mare Nostrum, que era uma operação de resgate da marinha italiana, instituída em outubro de 2013, a tendência era que a maioria dos refugiados acabasse morrendo na perigosa travessia do mediterrâneo, porque ao invés de serem resgatados em alto mar, com todo o aparato militar, como vinha ocorrendo, os resgates ficariam cada vez menos frequentes e, eventualmente, ocorreriam em navios como o Squadra, que apenas patrulhavam a costa, sem suporte para ações humanitárias mais complexas e necessárias, e isso lhe inquietava. Não havia meios de ser insensível ao sofrimento que ele vira nos olhos daquelas pessoas. Tê-los resgatado já havia sido um ato de ousadia e ele sabia disso.

Após desembarcá-los no porto de Pozzallo, na Sicília, ele foi chamado à base militar para elaborar relatórios e responder aos seus superiores, o que lhe custaria uma semana em terra firme, antes de receber sua nova missão.

No dia seguinte ao resgate, logo cedo, Alessandro saiu da base com Zantini, um de seus subordinados, e foi até o acampamento dos refugiados, a fim de obter notícias, pois ficara muito impressionado com tudo o que havia visto. Logo ele que tinha a fama de ser insensível... As cenas de desespero que presenciara a bordo do Squadra, jamais lhe sairiam da mente.

Os dois homens aproximaram-se do acampamento. No local estava sendo feita uma espécie de triagem por grupos humanitários. Os médicos sem fronteira também estavam prestando atendimento aos refugiados. Seria difícil encontrar soluções definitivas para todas aquelas vidas que estavam ali, à mercê da própria sorte. Alessandro decidiu que não se identificaria. Preferiu ficar no anonimato e ver com os próprios olhos o que estava sendo feito, para pensar no que poderia ajudar.

- Há muito trabalho aqui. Não há espaço para expectadores. Ou ajudam, ou dão o fora! - Disse, em tom de decisão, uma voz feminina.

Alessandro virou-se para trás, a fim de ver de onde vinha aquela voz tão firme e ao mesmo tempo tão doce. A mulher que lhe falava com tanta propriedade era morena, dona de longos cabelos negros, presos em uma trança lateral. Usava um jeans desgastado, jaleco, máscara e um tênis surrado. Não tinha mais do que um metro e sessenta, mas do alto da sua petulância, parecia gigante...

Ele ficou sem fala, impressionado com a arrogância e hipnotizado pela beleza daquela pequena mulher, que, lhe dando ordens, era o próprio pecado ambulante...

- Perdoe-me, senhorita... - E estendeu as mãos para cumprimentá-la, tentando selar a paz entre eles.

- Chiarelli. Sou a doutora Aisha Chiarelli. E vocês, quem são e o que fazem aqui? - Perguntou, sem esquecer-se nem por um minuto de que tinha ido ali para questionar-lhes a presença.

- Meu nome é Alessandro Romanzini. E esse é o meu amigo Zantini. Somos jornalistas e estamos aqui para fazer uma matéria. Nós queremos ser voluntários por uns dois dias, para escrevermos sobre como é a vida em um lugar como este. - Mentiu.

Zantini engoliu em seco e olhou para o capitão-tenente querendo esganá-lo. Que diabos ele estava fazendo? Como assim, eles iriam ficar ali, por dois dias? Os únicos dias em que estariam de folga antes de voltarem à base para saberem para onde seriam enviados novamente... Definitivamente, Romanzini só poderia estar louco! Maldita a hora em que resolveu acompanhá-lo. Na marinha, ele era seu superior, mas na vida civil, seu melhor amigo.

- Ah é? E para que jornal trabalham? - Perguntou, desconfiada.

- Somos freelancers, escrevemos por conta própria e depois vendemos a matéria para quem nos fizer as melhores ofertas... - Mentiu Alessandro.

- Esqueçam, vocês não são bem-vindos, mercenários da mídia! - Disse Aisha.

- E é a senhorita quem decide isso por aqui? - Indagou Alessandro, perplexo com a falta de educação daquela baixinha...

- Não, mas tanto posso recomendá-los à organização que cuida desta ONG, como posso pedir que os expulsem. Já temos especulação demais, sensacionalismo demais por aqui. Se realmente quiserem ficar, vão ter que colocar a mão na massa. Há muito que fazer! - Disse a doutora, do alto dos seus um metro e sessenta.

- Tudo bem. A gente topa. Por onde é que a gente começa?

Tudo bem? A gente topa? Como assim? Será possível que Romanzini estava mesmo colocando-os nesta enrascada? Pensou Zantini.

- Venham comigo. - Disse Aisha, mostrando-lhes o caminho para a tenda vizinha.

Durante as três próximas horas, eles separaram roupas, cadastraram pessoas, serviram refeições, e, provaram que eram bons de trabalho. A doutora estava passando a visita médica no hospital de campanha, e cuidando dos seus doentes. Como as tendas em que estavam eram próximas, eles se esbarravam em alguns momentos. Quando os seus olhos se encontravam, olhavam-se com desconfiança, mas a atração que havia entre os dois parecia palpável e podia ser sentida por ambos.

O capitão-tenente sabia que havia ido longe demais, mas agora não queria voltar atrás. Queria ver com os seus próprios olhos o que sentiam aquelas pessoas, e do que precisavam. Sua intenção era ajudá-los, mas a doutorazinha havia desconfiado deles desde o primeiro contato e não lhes facilitava as coisas. Ao término do turno, ela veio até eles:

- E então, senhores jornalistas? Já têm o suficiente para a matéria? Ou vão insistir em ficar, porque se forem ficar, vou logo avisando, terão que arrumar hospedagem. A ONG não tem acomodações suficientes. Já bastam os refugiados, que, infelizmente, não têm onde ficar. E aí? O que pretendem fazer?

Alessandro tinha que pensar rápido. A perspicácia e a petulância daquela baixinha iam além dos limites. A base militar não ficava muito perto dali, e tinham vindo no ônibus que trazia os militares que não estavam de serviço até a cidade. Por sorte, só teriam que retornar em 48 horas. Ele sabia que próximo dali havia comércio, com bares, lanchonetes e hospedarias. Encontrariam onde dormir, pois no dia seguinte retornariam ao acampamento, para mais um turno trabalhando como voluntários.

- Não se preocupe, doutora. Chegamos hoje e encontraremos um lugar na cidade. Afinal, Pozzallo é um lugar turístico, e o que não vai nos faltar é hospedagem. E depois nunca se sabe... Somos dois homens solteiros e não estamos jogados fora... Alguma alma caridosa pode querer nos dar abrigo... Sabe como é... - Provocou.

Cretino! Mas esse cara é babaca, arrogante e sem noção! - Pensou Aisha, percebendo um sinal de alerta, que dizia que era melhor ela ficar bem longe daquele lindo gigante, com aqueles impressionantes olhos azuis.

- Acho melhor procurarem uma hospedaria, então. Já está anoitecendo e, se não encontrarem um lugar para dormir, ficarão ao relento. - Disse a doutora, sarcástica. - Boa noite.

- Boa noite, bella mia. - Provocou Alessandro.

- Não sou sua bela, senhor Romanzini. Para o senhor, sou a doutora Chiarelli, estamos entendidos?

- Sim senhora, doutora. - Assentiu Alessandro, divertido.

Bruxa! Aquela mulherzinha tinha um quê de bruxa! O que lhe faltava em altura, lhe sobrava em arrogância... Ela era tão... tão... Ah, que merda! Era tão sexy... Que só de pensar nela seu amigo lá de baixo se revirava dentro da cueca...

***

Encontrar uma hospedaria não fora tão fácil quanto imaginavam. Tinham conseguido a última vaga em um quarto em uma das pousadas, onde as condições não eram lá essas coisas... Mas era o que tinham.

Pozzalo era o ponto de partida para outros destinos turísticos, como Malta, por exemplo. Tinha praias lindas, de finíssimas areias brancas e um mar muito calmo e convidativo. Já era verão e a procura pela região era grande, o que dificultava arranjarem hospedagem, sem terem feito reservas.

Após conseguirem se acomodar, tomaram um banho e resolveram sair para comer e beber algo. Caminharam alguns minutos, e se depararam com um bar, à beira-mar. Entraram. O lugar era rústico, com um amplo balcão em madeira escura e banquetas coloridas. Havia mesas espalhadas pelo salão principal do bar, onde algumas pessoas saboreavam pratos feitos à base de peixes e outros frutos do mar. O cheiro era maravilhoso. Eles estavam famintos, mas assim mesmo não puderam deixar de notar a passagem que havia para outro salão, onde havia mesas de sinuca, jogos de dardo e um jukebox, em estilo vintage, mas equipado com músicas recentes.

Após saborearem um suculento prato de penne com mariscos, pediram uma cerveja Nastro Azurro e foram explorar o local. Estava cheio. Havia uma minipista de dança improvisada, em um pequeno espaço ao lado do jukebox, onde as pessoas divertiam-se dançando ao som das músicas que elas mesmas escolhiam. Os frequentadores locais misturavam-se aos turistas, numa democrática atmosfera de descontração, com um clima de sedução pairando no ar.

Eles acomodaram-se nas banquetas do bar para apreciar a cerveja e sentir o clima do lugar. Mas ao olhar para a pista de dança, Alessandro quase não pode acreditar no que os seus olhos estavam lhe mostrando... Ela estava lá, Aisha, com um jeans justíssimo, os longos cabelos negros soltos e os lábios mais vermelhos que um morango. Ela dançava ao som de Single ladies, tendo ao fundo a voz inconfundível de Beyoncé. Junto aos amigos, não se parecia em nada com aquela doutora petulante e mandona que ele havia conhecido no acampamento dos refugiados. Na verdade, ela estava mais linda do que nunca. Alessandro ficou por vários minutos vidrado nos movimentos dela e hipnotizado pelo seu sorriso fácil, destinado a todos que a cercavam... Menos a ele... Pois quando ela o viu, sentado a apenas alguns metros de distância, fechou a cara e virou-se para não encará-lo.

A doutora não sabia o motivo, mas sentia um misto de raiva e irritação, que fazia seu sangue pulsar mais forte nas veias e seu coração disparar toda vez que o via. Aquele homem aflorava nela algo que ela não conseguia compreender... E nem dominar.

Alessandro foi despertado de sua visão por Zantini.

- Olha isso, Romanzini, não é a doutora Aisha? Ou estou ficando louco?

- Onde? - Perguntou Alessandro, fazendo-se de desentendido.

- Por Deus Romanzini, você sabe muito bem onde é que ela está e é capaz de rastrear cada movimento dela, então não se faça de bobo, predador! - Debochou o amigo.

No ambiente militar, predominantemente masculino, Alessandro era conhecido como "garanhão italiano". Ele sabia que a fama era exagerada, mas não lhe cabia provar o contrário. Eles que pensassem o que quisessem. Só porque não se prendia a mulher nenhuma, gostava de ter uma vida livre e mais ainda de sexo, isso não fazia dele o predador que todos julgavam. Tinha trinta e cinco anos e até então nunca tinha encontrado uma mulher por quem valesse a pena atracar em um porto seguro... Ele era assim... Um homem selvagem, indomável. Ele era do mar. E o mar era dele...

Zantini continuou falando, mas ele não conseguira manter seu foco na conversa com o amigo. Estava paralisado, petrificado. Fora do acampamento aquela baixinha era uma mulher como qualquer outra... Mentira... Não como qualquer outra. Ela era incrível... Linda, decidida, senhora de si. A toda hora ele se perguntava: como alguém tão pequeno podia se tornar tão gigante?

Ele pediu licença ao amigo, que já estava sorrindo para uma loira peituda que estava sentada ao lado deles, mas que ele só vira agora. Depositou o copo no balcão do bar e dirigiu-se para a pista de dança.

Ela estava de olhos fechados, movimentando-se, e só os abriu quando começaram a soar os acordes de In Assenza Di Te, na voz melodiosa de Laura Pausini, mudando radicalmente o ritmo, e obrigando-a a voltar para a mesa onde estava com os amigos. Certamente alguém com uma tremenda dor-de-cotovelo tinha escolhido esta canção no jukebox. A melodia triste falava sobre como uma mulher sentia a falta de um homem que partiu.

"Io come un albero nudo senza te

senza foglie e radici ormai

abbandonata così

per rinascere mi servi qui"

"Eu sou como uma árvore nua sem você
Sem folhas nem raízes
Abandonada assim
E para sobreviver não posso ficar aqui"

Antes que a doutora voltasse ao seu lugar, foi interceptada por Alessandro, no meio do caminho:

- Como vai doutora Aisha? Que surpresa encontrá-la aqui! - Disse, fazendo-se de surpreso.

- Quem está surpresa sou eu, senhor Romanzini. Não pensei que fosse mesmo ficar por aqui... O trabalho com os refugiados é duro. Não é para qualquer um... Além do mais pensei que fosse ficar ao relento... Nesta época é difícil encontrar hospedagem. E sem ter alternativa, achei que fosse voltar para o lugar de onde veio... - Alfinetou.

- Enganou-se doutora, como pode ver, consegui hospedagem, um banho e uma cama macia... Há muitas almas caridosas aqui em Pozzallo. - Debochou.

- Então trate de recolher-se cedo, porque amanhã o trabalho será árduo.

- Estou acostumado a dormir pouco, doutora... Se é que me entende...

Cretino, cafajeste, descarado... Gostoso... Como é que ele ousa ser tão irritante e tão maravilhosamente sexy... Esse homem é um perigo, pensou Aisha. Ela devia esquivar-se dele o quanto antes. Sabia disso. Não queria dar-lhe nenhum tipo de intimidade.

- Doutora, não entendo o que eu fiz para que me hostilize tanto. Só estou tentando entender como as coisas funcionam num acampamento de refugiados. Desde que nos vimos pela primeira vez, hoje cedo, a senhorita não parou de me hostilizar. Não consigo entendê-la. Eu proponho que se permita me conhecer melhor. Para selar meu pedido de paz, eu lhe convido: vamos dançar esta música? Adoro esta canção... - Disse o capitão, tentando quebrar o gelo da morena.

A moça ficara envergonhada. Era verdade. Ele não havia feito nada, tinha apenas se oferecido como voluntário, trabalhado duro, e até então tinha se portado muito bem. A hostilidade que sentia era inexplicável. Talvez fosse parte do desejo inconsciente de afastá-lo, pois no seu íntimo, ela sabia que tinha se sentido atraída por ele, desde o primeiro momento em que o vira.

- Tudo bem, senhor Romanzini. Posso dançar com o senhor, mas vou logo lhe avisando, se passar dos limites... Vai se arrepender de ter me conhecido! - Advertiu, enquanto ele a conduzia de volta para a pista.

O capitão a apertou em seus braços e conduziu a dança. E ela se deixou conduzir. Aquela pequena mulher tinha um cheiro doce, e sua pele era macia e bronzeada. Ele estava inebriado por aquele perfume e por senti-la tão próxima. Tocou-lhe os ombros e desceu as mãos pelas suas costas. Seus corpos se encaixaram na dança como se tivessem sido feitos um para o outro, apesar da desproporção na altura. Ele tinha pelo menos uns vinte e cinco centímetros a mais, o que permitia a Aisha recostar a cabeça em seu peito forte. E... Merda... Ele já estava duro.

Aquele homem era um pedaço de mau caminho. Uma tentação ambulante e ela se sentia cada vez mais atraída por ele. Tinha que afastar estes pensamentos. Era só uma dança, afinal. E o homem, por mais bonito que fosse, era apenas mais um. Ela já tinha dançado muitas vezes e também tinha ido para a cama tantas outras, com homens que julgava interessantes. E depois cada um seguia o seu caminho... O seu foco eram as ações humanitárias, e o seu trabalho como médica. E nada a desviaria disso, então, se ela quisesse, poderia se deixar levar, por que não? Além do mais, ele ficaria mais um dia, faria a sua matéria e depois também seguiria o seu rumo. Seus pensamentos vagavam tanto que ela nem percebera que a música havia acabado.

- Doutora, a música acabou. - Disse Alessandro, divertido.

- Eu percebi senhor Romanzini.

- Ora, doutora, porque não eliminamos as formalidades? Só Alessandro e Aisha, pode ser? - Pediu o capitão.

- Claro, vamos começar de novo. Permita-me apresentar-me novamente: sou Aisha. - Ela estendeu-lhe a mão, quebrando definitivamente o gelo.

- Prazer em conhecê-la, Aisha. Sou Alessandro. - Disse, também estendendo a mão para cumprimentá-la, como se estivessem acabando de se conhecer, e, selando definitivamente a paz entre eles. E completou. - Posso convidar você para tomar uma cerveja, Aisha?

- Prefiro uma coca-cola. - Disse a doutora.

- Tudo bem. Senhor, duas cocas, por favor. - Pediu Alessandro, ao atendente do balcão.

Sentaram-se lado a lado nas banquetas. Aisha estava corada, seu coração estava descompassado e ela o desejava loucamente. O capitão, por sua vez, não ficava para trás. Cada célula do seu corpo desejava aquela mulher. A tensão sexual entre os dois era evidente.

- Aisha, de onde você é? - Quis saber o capitão. Tudo naquela fascinante mulher o interessava.

- Eu nasci em Aleppo, na Síria, e vim para a Itália com os meus pais adotivos, ainda bebê. Não sei quem são meus pais biológicos, e, a cada barco com refugiados que recebo, penso que poderia encontrá-los, nas piores condições possíveis... E isso me inquieta. - Confessou Aisha, visivelmente emocionada.

Agora tudo fazia sentido...

- Eu sinto muito. Nunca mais teve notícias deles?

- Não, nunca mais. Fui colocada em um orfanato. Meus pais me adotaram quando eu tinha dois meses. Vim com eles para a Itália. Cresci em Roma. Estudei, me formei e não aceitei o emprego que meu pai adotivo, também médico, me arrumou no hospital onde é diretor. Eu me juntei aos Médicos Sem Fronteira e aqui foi o primeiro destino para onde me mandaram. Não sei qual será o próximo. - Disse. Tenho esperanças de voltar à minha terra natal e ajudar meu povo... Quem sabe tenha alguma pista dos meus pais.

- Infelizmente, hoje, a Síria é um lugar perigosíssimo. Não há condições de você ir até lá, Aisha.

- Irei com os MSF, e ficarei em Zwara. Estou tentando minha transferência.

As palavras de Aisha fizeram o coração de Alessandro apertar. Ele não entendia como aquela mulher, que era praticamente uma desconhecida, causava-lhe tanta preocupação e tinha um impacto tão profundo sobre os seus sentimentos. Que espécie de atração era essa, que ele não conseguia compreender?

Aisha(,) por sua vez, nunca falara sobre seu passado com ninguém que tivesse conhecido no mesmo dia. Nem mesmo alguns de seus amigos, com quem convivia, sabiam sobre as suas origens. Assim como o capitão, ela não compreendia o que aquele homem tinha vindo fazer ali, tampouco entendia porque ele a afetava tanto e tão profundamente...

Ela continuou a conversa.

- Eu sei me cuidar, Alessandro. Irei em uma missão humanitária. Desde que a Marina Militare resolveu dar fim à operação Mare Nostrum, sei que milhares de pessoas irão morrer em alto mar, sem que possamos fazer nada. Prefiro estar próxima aos locais de onde elas partem, tentando fazer algo... A Itália e a União Europeia estão eximindo-se da responsabilidade que lhes cabe ao receberem os refugiados. O plano é dificultar as coisas para que eles não cheguem até aqui, não importa quantas vidas isso irá custar... - Disse a doutora, em um discurso inflamado.

- Mas a Itália não tem o bastante para receber estas pessoas, Aisha. Não é tão simples assim. São milhares de refugiados, de vários países, e não temos como absorver toda essa gente e dar dignidade a eles. - Retrucou o capitão, sabendo muito bem do que estava falando.

- Acho que na união europeia são todos uns egoístas, isso é o que eu acho... Neste quesito parece que estamos em lados diferentes, Alessandro. - Disse Aisha, reforçando a sua tese.

Alessandro teve certeza absoluta de que não era o momento de revelar-lhe sua verdadeira ocupação, pois pelo visto a doutora não gostava nadinha da marinha. Ah, se ela soubesse... Talvez não lhe perdoasse a mentira. E ele estava loucamente atraído por aquela pequena...

Ela não se deu por satisfeita e continuou:

- Desculpe-me Alessandro, mas vocês da imprensa, então... Só fazem sensacionalismo, mas ajudar, que é bom, nada! - Exclamou.

- Infelizmente, precisamos fazer determinadas coberturas e nos mantermos imparciais. - Mentiu, como se realmente ele fosse um jornalista. - Mas estou solidário aos refugiados, tanto que estou como voluntário tentando sentir "na pele" o que sentem estas pessoas... - Disse o capitão, agora com sinceridade.

- Por mais que eu ou você tentemos... Nunca saberemos o que, de verdade, sentem os refugiados. Temos uma profissão, um emprego, amigos, comida na mesa e um lar para onde voltar depois do trabalho... E eles? Muitos tinham tudo o que temos e agora não têm nada... - Refletiu.

Ia ser difícil contar para Aisha que ele era um capitão-tenente da marina militare, pensou Alessandro. Ela não entenderia... E ele não queria arriscar... Parecia-lhe que ela também se sentia muito atraída por ele.

A conversa entre os dois foi interrompida por Zantini, que estava com a tal loira que havia conhecido e a estava levando embora. Ele veio até Alessandro, cumprimentou Aisha, pediu um minutinho e levou-o até a entrada dos banheiros, para falar-lhe com privacidade:

- Romanzini, estou levando Sophia para o quarto da hospedaria, tudo bem?

- Tem coragem de me perguntar se está tudo bem, Zantini? E eu, porra? Vou dormir aonde, seu pegador de quinta categoria?

- Cara, Sophia não vai poder ficar comigo a noite toda. Então, daqui a umas duas horas você pode voltar para lá, Ok?

- Ok. Adiantaria eu dizer qualquer outra coisa?

- Não. Você está me devendo essa Romanzini! Pelos dois dias de trabalhos forçados...

- Vá se ferrar, Zanitini!

- Obrigado, cara. Também te amo! - E saiu, em direção à bela loira que o esperava.

E o capitão, sorrindo e balançando a cabeça em sinal de negação, voltou para onde estava. Mas, chegando lá, a doutora tinha ido embora... Ah, que ótimo! Ele iria mesmo matar o seu amigo. Estava sozinho... E tendo que fazer hora para voltar à hospedaria. E o pior é que o sono e o cansaço estavam batendo à sua porta. Já era dez da noite... Romanzini bebeu mais duas cervejas, jogou dardos, flertou com uma morena sorridente que quis jogar sinuca com ele, mas nada disso conseguia distraí-lo. Seu pensamento estava naquela pequena bruxa, de um pouco mais que um metro e meio, com longos cabelos negros e os lábios mais impressionantes e convidativos que ele já vira...

***

Felizmente a espera de duas horas teria fim em poucos minutos, e ele resolveu que iria caminhando pela orla, até chegar à hospedaria. Saiu do bar. A noite estava linda. Havia uma brisa suave e quente pairando no ar. A lua cheia impunha sua presença no céu e brindava a todos com sua luz prateada. Seu reflexo se refletia na mansidão do mar e no quebrar das ondas fracas na branca areia. Havia casais de namorados por toda a parte. Alessandro abaixou-se para amarrar o cadarço do seu sapato e, quando ergueu o corpo, deparou-se com uma visão inquietante. Aisha estava parada ali, bem na sua frente. Ele piscou os olhos duas vezes para ver se aquilo não era uma miragem. Mas era real. Ela estava ali. Linda e sorria para ele.

- Doutora, o que faz ainda na rua, sozinha a estas horas? - Perguntou, reparando que a moça já havia trocado de roupa e usava apenas um fino vestido branco, de alças, que lhe revelava as formas curvilíneas.

- Não me despedi de você, Alessandro. Não costumo ser assim, mal educada... Como o meu apartamento é bem ali, e eu o vi caminhando, resolvi descer para dizer boa noite. - Disse Aisha, apontando para um simpático sobrado, quase à beira-mar, do outro lado da rua.

Alessandro ficou sem palavras. Parecia que a sorte estava lhe sorrindo, afinal. Aquela mulher era um pecado e estava bem ali, na frente dele. Ele precisava dizer algo rapidamente, mas quase se atrapalhou com as palavras:

- Fico muito lisonjeado, doutora, por sua consideração. Mas, sinceramente, não entendi porque me abandonou lá no bar, sem se despedir de mim... - Disse, deixando escapar um fio de ressentimento na voz.

- Estou me redimindo por isso, Alessandro, mas se eu não for bem vinda, posso voltar agora mesmo e...

Antes que ele continuasse a falar alguma bobagem que a irritasse mais, o capitão puxou-a para si, tomando-a em um abraço e colou sua boca naqueles lábios macios, fazendo o que queria ter feito desde o primeiro momento em que a viu. No começo, ela ofereceu alguma resistência, mas Alessandro habilmente foi quebrando o feitiço daquela pequena bruxinha. Lentamente, ela foi correspondendo ao beijo, e acabou passando-lhe as mãos a volta do pescoço, trazendo-o também para si. As línguas de ambos dançavam sensuais, provocando-se e explorando-se mutuamente, naquele beijo tão intenso e tão desejado intimamente pelos dois. O desejo estava ali, presente, latente, consumindo-os.

Aisha, por sua vez, sentia que o ar ia lhe faltar e o coração parecia-lhe que saltaria pela boca. Estava enfeitiçada por aquele homem que mal conhecia. Nunca tinha vivido nada parecido. Sua vida profissional era brilhante, mas a pessoal, ultimamente (,) estava um desastre. Tinha tido um namorado na faculdade, Marcelo, que a deixou alguns dias antes da formatura, sem lhe dar explicações, o que lhe rendeu uma grande descrença em relacionamentos. Desde então, não havia se envolvido com mais ninguém, e, quando queria, fazia sexo casual e sem culpa. Era uma mulher moderna e descolada, mas como não teve tantos parceiros assim, não era lá muito experiente.

O beijo foi ficando possessivo e urgente. Alessandro reivindicava-lhe os lábios e a apertava tão fortemente em seus braços, que podia sentir cada curva daquela linda mulher sob os seus músculos. Estava louco por ela. Aisha sabia que o desejo que os consumia era recíproco e, sem dizer nada, num gesto de pura sutileza, afastou-o carinhosamente, pegando-o pela mão e o conduzindo até o outro lado da rua, onde ficava seu apartamento. Os dois ofegavam. O trajeto de pouquíssimos metros até o imóvel parecia uma eternidade. Entraram no pequeno edifício e subiram por uma estreita escada de madeira. A doutora colocou a chave na porta, girou-a na fechadura e a abriu, revelando um simpático loft com uma iluminação fraca, tendo ao fundo uma cama king size, encostada à janela, de onde se tinha uma vista incrível da praia, como Alessandro iria conferir alguns minutos depois.

O capitão não perdeu tempo e pegou Aisha no colo, pressionando-a de costas contra a porta que ele acabara de fechar com o próprio corpo. Ela enlaçou a cintura de Alessandro com as pernas e ele continuou a atacar seus lábios, com beijos cada vez mais intensos. Seus corpos tinham urgência, e eles sabiam disso... Estavam ofegantes. Ele foi deixando uma trilha de beijos pela nuca e pelo pescoço de Aisha, que gemia, completamente entregue ao momento...

Ainda com ela no colo, com as pernas em torno da cintura dele, caminhou até a cama. Ele a deitou de costas e deslizou as alças do vestido, uma de cada vez pelos seus ombros, expondo a pele nua e macia dos seus seios perfeitos. Alessandro ficou encantado com o que viu. Ela tinha seios lindos, rijos, e ele não se conteve, beijando-os um de cada vez, e mordiscando-lhe suavemente os mamilos, levando Aisha a loucura. Ela nunca havia desejado tanto assim um homem. Ergueu ligeiramente o corpo e ajudou-o a retirar a camisa. Ele ficou nu da cintura para cima. Tinha um abdômen perfeito e os braços fortes. Era lindo demais, aquele loiro de olhos azuis.

Alessandro acabou de retirar-lhe o vestido, revelando-lhe a leve calcinha de seda amarela, em contraste com a pele bronzeada da doutora. Beijou-lhe por cima do tecido, e deslizou a finíssima peça pelas coxas de Aisha, expondo seu sexo. Ele afastou-lhe as pernas e se acomodou entre elas. Precisava sentir o gosto daquela mulher. Ele beijou despudoradamente seu sexo e provocou-o, até arremessá-la em um intenso orgasmo, que a fez estremecer e gritar seu nome.

Aisha, inebriada de tanto prazer, queria mais. Sentou-se na cama e ajudou-o a livrar-se do tênis, do jeans e da cueca boxer ele que usava, deixando-o completamente nu. A visão que teve não a decepcionou. Ele era um homem viril, com um porte atlético, de uma beleza peculiarmente masculina. Os cabelos curtíssimos e rosto liso, sem barba, davam-lhe um ar perigosamente angelical. Entretanto, ela sabia que aquele homem não tinha nada de anjo... Era um pecado ambulante, isso sim. E Aisha intuía que depois que ele a levasse para conhecer o seu mundo de prazer e luxúria, ela nunca mais seria a mesma.

O capitão tateou até o bolso do jeans que repousava no chão e retirou uma embalagem com dois preservativos.

- Bella mia, só tenho estes dois. Então vai ter que se contentar... - Disse-lhe, ofegante, enquanto desenrolava o preservativo em seu membro ereto, fazendo-a dar uma sonora gargalhada. Ela ficava tão linda quando sorria... Na verdade, ela ficava linda de qualquer jeito, pensou Romanzini.

- Alessandro, não se preocupe... Tenho muitas dessas aqui na gaveta do criado-mudo. Então, pode começar a se preocupar, porque talvez você não dê conta... - Provocou. - Ah, e tem mais: não sou sua bela! - Exclamou, fazendo Alessandro, com um único movimento preciso e calculado, derrubá-la na cama e cobrir seu corpo com o dele.

O capitão não estava para brincadeiras. Aquela pequena mulher havia despertado nele seu instinto de homem do mar, e ele estava louco para tomar posse daquilo que havia ido buscar... Ergueu as mãos dela no alto da cabeça e pressionou-a contra a cama, penetrando-lhe com movimentos firmes, porém delicados. Aisha afastou as pernas para recebê-lo, como se isso fosse a coisa mais natural a se fazer. As estocadas, antes gentis, foram ficando mais vigorosas, e ele a possuía com paixão. Aisha, que se entregara por completo, gemia e sentia que toda a sua energia se acumulava no baixo-ventre. Estava prestes a ter o segundo orgasmo, mas Alessandro queria mais... Retirou-se de dentro dela deixando-a com um enorme vazio, e uma necessidade urgente de senti-lo novamente. Aisha gemeu, e ele com a voz rouca de desejo, disse-lhe ao ouvido:

- Diga, bella mia, o que você quer?

Ela ofegou. Seu coração ia estourar, de tão acelerado que estava. Ela mal podia falar, e sua voz saiu como um fio...

- Você. ­- Sussurrou.

- Não ouvi bella mia, diga de novo. Peça. O que você quer? - Disse o capitão, completamente ofegante e rouco.

-Você... - Sussurrou tímida, novamente.

- Ainda não ouvi, bella... Diga de novo...

O capitão mexeu com a pequena bruxa que havia dentro de Aisha e ela, frustrada, e desejando sentir de novo aquele homem dentro dela, gritou, a plenos pulmões...

- Quero você, Alessandro! Você, porra! Só você! Quero agora!

E ele não esperou mais. Girou o corpo de Aisha e posicionou-a em quatro apoios na cama, penetrando-a por trás, levando-a a loucura, enquanto acariciava seus seios com uma das mãos, e com a outra, traçava desenhos circulares em seu sexo. Ela não iria conseguir se conter por muito tempo. Aquela experiência estava sendo a melhor da sua vida. Alessandro também estava se controlando o mais que podia, mas sentia que suas forças estavam no fim. Já tinha dormido com muitas mulheres, mais Aisha era diferente... Aquela bruxa sabia o que queria e conseguia despertar nele algo que ele não sabia explicar. O encaixe entre os dois era perfeito, e a conexão que se estabelecera não era apenas física... Ele estava com medo do que estava sentindo... Nunca acreditara em amor à primeira vista... Mas, naquele momento, procurou não pensar e se deixou levar...

O êxtase chegou para os dois quase ao mesmo tempo. Aisha deixou seu corpo convulsionar num orgasmo intenso, que acabou levando Alessandro a abandonar-se ao seu próprio êxtase, quase no mesmo instante.

Ele deixou o corpo tombar para um lado da cama, trazendo Aisha com ele, sem sair de dentro dela. Os batimentos de ambos estavam acelerados, e os dois, suados e exaustos pelos esforços que haviam feito, optaram por ficar em silêncio. Alessandro saiu de dentro de Aisha delicadamente, retirando a camisinha e dando um nó na ponta, deixando-a de lado.

Deitados, assim de conchinha, quase não se notava a diferença de altura entre eles. O topo da cabeça de Aisha encaixava-se perfeitamente debaixo do queixo do capitão. Ele ficou com ela, abraçando-a por trás, e acariciando seus cabelos, ainda por alguns minutos, até ela virar para frente e encará-lo.

- Aisha...

- Alessandro...

E beijaram-se novamente. O beijo dessa vez foi terno. Um beijo de reconhecimento, cheio de promessas.

Não era possível que tivesse se apaixonado por um homem que ela só havia visto uma vez na vida, pensou Aisha. Ela não seria tão estúpida assim, ou seria?

Alessandro, por sua vez, pensava praticamente da mesma forma. O que ele havia feito? Tinha levado aquela pequena bruxinha para a cama, e tudo tinha sido perfeito. Ela era perfeita demais... Mas ele a estava enganando. Ela pensava que tinha dormido com um jornalista freelancer, mas não. Ele sabia que não tinha sido honesto com ela e não se orgulhava disso. De jeito nenhum. Tinha medo do que aconteceria, quando a verdade viesse à tona. Resolveu que iria achar um momento propício e contar. Não podia ser ali, logo depois do que fizeram.

Estavam tão cansados, que, sem dizer nada, nos braços um do outro, adormeceram...

***

Na manhã seguinte o despertador de Aisha os tirou do paraíso logo cedo. Romanzini abriu os olhos e levou alguns segundos para lembrar-se de onde estava. Ela já tinha se levantado e estava no banho. Então tinha sido verdade? Tinham dormido juntos? Aquilo não tinha sido um sonho... Ele ficou feliz que fosse assim, e por outro lado, inquieto, porque ainda havia uma grande barreira entre os dois a transpor. Além disso, no dia seguinte, teria que se apresentar novamente à sua base e entraria em missão novamente. Não sabia para onde ele e o Squadra, o navio-patrulha sob o seu comando, seriam enviados. Isso significava que seu tempo com a pequena bruxinha teria fim naquele mesmo dia. Seu celular estava vibrando no criado-mudo. Era Zantini. Porra, ele havia se esquecido completamente do amigo e de avisá-lo sobre o seu paradeiro!

- E aí, garanhão italiano? Aonde você aportou esta noite?

- Não fode, Zantini! Depois eu explico!

- Ei, cara, pelo visto sua noite não foi tão boa quanto a minha. Você está com um mau-humor dos diabos! - Disse o amigo.

- É que não posso falar agora, cara! A gente se vê daqui a pouco no acampamento... E por favor, bico fechado!

- Olha Romanzini, estou ligando justamente para te avisar que não vou ao acampamento. Hoje é meu último dia e vou ficar com Sophia. Você vai continuar com essa ideia maluca?

- Vou. Agora mais do que nunca. - Disse, mais para si mesmo do que para Zantini.

-A gente se vê na base amanhã. Ah, já ia me esquecendo: o quarto da hospedaria está pago por mais essa noite. Então, logo mais você poderá dormir lá. Agora tenho uma alma caridosa que me deu abrigo. - Disse, mudando o tom de descontraído para preocupado. - Cara, se cuida!

- Tudo bem amigo, se cuida também.

Aisha estava saindo do banho quando ele desligou o telefone.

- Problemas? - Indagou, vendo o semblante preocupado de Alessandro.

- Não, era só o meu amigo Zantini, que ligou para dizer que não poderá ir ao acampamento hoje.

- Ora, ora, temos a primeira baixa! - Debochou. - Qual será a próxima?

- Doutora, não me faça mostrar o quanto sou determinado... - Disse Alessandro, prendendo-a na cama com seu corpo e beijando-a.

- Já pude constatar o quanto é determinado, jornalista Romanzini... Deve ser seu faro jornalístico. - Brincou Aisha, entre um beijo e outro, ferindo-o com estas simples palavras, que lembravam a ele a toda hora o quanto estava sendo cafajeste.

- Vamos embora, senão nos atrasamos. Sou sempre a primeira a chegar. - Disse a doutora, encarando a difícil missão de libertar-se dos braços de Alessandro para se arrumar.

Os dois tomaram café juntos, mas a doutora seguiu sozinha para o acampamento. Alessandro foi para a hospedaria tomar um banho e colocar roupas limpas antes de ir até o local onde trabalhava Aisha. No caminho foi pensando e decidiu que no fim do dia, após o expediente como voluntário, convidaria a doutora para sair e acabaria com a farsa.

O dia passou arrastado. A rotina com os refugiados, a tristeza, a desesperança e o sofrimento daquelas pessoas tocavam-no profundamente. Ficou sabendo que dali a poucos dias, as organizações humanitárias que ajudavam em Pozzallo seriam destacadas para outros lugares. E Aisha iria junto... Só de pensar nisso, seu coração apertava-se. Ele próprio também iria para um destino desconhecido.

Os refugiados, por sua vez, também estavam seguindo seu caminho penoso. Uns conseguiriam ficar na Itália. Outros tentariam atravessar para outros países. Alguns seriam enviados de volta aos seus locais de origem, o que era seu pior pesadelo. Havia muitas crianças e idosos, sem família e sem amparo. Estes iriam para instituições de caridade, e só Deus sabe o que o futuro lhes reservaria... E nem ele, nem a Itália e nem a sua marina militare, que ele tanto amava, poderiam fazer nada. Logo ele, que vinha de uma numerosa e unida família napolitana. Seus pais e seus irmãos viviam todos próximos uns aos outros. Eram gregários, mas ele, desde pequeno fora desgarrado e logo cedo demonstrou sua vontade de sair pelo mundo. Nunca estabelecera vínculos profundos, nem aportara em portos seguros. Alessandro vivia sempre se aventurando. Mas dessa vez, algo tinha mudado. Seu senso de proteção estava aguçado. Aisha despertara isso nele. Não podia deixá-la ir e inquietava-se com isso.

Aisha havia entrado na tenda onde ele estava ajudando e perguntou:

- Senhor Romanzini, onde está a sua câmera? Não vai fazer fotos para as suas matérias?

Alessandro congelou. É claro que ele deveria ter uma câmera com uma objetiva à altura de registrar fotos impressionantes. Mas ele tinha uma? Claro que não, afinal, ele não era uma porra de um jornalista. A mentira nunca fora um bom caminho e ele nunca fora um bom mentiroso.

- Doutora, infelizmente, meu companheiro de trabalho me deixou na mão hoje, como é do seu conhecimento. Então terei que me contentar com a câmera do meu celular mesmo. - E, muito sem jeito, começou a fotografar aleatoriamente.

Aisha achou muito estranho, pois em sua opinião, não havia texto, por mais bem elaborado que fosse, capaz de contar melhor as histórias que se passavam ali, do que as fotografias, que falavam por si, mas não insistiu. Certamente ele sabia o que estava fazendo, afinal, ele era o jornalista.

No final do dia, despediu-se de todos com quem convivera durante estes dois dias e fizera um depósito de uma boa quantia em nome dos médicos sem fronteira, mas pediu segredo ao responsável pelo recebimento. Acreditava no trabalho deles. Alessandro era financeiramente estável. Tinha mais do que o necessário para viver. Sua vida era confortável, e diante das privações pelas quais passavam aquelas pessoas, não havia uma quantia que fosse razoável doar. De agora em diante, desde que pudera ver de perto o trabalho daqueles heróis anônimos, seria um contribuinte mensal. Estava decido.

Aisha o convidara para jantar. Cozinharia para ele. Ambos sabiam que isso soaria como uma despedida, pois a doutora pensava que o capitão-tenente, que se dizia jornalista, iria seguir viagem no dia seguinte.

Mal haviam entrado no apartamento de Aisha e ele a pegou no colo, fazendo-lhe cócegas e depositando-a na cama macia. Ele a beijou com paixão, e ela, ainda ofegante pelas cócegas e pelos beijos, correspondeu, puxando-o para si.

Desta vez, ela queria ter o gostinho de estar no comando, e começou a tirar-lhe a roupa, deixando-o gloriosamente nu, exibindo a sua ereção majestosa. Ele também a ajudou a despir-se, e os dois foram nus para o banheiro, a fim de refrescarem-se depois de um dia de trabalho intenso... A água morna do chuveiro era convidativa e revigorante e Aisha ficava linda, lavando os cabelos. O capitão apressou-se em ensaboá-la. Queria cuidar dela. Pegou a esponja e encheu de sabonete líquido. O cheiro era de morangos silvestres. O mesmo cheiro de Aisha, delicioso. Ele fez uma farta espuma e deslizou toda a esponja pelo corpo curvilíneo da doutora. Ela tomou a esponja das mãos dele e fez o mesmo. Acariciaram-se, ensaboaram-se e enxaguaram-se juntos. Aquela brincadeira embaixo da água tinha despertado ainda mais o apetite dos dois... E não era só de comida... Tinham fome um do outro. Alessandro desligou o chuveiro e imprensou Aisha contra a parede do boxe, beijando-a com paixão. O desejo entre os dois era crescente, e se fazia visível na ereção de Alessandro. Ela pegou o membro rígido de Romanzini entre as mãos e começou a acariciá-lo com movimentos firmes de vai-e-vem. Logo em seguida, agachou-se o colocou na boca, levando-o à loucura. Ele apoiou-se na torneira, jogou a cabeça para trás, fechou os olhos, e entregou-se ao êxtase, emitindo sons primitivos de puro prazer. Quando ele estava prestes a transbordar de prazer, ela desvencilhou-se gentilmente dele, estendeu a mão e alcançou uma camisinha na bancada do banheiro. Ajudou-o a adaptá-la em seu membro, para que pudesse senti-lo dentro dela. Precisava disso. Alessandro virou-lhe o corpo contra a parede, com as mãos espalmadas e a penetrou, com estocadas firmes. Ela gemia e gritava seu nome. Ele afastou-lhe os cabelos e teve acesso ao seu pescoço, onde depositou mordidinhas e beijos, enquanto com uma das mãos, habilmente acariciava-lhe o sexo, já sensível. Os dois, em um ritmo próprio, só deles, entre gemidos, sussurros e palavras desconexas, chegaram juntos ao êxtase.

Ficaram um tempo abraçados, dentro do boxe, sem saber o que dizer. Parecia mesmo que um sentimento novo os tinha pegado de surpresa, e agora, fosse pela natureza das suas profissões, fosse pela mentira que os separava, o relacionamento que mal tinha começado, estava fadado a naufragar nas águas da Sicília.

Secaram-se, arrumaram-se e Aisha resolveu preparar um spaghetti aglio e lio, sua especialidade. O loft onde vivia Aisha era composto por uma ampla sala, separada da cozinha por uma ilha com banquetas. Uma estante baixa de livros separava a área onde havia uma televisão, poltronas confortáveis e mesinhas de centro e canto, da enorme cama onde tinham passado a noite. O banheiro era o único cômodo isolado. O local era charmoso e aconchegante, e, o mobiliário e os eletrodomésticos e utensílios, eram modernos.

Enquanto Aisha cozinhava, Alessandro a observava sentado nas banquetas, próximas a cozinha. Ela alcançou o controle da TV, e acionou o canal de reportagens. Assistiram a várias matérias, mas uma, em especial, lhe chamaria a atenção, e mudaria completamente o rumo das coisas. A matéria falava sobre a marinha, sobre o fim do Mare nostrum e sobre os refugiados que haviam recebido há dois dias. E então, sem mais nem menos, apareceu na tela uma foto do capitão-tenente, que comandava o navio que os resgatou. Aisha, quando ouviu mencionarem o nome de Alessandro Romanzini, ficou paralisada e parou o que estava fazendo imediatamente, voltando sua atenção para a TV, chocada ao ver quem era o tal capitão na fotografia. Uma lágrima escorreu dos seus olhos. Desligou o fogo, tirou o avental que havia colocado por cima da camiseta de malha e foi em direção a Alessandro, socando-o. Ele apenas se defendia.

- Eu posso explicar (,) Aisha, por favor... Eu ia te contar...

- Mentiroso! Eu sabia que não podia confiar em você, desde o primeiro dia!

- Não! Por favor, eu ia te contar ainda hoje, Aisha... Bella mia... - Dizia Alessandro, desesperado, andando atrás dela pelo pequeno apartamento.

Aisha passava nervosamente a mão nos cabelos, e, trêmula, andava pelo apartamento, até parar à frente da imensa vidraça da janela, onde ela escorou-se para chorar.

- Você é um capitão-tenente, da porra da marina militare, Alessandro! Você é um deles! Por causa de homens como você, milhares de pessoas ficarão à deriva, e outras tantas morrerão, abandonadas à própria sorte no Mediterrâneo. Eu odeio você! Odeio o que vocês, militares covardes, fazem! Saia daqui agora!

- Não Aisha, amore... Você está enganada! O sofrimento deles me atingiu em cheio... Acredite... Não consegui tirá-los da cabeça... Por isso fui até lá em segredo, para saber como estavam... Para saber o que seria deles... E o que eu poderia fazer para ajudá-los.

- Não acredito em você, Alessandro! Homens como você sempre estarão do lado oposto. Se fosse verdade o que está dizendo, você teria se identificado! Saia daqui agora, estou pedindo!

- Aisha, ouça, por favor. O que estou te dizendo é a mais pura verdade... Não me identifiquei porque queria ver com os meus próprios olhos, por outro ângulo, como era o dia a dia no acampamento dos refugiados... Acredite em mim, por favor!

- Fui para a cama com um jornalista, e não com um capitão-tenente da marinha! Isso é tudo o que eu sei: você mentiu para mim! Mentiu! Fora Alessandro!

Não havia argumentos que fizessem Aisha voltar atrás. Ela estava decidida a nunca mais voltar a ver Alessandro. Não tolerava mentiras. Estavam em lados opostos da vida.

Ele acabou de vestir-se e, desolado, saiu, deixando para trás uma mulher com o coração despedaçado a chorar, sentada atrás da porta.

Alessandro havia partido o coração daquela bruxinha por quem havia se apaixonado em tempo recorde e isso o estava matando. Ele, que nunca tinha gostado de ninguém em toda a sua maldita existência, conhecera o que é o amor à primeira vista. Entretanto, por causa da sua burrice e inconsequência, o havia deixado escapar entre os dedos.

Voltou ao bar onde tinha visto Aisha na véspera e, inevitavelmente, encheu a cara. No caminho para a hospedaria, aonde chegaria só Deus sabe como, passou pela janela de Aisha e gritou seu nome inúmeras vezes. Ela, que não desgrudara da janela, viu e ouviu tudo, mas fechou as cortinas e foi chorar abraçada ao travesseiro.

O capitão desistiu e foi para a hospedaria terminar a noite. Na manhã seguinte, teria que pegar o ônibus que o levaria de volta à base militar.

***

A noite tinha sido péssima para ambos. Na manhã seguinte, os dois estavam acabados e com olheiras profundas. Aisha não compreendia porque Alessandro havia mentido, e pior, porque ela se abalara tanto com isso.

O capitão foi até o local onde pegariam o ônibus para voltar à base e encontrou com Zantini, que parecia feliz e bem disposto. Sophia foi levá-lo até o embarque e os dois ficaram trocando beijos, olhares e suspiros até a hora da partida. Pelo visto não fora só ele o único flechado pelo cupido do amor à primeira vista.

O amigo, que era tenente, bateu continência e o deixou entrar primeiro no ônibus, como era praxe na vida militar. Depois, teve permissão para sentar-se ao seu lado durante o trajeto.

- Porra, Romanzini, você está péssimo. O que aconteceu, cara? A doutora te nocauteou? - Perguntou, baixinho, pois já estavam uniformizados e Zantini não poderia falar assim, informalmente, com o seu superior.

Alessandro, contendo as lágrimas contou tudo ao amigo.

- Viu, cara, eu te disse que isso não ia dar certo. Falei desde o primeiro dia. - Repreendeu Zantini. - E agora, o que é que vai ser daqui para frente? Iremos partir em uma nova missão, e ela, pelo visto, partirá com os médicos sem fronteira. Vocês perderão o contato. Tem o número dela, pelo menos?

- Porra, cara, obrigado. Você está sendo muito otimista. - Ironizou Romanzini.

- Você tem o número dela? - O amigo repetiu a pergunta.

- Tenho. Já mandei várias mensagens pelo aplicativo, mas ela não visualizou nenhuma. Ou não viu, ou não quis ver...

- Calma Romanzini. Dê um tempo para ela. As coisas aconteceram muito rápidas entre vocês, então dê um desconto...

- Não tenho escolha, cara. Farei isso. Preciso colocar a cabeça no lugar e pensar nos próximos passos, para não colocar os pés pelas mãos novamente. - Disse o capitão, tentando recuperar um pouco da sua lucidez, roubada pelos últimos acontecimentos. - E você, como foi com a loira?

- Sophia?

- Claro, com quantas loiras você dormiu?

O amigo riu discretamente e começou a contar a sua história, distraindo Alessandro por todo o trajeto. Ele também tinha se apaixonado. Pelo visto Pozzallo era um lugar afrodisíaco.

Os próximos dias transcorreram sem novidades, e o capitão-tenente voltou a cumprir sua rotina, mergulhando no trabalho burocrático e... Nas pesquisas. Pediu ajuda extraoficial a vários colegas e conseguiu descobrir para onde iriam os médicos sem fronteira que estavam em Pozzallo. Iriam para a Líbia, em direção ao porto de Zwara, para desespero de Alessandro, pois ele sabia que lá era um lugar perigosíssimo. Havia o risco de pirataria e sequestros, além dos conflitos na região. Não havia nada que pudesse fazer...

De noite, quando ia se deitar, Alessandro não parava de pensar em Aisha. Aquela bruxa o tinha enfeitiçado para valer. Ela não respondera a nenhuma de suas mensagens e, pelas suas contas, em dois dias partiria para a Líbia. Além da saudade, isso lhe tirava o sono e roubava-lhe a paz.

Aisha ainda estava desolada. Tinha se apaixonado por um capitão-tenente da marina militare, que ironia do destino... Ela pensou que com o passar dos dias, esqueceria Alessandro, mas a verdade é que quanto mais as horas passavam, mais saudades sentia dele. Como é que isso fora acontecer com ela? Assim como Alessandro, ela nunca havia acreditado em amor à primeira vista, até aquele momento...

Ele foi chamado por seus superiores para receber a missão dos próximos dias. O destino só poderia estar lhe pregando uma peça: dali a três dias iria participar de manobras militares em um porta-aviões justamente na Líbia, próximo a Zwara, para onde iria Aisha. Não entendera como aquilo poderia estar acontecendo. O homem que mexia as peças do jogo de xadrez da vida só poderia estar brincando com ele. Dessa vez, não iria ser o responsável pela embarcação, já que sua graduação permitia-lhe, no máximo, comandar navios-patrulha do porte do Squadra, mas estaria perto da sua bruxinha e, de certa maneira, poderia acompanhar seus passos e protegê-la...

Foi contar as boas-novas ao amigo Zantini, mas ele já sabia de tudo. Foi aí que Alessandro entendeu tudo. O amigo fora casado com a filha do capitão Marchetti, que lhe colocou um belo par de chifres. O capitão, envergonhado pela atitude da filha, achava que tinha uma dívida de honra para com Zantini, pois sempre o considerara como a um filho. Não foi difícil imaginá-lo pedindo que os incluíssem nesta missão. Agora tudo fazia sentido...

- Porra Zantini, fico te devendo essa, cara...

- Não vem com sentimentalismo não, Romanzini, que assim eu choro...

- Cara, acho que eu vou te dar um beijo! - Brincou Alessandro.

- Fica aí mesmo, Romanzini. Estou te estranhando... Sai pra lá... Você não faz o meu tipo, garanhão italiano! - Debochou.

O que o amigo tinha feito por Alessandro, ficaria para sempre em sua memória e em seu coração. Ele o estimava muito. Era uma amizade pura e verdadeira que havia entre eles.

No dia seguinte, os militares foram liberados para irem passar as próximas vinte e quatro horas em Pozzallo antes de embarcarem. Assim que saiu do ônibus, Alessandro foi até o acampamento. Chegando ao local, viu que as tendas não estavam mais lá e que os refugiados já tinham sido encaminhados aos seus destinos. Ainda restava um container, que abrigava uma espécie de escritório. Bateu à porta. Ninguém respondeu. O lugar estava vazio. Chamou, tentou, e nada... Já ia saindo do acampamento, quando de repente se deparou com um senhor de meia-idade, que estava chegando ao local. Ele se identificou como sendo um dos funcionários da ONG de ajuda humanitária, que havia ficado para terminar de desfazer o acampamento. O capitão-tenente perguntou pelos médicos sem fronteira, e pela doutora Aisha. O funcionário informou que iriam embarcar para a Líbia naquele dia.

- Senhor, a estas alturas devem estar no aeroporto de Catânia, ou já podem até mesmo ter embarcado, pois não sei a hora do voo. Viajo para lá daqui a dois dias. - Completou o simpático homem.

Alessandro agradeceu e saiu em disparada. Com sorte, chegaria ao aeroporto antes de eles embarcarem. Passou às pressas pela frente do apartamento de Aisha, que estava com as cortinas fechadas. Suspirou e seguiu em frente. Foi até a praça e pegou um táxi. Durante todo o trajeto, que durou uma hora e meia aproximadamente, o capitão apressou o pobre taxista.

Alessandro sabia que não havia voos diretos para Zwara. Da Catânia, iriam provavelmente para Roma, e de lá, para Tripoli, capital da Líbia, de onde teriam que pegar outro voo para Zwara. Por isso, fora até o balcão de embarque das companhias que operavam até Roma. Com muito custo, usando um pouco do seu charme e mostrando suas credenciais de militar, pediu que a funcionária da companhia aérea rastreasse suas listas de voo para localizar onde estaria Aisha. Pelos seus cálculos... Merda... O check-in tinha sido fechado há alguns minutos. Foi apenas o suficiente para que capitão a visse entrando no portão de embarque... E ele a viu, de costas.

- Aisha! - Gritou.

A morena virou-se e encarou aqueles olhos azuis, do homem por quem estava loucamente apaixonada... Seu coração estava disparado! Ela não pensou duas vezes e, correu na direção do militar, para surpresa de todos os presentes. Ele a recebeu num abraço e a girou nos seus braços. Beijaram-se apaixonadamente... Olharam-se nos olhos... Sorriram... Choraram... Beijaram-se novamente... Até que o voo de Aisha foi chamado pela última vez.

Ambos sabiam que aquilo era apenas um até breve... Não era, e nem podia ser, um adeus...

Fim?

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