c a p í t u l o - 7
These minefields that I walk through
What I risk to be close to you
These minefields keeping me from you
What I risk to be close to you
Close to you
— Minefields | Faouzia & John Legend
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— Tchau, pirralha, te amo muito — falei ao finalizar a chamada de vídeo com a minha irmã.
Depois de um dia cheio de novidades, reuniões, trabalho árduo e planejamento, hoje eu posso dizer que iria repetir aquilo tudo de novo. Mas agora, com um adendo ainda maior: cheio de influenciadores digitais com milhares de seguidores e alguns dos atores mais famosos de Hollywood. Era até engraçado falar sobre esse local agora que eu morava tão perto.
Minha irmã sempre me ligava com alguma amiga me mostrando como um animal no cativeiro de um zoológico. Mas ela estava tão feliz por mim que eu não media esforços para falar da minha nova vida e tudo o que eu já tinha visto por aqui. Deixei de lado apenas aquele encontro maluco no museu com o homem bonito e misterioso. Não sei porque exatamente, mas escondi.
Sei lá. É como se, de alguma forma, eu ainda estivesse traindo a confiança e o amor de Nicholas. Não podia permitir que isso acontecesse. Eu sei que ele morreu há muito tempo, mas ainda sentia que não tinha espaço para colocar outra pessoa em seu lugar. Talvez nunca teria essa chance.
Tomei um café rápido com algumas panquecas de banana e fui para a agência, vestida decentemente com uma camiseta social com referências pop que eu amava e uma saia preta que ia até os joelhos com duas pequenas fendas que deixavam o look profissional. Com um salto baixo vermelho e uma bolsa vermelha, me sentia realmente uma "patroa".
— Bom dia, Isabela, estamos com alguns dos atores já no camarim se preparando e já repassamos para os influenciadores a base do nosso roteiro. Eles estão tão felizes que parecem querer soltar foguetes, conversando com todo mundo — Shonda surgiu ao meu lado quando eu entrei, me entregando uma prancheta com alguns papeis que repassei os olhos rapidamente.
— Já encontrou o Laurie? — perguntei, olhando para ela.
— MENINA, SIM! — disse ela baixinho, sorrindo de orelha a orelha. — Ele é tão simpático, tão fofo. Ai, Deus!
Dei uma risadinha. Lá também estavam Kate Beckinsale (Selene de Anjos da Noite), Theo James (Quatro de Divergente), Omar Epps (Eric em Dr. House), Maude Apatow (Lexi em Euphoria) e os principais influenciadores de filmes e cinema de Los Angeles.
Foi uma aventura cumprimentar todos esses ícones que eu admirava no Brasil. E bem, vamos combinar, o povo brasileiro consegue ser um fã até de forma exagerada. Eu estava a ponto de surtar querendo fotos com todo mundo, mas não tirei nenhuma até o final, tentando manter o profissionalismo de líder. Me apresentei e falei um pouco sobre a ação e o que queríamos com aquilo.
Ter a atenção de todos me deixou nervosa, mas nada que eu não conseguisse disfarçar. Continuei falando até ser interrompida por uma voz rouca que já havia ouvido antes. Uma voz melodiosa e doce.
— Por favor, desculpem meu atraso — ele disse. — O carro do Uber que utilizei acabou estragando no meio do caminho.
Então franzi as sobrancelhas. Ele era alto e usava uma camiseta branca de gola redonda e uma calça jeans escura, com uma jaqueta marrom por cima. O cabelo era escuro e bem colocado, assim como a barba bem feita e o sorriso alegre ao cumprimentar os outros atores e atrizes com um aceno e uma frase de bom dia. Eu senti um déjà vu ao vê-lo, que se correspondeu quando ele me olhou nos olhos e estendeu a mão em minha direção.
— Realmente me perdoe o atraso — disse ele. — Sou Sebastian Peeters, mas acho que já sabia, já que foi você quem me chamou.
Os mesmos olhos azuis do museu. Por um segundo, notei que ele também me reconheceu, mantendo seu olhar preso ao meu alguns segundos a mais que o necessário. Apertei a mão dele em um cumprimento, sentindo sua mão grande e macia cobrir a minha. Ele era quente, ardente. Eu só conseguia pensar que homem do museu era um ator lindo e famoso com quem eu teria que trabalhar durante meses.
— Sou Isabela Marques, responsável pelo projeto — respondi com um sorriso leve, me sentindo completamente vermelha. — Muito prazer em conhecê-lo.
— O prazer é todo meu — respondeu ele com um tom de malícia na voz.
Eu balancei a cabeça com um sorriso envergonhado. Meu Deus, o que era aquilo. O que eu estava fazendo? Flertando? Será que eu sequer lembro de como é isso?
— Então, como eu estava falando — continuei, tentando ignorar seu olhar intenso sobre mim — agora que vocês já conheceram os influenciadores e um pouco mais do roteiro, vamos começar as gravações seguindo o cronograma proposto que eu acredito que a Shonda já lhes distribuiu.
— Senhor Laurie, acompanhe a Shonda até o estúdio um com o primeiro influenciador. Thomas, acompanhe a senhorita Kate até o estúdio dois. Peter acompanhe o senhor Omar até o estúdio três... — fui falando em uma sequência conforme os papéis em minhas mãos — ... e Mary, acompanhe o Senhor Peeters até o estúdio seis.
— Por favor, me chame de Sebastian — disse ele, me cortando, com um sorriso no rosto. — "Senhor" me faz parecer velho.
Estávamos só eu, ele e Mary parados ali.
— Tudo bem então, Sebastian — falei seu nome lentamente. — Por favor, acompanhe Mary até o estúdio seis.
Indiquei o caminho, apontando com a mão pelo caminho a ser seguido. Senti minha mão tremer um pouco pela forma como meu coração estava acelerado, mas mantive a postura séria e profissional.
— Por aqui, senhor — disse Mary indo na frente.
Ele começou a caminhar seguindo Mary pela minha frente, me fitando intensamente enquanto deixava o perfume pelo ar. Senti meu estômago com milhares de borboletas em ansiedade pelo jeito como ele parou por milésimos de segundo antes de dar outro passo. Ele parecia saber o efeito que estava causando em mim e parecia se divertir com isso. Eu, no entanto, estava odiando essa experiência.
Comecei a ir de estúdio em estúdio para ver como estavam saindo as gravações. Tudo parecia divertido e extremamente legal. Os influenciadores não tinham autorização para divulgar grande parte das coisas, conforme o contrato de sigilo, mas ainda tinham chance de compartilhar fotos com os atores e viver essa experiência super legal.
Cada vez mais eu estava amando meu trabalho. Mas aquela experiência com o homem do museu poderia acabar me deixando louca. Eu esperava que aquela sensação fosse passar, mas talvez eu não tivesse ideia do que o futuro poderia me reservar ali.
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Depois de um longo dia de trabalho, estava separando minhas coisas para ir embora quando ouvi sua voz melodiosa.
— Acho que você me deve uma explicação sobre uma obra de arte, não acha? — Sebastian disse, arrepiando meus pelos da nuca.
Levantei os olhos e ele estava em minha frente com a jaqueta sobre o ombro direito, jogada, deixando seu corpo ser modelado pela camiseta branca, me fazendo querer arfar em alto e bom som. Me vi observando seus olhos novamente, encantada com a cor e o brilho que ele tinha, além do sorriso estonteante.
— Ah... — abri a boca mas nada saiu. Droga. Perdi meu cérebro só de olhar para ele?
— Você me reconhece, não é? — ele falou, em dúvida.
— Sim, sim, reconheço — respondi, afirmando com a cabeça, as bochechas ardendo vermelhas.
— Quando disse que esperava vê-la de novo, não esperava que fosse tão rápido — disse ele, divertido.
— Nem eu — falei, sincera.
— Agora que sei seu nome, provavelmente conversaremos mais. Eu realmente quero saber mais sobre a obra de arte. Também sei de algumas coisas que você pode achar legal — Sebastian balançou a cabeça. Então jogou a jaqueta no ombro e se preparou para sair. — Te vejo amanhã.
Ainda estava envergonhada de estar próxima dele.
— Até breve.
Eu o acompanhei com os olhos, observando o contorno de suas costas e as passadas firmes em direção à saída. Então ele apenas se despediu com um aceno e saiu porta afora. Aquele pedaço de pecado ainda seria um problema para mim.
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