c a p í t u l o - 1 2

All memories in the clouds 

Put my feet on the ground

'Cause I know I should forget you

Oh, why can't I just regret you?

— Good Stuff | Griff

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Depois de uma semana agitada de trabalho, estávamos chegando ao fim. Era quinta-feira e eu estava correndo para lá e para cá enquanto analisava métricas e seguia com a produção da campanha da Stary. Obviamente, estávamos todos loucos com a pressão gigantesca em nossos ombros, mas era impossível dizer que aquele trabalho estava ruim. 

Eu tinha plena confiança que tudo estava ficando ótimo. 

Paul conversava conosco com frequência, entendendo cada passo que estávamos dando. Percebi que me avaliava, só pelo jeito que parava e observava ou quando me escutava falar de uma estratégia. Fazia questionamentos pontuais e depois acenava com a cabeça. Se eu estava me saindo bem ou não, não fazia ideia.

— Tenha colocar ele mais ao fundo, o gradiente pode ser um pouco mais claro, mantendo o contraste com a tipografia. Está ficando excelente — falei para Roger enquanto ele me mostrava o conceito visual que criou para as redes sociais. Os tons de marrom, vermelho e laranja eram muito intensos, o que combinava com o cenário de guerra do filme e contrastava de forma belíssima com a estrutura do design.

— Perfeito, faremos a alteração e te mostro amanhã pela manhã — disse ele, balançando a cabeça. 

Dei um sorriso e ele saiu carregando o notebook. Mary estava na porta com a mão levantada para bater, bem na hora. Ela e Roger deram um risinho com a situação. 

— Me desculpe — disse ele, olhando fixamente nos olhos dela.

— Não foi nada, imagina — rebateu ela colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.

Estava ficando meio constrangida, mesmo que tenha durado alguns segundos. Dei um sorrisinho malicioso interno. Ah, o instinto... nunca falha. Tinha caroço nesse angu, com toda certeza.

Mary me olhou de canto, carregando um buquê de flores em minha direção.

— Nem adianta me olhar assim — disse ela, envergonhada, mas retribuindo o meu olhar suspeito. — Você também tem um presente especial de um admirador.

Então me entregou o buquê de gardênias brancas, cuidadosamente embaladas com uma fita de cetim creme. Belíssimas e cheirosas, as flores pareciam brilhar com a luz do sol que entrava me meu escritório. Curiosa, procurei por um cartão ou algo assim e encontrei um pequeno bilhete escrito "see you at 6pm for a dinner with my friends, s.p."¹ escrito com uma letra despojada, mas cuidadosamente colocada.

Sebastian.

Por um segundo, fiquei na dúvida do que era aquilo, se ele havia mandado errado ou algo assim. Mas então me lembrei que da última vez que conversamos, ele havia me convidado para um jantar com seus amigos. Senti meu rosto esquentando, nervosa com a possibilidade e agora uma maior confirmação de flerte.

— O que diz aí? — Mary me questionou, os olhos brilhando de curiosidade.

— Acho que é um convite para um encontro — balancei a cabeça, pensativa, mas com um sorriso de canto involuntário se formando em meu rosto. Não esperava essa sensação, mas ele claramente conseguia me atingir, fazendo meu coração acelerar um pouco.

Mary deu um pulinho animada. 

— Você tem roupa? Precisa de ajuda? Você vai, né? — ela começou a me questionar.

— Óbvio que vou, mas você não pode falar pra ninguém, tá bom? — disse a ela. — Eu prometo que te conto tudo se você não falar pra equipe. Não quero que ninguém pense coisas erradas de mim.

— Mas é claro, eu juro que não digo nada — rebateu ela fazendo uma mímica de zíper na boca, jogando a chave fora. Dei um sorrisinho. 

— Antes, você pode me ajudar a buscar um vaso para eu colocar as flores? — pedi. Ela disparou pelo escritório.

Durante o dia inteiro, cada vez que observava as flores ficava com um sorriso bobo no rosto. Não sabia o que esperar desta noite, mas queria que fosse um dia de felicidade e diversão. Mas durante o trabalho, precisava manter a postura séria, criativa e alternativa, mas séria, principalmente na posição que estava exercendo.

Almoçamos todos juntos no Burger King, mas enquanto todos pareciam mergulhar no papo mais conceitual e maluco que podiam, eu estava viajando nos meus mais profundos pensamentos. A ansiedade já estava me afetando, apesar de eu lidar com ela de diferentes formas, seja na terapia, seja com remédios. 

Se você já passou por isso, talvez me entenda. Quando temos algo que impulsiona nossa ansiedade, a concentração se torna inexistente e tudo ao nosso redor passa voando. Eu não conseguia focar muito bem no que eu queria. Se eu soubesse, teria trazido meu remédio para o trabalho, apesar de não precisar dele há um bom tempo.

Às cinco da tarde minha equipe começou a ir embora, depois de um longo dia de trabalho para eles. Eu estava finalizando o processo da estratégia, quarenta minutos depois, quando ouvi uma batida na porta. Chamei Paul para explicar algumas coisas do processo e os resultados que estávamos alcançando até ali.

— Boa noite — ouvi a doce e grossa voz de Sebastian.

Levantei o olhar e encontrei com o dele, sentindo o rosto avermelhar com o sorriso brilhante que ele exibia. Com uma calça jeans e uma camiseta de gola redonda azul-escuro, Sebastian estava lindo. Lindo o suficiente para me fazer perder o compasso da respiração decente de um ser humano.

— Oi — falei, a voz um pouco falhada.

— Espero que tenha gostado das flores — disse ele, aproximando-se da mesa onde o vaso transparente que Mary havia buscado estava disposto.

— Eu amei. Muito obrigada — respondi, levantando-me. Fechei minha agenda, onde estava escrevendo e arrumei algumas coisas que estavam jogadas.

— Que horas você pretende sair? — questionou-me ele com calma, me seguindo com o olhar a cada passo que eu dava.

— Na verdade, só precisava falar com Paul e já posso sair — respondi. 

Na mesma hora, o telefone apitou com um barulho irritante. Eu odiava aquele negócio. Acredito que um e-mail ou uma mensagem são bem mais rápidos e efetivos, mas quem sou eu para dizer alguma coisa, não é mesmo? Mas me mantinha feliz pelo contato ser apenas interno.

— Isabela Marques, boa noite — falei na chamada.

Isabela, infelizmente a nossa conversa não poderá ser hoje. Acabei de ser convocado para uma reunião importante, mas nos falamos amanhã pela manhã, tudo bem? — ouvi Paul na chamada.

— Tudo bem, não tem problema algum — respondi.

Perfeito, então — Paul disse. — Até amanhã, tenha uma boa noite.

— Uma boa noite também, Paul — respondi, desligando o telefone em seguida.

Sebastian me olhava interessado.

— Bem, acho que estou livre — falei com um sorriso que contagiou o belo ator. — Paul não poderá falar comigo.

— Que bom — disse ele, se aproximando de mim. — Pode deixar que eu levo. 

Então ficou na minha frente, me observando daquele jeito que normalmente fazia e, despreocupadamente, pegou a alça da bolsa que eu já tinha colocado no ombro e a retirou, puxando-a para si enquanto eu carregava o notebook, a agenda e meu diário.

Caminhamos até o estacionamento onde seu carro estava, um Mercedes preto e reluzente. Ele abriu a porta para mim e então deu a volta no carro, entrando no lugar do motorista. Por dentro, o carro tinha um cheiro ótimo, masculino, mas nada que incluísse fedor de cerveja e cigarro barato. Era um perfume luxuoso que fazia minha ansiedade atiçar, ativando as borboletas do meu estômago.

— Bem, esse jantar é realmente só para os amigos. Fazemos isso de vez em quando para jogar algumas coisas e conversar — disse ele, agora focando no trânsito.

Ele também havia ligado o rádio e tocava uma antiga música de Elvis Presley que eu adorava: Always On My Mind. Achava esse som espetacular. Sebastian deixou o som baixo o suficiente para que pudéssemos conversar sem precisar aumentar o tom de voz.

— Eu imaginei que você gostaria de sair um pouco, se divertir — continuou ele.

— Você acertou — falei, sorrindo.

— Acredito que você conheça meu amigo, Tony — Sebastian continuou, dando seta para entrar na highway. — Ele também é ator. Vai estar lá com a mulher. 

— Vocês já fizeram alguns filmes juntos, não é? — questionei.

— Sim, já fizemos sim — respondeu-me ele. — Mas não se preocupe, lá nós apenas nos divertimos. Ninguém nem fala de trabalho direito. 

— Mais que certo — ri, afirmando com a cabeça.

O caminho até a casa de Sebastian eu já conhecia, portanto, não estranhei as ruas que pegamos. Quando estacionamos dentro do condomínio eu já estava um pouco mais calma com aquela situação maluca. Menos nervosa ao lado de Sebastian, pelo menos, apesar de suas encaradas intensas.

— Fala, cara! Até que enfim chegou. Imaginei que a gente ia ficar plantado aqui a noite inteira — alguém começou a falar, com uma voz divertida, assim que Sebastian saiu do carro.

Sai do carro também e vi um homem negro e alto, da mesma altura de Sebastian, mas mais magro. Tinha um sorriso alegre e olhos expressivos. Vestia uma roupa simples que lhe dava um ar casual e muito bonito. Ao lado dele havia uma mulher exuberante. A pele oliva, combinando com a do parceiro, era reluzente e brilhante e seu cabelo cacheado parecia uma nuvem fofa e macia. Me senti em um bi panic dos fortes. Os olhos escuros brilhavam e o sorriso resplandecia.

— Eu fui buscar a Isabela — Sebastian respondeu, balançando a mão em minha direção —, minha amiga.

A forma como ele disse aquilo foi meio engraçada, pausada.

— Oi, muito prazer — falei, estendendo a mão para cumprimentá-lo.

Ele me olhou rapidamente e então para Sebastian, o que me fez ficar um pouco envergonhada, principalmente por sua expressão levemente maliciosa. Não sabia o que esses dois haviam conversado, mas estava ficando nervosa de novo.

— Sou Anthony, mas pode me chamar de Tony — disse ele.

— Eu sou Sylvia — a mulher também me cumprimentou, com um sorriso brilhante e caloroso.

— Vamos subir? — Sebastian perguntou.

E então, todos fomos em direção à entrada do prédio. Eu sentia que seria um jantar interessante. Divertido. Mas mesmo assim, queria entender um pouco mais das loucuras que se passavam em minha mente.

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¹ "Vejo você às 18h para um jantar entre amigos, S.P."

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